Em um ano crise no mercado fecha 5 mil empregos

O setor industrial da Região Metropolitana do Vale do Paraíba perdeu nos últimos 12 meses 5.000 postos de trabalho. A retração do emprego na indústria da região, principal mola da economia da RMVale, tem pior cenário nos municípios da região de Taubaté, que reúne 28 cidades, onde foram fechados 2.550 postos de trabalho entre junho do ano passado e junho deste ano.

O setor industrial da região de São José dos Campos, que reúne oito cidades, perdeu 2.450 postos de trabalho no mesmo período. Os dados são do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo). Segundo dados divulgados pela entidade, o setor industrial das duas regiões geram cerca de 90 mil postos diretos de trabalho.

Dirigentes das delegacias regionais do Ciesp analisam que a curto prazo o cenário ainda é de retração, por causa da crise da economia na Europa, do câmbio e da competição dos produtos importados, principalmente da China e Índia.

“Desde o ano passado temos resultados negativos mensais na geração de empregos na nossa regional”, disse o diretor do Ciesp em São José, Almir Fernandes. Segundo ele, por enquanto, as perspectivas não são das melhores.  “A indústria paulista vem perdendo competitividade por causa de uma série de fatores como alta carga tributária”, disse o dirigente.

Na região de São José, a crise na planta da GM na cidade, que pode fechar uma linha de produção e demitir cerca de 1.500 trabalhadores, pode agravar ainda mais o cenário do emprego na indústria. Em Taubaté, o diretor regional do Ciesp, Fábio Soares Duarte, relatou que o setor metal-mecânico é o que enfrenta maiores dificuldades, com revisão de contratos e de encomendas.

Segundo ele, a expectativa para o segundo semestre é de pelo menos uma pequena recuperação. “Em agosto ainda teremos resultado negativo de criação de postos de trabalho, mas acreditamos em uma recuperação do nível do emprego com o anúncio de investimentos nas regiões de Pinda, Guará e Cruzeiro”, disse. Mesmo assim, ele concorda com o seu colega do Ciesp de São José, de que a indústria paulista atravessa um momento delicado.

O Vale

Região fecha mês de Maio com mais de 500 vagas

Na contramão da maioria das cidades do interior do Estado, a região do Vale do Paraíba fechou cerca de 700 postos na indústria em maio. A dependência da melhora do mercado externo é apontada como responsável pelo resultado da região.

No Estado, 21 mil vagas foram criadas no último mês. Das 36 regionais do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), 13 tiveram redução no quadro de funcionários, entre elas, São José dos Campos, Taubaté e Jacareí. O pior cenário foi registrado na regional de Taubaté, que abriga outros 28 municípios, onde 550 vagas foram cortadas no último mês. Foi o pior maio desde 2006 e a terceira queda consecutiva na geração de empregos.

Os setores de Produtos de Metal, Produtos de Borracha e de Material Plástico, Veículos Automotores e Autopeças e Metalurgia puxaram os cortes. Para o gerente do Ciesp de Taubaté, José de Arimathéa Campos, o resultado era esperado pelo momento vivido pela indústria.

“Não foi surpreendente se levarmos em conta a tendência que já vem sendo apontada pelos estudos do Ciesp, face aos vários fatores que são sobejamente conhecidos e debatidos, como a alta carga de impostos, os custos de mão de obra, as dificuldades de exportações e o crescimento das importações”, disse o gerente.

No acumulado do ano, a regional segue com o saldo positivo de 50 vagas criadas. Em São José, 100 postos foram perdidos. A regional, que abriga oito municípios, acumula oito resultados negativos seguidos. Somente em 2012, cerca de 1.200 vagas foram perdidas.

O diretor regional do Ciesp São José, Almir Fernandes, credita o resultado à dependência da indústria da região nas exportações. “Não tem nenhum fato novo, portanto, não vemos ninguém contratar. A região é muito exportadora, está sofrendo com a economia internacional”, disse.

Já na regional de Jacareí, que engloba três municípios, houve redução de 50 vagas em maio. Os setores de Produtos Alimentícios e Bebidas puxaram a queda. Apesar dos cortes, no ano, a regional acumula a criação de 650 vagas.

O Vale