Agenda Semanal é definida em negociação com Sindicato

Na primeira rodada da nova etapa de negociação entre a General Motors e o Sindicato dos Metalúrgicos sobre o futuro da fábrica da montadora em São José dos Campos, ocorrida ontem, as partes reafirmaram suas propostas iniciais, sem previsão de acordo.

Segundo relato do secretário-geral do sindicato, Luiz Carlos Prates, o Mancha, a empresa informou que a possibilidade de eventuais novos investimentos na planta local depende de medidas de flexibilização trabalhista. Entre elas, criação de banco de horas, nova grade salarial e redução de salários na fábrica.

A GM também informou que a unidade industrial permanece com excedentes de funcionários e que está mantida a previsão de fechamento da linha de montagem conhecida como MVA após 30 de novembro deste ano. Segundo a montadora, o excedente é de 1.840 funcionários de um total de 7.500 empregados do complexo industrial de São José.

“A empresa reafirmou as suas e propostas e nós reafirmamos as nossas”, disse o dirigente sindical. Prates declarou que o sindicato reforçou a tese de manutenção de empregos, inclusive dos funcionários que terão o contrato de trabalho suspenso a partir da próxima segunda-feira, da manutenção da produção do Classic na linha MVA e de novos investimentos no complexo. Atualmente, apenas esse modelo é produzido no setor, onde eram montados também o Meriva, Zafira e Corsa.

No encontro, GM e sindicato definiram uma agenda de reuniões para aprofundar as negociações. A partir da próxima semana, os encontros serão semanais, segundo Prates. A abertura de diálogo faz parte do acordo firmado pelas partes no dia 4 de agosto para evitar a demissão imediata de 1.840 funcionários. Na reunião, a GM informou ao sindicato que houve uma redução de 940 para 925 no número de funcionários que terão o contrato de trabalho suspenso.

Do grupo de 1.840 funcionários, 900 permanecem no trabalho, na produção do Classic. “Segundo a empresa, como há funcionários afastados, o número foi reduzido”, disse. Hoje, o sindicato vai realizar assembleia com o grupo, em sua sede, para orientar sobre a suspensão do contrato. “Vamos passar informações sobre o processo e reafirmar a nossa luta pela manutenção dos empregos”, declarou o dirigente sindical. A assembleia está marcada para as 14h.  A GM informou, por meio de sua assessoria, que não vai se pronunciar a respeito das reuniões com o sindicato.

O Vale

Planta começa a ser explicada pela GM e o Ministério

A General Motors e o Ministério do Emprego e Trabalho começaram ontem a orientar os funcionários da planta de São José dos Campos que terão o contrato de trabalho suspenso a partir da próxima segunda-feira, até o dia 30 de novembro.

Pelo acordo firmado entre a empresa e o Sindicato dos Metalúrgicos no dia 4 de agosto, dos 1.840 trabalhadores considerados excedentes pela companhia, 940 vão ter o contrato suspenso, medida denominada ‘layoff’. Os operários receberão auxílio de R$ 1.163 do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e complemento salarial da empresa. Eles terão que frequentar cursos de qualificação.

A maior parte do grupo trabalha na linha de produção MVA, onde atualmente só é produzido o Classic. Na linha eram montados também o Corsa, Zafira e Meriva. Funcionários selecionados para o ‘layoff’ disseram acreditar que têm poucas chances de voltar para a empresa após o período de afastamento do trabalho.

“Vou tratar de procurar outra atividade. Acho que voltarei a ser caminhoneiro”, disse Ronaldo Gomes, 53 anos, há 17 anos trabalhando na GM. Ele avalia que os funcionários com mais idade e tempo de casa têm poucas chances de retorno. “A empresa quer gente nova com salário menor”, afirmou ele.

“Estamos numa situação difícil mas, se a GM der uma oportunidade, quero voltar para a empresa”, disse Adelson Alvarenga, 45 anos, 16 anos de empresa. Hoje acontece a primeira rodada de negociação entre a GM e o sindicato sobre o futuro da fábrica de São José dos Campos. O encontro será às 15h na própria empresa, segundo o sindicato.

O Vale

Sindicato junto a GM decidirá o futuro da fábrica na cidade

A General Motors e o Sindicato dos Metalúrgicos iniciam amanhã nova rodada de negociações sobre o futuro da fábrica de São José dos Campos, como parte do acordo firmado no dia 4 de agosto, que evitou, temporariamente, a demissão de 1.840 funcionários considerados excedentes pela montadora.  Pelo acordo, 940 empregados vão ter o contrato de trabalho suspenso, medida denominada de ‘layoff’, a partir da próxima segunda-feira, até 30 de novembro.

Outros 900 funcionários permanecem na linha MVA, na produção do Classic, único modelo que ainda é produzidos no setor, após Corsa, Meriva e Zafira terem sua fabricação suspensa. A GM planeja desativar a linha após 30 de novembro.  A retomada das conversações sobre o destino dos excedentes e de um novo acordo entre GM e sindicato para novos investimentos na fábrica local está agendada para as 15h, em São José dos Campos.

Até ontem, no entanto, o local ainda não havia sido definido, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos. A GM condicionou analisar possíveis novos investimentos na planta de São José a flexibilizações trabalhistas na planta. Entre as propostas da montadora estão criação de banco de horas, implantação de nova grade salarial e redução salarial.

Por ser a primeira reunião, a direção do sindicato avalia que o encontro será para definição de uma agenda de negociações, uma vez que, pelo acordo de 4 de agosto, as partes vão conversar durante 60 dias. “Acredito que primeiro vamos tratar das questões relacionadas ao ‘layoff’ e da definição de um calendário de conversações”, disse o secretário-geral do sindicato, Luiz Carlos Prates, o Mancha.

Segundo ele, as posições do sindicato não mudaram. “Nós mantemos as propostas que já apresentamos”, disse. O sindicato reivindica da montadora que concentre em São José a produção do Classic, o Sonic (produzido na Coreia do Sul) e volte a fabricar caminhões no Brasil. A montadora já descartou todas.

O diretor regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), em São José, Almir Fernandes, disse que a expectativa é que GM e sindicato cheguem a um acordo que garanta investimentos para a planta de São José. “O sindicato precisa negociar com base na realidade”, disse.

A GM já comunicou, por carta, os funcionários que irão para o sistema ‘layoff’. A previsão é que a maioria dos 940 trabalhadores que estava em férias coletivas até ontem terá o contrato de trabalho suspenso. Segundo o sindicato, a empresa também selecionou empregados de outros setores. De hoje até sexta-feira, os funcionários selecionados para o ‘layoff’ estarão de licença remunerada. Sexta-feira, o sindicato vai reunir o grupo.

O Vale

Acordo entre Sindicato e GM diminui risco de Demissões

Os funcionários da fábrica da General Motors de São José dos Campos aprovaram ontem o acordo firmado pelo Sindicato dos Metalúrgi-cos com a montadora que evita temporariamente a demissão de 1.840 trabalhadores considerados excedentes pela empresa.

O grupo trabalha na linha de produção MVA, que vai continuar operando até o final de novembro com 900 empregados, quando será totalmente desativada. O setor produz somente o Classic, com cadência de 20 unidades por hora.

Outros 940 operários da MVA terão os contratos de trabalho suspensos, medida denominada “layoff”, até o dia 30 de novembro, precedidos por 15 dias de licença remunerada a partir de amanhã, conforme prevê a legislação trabalhista.

O grupo vai receber um auxílio de R$ 1.163 mensais do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e complemento salarial da empresa. Os metalúrgicos afastados terão que frequentar curso de qualificação. Pelo acordo, firmado no sábado após nove horas de reunião, também será aberto hoje um PDV (Programa de Demissão Voluntária) em todo o complexo industrial, que emprega 7.540 pessoas.

O acordo foi aprovado em duas assembleias realizadas pelo sindicato na fábrica. A primeira aconteceu às 5h30 e reuniu cerca de 4.000 metalúrgicos. A segunda ocorreu no período da tarde, com a presença de 2.000 empregados da empresa.

Segundo o secretário geral do sindicato, Luiz Carlos Prates, o Mancha, só dez funcionários votaram contra. “Esse não é o acordo dos nossos sonhos, mas garante o emprego dos companheiros enquanto negociamos com a empresa a manutenção dos postos de trabalho e novos investimentos para a planta de São José”, disse o dirigente sindical.

Prates afirmou que será uma negociação difícil, mas que o sindicato vai enfrentar com mobilização da classe metalúrgica de São José e de outras localidades, além de pressionar os governos municipal, estadual e federal para a garantia do emprego.

O Vale

Depois de acordo, Operários voltam a produção na GM

Os funcionários da General Motors votam hoje em assembleia se aprovam ou não o acordo firmado no sábado entre montadora e Sindicato dos Metalúrgicos para evitar a demissão em massa na fábrica de São José. Além de suspender o contrato de 940 empregados dos 1.840 considerados excedentes, o acordo abre a partir de hoje brecha para discussão de nova grade salarial e flexibilização de jornada na montadora, condições apontadas como essenciais pela direção da companhia para tornar a planta mais competitiva e assim garantir investimentos futuros.

Historicamente contrário à flexibilização de jornada, o sindicato local já admite debater o tema com os operários para evitar que a unidade do Vale, que já chegou a ter 12 mil empregados e hoje não passa de 7.540, perca de novo investimentos para as demais plantas no país.  Dos R$ 5 bilhões aplicados pela empresa no Brasil nos últimos cinco anos, São José levou R$ 800 milhões.

O grupo que terá o contrato suspenso trabalha na linha de montagem conhecida como MVA, esvaziada com o encerramento da produção do Corsa, Meriva e Zafira. Só o Classic é feito hoje no setor. A direção do sindicato definiu no final da tarde de ontem que vai reunir todos os empregados do complexo, que abriga oito fábricas, em assembleia às 5h30 de hoje na portaria do MVA.

A expectativa é reunir pelo menos 4.000 dos 7.540 funcionários da fábrica, segundo informou o presidente do sindicato, Antonio Ferreira de Barros, o Macapá. “Vamos apresentar o que foi definido na reunião com a GM para apreciação da categoria”, disse o dirigente.

O pacote acordado entre a entidade e a GM prevê a suspensão do contrato de trabalho, medida conhecida como ‘layoff’, de 940 funcionários do MVA até o final de novembro, abertura de PDV (Programa de Demissão Voluntária), continuidade da cadência atual de produção do Classic, que mantém o emprego de 900 operários, e negociação de medidas para aumentar a competitividade da planta.

Para a GM, o aumento da competitividade só será possível com a flexibilização. O acordo prevê ainda que as negociações entre as partes sobre esse quesito acontecerão nos próximos 60 dias, quando também será tratado o futuro dos operários que tiverem o contrato de trabalho suspenso. No período de suspensão, os trabalhadores receberão auxílio de R$ 1.163 do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e complemento salarial da empresa.

Eles terão que frequentar cursos de qualificação. “Esse acordo foi uma vitória, ainda que parcial. Vamos continuar a luta para garantir que, após esse período, os empregos sejam preservados, que a fábrica tenha mais competitividade e que a GM faça novos investimentos em São José”, disse Barros.

Sobre a flexibilização trabalhista, o dirigente disse que o sindicato “está aberto a negociações”. “Primeiro vamos cuidar dessa primeira etapa e depois analisar a segunda fase, que é negociar com a empresa medidas para a fábrica de São José”, afirmou o dirigente.

O Vale

940 contratos são suspendidos em acordo com a GM

A General Motors afastou ontem temporariamente a possibilidade de demissão em massa na fábrica de São José dos Campos e anunciou a suspensão do contrato de trabalho de 940 funcionários de um total de 1.840 trabalhadores considerados excedentes pela montadora. Esse grupo trabalha na linha de produção conhecida como MVA, que atualmente só produz o Classic.

O acordo foi anunciado ontem após nove horas de reunião entre representantes da montadora, do Sindicato dos Metalúrgicos, do Ministério do Trabalho e Emprego, do governo do Estado e da prefeitura. A suspensão dos contratos, conhecida como layoff, vai durar até novembro.

Durante este período, os trabalhadores receberão subsídio de R$ 1.163 do Fundo de Amparo ao Trabalhado1 e o complemento do salário será pago pela empresa. Os empregados também terão que participar de cursos de qualificação. A montadora também vai abrir um PDV (Programa de Demissão Voluntária) em todo o complexo industrial, que possui 7.540 operários.

Outro ponto do acordo prevê negociações nos próximos 60 dias sobre flexibi-lização trabalhista na unidade e o que acontecerá com os operários afastados. O diretor de Assuntos Institucionais da GM, Luiz Moan, disse que, entre os itens que serão negociados estão redução da grade salarial e criação de banco de horas, como já ocorreu em outras unidades industriais da montadora no país.

Moan afirmou que o MVA vai continuar a funcionar com 900 operários até novembro. No total, o número de funcionários excedentes na planta soma 1.840, segundo o executivo.  O layoff já foi adotado pela GM na fábrica de São José em 2006. Na época, 240 trabalhadores da unidade tiveram os contratos suspensos por quatro meses. Ao final do período, metade deles acabou demitida.

O Vale

Governador Alckmin promete ajudar a acabar com a Crise da Gm

Às vésperas da reunião que pode selar o destino de 2.000 funcionários da General Motors em São José dos Campos, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) se comprometeu ontem a apresentar propostas à montadora para tentar evitar a demissão em massa.

Após se reunir em seu gabinete com a direção do Sindicato dos Metalúrgicos, Alckmin afirmou que vai procurar a direção da GM e o governo federal e propor que a empresa mantenha na cidade a produção do Classic para evitar a demissão.

“A nossa posição é totalmente favorável à manutenção do emprego”, afirmou. Anteontem, o ministro Guido Mantega (Fazenda) já havia descartado interferir na crise da GM. Alckmin disse que a permanência da produção do Classic em São José, além de garantir emprego, possibilitaria tempo para novos investimentos, com a criação de uma nova linha. Ele relatou que o Estado tem o programa ‘Pró-Veículo’ para estimular a atração de investimentos no setor no Estado.

O programa é financiado com a liberação de créditos retidos de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) em troca de investimentos no Estado. “Vamos entrar em entendimentos com a direção da GM e com o governo federal”, afirmou o governador.

O presidente do sindicato, Antonio Ferreira de Barros, o Macapá, disse que o encontro com Alckmin foi positivo. “O governador se posicionou claramente contra demissões na GM. Os governos federal e estadual podem evitar demissões em São José”, disse.

Desativação. A GM afirma que há excedentes de funcionários na linha de produção MVA. Dos quatro modelos montados no setor, apenas o Classic ainda é produzido. Segundo o sindicato, a maioria dos 1.500 empregados do MVA está ociosa com a redução da produção.

A reunião de ontem foi a última tentativa política do sindicato antes do encontro de amanhã com a GM para definir o destino dos operários. O prazo foi dado como final na negociação que se arrasta há um mês.

O Vale

Às vésperas de negociação, montadora paralisa

A direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos informou ontem que a General Motors já começou o desmonte da linha de produção conhecida como MVA, na planta local, e reduziu para menos da metade a produção do Classic, único modelo que restou no setor, que também fabricava Corsa, Zafira e Meriva.

A medida surpreendeu a direção do sindicato, que teme pela demissão de aproximadamente 2.000 trabalhadores da planta da montadora em São José. Segundo a entidade, somente no MVA correm risco de demissão cerca de 1.500 funcionários, mas o fechamento da linha atingiria operários de outros setores do complexo industrial, como da fábrica de motores, estamparia e pintura, entre outros.

“A nossa análise é que até sexta (amanhã) todo o MVA estará fechado”, disse o presidente do sindicato, Antonio Ferreira de Barros, o Macapá. Ele relatou que o processo de esvaziamento da fábrica foi iniciado na noite de quarta-feira. “A GM encerrou as atividades do segundo turno do setor de funilaria, que produz o Classic, da área de injetora de plástico e de parte da pintura”, disse o dirigente sindical.

Sindicato e GM ainda têm uma última rodada de negociação no próximo sábado. A surpresa maior para o sindicato aconteceu ontem com a redução da cadência de produção do Classic. Segundo Barros, a montagem diária do modelo foi reduzida de 375 unidades para 155.

“A empresa também demitiu o diretor do MVA. A GM começou o fechamento do MVA após o ministro Guido Mantega (Fazenda) autorizar a empresa a demitir”, afirmou. Mantega disse, após se reunir na última terça-feira com o diretor de Assuntos Institucionais da montadora, Luiz Moan, que não cabe ao governo tratar “de problemas localizadas da companhia”.

“É da organização interna da empresa”, disse o ministro, que informou que a GM tem gerado empregos no país.  Na avaliação do sindicato, o plano da montadora seria transferir a produção do Classic para a sua fábrica em Rosário, na Argentina. “É clara essa posição da empresa”, afirmou Barros.

Os sindicalistas prometem reagir à possível demissão em massa na fábrica de São José. “Vamos continuar mobilizando a categoria e a sociedade. Vamos procurar a presidente Dilma Rousseff”, afirmou ontem o presidente do sindicato, que informou que hoje a entidade se reunirá com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), em São Paulo.

Os metalúrgicos também programaram manifestação hoje pela manhã na porta da fábrica, na entrada do primeiro turno de trabalho.

O Vale

Sindicato fica frustado ao saber que Governo não irá intervir

O governo federal descartou ontem intervir na crise da General Motors em São José para evitar demissão em massa que afetaria pelo menos 1.500 operários, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que a montadora está com saldo positivo na geração de empregos no país e que não cabe ao governo tratar de “problemas localizados” da companhia.

“Há problemas localizados em São José dos Campos. Não cabe ao governo entrar nos detalhes. É da organização interna da empresa” afirmou. Segundo Mantega, o que interessa para o governo é que a GM tenha saldo positivo de emprego e esteja contratando. “Isso está sendo cumprido.”

Mantega disse que a GM comprovou geração de emprego desde que a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) foi adotada, no fim de maio. As declarações do ministro, feitas após se reunir, em Brasília, com o diretor de Assuntos Institucionais da companhia, Luiz Moan, para esclarecimentos sobre a ameaça de demissão na planta de São José, frustraram o sindicato, que pede a intervenção do governo.

Os sindicalistas não descartam a possibilidade de greve na unidade industrial de São José, caso a GM promova o corte em massa. “Nada está descartado, inclusive paralisação. Vamos continuar a mobilização e as negociações para evitar demissões”, disse o presidente do sindicato, Antonio Ferreira de Barros, o Macapá.

A GM informou ao governo federal que tem mantido o nível de emprego nas unidades do grupo no país. Para contrapor os dados fornecidos pela GM ao governo, o sindicato divulgou estudo elaborado pela subseção local do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) que aponta retração de empregos em unidades da montadora no país.

Segundo o relatório, preparado com base em dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Emprego, a GM fechou 1.189 postos de trabalho, entre julho de 2011 e junho de 2012, nas unidades do grupo no Brasil.

Na planta de São José, foram fechados no período 1.044 postos de trabalho. No estudo, ainda não estão computadas as demissões de julho, quando 356 trabalhadores aderiram ao PDV (Programa de Demissão Voluntária) promovido pela empresa. Na planta de São Caetano do Sul, o corte foi de 349 postos de trabalho. Apenas na planta de Gravataí (RS), o saldo é positivo com a criação de 204 vagas.

De acordo com o Dieese, caso a GM promova demissão em massa em São José, o impacto sobre o mercado de trabalho na cidade e região será de 15.500 postos eliminados. Os números estão baseados no estudo ‘Novas Estimativas do Modelo de Geração de Empregos do BNDES’.

O Dieese considera que, para cada emprego direto eliminado na GM, outros 6,75 indiretos são fechados, caso sejam demitidos até 2.000 trabalhadores, como aponta o sindicato. A crise em São José atinge a linha conhecida como MVA. Dos quatro modelos montados no setor, apenas o Classic continua em produção. No próximo sábado, reunião entre GM, sindicato e prefeitura pode definir o futuro da fábrica.

O Vale

Ministério do Trabalho pede treguá para a GM da cidade

O ministro do Trabalho, Brizola Neto, acredita que é precipitado suspender o contrato de trabalho dos empregados ameaçados de demissão na General Motors de São José dos Campos. “Há uma negociação em curso marcada para o próximo sábado. É importante manter o diálogo social aberto com sindicato e empresa”, disse ontem o ministro.

Na semana passada, representantes do MPT (Ministério Público do Trabalho) e da direção da empresa se reuniram com sindicalistas para estudar a adoção de ‘layoff’ suspensão dos contratos por até cinco meses como alternativa às 1.500 demissões que a GM pretende fazer na unidade. O temor sobre as dispensas cresceu na última semana depois que a empresa anunciou o fim da produção do Corsa na unidade, o terceiro modelo a ser desativado em menos de um mês.

O desgaste na relação entre o sindicato e a direção da empresa, que se estende há anos, aumentou e forçou o fechamento da fábrica por um dia. Após encontro mediado por representante da pasta, a decisão sobre o futuro da linha de produção e dos empregos foi prorrogada para este sábado. Até a data, os empregos na unidade estão garantidos.

Brizola Neto disse que o caso da GM não reflete a situação do setor automotivo. “Estive agora com o ministro Mantega (Guido, da Economia) e o setor gerou vagas. A situação da GM é pontual.” O ministro ressaltou que as demissões em São José ainda não foram efetuadas. “A GM está instalando nova fábrica com novos produtos, ao mesmo tempo em que realoca pessoal em outras unidades.”

A empresa sustenta que o fechamento dos postos em São José dos Campos seria compensado por contratações em outras regiões. Ao ser questionado sobre a posição da presidente Dilma, que chegou a ameaçar suspensão do benefício fiscal concedido para as montadoras, o ministro disse que é importante manter o emprego no setor. “O governo faz a desoneração fiscal justamente porque está preocupado com a manutenção de emprego.”

À declaração da presidente seguiu o acirramento nas negociações entre as partes na última semana. A ameaça de demissão na unidade não agradou o governo, que exigiu das montadoras compromisso para não fechar os postos quando reduziu o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para os veículos. A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) reúne-se amanhã com Ministério da Fazenda para discutir assunto.

O Vale