Setor aeroespacial negocia redução de Folha de Pagamento

A Embraer, de São José dos Campos, será beneficiada com medida a ser tomada pelo governo que visa desonerar a folha de pagamento dos funcionários de determinados setores da indústria. Ontem, o vice-presidente de Relações Institucionais da Embraer, Jackson Schneider, representando a Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil, se reuniu com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em Brasília, para tratar do assunto.

A intenção do governo é substituir a atual contribuição das empresas de 20% da folha de pagamento à Previdência Social por uma alíquota única vinculada à receita bruta da empresa. Inicialmente, essa taxa seria de 1% do faturamento, valor que pode ser redefinido após reunião de Mantega com os setores a serem beneficiados pela medida.

Além da indústria aeronáutica, a mudança parte do programa de fomento da indústria Brasil Maior é direcionada aos setores têxtil, naval, moveleiro, autopeças, bens de capital e plástico. Ontem, o ministro Mantega também se encontrou com representantes da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), da Abimovel (Associação Brasileira das Indústrias de Móveis) e do Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores).

Os benefícios a serem concedidos têm a finalidade de aumentar a competitividade da indústria brasileira e barrar o avanço dos importados, que estaria resultando em demissões em todo o país. Balanço divulgado essa semana pelo Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) mostra que nos últimos cinco meses a indústria de São José fechou 1.600 postos.

“Toda medida para desonerar a folha de pagamento ajuda o setor. O peso da folha de pagamento é muito grande. Um trabalhador que ganha R$ 1.000 custa R$ 2.300 para a empresa, somados os encargos. É muita coisa”, afirmou o diretor regional do Ciesp de São José, Almir Fernandes.

Para o delegado do Corecon (Conselho Regional de Economia) do Vale do Paraíba, Jair Capatti Junior, a deso-neração da folha representa um certo ‘fôlego’ para a indústria. Ele considera uma medida válida para todo o setor. “As empresas podem ter fluxo de caixa um pouco mais favorável, o que deve auxiliar no dia a dia. É preciso que se equalize (a desoneração) para todos os setores para que haja crescimento em toda a indústria”, disse Capatti.

Ainda não há previsão de quando o governo deva formalizar a medida. As negociações com outros setores beneficiados devem continuar na próxima semana.

O Vale

Banco Santander continuará gerenciando folha de pagamento

O banco Santander vai continuar gerenciando a folha de pagamento do funcionalismo municipal de São José dos Campos.

O Santander foi o único banco que participou ontem do leilão promovido pela prefeitura para a contratação de instituição financeira para ser depositária dos pagamentos dos servidores ativos, inativos, pensionistas, bolsistas e estagiários da administração direta e indireta.

O lance mínimo estipulado pela prefeitura para o leilão da folha de pagamento foi de R$ 35 milhões. O banco ofertou R$ 35.001.002,00. O contrato é por prazo de cinco anos. O Santander terá também que pagar mais R$ 5 milhões, em parcelas anuais de R$ 1 milhão. A verba será destinada ao Fadenp (Fundo de Apoio ao Desporto Não-Profissional), gerenciado pela Secretaria de Esportes.

Presença. Estavam presentes no evento representantes do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e do Banco Bradesco o Bradesco, inclusive, foi à Justiça para garantir uma eventual participação no pregão. No entanto, nenhuma dessas instituições financeiras apresentou proposta.

A expectativa da prefeitura era de que pelo menos quatro grandes bancos do país participassem do pregão, o que provocaria uma disputa maior. No leilão promovido em 2007, o lance mínimo estipulado foi de R$ 25 milhões e o montante arrecadado alcançou R$ 45 milhões.

O secretário municipal da Fazenda, José Liberato Júnior, considerou o resultado do pregão positivo.
“A proposta está de acordo com o valor que projetamos arrecadar”, declarou. Liberato, entretanto, acreditava que o pregão seria acirrado, a exemplo do registrado no primeiro leilão.

“Pelos menos outras instituições bancárias haviam sinalizado interesse em participar, o que, certamente, iria gerar disputa e haveria lances mais altos”, afirmou. Segundo ele, após a conclusão do processo, a prefeitura irá conversar com as instituições bancárias para saber porque não se interessaram em participar do pregão. Nenhum representante das instituições presentes no pregão se manifestou.

Partilha. A carteira potencial da clientela ofertada no pregão soma 15.400 servidores municipais da prefeitura, Câmara, Fundhas, Fundação Cultural Cassiano Ricardo, Instituto de Previdência do Servidor Municipal e da Urbam.

O valor da folha de pagamento bruta, com base no mês de agosto deste ano, é de R$ 54,8 milhões. A folha líquida soma R$ 38,5 milhões.

Dos R$ 35.001.002 oferecidos pelo Santander, a maior parte (67,28%) ficará com a prefeitura. Segundo Liberato, os recursos serão destinados para investimentos (obras e compra de equipamentos). O IPSM receberá 15,32%, a Urbam, 9,54%, a Fundhas, 4,07%, a Fundação Cultural, 0,60%, e a Câmara, 3,19%.

Escolha. O secretário da Fazenda explicou que o servidor não será obrigado a trabalhar com o banco vencedor.
“A partir de janeiro de 2012, conforme determina o Banco Central, automaticamente, o cidadão poderá optar pela instituição bancária de sua preferência. Caberá ao banco oferecer atrativos”, disse .

O Vale