Changes de Estágio ampliado, prevê Profissionais para o Futuro

Pressionado pelo aumento da competitividade entre as empresas e a escassez de mão de obra qualificada, o estágio se ‘profissionalizou’ nos últimos anos. É o que apontam diretores de empresas instaladas na região que aproveitam o estágio para moldar os estudantes em potenciais trabalhadores do futuro.

“A gente olha nossos estagiários como futuros líderes da nossa empresa”, disse o gerente de relações institucionais da Johnson&Johnson, Alcides Suliman. Na empresa de produtos de saúde com sede em São José, atualmente 60 estudantes participam do programa de estágio da J&J, um dos mais concorridos da região. No ano passado, 5.000 pessoas se inscreveram para os 60 postos, concorrência de 83 pessoas por vaga.

O programa consiste em workshops, treinamento prático e auxílio de monitores no planejamento da carreira dos alunos. Quem se destaca, passa para o segundo ano de estágio. Mais à frente, a meta é ficar para o programa de trainee. Bruna Varella, 22 anos, estudante de administração, está em seu segundo ano de estágio da Johnson. Atuando no setor de relações institucionais, busca terminar o ano entre os estagiários selecionados para o trainee.

“O programa de estágio nos prepara para isso. Enxergo que estarei aqui no futuro e sei que as possibilidades são grandes, pois temos muito treinamento”, disse. Quem também vislumbra uma chance como profissional é Andréa Campos, 24 anos, outra estagiária em seu segundo ano de empresa. “O investimento da empresa no estagiário é muito alto”, afirmou.

A média de retenção de estagiários da Johnson varia entre 30% e 45%, índice maior que o registrado no passado.
“Com a evolução do mercado de trabalho, o programa de estágio se tornou um celeiro de talentos”, disse Suliman. Na Unimed de São José, a média de efetivação dos estagiários é ainda maior: de 70% a 80%. Atualmente, 15 estudantes prestam serviço na empresa.

“A proposta é de fazer um trabalho para moldar essa pessoa dentro da empresa”, afirma Regina Bellato, gerente de recursos humanos da Unimed. Ela explica que outra vantagem em adaptar um profissional que já está na empresa para preencher uma vaga aberta é a redução do custo do processo de seleção.

“Quando identificamos um profissional diferenciado, buscamos rete-lo”, disse Regina.
Foi o caso da enfermeira Claudia Serrano, 22 anos, contratada no mês passado pela Unimed, após passar pelo processo de estágio da empresa em 2011.

“Aprendi muito nesse tempo em que fui estagiária. Quando me inscrevi, buscava ter a vivência de um hospital e foi o que aconteceu. Foi muito positivo”, disse Claudia. Em São José, mais de 5.200 estudantes estagiam nas empresas da cidade. Mais de 250 vagas estão abertas.

O Vale

Depois de três meses com o preço em alta, preço da carne cai

Apesar da queda de quase 10% no último mês, o preço da carne vermelha ainda acumula alta de 20% nos últimos quatro meses no Vale. A expectativa é que o valor do produto caia nos próximos meses e chegue perto do patamar de setembro, antes da alta vertiginosa tradicional do final do ano.

“Nesta época, o abate aumenta e o consumo não é tão alto como o do final do ano. Se nada de anormal acontecer, o preço da carne deve voltar ao que era antes de outubro”, disse o economista do Nupes (Núcleo de Pesquisas Econômico-sociais) da Universidade de Taubaté, Luiz Carlos Laureano.

Em janeiro, o valor do contrafilé caiu 9,77% e o do acém, 9,25%. Já a alcatra registrou redução de 7,65%, segundo dados da pesquisa mensal da cesta básica, divulgada ontem pelo Nupes. O gerente do açougue Medalhão, no centro de São José, Clayton da Silva, 32 anos, conta que a maior queda foi apresentada pelos produtos de maior consumo no final do ano, as chamadas ‘carnes de festa’.

“Picanha, alcatra e contrafilé caíram de 10% a 15% em janeiro. Já nas outras carnes, essa queda não foi tão grande”, afirmou Silva. A dona de casa Sandra Bustamante, 58 anos, disse ter notado a queda do preço depois das festas. “Caiu sim, principalmente o contrafilé. É bom pois aproveito para comprar mais”, disse. Já a também dona de casa Marilene Tavares Rocha, 55 anos, acredita que a queda não deva passar da de janeiro.

“O preço nunca volta ao que era antes. Tem sempre a inflação que é usada como desculpa para que o valor fique lá em cima”, afirmou Marilene. O balanço da cesta básica na região mostrou que o custo de produtos tradicionais na mesa do brasileiro obtiveram alta em janeiro. É o caso do feijão carioquinha, tomate, batata e cenoura.

O feijão, aliás, deve continuar com o preço ‘salgado’ até abril, início da colheita da segunda safra do produto a primeira segue sendo prejudicada devido à seca na região Sul e o excesso de chuvas em Minas Gerais e São Paulo.
O tomate também sofre com o excesso de chuvas no Sudeste, que eleva a quantidade de bactérias nas lavouras e causa perda de produtividade, aponta análise do Nupes.

No geral, o valor da cesta básica praticamente se manteve estável no último mês em relação a dezembro de 2011, com alta de 0,17% quinta valorização positiva seguida, alcançando o valor médio de R$ 956,70. Em janeiro de 2011, a valorização em relação a dezembro de 2010 havia sido de 0,97%, maior alta dos primeiros seis meses do ano. Campos do Jordão segue como detentora da cesta mais barata entre as cidades pesquisadas pelo Nupes R$ 945,13.

A mais cara é a de Taubaté, com valor de R$ 969,77. A diferença da variação entre as cidades diminuiu de 2,66% no mês de dezembro de 2011 para 2,61% em janeiro passado. Comparando a quarta semana de dezembro de 2011 com a quarta semana de janeiro de 2012, dos 32 produtos de alimentação pesquisados pelo Nupes, 19 sofreram aumento de preços e 13 tiveram redução no valor.

Dos cinco produtos de higiene pessoal, três tiveram aumento de preço e dois redução. No setor de limpeza, três3 produtos tiveram aumento e quatro redução.

Queda no preço da carne
Contrafilé: -10,61
Alcatra: -8,37%

O Vale

Portas giratórias serão retiradas de Bancos na cidade

Bancos devem começar nos próximos dias a retirar as portas giratórias das agências de São José dos Campos. Itaú e Bradesco serão os primeiros a adotar a medida. Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil ainda estudam a ação. Os demais não se manifestaram.

A medida visa diminuir ações na Justiça contra os bancos por danos morais devido ao constrangimento de clientes ao passarem pelo detector de metais. Em Taubaté e Jacareí, leis municipais obrigam os bancos a manterem o dispositivo de segurança, defendido pelas regionais do Sindicato dos Bancários.

“Somos contra tudo o que diminua a segurança do trabalhador e do usuário”, afirmou a presidente do sindicato de São José, Maria de Lourdes de Oliveira. Ela citou como exemplo o caso da agência do Banco do Brasil na vila Tatetuba, zona leste de São José. “A agência foi inaugurada sem porta giratória. Foram três assaltos seguidos. Depois que colocou, acabou o problema”, disse Maria de Lourdes.

Os bancos que iniciaram a retirada do mecanismo em agências da capital não confirmaram quando a mudança irá atingir o Vale do Paraíba. De acordo com comunicado do Itaú, a mudança busca dar mais proximidade e transparência no atendimento ao cliente. A empresa informou ainda que as portas serão substituídas por outros mecanismos de segurança não especificados para não atrapalhar a instalação dos técnicos.

A base do sindicato dos bancários de Taubaté foca suas ações em cidades onde não há lei municipal que obrigue a manutenção do dispositivo de segurança. “Além de Taubaté, Ubatuba tem a mesma lei. Já em Pindamonhangaba e Caçapava, estamos retomando a conversa com vereadores para que apresentem um projeto de lei defendendo o uso da porta”, disse a presidente do sindicato de Taubaté, Vera Saba.

A retirada do dispositivo dividiu opiniões em São José. “O importante é a segurança. Prefiro o constrangimento na hora de passar pela porta a ser assaltada, como já fui em uma agência dos Correios, onde não há porta”, disse a estudante de psicologia Vera Paravatti, 53 anos.

Já a técnica em suporte Vanessa Almeida, 22 anos, lembra do problema enfrentado na entrada da agência.
“Você tem que tirar tudo, todo mundo fica olhando e você acaba até atrapalhando outras pessoas”, disse. De acordo com a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), a utilização de portas giratórias com detectores de metais é opcional pela lei federal 7.102.

O Vale

Para melhor avaliar, INPE instala mega câmera na região

O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de São José dos Campos, iniciou neste mês estudo inédito sobre raios no país. O trabalho, coordenado pelo Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica), do Inpe, monitora, com câmeras de vídeo de alta resolução, toda a região de São José.

São três câmeras posicionadas estrategicamente na cidade que cobrem toda a área urbana e zona rural. Os equipamentos operam 24 horas e são acionados automaticamente. O novo sistema é denominado de Rammer (Rede Automática Multicâmeras para Monitoramento e Estudos de Raios).

As câmeras registram a formação de tempestades, gravam a ocorrência das descargas atmosféricas, inclusive entre as nuvens. “É um trabalho pioneiro que possibilitará compreender melhor o fenômeno e no futuro ajudará a prevenir acidentes e prejuízos ocasionados pelos raios”, afirmou Osmar Pinto Júnior, coordenador do Elat e do trabalho em desenvolvimento.

As câmeras foram instaladas na Univap (Universidade do Vale do Paraíba), no bairro Urbanova, região oeste da cidade, em uma torre de uma emissora de televisão, na região leste, e no IEAv (Instituto de Estudos Avançados), do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), na zona sul.

A campanha de monitoramento das descargas atmosféricas será realizada até o final do verão, em março, período de maior ocorrência do fenômeno atmosférico. “Após o término da campanha, começaremos analisar os dados e as imagens coletadas”, disse o especialista.

O Vale do Paraíba é uma região propícia para o registro do fenômeno, segundo explicou Pinto Júnior. Por estar posicionado entre duas cadeias de montanhas, Serra da Mantiqueira e Serra do Mar, o Vale do Paraíba é uma das regiões do país onde a frequência do fenômeno é maior, segundo Pinto Júnior.

“Além disso, os sistemas frontais que sobem do Sul para o Sudeste também colaboram para a ocorrência de raios. Estes sistemas trazem ar frio que, ao se chocar com o ar quente sobre a região Sudeste, provoca tempestades”, disse.

Balanço do Elat sobre a densidade de ocorrência de raios entre 2009 e 2010 aponta que em São José dos Campos foram registrados 7,86 raios por quilômetro quadrado no período. Na região, Jacareí é a cidade que possui maior densidade de ocorrência do fenômeno. No período pesquisado pelo Elat, foram registrados 12,84 raios por km2/ano.

Anualmente, segundo dados do Elat, de cada 50 pessoas que morrem no mundo vítimas de raios, uma é do Brasil. No período 2000 a 2009 foram registradas 1.321 vítimas fatais por raios, média de 130 pessoas por ano.

O Vale

Ano começa com mais de mil vagas de empregos

O Vale do Paraíba vai começar o ano com 983 oportunidades de emprego para serem preenchidas. São vagas disponibilizadas pelo programa Emprega São Paulo, que agora é vinculado ao portal Mais Emprego, do Ministério do Trabalho.

A maioria das vagas é referente aos setores de serviços e de comércio, que demandam reforço com a chegada do período de férias. O Litoral Norte lidera o ranking do emprego, com 413 vagas. O destaque é Caraguatatuba, que busca preencher 291 postos.

Os profissionais mais requisitados são auxiliar de serviços de alimentação e arrumador de quarto. O proprietário do restaurante Orla, de Caraguatatuba, Bruno Dantas, 29 anos, disse que a rotatividade nos postos de trabalho durante a temporada é grande.

“Muita gente não aguenta o trabalho até o fim. A maioria dos lugares já reforçou o quadro de funcionários, mas sempre há necessidade de novas vagas”, disse ele. São José dos Campos possui 252 vagas a serem preenchidas em diversas áreas. Já Taubaté tem 48 postos e Jacareí, 67.

Quem foi procurar emprego nas agências de recursos humanos da cidade ontem se animou com as novas oportunidades. Os estudantes Felipe Souza e Amanda Ribeiro, ambos de 20 anos, de São José, estão à procura de emprego, mas reclamam do excesso de exigências dos patrões.

“O que mais dificulta é a necessidade de experiência. Como é que vou ter essa qualificação se não me dão uma chance?”, questionou Amanda, desempregada desde outubro, quando saiu do setor administrativo de uma imobiliária.

Já o último trabalho de Felipe foi em abril, em uma padaria. Apesar de ter cursos de especialização na área de engenharia elétrica, não consegue uma oportunidade no ramo. “Tenho que conseguir alguma coisa até o final de janeiro para continuar a pagar a faculdade”, disse o estudante de engenharia civil.

O processo para o preenchimento de algumas vagas já foi iniciado. Para cadastrar o currículo nos programas de recolocação profissional, os interessados devem entrar no site do Mais Emprego (veja quadro) ou procurar uma unidade do PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador).

O Vale

5.000 mil vagas para estágios na região do Vale

O Ciee (Centro de Integração Empresa Escola) está disponibilizando 5.000 vagas de estágio em toda a região até fevereiro do ano que vem. No Estado são 40 mil vagas disponíveis. De olho nas oportunidades, muitos jovens já se preparam para encarar a maratona de entrevistas e concorrer a uma delas.

É o caso da Joseane Ribeiro Diniz, 21 anos, que está no 3º ano do curso de Relações Públicas da Unitau (Universidade de Taubaté). “Estou tentando uma vaga de estágio desde que entrei no curso, em 2009. Sempre procuro em sites de emprego e agências de RH da cidade. Minha área é muito disputada e oferece pouquíssimas vagas”, afirmou ela.

Preocupada em adquirir experiência e aperfeiçoar o currículo, ela se matriculou em um curso de inglês. “Era uma das exigências das empresas. Faço há um ano e meio, e estou tentando me aprimorar e adaptar a essas exigências”, disse.

A supervisora do Ciee de São José, Priscila Dalmas Higashi, disse que as carreiras que mais estão demandado candidatos são administração, ciências contábeis, economia e engenharias. Já as áreas que menos estão chamando os estudantes são nas áreas de saúde, turismo e comunicação. Segundo ela, não existe fórmula mágica para alcançar a vaga, mas algumas dicas sempre podem ajudar.

“O importante é o candidato falar a verdade nas informações que inclui no currículo, ter uma apresentação pessoal discreta e primar pelo cuidado com a linguagem utilizada na redação e na entrevista.” O estudante Delosmar Fernandes da Rocha Junior, 20 anos, do 3º ano do curso de engenharia ambiental e sanitária da Unitau, procura por um estágio há um ano.

Para ele, as vagas ainda são pouco divulgadas e, quando os estudantes ficam sabendo, os processos seletivos já passaram. “Além disso, em várias vagas as empresas já querem profissionais com experiência na área, o que é difícil pra quem ainda não teve a primeira oportunidade”, afirmou ele.

“Tenho preferência pelo ramo industrial, acho vasto e muito interessante. Tomara que dessa vez eu consiga alo pelo Ciee”, disse ele. De acordo com Priscila Dalmas, qualquer jovem a partir dos 16 anos pode ser contratado estagiário desde que esteja matriculado em uma instituição de ensino reconhecida pelo Ministério da Educação.

O Vale

Horário estendido devido ao final de ano no comércio

Para atrair aqueles que deixaram para comprar os presentes de Natal na última hora, lojas da região central de São José dos Campos e de Taubaté apostam em promoções. Em algumas, o desconto chega a 15%. O movimento no comércio, que está intenso desde o início da semana, deve ficar ainda maior hoje, penúltimo dia antes do Natal.

“Acredito que teremos o auge do movimento nessa sexta-feira (hoje)”, disse o presidente da ACI (Associação Comercial e Industrial de São José), Felipe Cury.

Nos shoppings, a oferta de promoções é menor. Ainda assim, as vendas estão acima do esperado. “Desde o começo do mês, as vendas aumentaram. Nessa reta final, o movimento aumenta a cada dia”, disse o supervisor da Hering, do Vale Sul Shopping, em São José, Rogério Zaglia, 32 anos.

Dentro das lojas, quem deixou para comprar seu presente na reta final sofre com as consequências, como filas no caixa, dificuldades para estacionar e falta de produtos. “Deixei para a última hora, pois parei de trabalhar hoje (ontem). A fila está acima do normal, mas o segredo é ter paciência. As lojas se prepararam muito bem”, disse a dentista Bia Rangel, 51 anos, de São José.

A administradora Silvana Sarlo, 55 anos, culpou o atraso no sorteio do amigo secreto para ir às compras quase na antevéspera do Natal. “A gente acaba sempre deixando para a última hora. Felizmente, o movimento está tranquilo”, disse Silvana, que usou o período do expediente da maioria dos trabalhadores para fugir da fila.

Em Taubaté, os comerciantes do centro comemoram o movimento dessa reta final de vendas. A proprietária da Grife do Branco, Elisabeth dos Santos, 29 anos, disse que a promoção das lojas tem feito com o que o movimento permaneça intenso durante todo o dia. “Toda loja tem promoção”, afirmou.

São José

Lojas de rua na região central e o Shopping Centro
Hoje: até 22h
Amanhã: 9h às 18h

Shoppings:

CenterVale
Hoje: 10h às 24h
Amanhã: 10h às 18h
Colinas
Hoje: 10h às 23h
Amanhã: 10h às 18h
Vale Sul
Hoje: 9h às 23h
Amanhã: 9h às 18h

O Vale

IBGE revela que região abriga mais de 18 mil favelas

A região tem 18.601 pessoas morando em 17 favelas, palafitas, mocambos ou assentamentos irregulares. O número representa menos de 1% da população do Vale, que é de 2,2 milhões de habitantes.

É o que aponta o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que divulgou ontem o estudo ‘Aglomerados Subnormais’, baseado em dados do Censo de 2010. O estudo é falho, na opinião de especialistas, já que considera apenas quatro cidades São José, Jacareí, Caçapava e Tremembé e deixa de fora municípios com problemas crônicos na habitação, como é o caso de Campos do Jordão, onde mais de 9.000 pessoas vivem em 10 áreas de risco.

O Litoral Norte, onde as ocupações irregulares nos morros desafiam a administração pública, também não é citado no levantamento, assim como outros municípios de grande porte da região, como Taubaté. No caso do litoral, por exemplo, a própria Prefeitura de São Sebastião, tem cadastradas 42 áreas de ocupação irregular, com 7.000 moradores.

Para o arquiteto e urbanista, Flavio Mourão, da Unitau, o estudo não corresponde à realidade do Vale. “O número é muito maior”, disse. Para ele, há falha na metodologia. “Ter apenas 18.601 moradores em favelas é muito pouco mesmo. Muitas vezes, o estudo tem um tipo de metodologia para não subir estes índices”, disse.

Metodologia. O IBGE considerou conjunto de no mínimo 51 moradias consideradas carentes, com precariedades, como falta de sistema de esgoto ou falta de energia elétrica. “Nós fizemos o levantamento e depois passamos para as comissões censitárias formadas pelas autoridades dos municípios e técnicos do instituto. Houve uma interação para detectar e investigar estas áreas no país”, disse o pesquisador do IBGE, Maurício Silva.

Em todo o país, foram apontados 6.329 aglomerados subnormais em 323 municípios.  No caso das quatro cidades da região, São José tem 7.310 pessoas vivendo em três favelas –Banhado (centro), Vila Rodhia (zona norte) e Pinheirinho (zona sul).

O município conta com um programa de desfavelização que, segundo a Secretaria de Habitação, já removeu 120 moradores do Banhado. O restante está em processo de transferência por meio de convênio. No caso do Pinheirinho, que teve a reintegração determinada pela Justiça, moradores tentam negociar a regularização da área com o governo.

Já a Prefeitura de Jacareí, cidade que lidera o ranking com 10.143 pessoas em 10 favelas, informou que este ano foram transferidas 366 famílias para moradias por meio do programa federal Minha Casa, Minha Vida. Há ainda, segundo a prefeitura, outras 800 unidades em construção.

A secretária de Cidadania e Assistência Social de Caçapava, Maria de Fátima Lopes, disse que 172 famílias já foram retiradas de favelas. A cidade tem 932 pessoas em duas favelas. Já Tremembé tem 216 moradores nestas condições.

O Vale

IBGE mostra que característica industrial lideram ranking

Dados do PIB (Produto Interno Bruto) de 2009 divulgados ontem mostram que a distribuição de riqueza entre as cidades da região é desigual. O levantamento é do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A pesquisa revela que a maior parte da riqueza regional está concentrada no eixo entre as cidades de Jacareí e Pindamonhangaba. Embora apenas dois dos 39 municípios do Vale e Litoral Norte tenham registrado queda no PIB em 2009 (São Sebastião e Santa Branca), o crescimento da riqueza nas pequenas e médias cidades está bem distante do verificado nos municípios que concentram atividades industriais e de serviços.

PIB é o indicador que mede a produção de um país, levando em conta três grupos principais agropecuária, indústria e serviços. São José é o município com maior PIB, de R$ 22,018 bilhões. A renda per capita da população é de R$ 35 mil. No ranking das 100 cidades do país com maior PIB, São José pulou do 21º para o 19º lugar.

A seguir, Taubaté é a segunda com maior riqueza na região, com PIB de R$ 8,324 bilhões. A cidade pulou de 61º para 54ºlugar no ranking nacional. A renda per capita é de R$ 30,4 mil. Jacareí e Pinda estão na sequência de cidades mais ricas, com PIBs de R$ 4,832 bilhões e R$ 4,417 bilhões, respectivamente. Já a renda per capita das duas cidades é de R$ 22.705,97 e R$ 28.851,13, respectivamente.

Arapeí é o município mais pobre da região, com PIB de R$ 26,350 milhões, seguido por São José do Barreiro (R$ 31,520 milhões) e Canas (R$ 34,6 milhões, revela o IBGE. Na avaliação do prefeito de Jacareí, Hamilton Ribeiro Mota (PT), a criação da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte pode ser a oportunidade para reduzir as desigualdades regionais.

“A RM pode ter instrumentos que permitam um desenvolvimento igualitário entre os municípios e para uma melhor distribuição da riqueza. Isso é bom para os pequenos e também para a grandes cidades.” Com relação ao PIB de Jacareí, Hamilton destacou que, apesar de 2009 ter sido um ano de crise na economia, a cidade conseguiu se destacar. “Acreditamos que 2010 foi ainda melhor”, afirmou.

José de Mello Corrêa, secretário de Desenvolvimento Econômico de São José, analisa que os dados do IBGE são positivos para toda a região. “A pesquisa revela que a maioria das cidades teve crescimento no PIB. Para São José, os dados também são positivos, pois melhoramos a nossa posição no ranking nacional”, disse o secretário.

O Vale

PLR de empresas são pagos e aquecem vendas de natal

Papai Noel vai engordar o bolso dos comerciantes da região. Eles se preparam para aproveitar a entrada em circulação de pelo menos R$ 280 milhões do pagamento da PLR (Participação nos Lucros ou Resultados) nas grandes empresas.

O valor leva em conta estimativas dos sindicatos dos metalúrgicos de São José dos Campos e de Taubaté, que representam 64 mil trabalhadores de 16 cidades.

Gerente da loja Colombo do CenterVale, em São José, Leandro Quadros espera fechar dezembro vendendo até 70% a mais do que um mês normal. A entrada do dinheiro é comemorada pela equipe de vendas da loja. “O cliente chega com dinheiro e compra à vista, conseguindo bons descontos e evitando dívidas”, disse. Itens como computadores portáteis, aparelhos de televisão e de áudio e celulares estão na lista dos mais vendidos.

Roberto Coelho, 31 anos, gerente da loja Calvin Klein, está otimista com o final de ano. “As compras estão se aquecendo e melhorarão com a entrada desse dinheiro novo no comércio.” A maior parte das empresas paga a segunda parcela da PLR até o final do ano. Outro segmento vai acertar o benefício entre janeiro e março de 2012.

“O pagamento da PLR tem um peso grande na economia da região. Ela movimenta o comércio local”, disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté, Isaac do Carmo.

Conforme estimativa da entidade, a cidade deve contar com R$ 130 milhões vindos da PLR das principais empresas, como Ford, Alstom e LG. Na Volkswagen, os
trabalhadores aprovaram anteontem a proposta de R$ 5.800 no valor da PLR, que injetará quase R$ 40 milhões até o final do ano.

Para Sandra Morales, presidente da Acit (Associação Comercial e Industrial de Taubaté), quem mais se beneficia com a entrada desse dinheiro é o comércio. “Os trabalhadores sempre usam parte do dinheiro para as compras de Natal”, disse. Em São José, a expectativa de sindicatos e entidades do comércio é que a PLR injete algo em torno de R$ 150 milhões na economia da cidade, dinheiro que será bem vindo.

“É ótimo para aquecer as vendas de final de ano”, ressaltou Felipe Cury, presidente da ACI (Associação Comercial e Industrial) de São José. Vivaldo Moreira, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José, está finalizando as contas de quanto as empresas da base da entidade vão pagar em PLR.

Boa parte delas, segundo ele, acerta o benefício entre janeiro e março, mas algumas pagam no final de ano. O trabalhadores recebem o equivalente a um 14º salário extra, entre R$ 2.000 e R$ 6.000. “É um dinheiro que ajuda os trabalhadores, que podem pagar contas, e o comércio também, que se beneficia com vendas.”

Além da PLR, o comércio também está de olho no 13º salário, que deve injetar na região até R$ 567 milhões.

O Vale