Cidade monitora transporte de Caçamba via Internet

Resíduos da construção civil em São José dos Campos serão monitorados através da internet para evitar o descarte em lugares proibidos, como terrenos baldios, margens de rios e depósitos clandestinos. O prefeito Eduardo Cury (PSDB) sancionou anteontem a lei que cria na cidade o sistema de controle de resíduos da construção civil.

A norma separa pequenos e grandes geradores de resíduos pelo volume de 1 metro cúbico, equivalente a uma caçamba de veículo utilitário pequeno. Quem produz resíduos até esse limite deve levá-los a um dos sete PEV’s (Pontos de Entrega Voluntária) na cidade. O serviço é gratuito.

Os que geram resíduos acima de 1 metro cúbico terão que levar o entulho para empresas recicladoras ou aterros privados licenciados. Os serviços de transporte de entulho, os caçambeiros, também terão que ser cadastrados na prefeitura. Hoje, há 43 empresas registradas.

O sistema vai funcionar assim: transportadores de entulho, grandes e pequenos geradores e destinatários finais (reciclagem de entulho ou área para aterro) terão que se cadastrar no site da Secretaria. Quando o resíduo for gerado, o responsável deverá registrar no site a retirada do material e o seu destino adequado. A exigência abrange os geradores de entulho e os transportadores. As empresas que recebem o material deverão dar baixa no sistema, fechando o circuito.

Transportadores e receptores de entulho que não cumprirem a lei terão o alvará de funcionamento cassado. Os grandes geradores de resíduos pagarão multa com valores que vão de R$ 1.866 a R$ 6.220. Além disso, eles deverão apresentar relatório de transporte de resíduos para obter o Habite-se. Deverá constar no relatório o tipo, quantidade e destino final do entulho e se o resíduo foi devidamente recebido.

“A caçamba vai ter que sair da construção com o entulho registrado e chegar ao destino final, em local correto, também monitorado. Se não fechar o circuito alguém será multado”, disse André Miragaia, secretário de Meio Ambiente de São José.

Maria Cristina de Barros Souza, presidente da Associação dos Proprietários de Locação de Caçambas de São José, é favorável ao controle dos resíduos como forma de brecar os clandestinos. Segundo ela, as empresas legalizadas operam atualmente mais de 1.000 caçambas na cidade. “A regularização do setor é uma grande reivindicação nossa.”

O Vale

Para melhor avaliar, INPE instala mega câmera na região

O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de São José dos Campos, iniciou neste mês estudo inédito sobre raios no país. O trabalho, coordenado pelo Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica), do Inpe, monitora, com câmeras de vídeo de alta resolução, toda a região de São José.

São três câmeras posicionadas estrategicamente na cidade que cobrem toda a área urbana e zona rural. Os equipamentos operam 24 horas e são acionados automaticamente. O novo sistema é denominado de Rammer (Rede Automática Multicâmeras para Monitoramento e Estudos de Raios).

As câmeras registram a formação de tempestades, gravam a ocorrência das descargas atmosféricas, inclusive entre as nuvens. “É um trabalho pioneiro que possibilitará compreender melhor o fenômeno e no futuro ajudará a prevenir acidentes e prejuízos ocasionados pelos raios”, afirmou Osmar Pinto Júnior, coordenador do Elat e do trabalho em desenvolvimento.

As câmeras foram instaladas na Univap (Universidade do Vale do Paraíba), no bairro Urbanova, região oeste da cidade, em uma torre de uma emissora de televisão, na região leste, e no IEAv (Instituto de Estudos Avançados), do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), na zona sul.

A campanha de monitoramento das descargas atmosféricas será realizada até o final do verão, em março, período de maior ocorrência do fenômeno atmosférico. “Após o término da campanha, começaremos analisar os dados e as imagens coletadas”, disse o especialista.

O Vale do Paraíba é uma região propícia para o registro do fenômeno, segundo explicou Pinto Júnior. Por estar posicionado entre duas cadeias de montanhas, Serra da Mantiqueira e Serra do Mar, o Vale do Paraíba é uma das regiões do país onde a frequência do fenômeno é maior, segundo Pinto Júnior.

“Além disso, os sistemas frontais que sobem do Sul para o Sudeste também colaboram para a ocorrência de raios. Estes sistemas trazem ar frio que, ao se chocar com o ar quente sobre a região Sudeste, provoca tempestades”, disse.

Balanço do Elat sobre a densidade de ocorrência de raios entre 2009 e 2010 aponta que em São José dos Campos foram registrados 7,86 raios por quilômetro quadrado no período. Na região, Jacareí é a cidade que possui maior densidade de ocorrência do fenômeno. No período pesquisado pelo Elat, foram registrados 12,84 raios por km2/ano.

Anualmente, segundo dados do Elat, de cada 50 pessoas que morrem no mundo vítimas de raios, uma é do Brasil. No período 2000 a 2009 foram registradas 1.321 vítimas fatais por raios, média de 130 pessoas por ano.

O Vale