Crise na GM faz Sindicato realizar apelo para o Estado

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos se reuniu neste sábado (28) com o secretário estadual do Emprego e Relações do Trabalho, Carlos Andreu Ortiz, para pedir uma intervenção na unidade local da General Motors. A categoria teme que 1.200 trabalhadores sejam demitidos como consequência do possível fechamento da linha de produção conhecida como MVA (Montagem de Veículos Automotores).

O problema causou o fechamento da fábrica na última terça-feira (24) e tem sido alvo de negociações entre empresa, sindicato, prefeitura e Ministério Público do Trabalho. As negociações serão retomadas no próximo dia 4, até lá a montadora se comprometeu a não demitir nenhum funcionário.

Ortiz disse que o Estado é contra as demissões e prometeu levar o problema para o governador Geraldo Alckmin. Segundo ele, o Estado pode intervir nas negociações”, afirmou Luiz Carlos Prates, o Mancha, um dos diretores do sindicato. O encontro aconteceu das 13h às 14h30 na sede do sindicato.

Prates considerou a reunião foi positiva. “Mostrou que o Estado também está disposto a se movimentar para evitar as demissões”, disse. O sindicato prepara uma série de manifestações para a próxima terça-feira (31). Nenhum porta-voz do governo do Estado foi localizado para comentar o assunto.

Além da linha de produção da MVA, que produz Corsa Hatch, Meriva e Sedan Classic, a planta da GM em São José tem outras sete linhas de produção – uma para a fabricação da picape S10 e as demais para a produção de motores, cabeçotes e componentes. A unidade tem cerca de 7.500 funcionários. A montadora já suspendeu a produção em São José do Zafira que, junto com o Meriva, está sendo substituída pela minivan Spin. Este modelo, no entanto, é fabricado na unidade de São Caetano do Sul.

G1

Crise na GM garante empregos até inicio de Agosto

Uma ‘trégua’ firmada ontem entre General Motors e Sindicato dos Metalúrgicos garantiu a manutenção dos 1.500 trabalhadores com os empregos ameaçados na planta de São José pelo menos até o próximo dia 4, quando haverá nova reunião.

A empresa havia planejado uma decisão sobre o destino dos operários da linha de montagem conhecida como MVA ainda nesta semana, no entanto, concordou em prosseguir com as negociações após novo impasse em reunião realizada ontem.

Além de representantes de GM e sindicato, participaram do encontro membros dos governos municipal, estadual e federal. Atualmente, a GM emprega 7.200 pessoas na unidade de São José. O diretor de Assuntos Institucionais da empresa, Luiz Moan, afirmou que a montadora não tomará nenhuma medida relacionada ao MVA até o próximo encontro.

“Nada será adotado até a reunião do dia 4”, afirmou.  A linha do MVA, onde eram produzidos quatro modelos (Zafira, Meriva, Classic e Corsa), está cada vez mais esvaziada. A montadora informou que ontem foi o último dia de produção do Corsa.

Ontem, ficou estabelecido que no próximo encontro o sindicato deverá apresentar novas propostas à montadora, que também analisará a mesma possibilidade. Após permanecer fechada terça-feira, a unidade industrial de São José voltou a operar normalmente ontem, informou Moan. “Tomamos essa medida para proteger a integridade dos funcionários”, disse.

No encontro entre a montadora e o sindicato ontem, na prefeitura, a GM descartou as propostas apresentadas pelo sindicato de concentrar a produção dos modelos Classic e Sonic (fabricado na Coreia) em São José, além de retomar a fabricação de caminhões na planta local.

O diretor da GM relatou que todas não são factíveis e que novos projetos para a unidade somente serão possíveis de ser negociados no futuro caso o relacionamento do sindicato com a montadora seja “amadurecido, mais flexível e menos pontiagudo”.

Segundo Moan, hoje a planta de São José tem um problema de excedentes de produção, de prédios, de máquinas e de funcionários, que precisa ser resolvido. “A fábrica de São José é a menos competitiva do grupo GM no Brasil”, disse Moan.

A reunião durou cerca de três horas e foi intermediada pelo secretário de Relações do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego, Manoel Messias Melo. “É uma situação preocupante. Uma mediação extremamente difícil”, disse ele. Também participaram o prefeito Eduardo Cury (PSDB) e um representante da Secretaria Estadual de Emprego e Relações do Trabalho.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Antonio Ferreira de Barros, o ‘Macapá’, afirmou que a entidade não “aceita demissões na GM e vai continuar com as manifestações em defesa do emprego na montadora”. Ele relatou que o sindicato, no entanto, ficou de estudar novas propostas para apresentar à GM no dia 4. “Vamos avaliar com a categoria”, disse. Para Macapá, as propostas do sindicato são viáveis. O resultado da reunião foi informado à categoria à tarde em assembleia na entidade.

O Vale

Produção da GM é suspendida perante ao protesto

A direção da General Motors suspendeu ontem a produção em sua planta industrial de São José dos Campos e concedeu licença remunerada aos 7.200 funcionários. A medida foi adotada após o Sindicato dos Metalúrgicos agendar um protesto por conta da ameaça de demissões na cidade.

Na manhã desta quarta-feira, a unidade retomou sua produção. Pela manhã houve uma assembleia na porta da montadora. Ontem, segundo nota oficial da empresa, todos os funcionários foram dispensados com o “objetivo de proteger sua integridade física”, em razão de “fortes evidências de mobilizações internas no complexo”.

A montadora não informou se a produção será retomada hoje. De acordo com o sindicato, pelo menos 750 carros deixaram de ser fabricados ontem, o que geraria um prejuízo de R$ 30 milhões à empresa. A crise entre GM e sindicato se arrasta há pelo menos quatro meses em função da ameaça de 1.500 demissões no setor conhecido como MVA, onde são produzidos Corsa hatchback, Classic, Meriva e Zafira os dois últimos saem de linha em breve e não há previsão de novos modelos para a fábrica.

O segundo turno do setor já foi suspenso em 18 de junho, aumentando a tensão entre empresa e funcionários.
Desde então, empresa e sindicalistas negociam uma alternativa para evitar a demissão. A decisão da GM de parar a produção foi anunciada aos trabalhadores do turno da noite às 3h de ontem. Eram cerca de 1.000 no horário.

Os demais, do 1º turno, que entram às 5h30, foram avisados em casa ou na portaria da GM, quando chegaram de ônibus, para que só viessem trabalhar após segunda ordem. “A empresa considerou as fortes evidências de mobilizações internas no complexo e entende que o momento atual é delicado e prefere não expor seus empregados a eventuais incitações e provocações”, informou a empresa na nota.

A decisão da GM pegou o sindicato de surpresa. Na entrada do turno da manhã, havia viaturas da Polícia Militar na entrada da fábrica, mas não houve confusão ou confronto. “A empresa não pode alegar um problema de mercado e demitir em massa. Ela tem lucro em São José, além de responsabilidade social”, disse Antônio Ferreira de Barros, o Macapá, presidente do sindicato dos Metalúrgicos, em entrevista coletiva convocada ontem após a decisão da GM.

No ápice da tensão entre a montadora e o sindicato, representantes dos dois lados se encontrarão hoje, no Paço, às 11h, para tentar chegar a um consenso. A reunião foi pedida e será coordenada pelo secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho, Messias Melo, com mediação suplementar do prefeito Eduardo Cury (PSDB).

Eles e os representantes da GM ouvirão dos sindicalistas três propostas básicas para manter os empregos na planta. Segundo Macapá, a empresa poderá elevar de 40% para 100% o volume de produção do modelo Classic na cidade, trazer o carro Sonic que é fabricado na Coreia do Sul para São José e abrir a linha de produção para caminhões.

“Só o Classic sendo produzido aqui manteria os empregos e criaria mais postos de trabalho”, disse Luiz Carlos Prates, o Mancha, secretário-geral da entidade. Em nota, a GM confirmou a participação na reunião, mas não comentou as propostas. Para Cury, é preciso encontrar uma alternativa. “A demissão seria um desastre para a cidade. Afetaria toda a nossa economia”, disse. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse ontem que tentará ajudar na negociação.

O Vale

Metálurgicos da GM realizam protesto na cidade

Na véspera de importantes reuniões que poderão decidir o destino de 1.500 trabalhadores da indústria, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos promove hoje ato em frente à planta da General Motors na cidade. A manifestação acontecerá a partir das 13h, na portaria da unidade de produção da S10.

Segundo a entidade, a manifestação terá a presença de representantes de sindicatos de diversas cidades e centrais sindicais do país. Entre as entidades que confirmaram presença estão Sindicatos de Metalúrgicos de Santos, Campinas, Limeira e São Caetano do Sul.

Amanhã, a direção do sindicato se reunirá com representantes da montadora, em São José, para discutir o futuro dos 1.500 empregados da linha de produção conhecida como MVA, onde são montados o Corsa e o Meriva. A GM não descarta a possibilidade de demissão.

O encontro está pré-agendado para as 11h, a pedido do Ministério do Trabalho. No entanto, até ontem à tarde ainda não havia sido definido local. Às 16h, acontecerá outra reunião entre as partes no Ministério Público do Trabalho, para tratar de demissões na planta, a pedido do sindicato. A Câmara também vai promover amanhã um encontro sobre o assunto. A plenária está marcada para as 18h, na sede do Legislativo, que vai convidar sindicato e GM.

O Vale

Devido a crise na indústria, semana é decisiva para metálurgicos

O Sindicato dos Metalúrgicos e a General Motors têm uma semana decisiva sobre o destino dos cerca de 1.500 trabalhadores da linha de produção conhecida como MVA, da planta de São José dos Campos. A empresa pode definir ainda esta semana medidas com relação à linha de produção, onde são montados os modelos Corsa e Meriva, que enfrentam dificuldades de mercado.

A possibilidade de demissão na unidade não está descartada pela montadora, que também analisa a possibilidade de transferir funcionários para outras fábricas da planta de São José. Oficialmente, a GM informa que a decisão será tomada em conjunto com o sindicato e com base no mercado consumidor.

Nos bastidores, entretanto, é dado como certo que a montadora deverá reduzir drasticamente as atividades da linha MVA, conforme apurou O VALE. Os modelos montados na linha do MVA são antigos e devem sair de linha.
Há dez dias, a GM suspendeu a montagem da minivan Zafira, que também era produzida nesse setor.

Na próxima quarta-feira, a GM e o sindicato voltam a se reunir, com a mediação do Ministério do Trabalho, em São José dos Campos. No encontro pode ser selado o futuro dos empregados do MVA. “Acreditamos que pode ser uma reunião decisiva”, disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Antonio Ferreira de Barros, o Macapá.

A direção do sindicato tenta uma última cartada para evitar demissão em massa, com mobilização da comunidade e espera por uma ação concreta do governo federal nesse sentido. O assunto foi tratado pela entidade com o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho.

Na semana passada, o prefeito de São José, Eduardo Cury (PSDB), disse que o corte de trabalhadores é um fato que pode acontecer. “A empresa não deu nenhuma garantia de emprego”, disse o prefeito, depois de se reunir com representante da montadora. Até o final de julho, a GM toma uma decisão.

O Vale

Em um ano crise no mercado fecha 5 mil empregos

O setor industrial da Região Metropolitana do Vale do Paraíba perdeu nos últimos 12 meses 5.000 postos de trabalho. A retração do emprego na indústria da região, principal mola da economia da RMVale, tem pior cenário nos municípios da região de Taubaté, que reúne 28 cidades, onde foram fechados 2.550 postos de trabalho entre junho do ano passado e junho deste ano.

O setor industrial da região de São José dos Campos, que reúne oito cidades, perdeu 2.450 postos de trabalho no mesmo período. Os dados são do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo). Segundo dados divulgados pela entidade, o setor industrial das duas regiões geram cerca de 90 mil postos diretos de trabalho.

Dirigentes das delegacias regionais do Ciesp analisam que a curto prazo o cenário ainda é de retração, por causa da crise da economia na Europa, do câmbio e da competição dos produtos importados, principalmente da China e Índia.

“Desde o ano passado temos resultados negativos mensais na geração de empregos na nossa regional”, disse o diretor do Ciesp em São José, Almir Fernandes. Segundo ele, por enquanto, as perspectivas não são das melhores.  “A indústria paulista vem perdendo competitividade por causa de uma série de fatores como alta carga tributária”, disse o dirigente.

Na região de São José, a crise na planta da GM na cidade, que pode fechar uma linha de produção e demitir cerca de 1.500 trabalhadores, pode agravar ainda mais o cenário do emprego na indústria. Em Taubaté, o diretor regional do Ciesp, Fábio Soares Duarte, relatou que o setor metal-mecânico é o que enfrenta maiores dificuldades, com revisão de contratos e de encomendas.

Segundo ele, a expectativa para o segundo semestre é de pelo menos uma pequena recuperação. “Em agosto ainda teremos resultado negativo de criação de postos de trabalho, mas acreditamos em uma recuperação do nível do emprego com o anúncio de investimentos nas regiões de Pinda, Guará e Cruzeiro”, disse. Mesmo assim, ele concorda com o seu colega do Ciesp de São José, de que a indústria paulista atravessa um momento delicado.

O Vale

Crise na General Motors acirrou o embate entre os candidatos

A crise na fábrica da General Motors em São José acirrou o embate entre os candidatos ao Paço Municipal. A empresa deve definir até o final do mês o destino de cerca de 1.500 trabalhadores do MVA, responsável pela produção de modelos que sairão de linha até o final do ano, como Corsa e Meriva.

O desfecho dessa crise, que pode provocar uma demissão em massa, se transformou em arma eleitoral. Lideranças do PSDB tem acusado o Sindicato dos Metalúrgicos, vinculado ao PSTU, de dificultar a vinda de investimentos.

O candidato do governo, Alexandre Blanco (PSDB), criticou a postura dos sindicalistas. “A situação da GM preocupa a todos, pois envolve centenas de pais de família que correm o risco de perder o emprego. Sem dúvida, o radicalismo do sindicato contribuiu muito para que a situação chegasse a este ponto.

Mas entendo que agora é hora de unir esforços, sem cores partidárias”, disse o tucano, por meio de sua assessoria. Segundo Blanco, o prefeito Eduardo Cury e as lideranças do partido estão em contato com a GM para encontrar uma solução que garanta a manutenção dos empregos.

Lideranças do PSTU reagiram às criticas. “O Cury e o PSDB estão na contramão e não sabem o que falar. A crise não é culpa do sindicato. Jacareí faz parte da mesma base sindical, e as montadoras estão chegando. Ao invés de lutar por emprego, o prefeito só busca culpados”, disse o presidente do diretório do PSTU, Antonio Donizete Ferreira, o Toninho, assegurando que o Sindicato dos Metalúrgicos sempre esteve disposto a negociar.

“Agora é o momento de unificar forças para pressionar a GM a manter os empregos.” O candidato do PV, Cristiano Pinto Ferreira, pediu a realização de uma audiência na Câmara para debater o tema.  O candidato do PT, Carlinhos Almeida, tenta assumir o papel de mediador das negociações. O deputado federal diz acompanhar de perto a situação na montadora.

“Estive na assembleia do sindicato na segunda-feira de madrugada, na reunião com Gilberto de Carvalho secretário-geral da Presidência da República em Brasília e hoje ontem falei com a direção da GM e pedi um encontro. Todos devem se unir”, disse. Segundo o petista, Carvalho perguntou se o sindicato estava aberto a uma negociação e a resposta foi positiva. “É errado jogar a culpa em A ou B. Nesse momento não ajuda assumir a posição de um ou outro”, afirmou.

O Vale

Demissões da GM, promove protesto em Brasília

Representantes do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos embarcaram nesta terça-feira (17) para Brasília, onde se reúnem com o ministro chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho.

Na pauta do encontro está a manutenção de 1.500 postos de trabalho que, segundo o sindicato, estão ameaçados pelo possível fechamento de uma das linhas de produção da fábrica da General Motors de São José dos Campos, setor conhecido como MVA. Nele, são montados os veículos, Corsa, o Classic e a Meriva, modelos que sairiam de linha. De acordo com o sindicato, a produção da Zafira já foi interrompida na semana passada.

“O sindicato fez uma série de propostas para buscar uma saída junto à empresa, mas a empresa não quer assumir a responsabilidade. Então, não nos resta outra saída a não ser pressionar o governo que está dando isenções fiscais, que está financiando a expansão da fábrica via BNDES, a exigir da empresa o compromisso social e a manutenção dos postos de trabalho”, disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Antônio Ferreira de Barros.

Em 2010, a GM propôs investir R$ 800 milhões em novos projetos na fábrica de São José dos Campos, sob a condição de baixar o piso salarial dos trabalhadores da produção. O sindicato rejeitou a proposta e os investimentos foram feitos na planta de São Caetano do Sul. Mas, o sindicato defende que, mesmo assim, nos últimos 15 meses a empresa demitiu 2.300 funcionários nas duas plantas.

Por telefone, o diretor de Assuntos Institucionais da GM disse que nesse momento não há nenhuma decisão sobre o fechamento do MVA e possíveis demissões de trabalhadores. Mas, ele disse que entre os dias 20 e 25 desse mês, a empresa vai reavaliar o mercado e decidir se há necessidade de diminuir a produção em São José dos Campos.

O economista Guaraci Lima de Morais disse que uma demissão desse porte pode afetar bastante a economia da cidade. “Uma indústria desse porte, demitindo, pelo menos de quatro a cinco empregos indiretos na autopeças e setores correlatos, vão ser perdidos, a cadeia produtiva perde. E tem toda a parte de serviços, comércios e serviços da cidade, que também perde de quatro a cinco empregos para cada um demitido da GM. Então, entre oito e dez pessoas vão sofrer o impacto para cada empregado mandado embora”.

Para protestar contra as possíveis demissões, os trabalhadores cruzaram os braços por uma dia. A paralisação de 24 horas realizada pela categoria se encerrou às 5h30 desta terça, quando os funcionários entraram para o trabalho na fábrica normalmente.

Vnews

Em meio a crise, Prefeito admite corte em massa na GM

Após se reunir com representante da direção da General Motors, o prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury (PSDB), admitiu ontem a possibilidade de demissão em massa na planta da montadora na cidade. “Estou muito preocupado e temo pela possibilidade real de demissão na fábrica de São José. A GM não deu nenhuma garantia de preservação dos empregos na linha de produção do MVA”, afirmou o prefeito ontem à tarde em entrevista a O VALE.

Cury relatou que o desfecho sobre o futuro dos trabalhadores dessa linha depende das negociações da empresa com o Sindicato dos Metalúrgicos e do mercado consumidor. Ele se reuniu segunda-feira com o diretor de Assuntos Institucionais da montadora, Luiz Moan, para tratar da situação dos cerca de 1.500 trabalhadores da linha de produção do MVA, onde são montados os modelos Corsa e Meriva.

Na semana passada, a montadora suspendeu a fabricação da minivan Zafira, montada nessa linha. Cury disse que se colocou à disposição da GM e informou que “o município está disposto a fazer o que estiver ao seu alcance, como concessão de benefícios fiscais, para encontrar uma solução que preserve os empregos”.

Segundo o prefeito, a GM informou que a questão reside na “postura do sindicato de não negociar acordos trabalhistas”. “Em 2008 e 2009, eu alertei para a postura radical do sindicato em não negociar com a GM e sobre a ameaça futura dos empregos na montadora, que agora é real”, disse o prefeito.

Para o prefeito, o momento não seria para posicionamentos radicais, como a “realização de greves”, mas de buscar soluções negociadas. “Acho que é hora de o sindicato procurar a empresa e negociar acordos duradouros, de cinco a sete anos, para que a empresa volte a investir em São José. Sem investimentos e novos produtos, temo pelos empregos futuros da empresa”, disse.

A GM e o sindicato vão se reunir novamente entre os dias 20 e 25 deste mês, com a intermediação do Ministério do Trabalho e Emprego, em São José dos Campos. O primeiro encontro entre as partes aconteceu na semana passada, em São Paulo, mas não houve acordo.

O secretário-geral do sindicato, Luiz Carlos Prates, o ‘Mancha’, afirmou que a avaliação do prefeito sobre a postura da entidade não “corresponde à realidade”. “Nós sempre conversamos e estamos conversando com a GM.”

Ele frisou que o sindicato tem feito propostas para a GM voltar a investir na planta de São José. Prates declarou que a prefeitura deve participar das negociações com a GM na busca de uma solução que preserve os empregos na planta.

O Vale

Operários da GM paralisam atividades por medo

Os trabalhadores da General Motors, de São José dos Campos, cruzaram os braços ontem em protesto à ameaça de demissão em massa na fábrica. A paralisação de 24 horas atingiu todos os turnos de trabalho e afetou a produção da montadora. A direção do Sindicato dos Metalúrgicos informou que a greve teria sido total e que deixaram de ser produzidos cerca de 750 veículos.

A direção da GM contesta a informação, mas admite que a produção de carros foi afetada. Segundo a empresa, a planta de São José emprega em torno de 7.200 pessoas. A greve é uma das iniciativas que o Sindicato dos Metalúrgicos programou contra a ameaça de demissão de cerca de 1.500 funcionários da linha de produção conhecida como MVA.

Nessa linha, são produzidos os modelos Corsa e Meriva. A produção da minivan Zafira, que também era fabricada no MVA, foi encerrada na última sexta-feira pela GM, devido ao alto estoque do modelo. O presidente do sindicato, Antonio Ferreira Barros, o ‘Macapá’, disse que a paralisação ocorreu de forma pacífica. “Não houve nenhum problema”, disse.

Na avaliação do sindicato, mais de 4.000 trabalhadores do primeiro turno não entraram na fábrica. À tarde, outros 2.500 empregados do segundo turno aderiram à greve, segundo avaliação da entidade. Hoje, a direção do sindicato vai se reunir com o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, em Brasília.

“Vamos pedir a intervenção do governo federal para impedir a demissão dos 1.500 trabalhadores e o fechamento dos postos de trabalho”, disse Macapá. “A montadora recebe benefícios do governo federal e tem responsabilidade social com a região”, disse o sindicalista.

Amanhã, o sindicato promoverá uma manifestação em frente ao Palácio do Planalto. O presidente do sindicato informou que na próxima semana está programado um ato com a presença de sindicatos da região e de outras localidades, no centro de São José. “Vamos fazer um grande ato.”

O presidente da FEM/CUT (Federação dos Sindicatos de Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores em São Paulo), Valdomiro Marques da Silva, o ‘Biro-Biro’, disse que a entidade já havia alertado a direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São José sobre a crise na GM.

“A estratégia do sindicato de São José de não ter negociar com a empresa no passado foi incorreta”, afirmou.
Na opinião do dirigente, o momento é para procurar caminhos que garantam os empregos. “Não é hora de roer a corda”, disse.

Segundo estudo da entidade, a geração de emprego na planta da GM em São José registrou saldo negativo de 6,3% entre 2007 e 2010. “Isso representa de 520 a 530 postos de trabalho”, disse.
O sindicato de São José é vinculado à Conlutas. “Agora é hora de união de todos pelos empregos”, disse Macapá.

O Vale