Negociação da GM recebem sigilo na cidade

A General Motors e a Prefeitura de São José dos Campos iniciaram ontem negociações sobre a concessão de incentivos fiscais do município à montadora como parte de um acordo que pode levar a companhia a investir R$ 2,5 bilhões na implantação de uma linha de montagem para o novo modelo que a empresa planeja lançar no mercado. O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Sebastião Cavali, se reuniu com a direção da empresa por cerca de quatro horas ontem, na sede da empresa, em São Caetano do Sul.

Além do complexo da GM em São José dos Campos, outros dois países (cujos nomes não foram divulgados) também disputam o investimento da montadora. No entanto, nenhum detalhe do encontro foi divulgado pela prefeitura. O governo petista informou que “para manter o sigilo que uma concorrência internacional no mercado automotivo exige, não estamos dando entrevistas sobre o processo”.

A prefeitura informou ainda que o encontro faz parte das rodadas de negociação para garantir a implantação no complexo industrial de São José dos Campos da linha de produção do novo modelo de veículos da montadora. “Este foi a primeira reunião com a fabricante de veículos. O processo de negociação está em andamento”. A assessoria da GM informou que a montadora irá se pronunciar apenas no final das negociações, que envolvem também o Sindicato dos Metalúrgicos e o governo do Estado de São Paulo.

O prefeito Carlinhos Almeida (PT) disse anteriormente que o “município não medirá esforços para atrair o investimento”. Entre os incentivos fiscais que o município pode oferecer estão isenção do ISS (Imposto Sobre Serviços) e IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), além de melhoria da infraestrutura de acesso ao complexo industrial da montadora na cidade.

Com o Sindicato dos Metalúrgicos, a GM negocia um novo acordo trabalhista. As tratativas com a entidade foram iniciadas em abril. A base de negociação é o acordo fechado em janeiro que levou ao rebaixamento do piso salarial dos funcionários em São José, de R$ 1.840 para R$ 1.712 e a flexibilização da jornada de trabalho. Com o governo estadual, a montadora também negocia concessão de incentivos fiscais, como de ICMS (Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços).

Para dirigentes de entidades de classe de São José, esse investimento é essencial para a sobrevivência da fábrica da GM na cidade. “Sem esse investimento, a fábrica da montadora em São José será esvaziada aos poucos por falta de novos produtos”, disse o diretor regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Almir Fernandes. A decisão da montadora será tomada até o final do mês.

O Vale

Publicado em: 09/05/2013

Negociação das Demissões da GM tem prazo final

O prefeito Carlinhos Almeida (PT) admitiu ontem que pouco poderá ajudar na negociação entre General Motors e Sindicato dos Metalúrgicos e deu como praticamente certa a demissão dos 1.500 funcionários considerados ociosos pela montadora em São José.

O petista, que se reuniu pela manhã com uma comissão de três sindicalistas e sete funcionários da GM, ainda criticou o governo do ex-prefeito Eduardo Cury (PSDB) pela demora em adotar um posicionamento. A reunião aconteceu após passeata pelo centro que reuniu 500 funcionários da GM, a maioria em ‘layoff’. Participaram também do encontro sete vereadores, entre eles Amélia Naomi (PT), presidente da Câmara.

“Estou bastante preocupado com a situação. Entendo que só existe um caminho. Buscar o entendimento entre empresa e trabalhadores. Nosso papel é criar um ambiente propício e intermediar as negociações”, disse Carlinhos, que deve se reunir na próxima semana com representantes da GM.

A vereadora Amélia Naomi também ficou de agendar uma audiência pública na Câmara para debater o caso. Os 1.500 operários ameaçados de demissão atuam no MVA, setor onde antes eram montados quatro modelos e hoje há apenas um, o Classic, que está sendo transferido gradualmente para a unidade da GM na Argentina.

Sem investimentos, a planta tem ociosidade de funcionários, maquinário e espaço físico. Após ameaçar demitir o grupo no ano passado, um acordo deu uma trégua na crise e estendeu até 26 de janeiro o prazo para um possível entendimento. Enquanto isso, 779 estão com o contrato suspenso (layoff) desde 27 de agosto de 2012.

Para Carlinhos, a solução imediata para evitar as demissões seria a vinda de novos investimentos para São José. “Temos que apostar todas as nossas fichas em um entendimento”, afirmou. Já para Almir Fernandes, diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de São José, nem isso salva os empregos. Empresários da cidade e os próprios funcionários compartilham da mesma opinião. Para eles, a demissão é inevitável. “A produção (de novos modelos) começaria apenas em 2015”, disse.

A GM atribui a crise à dificuldade em negociar com o sindicato local pacotes que garantissem investimentos. Foram pelo menos três modelos ‘perdidos’ para outras plantas no país. “O sindicato está querendo repassar a responsabilidade à prefeitura porque não admite que é culpado. Quando a GM tentou trazer mais investimentos para São José em 2008, foi barrada pelo sindicato. Nem a GM, nem os funcionários têm culpa. Não há mais o que fazer”, disse Fernandes.

O sindicato também é alvo de críticas da ACI (Associação Comercial e Industrial). “Que sirva de lição”, disse Felipe Cury, presidente da ACI. O presidente do sindicato, Antônio Ferreira de Barros, o ‘Macapá’, rebateu as críticas e disse que não houve proposta de investimentos formal da empresa.

“Oficialmente, nunca houve essa proposta ao sindicato de novos investimentos em troca da redução de salário. Todas as vezes celebramos acordo. Em 2008 mesmo, o acordo foi de R$ 800 milhões com a produção da S10 e da Blazer”, disse.

O protesto de ontem faz parte do que o sindicato chama de ‘janeiro vermelho’, que prevê uma série de manifestações para forçar a GM a rever sua posição. Os cerca de 500 trabalhadores caminharam do sindicato até o Paço, mas acharam os portões fechados. Após serem recebidos pelo chefe de gabinete, Paulo Roitberg, os sindicalistas foram ao gabinete para reunião com Carlinhos e os portões foram reabertos.

O Vale

Publicado em: 11/01/2013

Impasse sobre o Destino da GM continua na cidade

O futuro dos 1.606 trabalhadores considerados excedentes da General Motors de São José foi adiado. Na reunião realizada ontem, a montadora pediu mais tempo para analisar as propostas da categoria. A próxima rodada de negociação ficou agendada para quinta, às 9h, na montadora. A reunião será a última e decisiva. Após o término do encontro, os funcionários vão saber se serão ou não demitidos.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José, a empresa mantém a posição de demitir os trabalhadores e não acatou as propostas feita pela categoria. A GM não comenta o assunto. Mesmo com os indícios de demissão em massa, o presidente do Sindicato do Metalúrgicos de São José, Antonio Ferreira de Barros, o ‘Macapá’, acredita que é possível manter os funcionários.

“Eu não só acredito como estou batalhando para isso. Não há justificativa para a empresa demitir funcionários para importar”, disse. Os metalúrgicos da GM cobram da empresa mais investimentos na planta de São José. Eles querem que a manutenção da produção do Classic, a fabricação de novos carros e caminhões e o fim da importação de veículos.

Eles também querem que o governo federal proíba a demissão em empresas que importam e que o lucro obtido no Brasil seja investido no país. No próximo dia 16, os trabalhadores da GM vão a Brasília para uma audiência pública no Senado. Caso a posição de demitir os funcionários se confirme, o sindicato promete realizar manifestações.

Nas últimas negociações, a montadora apresentou um pacote com 17 propostas. Elas foram rejeitadas por não garantir os empregos. As negociações começaram em julho quando a empresa apresentou a intenção de demitir 1.840, considerados excedentes. Eles pertencem à linha de produção do Classic, que será desativada.

Após protestos e reuniões, ficou acordado que a montadora suspenderia até 30 de novembro as demissões e que 925 entrariam em layoff contrato de trabalho suspenso. Desde agosto, a empresa já demitiu234 trabalhadores pelo sistema de PDV (Programa de Demissão Voluntária).

O PDV só termina no dia 30 de novembro, junto com o layoff. Com as adesões, restam 1.606 trabalhadores considerados excedentes. “Vai ser um desastre se essas pessoas forem demitidas. As indústrias da região não tem como absorver todos”, disse Macapá.

O Vale

Publicado em: 09/10/2012

Em passe de negociação, Bancários cruzam os braços

Cerca de 5.500 bancários podem cruzar os braços a partir de hoje na região em função do impasse nas negociações da campanha salarial da categoria. A greve, que é nacional e por tempo indeterminado, deve atingir até 400 agências no Vale.

Ontem à tarde, em função do aviso de greve, a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) divulgou em seu site uma tabela com os serviços que podem ser feitos pelo correntista em caixas eletrônicos e pela internet, caso não consiga utilizar os caixas tradicionais.

Os bancários reivindicam reajuste de 10,25%, sendo 5% de aumento real, piso de R$ 2.416,38 e PLR (Participação nos Lucros ou Resultados) de três salários mais R$ 4.961,25 fixos. Já os bancos oferecem reajuste de 6%, piso de R$ 2.014,38 e PLR de no máximo 2,2 salários mais fixo de R$ 1.484.

Os bancários também pedem mais contratações, proteção contra demissões, combate ao assédio moral e mais segurança. Os sindicatos dos bancários que cobrem o Vale do Paraíba informaram que a greve serve para pressionar os bancos a aumentarem a proposta salarial. A Fenaban, entidade que representa os bancos, informou ontem por meio de nota que só iria comentar o assunto hoje.

Segundo a presidente do Sindicato dos Bancários de São José e região, Maria de Lourdes de Oliveira, o ideal era que todos os bancos entrassem em greve, mas que dificilmente todos os bancários aderem ao movimento. “No começo, o movimento não tem 100% de adesão, mas depois os agentes vão percebendo que o movimento está crescendo e aumentam a mobilização.”

Hoje em São José um carro de som percorrerá o centro avisando a deflagração da greve. A base do sindicato de São José engloba 203 agências e 3.116 bancários em 11 cidade. Na base de Taubaté, são 140 agências e 1.600 funcionários em 12 cidades e, na de Guará, mais 60 agências e 822 agentes em 16 municípios.

Correntistas precisam ficar atentos aos serviços que podem ser feitos mesmo com as agências fechadas. Serviços de financiamento, saques, depósitos e transferências devem ser os mais prejudicados. Mesmo com a greve, pagamento de contas e boletos deve ser feito normalmente por outros meios.

Para o comerciante Carlos Eduardo, 36 anos, de São José, a greve vai atrapalhar o dia-a-dia de seu estabelecimento. “Eu uso mais a internet mas, como eu tenho comércio, tem coisas que não dá para fazer pelo computador. Essa greve vai complicar”, disse.

Já a estudante Vanessa Oliveira, 22 anos, disse que a greve vai vir em má hora. Ela está resolvendo assuntos burocráticos do pai que morreu. “A greve vai atrapalhar porque estou resolvendo problemas referentes à pensão, seguro e fundo de garantia do meu pai”, afirmou ela.

Outro que será prejudicado com a greve dos bancos é o professor de xadrez José Maria Soares, 59 anos. Ele precisa dos bancos para retirar o pagamento que recebe das escolas onde leciona.

O Vale

Agenda Semanal é definida em negociação com Sindicato

Na primeira rodada da nova etapa de negociação entre a General Motors e o Sindicato dos Metalúrgicos sobre o futuro da fábrica da montadora em São José dos Campos, ocorrida ontem, as partes reafirmaram suas propostas iniciais, sem previsão de acordo.

Segundo relato do secretário-geral do sindicato, Luiz Carlos Prates, o Mancha, a empresa informou que a possibilidade de eventuais novos investimentos na planta local depende de medidas de flexibilização trabalhista. Entre elas, criação de banco de horas, nova grade salarial e redução de salários na fábrica.

A GM também informou que a unidade industrial permanece com excedentes de funcionários e que está mantida a previsão de fechamento da linha de montagem conhecida como MVA após 30 de novembro deste ano. Segundo a montadora, o excedente é de 1.840 funcionários de um total de 7.500 empregados do complexo industrial de São José.

“A empresa reafirmou as suas e propostas e nós reafirmamos as nossas”, disse o dirigente sindical. Prates declarou que o sindicato reforçou a tese de manutenção de empregos, inclusive dos funcionários que terão o contrato de trabalho suspenso a partir da próxima segunda-feira, da manutenção da produção do Classic na linha MVA e de novos investimentos no complexo. Atualmente, apenas esse modelo é produzido no setor, onde eram montados também o Meriva, Zafira e Corsa.

No encontro, GM e sindicato definiram uma agenda de reuniões para aprofundar as negociações. A partir da próxima semana, os encontros serão semanais, segundo Prates. A abertura de diálogo faz parte do acordo firmado pelas partes no dia 4 de agosto para evitar a demissão imediata de 1.840 funcionários. Na reunião, a GM informou ao sindicato que houve uma redução de 940 para 925 no número de funcionários que terão o contrato de trabalho suspenso.

Do grupo de 1.840 funcionários, 900 permanecem no trabalho, na produção do Classic. “Segundo a empresa, como há funcionários afastados, o número foi reduzido”, disse. Hoje, o sindicato vai realizar assembleia com o grupo, em sua sede, para orientar sobre a suspensão do contrato. “Vamos passar informações sobre o processo e reafirmar a nossa luta pela manutenção dos empregos”, declarou o dirigente sindical. A assembleia está marcada para as 14h.  A GM informou, por meio de sua assessoria, que não vai se pronunciar a respeito das reuniões com o sindicato.

O Vale

Às vésperas de negociação, montadora paralisa

A direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos informou ontem que a General Motors já começou o desmonte da linha de produção conhecida como MVA, na planta local, e reduziu para menos da metade a produção do Classic, único modelo que restou no setor, que também fabricava Corsa, Zafira e Meriva.

A medida surpreendeu a direção do sindicato, que teme pela demissão de aproximadamente 2.000 trabalhadores da planta da montadora em São José. Segundo a entidade, somente no MVA correm risco de demissão cerca de 1.500 funcionários, mas o fechamento da linha atingiria operários de outros setores do complexo industrial, como da fábrica de motores, estamparia e pintura, entre outros.

“A nossa análise é que até sexta (amanhã) todo o MVA estará fechado”, disse o presidente do sindicato, Antonio Ferreira de Barros, o Macapá. Ele relatou que o processo de esvaziamento da fábrica foi iniciado na noite de quarta-feira. “A GM encerrou as atividades do segundo turno do setor de funilaria, que produz o Classic, da área de injetora de plástico e de parte da pintura”, disse o dirigente sindical.

Sindicato e GM ainda têm uma última rodada de negociação no próximo sábado. A surpresa maior para o sindicato aconteceu ontem com a redução da cadência de produção do Classic. Segundo Barros, a montagem diária do modelo foi reduzida de 375 unidades para 155.

“A empresa também demitiu o diretor do MVA. A GM começou o fechamento do MVA após o ministro Guido Mantega (Fazenda) autorizar a empresa a demitir”, afirmou. Mantega disse, após se reunir na última terça-feira com o diretor de Assuntos Institucionais da montadora, Luiz Moan, que não cabe ao governo tratar “de problemas localizadas da companhia”.

“É da organização interna da empresa”, disse o ministro, que informou que a GM tem gerado empregos no país.  Na avaliação do sindicato, o plano da montadora seria transferir a produção do Classic para a sua fábrica em Rosário, na Argentina. “É clara essa posição da empresa”, afirmou Barros.

Os sindicalistas prometem reagir à possível demissão em massa na fábrica de São José. “Vamos continuar mobilizando a categoria e a sociedade. Vamos procurar a presidente Dilma Rousseff”, afirmou ontem o presidente do sindicato, que informou que hoje a entidade se reunirá com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), em São Paulo.

Os metalúrgicos também programaram manifestação hoje pela manhã na porta da fábrica, na entrada do primeiro turno de trabalho.

O Vale

Setor aeroespacial negocia redução de Folha de Pagamento

A Embraer, de São José dos Campos, será beneficiada com medida a ser tomada pelo governo que visa desonerar a folha de pagamento dos funcionários de determinados setores da indústria. Ontem, o vice-presidente de Relações Institucionais da Embraer, Jackson Schneider, representando a Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil, se reuniu com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em Brasília, para tratar do assunto.

A intenção do governo é substituir a atual contribuição das empresas de 20% da folha de pagamento à Previdência Social por uma alíquota única vinculada à receita bruta da empresa. Inicialmente, essa taxa seria de 1% do faturamento, valor que pode ser redefinido após reunião de Mantega com os setores a serem beneficiados pela medida.

Além da indústria aeronáutica, a mudança parte do programa de fomento da indústria Brasil Maior é direcionada aos setores têxtil, naval, moveleiro, autopeças, bens de capital e plástico. Ontem, o ministro Mantega também se encontrou com representantes da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), da Abimovel (Associação Brasileira das Indústrias de Móveis) e do Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores).

Os benefícios a serem concedidos têm a finalidade de aumentar a competitividade da indústria brasileira e barrar o avanço dos importados, que estaria resultando em demissões em todo o país. Balanço divulgado essa semana pelo Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) mostra que nos últimos cinco meses a indústria de São José fechou 1.600 postos.

“Toda medida para desonerar a folha de pagamento ajuda o setor. O peso da folha de pagamento é muito grande. Um trabalhador que ganha R$ 1.000 custa R$ 2.300 para a empresa, somados os encargos. É muita coisa”, afirmou o diretor regional do Ciesp de São José, Almir Fernandes.

Para o delegado do Corecon (Conselho Regional de Economia) do Vale do Paraíba, Jair Capatti Junior, a deso-neração da folha representa um certo ‘fôlego’ para a indústria. Ele considera uma medida válida para todo o setor. “As empresas podem ter fluxo de caixa um pouco mais favorável, o que deve auxiliar no dia a dia. É preciso que se equalize (a desoneração) para todos os setores para que haja crescimento em toda a indústria”, disse Capatti.

Ainda não há previsão de quando o governo deva formalizar a medida. As negociações com outros setores beneficiados devem continuar na próxima semana.

O Vale

Negociação com a Avibras

Após assistir a uma demonstração de lançamento de foguetes terra-terra, fabricados pela Avibras, no Campo de Instrução do Exército, em Formosa (GO), a 80 quilômetros de Brasília, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, informou que está em negociação com o Ministério da Fazenda a aquisição do equipamento que considera de importância estratégica para o país.

O sistema conhecido como Astros 2 custa R$ 960 milhões, segundo informou o general Aderico Mattioli, diretor de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa. A expectativa é que a liberação dos recursos seja definida até o final do ano.

O ministro da Defesa explicou que, primeiro, é preciso resolver a situação da Avibras, com sede em São José dos Campos, que se encontra em processo de recuperação judicial. No início do ano, a empresa demitiu trabalhadores por falta de contratos na área militar.

Para que a empresa sobreviva, é preciso que haja um saneamento econômico e financeiro, que poderá ser obtido com a garantia da aquisição do sistema Astros 2020, pelo Exército, além de capitalização da Avibras por meio de refinanciamento de seus débitos pelo governo dentro do Refis.

Jobim, por sua vez, salientou que é preciso dar continuidade e garantir este acervo tecnológico, que não pode ser perdido, já que se trata de uma produção brasileira.

O ministro lembrou que há interesse mundial neste produto e a última exportação da Avibras foi para a Malásia, que adquiriu um conjunto de lançadores de foguetes da indústria brasileira em 2008, ao preço de R$ 500 milhões.

Hoje, o Exército brasileiro não possui o Astros 2 e a intenção é que o sistema possa ser adquirido ainda este ano, segundo Jobim.

Contrato. O sistema que o Exército quer comprar é composto por 49 viaturas.
São 18 veículos lançadores, 18 remuniciadores, 3 unidades de controle e monitoramento, 3 estações meteorológicas, 3 de manutenção, 3 veículos de comando e controle de bateria e um de comando e controle de grupo.

O Vale