Crise da Saúde prejudica moradores da cidade

A decisão da Secretaria de Saúde de São José de transferir um grupo de médicos supostamente ligado à administração do PSDB provocou uma nova crise na rede, que resultou em pedidos de demissão e manifestos por meio de carta aberta e pelas redes sociais.

Cinco profissionais foram remanejados pelo governo Carlinhos Almeida (PT), todos eles servidores de carreira que ocupavam cargos de chefia no Hospital Municipal e no serviço Resgate Saúde. Eles pediram exoneração da prefeitura na semana passada, após serem transferidos para plantões aos finais de semana nas UPAS do Novo Horizonte e Campo dos Alemães. Os cinco entraram na rede como médicos emergencistas.

Parte do grupo chegou a acionar a Justiça pedindo a revisão da transferência, mas na falta de uma decisão optaram pelo desligamento. O grupo produziu uma carta aberta e criou um blog para falar da situação da rede. O fato também será denunciado ao CRM (Conselho Regional de Medicina).

O grupo alega que o temor de novas ‘listas’ de transferência gerou um clima de instabilidade na rede. A administração teria elaborado duas listas de transferências a primeira previa dez remanejamentos, mas após críticas foi reduzida.

“Não temos vinculação com qualquer partido político, mas nossos nomes foram escolhidos por sermos próximos do ex-secretário Danilo Stanzani. Não vemos uma ação de governo, mas um revanchismo”, disse o diretor clínico do Hospital Municipal, Marcos Antônio da Silva. Ele pediu exoneração do cargo de médico emergencista, mas manteve o vínculo com a SPDM, organização que administra o hospital Municipal.

“A decisão do governo ocorreu à revelia de diálogo até com a direção do Hospital Municipal”, disse Silva, que atuava na rede havia 13 anos. Segundo ele, o objetivo não é atacar a administração, mas fazer chegar à população e ao prefeito o que aconteceu. “Atitudes como essa trazem prejuízos à gestão de serviços importantes e criam um clima ruim”, afirmou.

O grupo também teme o desmonte do Resgate Saúde, programa de atendimento emergencial criado em 2005, na gestão do PSDB, e que realiza cerca de 1.300 atendimentos por mês. Pelo menos cinco dos oito médicos plantonistas estariam na lista de transferência. Três deles já pediram demissão.

“São médicos com perfil diferenciado e que receberam treinamento do Corpo de Bombeiros. Os que ficaram trabalham desmotivados”, disse o coordenador do Resgate Saúde, Fernando Fonseca Costa, que também pediu demissão. “Os boatos de novas listas criaram um clima de insegurança nos funcionários.”

O Vale

Publicado em: 14/02/2013

Prefeitura irá ajudar demitidos na crise da GM da cidade

A Prefeitura de São José estuda um pacote para ajudar na recolocação dos trabalhadores que vierem a ser demitidos da General Motors na cidade. Entre as propostas, o governo municipal avalia oferecer cursos de requalificação em parceria com o Senai (Serviço Nacional da Indústria), orientação para cadastro no PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador) e apoio na abertura de um novo negócio.

No setor MVA, no complexo industrial da GM em São José, 759 trabalhadores estão com o contrato de trabalho suspenso desde 27 de agosto do ano passado. O período de lay-off foi estendido para mais dois meses a partir de anteontem. Quem for demitido após esse período, conforme acordo negociado entre a GM e o Sindicato dos Metalúrgicos, receberá mais três salários.

Entre os trabalhadores afastados, 150 estão lesionados e têm estabilidade. Os demais poderão ser demitidos após os dois meses de lay-off. Quem quiser sair agora, receberá cinco meses de salário e mais os direitos trabalhistas.

Em tese, a prefeitura está preocupada com os 609 funcionários da GM em lay-off que estão com o emprego ameaçado. “Acreditamos ainda que eles possam ser recolocados dentro da própria montadora. Mas, ao mesmo tempo, estudamos formas de ajudá-los a voltar ao mercado de trabalho se forem demitidos”, afirmou Paulo Roberto Roitberg, chefe de Gabinete da prefeitura.

A principal proposta em análise, segundo ele, é a de cursos de qualificação em parceria com o Senai diferentes daqueles oferecidos pela prefeitura. A ideia é preparar os trabalhadores para as exigências do mercado. “Podemos até pensar em qualificar para um retorno futuro à GM, com uma preparação específica de acordo com as necessidades da empresa.”

Para o Sindicato dos Metalúrgicos, a demissão dos 609 trabalhadores do MVA não está confirmada, embora seja difícil eles permanecerem na montadora. Diante disso, os sindicalistas estudam propostas para negociar com trabalhadores aposentados ou em via de se aposentar para reduzir o excedente dentro da empresa. A antecipação da aposentadorias é um dos 16 itens do acordo negociado entre a empresa e o sindicato, e que foi aprovado pelos trabalhadores anteontem.

Quem também está de olho nos eventuais demitidos da GM é a montadora chinesa Chery, que está construindo uma fábrica em Jacareí. A empresa confirmou que avalia uma forma de cadastrar os demitidos em um banco de dados que servirá para a contratação de mão de obra para o novo complexo, que só deve ficar pronto no final de 2014.

Para tanto, os chineses pediram ajuda do Ministério do Trabalho na formação desse cadastro com eventuais demitidos da GM. Na planta de Jacareí, que vai custar US$ 400 milhões, a Chery estima contratar 1.200 trabalhadores no início da produção e chegar a 4.000 postos de trabalho na capacidade máxima produtiva, com 150 mil carros por ano.

Para Angela Grou, coordenadora executiva da Assecre (Associação dos Empresários do Chácaras Reunidas), o mercado industrial na região ainda não está recuperado o suficiente para abrigar todos os demitidos da GM. “Acho que eles vão ter dificuldade em conseguir trabalho.”

Conheça a proposta de apoio:

Qualificação

  • A Prefeitura de São José vai negociar a oferta de cursos com o Senai da cidade para melhorar a qualificação dos trabalhadores que venham a ser demitidos da General Motors. A meta é preparar o contingente para conseguir recolocação no mercado, mesmo que seja na própria GM em futuras contratações

Cadastro

  • Outra proposta do governo é ajudar os trabalhadores a se cadastrarem no PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador), que oferece vagas em vários setores da economia regional. Segundo especialistas, um cadastro bem feito e organizado aumenta a chance de recolocação. Os trabalhadores serão orientados a procurar o PAT na cidade.

Novo negócio

  • A Sala do Empreendedor e o Banco do Empreendedor Joseense, ambos ligados à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, serão instrumentos oferecidos aos trabalhadores demitidos que quiserem abrir o próprio negócio. Eles receberão informações sobre como abrir e regularizar a empresa e tocar o novo negócio na cidade

Mercado

  • A montadora chinesa Chery, que está construindo uma fábrica em Jacareí, está estudando formas de cadastrar os trabalhadores que vierem a ser demitidos da GM para um eventual aproveitamento na planta em construção. A empresa não informou quando e nem como fará esse cadastro. A fábrica deve estar pronta até o final de 2014

O Vale

Publicado em: 30/01/2013

Para garantir o emprego, metálurgicos aceitam acordo

Os funcionários da General Motors em São José dos Campos aprovaram, em assembleias realizadas ontem, o acordo fechado entre a montadora e o Sindicato dos Metalúrgicos no último sábado, após um ano de indecisão. Foram aprovados os 16 itens da proposta (veja quadro), entre eles a manutenção da produção do Classic em São José até dezembro deste ano e um pacote de investimentos de R$ 500 milhões até 2017.

Atrelado ao investimento, a GM garante o nível de emprego no setor MVA até dezembro de 2013 e um ano a mais nas demais divisões do complexo industrial de São José. Porém, a estabilidade não inclui os 759 trabalhadores que estão com o contrato de trabalho suspenso (lay-off) desde 27 de agosto de 2012.

Eles tiveram a suspensão estendida para mais dois meses e poderão ser demitidos após esse período. Porém, as futuras novas contratações terão um piso salarial mais baixo, de R$ 1.800, conforme foi aprovado no acordo estabelecido entre sindicato e a GM. A montadora também poderá flexibilizar a jornada de trabalho no caso de oscilação na produção.

Na prática, isso já começa a ocorrer. A partir de hoje, os 950 trabalhadores do MVA que não estão em lay-off entraram em férias coletivas até 14 de fevereiro. Todos eles trabalham na produção do Classic, que será reorganizada. Do total em lay-off, 150 têm estabilidade e terão que retornar à fábrica. Os demais receberão, se demitidos, três meses a mais de salário. Quem optar por pedir demissão a partir de hoje receberá cinco salários e os direitos trabalhistas.

Moeda de troca.
Trabalhadores da GM já aposentados ou que estão em vias de se aposentar podem virar ‘moeda de troca’ entre a montadora e o Sindicato dos Metalúrgicos. Eles estudarão uma forma de antecipar a aposentadoria de funcionários para evitar a demissão de outros trabalhadores. “Precisamos conversar com esse pessoal”, disse Antônio Ferreira de Barros, presidente do sindicato.

Novos carros.
Na avaliação do sindicato, o acordo ficou no meio do caminho entre o que defendia a entidade e o que pretendia a GM, que admitiu o fechamento do complexo em São José caso não se chegasse a um entendimento.

Para Antônio Ferreira de Barros, o ‘Macapá’, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José, a ‘briga’ agora será para a vinda de novos carros para a fábrica. “Lutar pelos empregos significa batalhar para trazer novos projetos para São José. A fábrica não fecha com novos carros na linha de produção”, disse. No sábado, Luiz Moan, diretor de Relações Institucionais da GM e responsável pelas negociações, afirmou que a empresa fará uma oferta de novos modelos para a planta de São José “em breve”, e que isso poderá trazer de volta o nível de produção na cidade.

Tranquilidade.
A aprovação do acordo aplacou um pouco a angústia na qual viviam os metalúrgicos da GM, que temiam pelo pior: o fechamento do complexo de São José. Ontem, nas assembleias realizadas na portaria da empresa, às 5h30 e 14h30, o clima era de serenidade, bem diferente do estado de tensão dos últimos seis meses, quando a crise se agravou.

“Acho que o sindicato acertou em fazer o acordo. O pessoal já está bem mais tranquilo na linha de produção. Quem esperava o pior está respirando aliviado”, afirmou José Antônio dos Santos, 44 anos, trabalhador da GM.

Outro metalúrgico, que está no grupo do lay-off e que pediu para não ser identificado, disse que o acordo “acalma a tensão dentro e fora da fábrica”. “Na verdade, a gente já estava esperando a demissão, mas o acordo trouxe benefícios e deu um tempo para pensar na vida fora da GM.” Com a aprovação do acordo, advogados da GM e do sindicato redigirão o texto que será assinado pelas partes, com validade de dois anos.

GM recusa rodízio de lay-off
Uma das propostas recusadas pela GM na negociação de sábado, segundo sindicalistas, foi a de fazer um rodízio com trabalhadores de São José em lay-off para evitar demissões na fábrica. O grupo de 759 metalúrgicos que está com o contrato de trabalho suspenso desde agosto de 2012 teve a medida estendida por mais dois meses. Depois disso, eles poderão ser demitidos.

Sindicato vai reunir funcionário afastado

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José irá reunir, na próxima quinta-feira, os trabalhadores da GM que estão com o contrato de trabalho suspenso (lay-off) desde 27 de agosto do ano passado. Eles estão sendo convocados para participar de uma assembleia, na sede da entidade, no centro de São José, para discutir o acordo com a GM. Hoje, 759 funcionários estão em lay-off. “Não é o acordo que nós queríamos, mas também não é aquele que a GM queria aprovar. Desde o começo, a empresa queria demitir os trabalhadores. Isso a gente conseguiu evitar. A luta continua”

Antonio Ferreira de Barros, Macapá, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José “Garantimos o nível de emprego no período de produção do Classic em São José. O investimento não é baixo. Mas o mais importante é colocar a cidade na rota dos investimentos” Luiz Moan,  diretor de Relações Institucionais da GM

O Vale

Publicado em: 29/01/2013

Metalurgicos devem assinar acordo nesta Segunda-feira (28)

Os trabalhadores da GM (General Motors) de São José dos Campos realizam assembleia nesta segunda-feira, às 5h30, para votar a proposta de acordo elaborada sábado pelo Sindicato dos Metalúrgicos e pela montadora, em uma reunião que durou cerca de nove horas. A votação da proposta será no estacionamento da portaria do MVA (Montagem de Veículos Automotores).

O acordo encerrou uma negociação iniciada há cerca de seis meses, quando a direção da GM comunicou o sindicato sua intenção de encerrar a produção do modelo Classic em São José e demitir pelo menos 1.598 operários  considerados excedentes.

A proposta estende por mais dois meses o período de layoff  (suspensão do contrato de trabalho), que mantém 779 afastados da empresa desde agosto do ano passado e garante a manutenção da produção do Classic até dezembro deste ano. Porém, quando acabar o layoff, a empresa poderá demitir cerca de 650 funcionários, pagando uma  multa de três salários-base.

Caso a proposta seja aprovada na assembleia desta segunda-feira, os funcionários que trabalham na produção do Classic entram em férias coletivas a partir de amanhã até o dia 14 de fevereiro. Nesse período a GM deve repor as peças necessárias para a retomada da produção do Classic, que seria desativada caso não se chegasse a um acordo no sábado.

A proposta também prevê que a GM invista R$ 500 milhões no período de 2013 a 2017 na Powertrain, fábrica do complexo de São José que produz motores e câmbios. O pacote ainda permite jornada flexível de compensação em caso de oscilações na produção e nova grade salarial para novos operários, caso a GM venha a contratar na cidade.

“O acordo que foi fechado não é o nosso sonho, mas certamente é o que foi possível de ser reconstruído neste momento”, disse Antonio Ferreira de Barros, o ‘Macapá’, presidente do sindicato. Luiz Moan, diretor de Relações Institucionais da GM e responsável pelas negociações, ressaltou a manutenção do emprego de 950 dos 1.598 considerados excedentes.

“Nós garantimos o nível de emprego no período de produção do Classic. O investimento não é baixo. E mais importante é colocar São José na rota dos investimentos”, disse Moan. Moan ressaltou que a produção de novos modelos será oferecida à planta de São José em breve, o que poderá trazer de volta o nível de produção na cidade.

Do lado de fora da sede do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), onde aconteceu a reunião, cerca de 100 sindicalistas e funcionários da GM acompanharam o resultado da reunião. O grupo passou o dia em uma espécie de vigília no local. O impasse entre GM e sindicato se estende desde meados do ano passado, mas a ameaça aos empregos começou bem antes, em 2008.

O Vale

Publicado em: 28/01/2013

Depois da crise, Embraer vende mais de 90 jatos

A Embraer, de São José dos Campos, anunciou ontem a venda de um pacote de jatos Embraer 175 para a empresa norte-americana Republic Airways, em um contrato que pode atingir US$ 4 bilhões. O contrato firmado com a aérea é para a venda firme de 47 aeronaves 175, com a opção para o fornecimento de mais 47 jatos adicionais.

A preço de lista, cada jato 175 custa, em média, aproximadamente US$ 42 milhões. O contrato divulgado ontem é um dos maiores já firmados pela fabricante brasileira e o maior depois da crise econômica mundial de 2008, que atingiu duramente a aviação comercial em todo o mundo e levou a empresa a reduzir a cadência produtiva e a demitir mais de 4.000 empregados.

De acordo com o comunicado da Embraer, os novos aviões serão operados pela Republic Airlines, subsidiária da Republic, nas cores da American Eagle em rotas regionais da American Airlines. A fabricante informou, no entanto, que o acordo está sujeito à aprovação do Tribunal de Recuperação Judicial da American, o que está previsto para ocorrer no primeiro trimestre de 2013.

Os papéis da fabricante na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) registram alta ontem após o anúncio da venda de jatos. As ações chegaram a subir mais de 10% durante o dia e fecharam cotadas a R$ 15,87 (alta de 8,48%).

Os E175 serão configurados em duas classes de serviço, com capacidade para 76 passageiros, segundo a empresa. A primeira entrega está programada para este ano. A Embraer começou a implementar uma série de melhorias para a atual geração de E-Jets, incluindo novas pontas de asa (wingtips), otimização de sistemas e refinamentos aerodinâmicos que reduzirão o consumo de combustível em até 5%.

A Republic será o primeiro cliente a receber o jato E175 com estes aprimoramentos. A venda dos jatos foi viabilizada por causa de um acordo firmado pelas companhias aéreas norte-americanas com a associação dos pilotos para permitir que a aviação regional possa operar jatos com capacidade superior a 50 passageiros.

A Embraer estima entre 300 e 400 unidades a demanda de jatos para a aviação regional nos Estados Unidos. “É muito significativo que a Republic Airways, nosso cliente de longa data, um verdadeiro inovador no ramo de transporte aéreo regional, seja o primeiro cliente do E175 com os novos aprimoramentos que estamos implementando na frota”, disse em nota Paulo Cesar Silva, presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial.

“Este é um marco significativo na história da nossa companhia”, afirmou em nota Chuck Schubert, vice-presidente de Planejamento da Rede de Voos da American. Para o especialista Expedito Bastos, da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG), a venda sinaliza processo de recuperação do mercado da aviação. “Depois da crise de 2008, as aéreas dos Estados Unidos se retraíram. É bom sinal para a Embraer, que tem excelentes produtos”, disse.

O Vale

Publicado em: 25/01/2013

Sindicato pede ajuda Federal para solução de Demissões

A direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São José aposta hoje na presença de representantes do governo federal para tentar reverter o fracasso da última reunião com a direção da General Motors para definir o futuro de 1.500 funcionários considerados excedentes. Eles podem ser demitidos no dia 26 de janeiro, data prevista para acabar o prazo do layoff 779 operários estão com o contrato suspenso desde 27 de agosto de 2012.

O encontro de hoje, o segundo de três previstos, mudou de lugar e de intermediadores. Da GM passou para a sede do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo). Além disso, deve contar com a presença de representantes dos ministérios do Trabalho e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, além de Luiz Moan, diretor de assuntos institucionais da General Motors.

“Nós esperamos que esses representantes fiquem ao nosso lado e nos ajudem a impedir as demissões”, disse Antônio Ferreira de Barros, o ‘Macapá’, presidente do sindicato. A última reunião, na quarta-feira, durou 10 horas e terminou sem acordo.

O sindicato alega que a montadora só aceita negociar qualquer proposta da entidade se o grupo for dispensado. “O governo detém instrumentos econômicos e políticos para intervir nas demissões. Um exemplo é cortar benefícios fiscais”, afirmou ele.

Hoje, o grupo fará assembleia com funcionários do primeiro turno da fábrica, às 5h30. Assim, a entrada deve sofrer atraso. No domingo, um ônibus deve sair de São José rumo a Brasília. Lá, os sindicalistas prometem acampar em frente ao Palácio do Planalto na esperança de serem recebidos pela presidente Dilma Rousseff (PT). A ida até o Distrito Federal será avaliada entre hoje e amanhã.

“Estamos batalhando essa audiência há meses. É um absurdo que a presidente não nos receba. Lula sempre nos recebeu”, disse Macapá. Além disso, o ‘janeiro vermelho’, nome dado pelos sindicalistas à mobilização pelos empregos, deve ser marcado por protestos. A entidade não descarta uma possível greve. Segundo Macapá, haverá paralisação caso não ocorra um acordo entre sindicato e GM.

“Nós queremos o entendimento, estamos com toda disposição para negociar. Mas vamos usar nossa grande ‘arma’ quando esgotarem os processos de negociação.” A última reunião está agendada para o dia 23 de janeiro. Procurado ontem, o prefeito Carlinhos Almeida (PT), por meio de sua assessoria de imprensa, informou que vai falar somente quando esgotarem todas as possibilidades de acordo entre as partes.

Na semana passada, o prefeito de São José se colocou à disposição para intermediar o diálogo entre GM e sindicato. Na última terça-feira, se reuniu com a direção da montadora e pediu à empresa que reveja a situação e evite a demissão dos trabalhadores.

As propostas feitas pelo sindicato são a continuidade da fabricação do Classic em São José, a fabricação local de modelos que hoje são importados como o Sonic, a retomada da produção de caminhões, investimentos e acordo trabalhista que garanta a estabilidade no emprego.

O Vale

Publicado em: 18/01/2013

Futuro de Metálurgicos começam a ser decidido hoje (16)

General Motors e Sindicato dos Metalúrgicos iniciam hoje a série de três reuniões para definir o futuro de 1.500 funcionários considerados excedentes e que podem ser demitidos no próximo dia 26 em São José. O risco é iminente. Pelo menos é a opinião de dirigentes empresariais ligados à indústria e representantes do poder público.

O próprio sindicato admite que a montadora já deixou claro que só aceita negociar novos investimentos para a planta da cidade se o grupo for dispensado. O dia 26 de janeiro é o prazo final de negociação, segundo acordo fechado no ano passado que deu uma trégua temporária nas dispensas e colocou 779 operários em layoff (contrato de trabalho suspenso).

A reunião de hoje começa às 9h na planta de São José. Os próximos encontros serão na sexta e na terça-feira. Os 1.500 operários ameaçados de demissão atuam no MVA, setor onde antes eram montados quatro modelos e hoje restou apenas o Classic. “O sindicato não aceita a demissão dos trabalhadores”, disse Luiz Carlos Prates, o ‘Mancha’, diretor do sindicato local.

Entre lideranças empresariais, o temor de cortes é grande, já que afetaria toda a cadeia produtiva da GM na região. Estima-se que mais 4.500 empregos, além dos 1.500 da montadora, seriam afetados. Para Mário Sarraf, diretor da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), o sindicato precisa mudar sua postura frente às negociações.

“Essa posição inflexível do sindicato não é inteligente. Essa linha de divergência não está dando certo, está na hora de mudar e concordar com a empresa para evitar que ela deixe de investir na cidade”, disse Sarraf. Segundo Almir Fernandes, diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de São José, um acordo para novos investimentos acertado hoje demoraria de dois a três anos para ser concretizado, o que não afastaria o risco imediato de cortes.

“A empresa vai investir, produzir onde tenha mais lucros. O sindicato não aceitou investimentos em 2008, agora precisa entender que não há como manter esses funcionários considerados excedentes que para a empresa”, afirmou ele.

As propostas feitas pelo sindicato, desde a primeira reunião realizada em agosto de 2012, são a continuidade da fabricação do Classic em São José, a produção local de modelos que hoje são importados, a retomada da produção de caminhões, novos investimentos e acordo que garanta a estabilidade do emprego. “A empresa disse que pretende negociar novos investimentos. Mas antes, quer demitir 1.500”, disse Mancha.

Anteontem, o prefeito Carlinhos Almeida (PT) se reuniu com a direção da GM. Em nota, Carlinhos informou que fez um apelo à empresa para que reveja a situação e evite a demissão dos trabalhadores. A nota ainda diz que a prefeitura se colocou à disposição para intermediar o diálogo entre sindicato e montadora. A GM teria se comprometido a se reunir com o sindicato.

“Estamos realmente muito preocupados com a situação e vamos esgotar todas as possibilidades para reverter as demissões”, disse o petista em nota. Procurada ontem, a GM informou por meio da assessoria que não comentaria o assunto.

Em entrevistas anteriores, o diretor de assuntos institucionais da GM, Luiz Moan, confirmou o excedente não só de funcionários no complexo de São José, mas também de maquinário e espaço físico. O complexo de São José, inaugurado na década de 50, já chegou a empregar mais de 12 mil pessoas mas hoje não passa de 7.500.

O Vale

Publicado em: 16/01/2013

Sindicato e Montadora teram sua primeira reunião na cidade

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José vai distribuir cerca de 100 mil cartas abertas à população com o objetivo de chamar a atenção para a crise na General Motors que envolve o futuro de 1.500 operários, além de utilizar a rede social como mais uma ferramenta na luta pelo emprego.

Amanhã, acontece a primeira reunião do ano entre montadora e sindicato. “Tudo isso faz parte da campanha contra as demissões na GM”, disse Luiz Carlos Prates, o ‘Mancha’, diretor do sindicato. Segundo ele, as cartas começaram a ser distribuídas ontem em São Caetano do Sul e serão entregues nas principais fábricas do Vale.

Representantes da GM e do sindicato vão se reunir amanhã para mais uma rodada de negociações. O encontro será no período da manhã, na GM. “A nossa expectativa é que a empresa volte atrás e mantenha o emprego dos trabalhadores”, afirmou.

Na quinta-feira, um dia após a reunião, haverá assembleia na sede do sindicato, às 9h. Outras duas reuniões estão agendadas para os dias 18 e 22, sendo que o encontro antes previsto para dia 23 foi antecipado um dia. Os 1.500 operários ameaçados de demissão atuam no MVA, setor onde antes eram montados quatro modelos e hoje há apenas um, o Classic, que está sendo transferido gradualmente para a unidade da GM na Argentina. Deles, 779 estão com o contrato suspenso desde 27 de agosto de 2012.

Procurada ontem por O VALE, a GM não com comentou o assunto. 346 funcionários da Sadefem estão parados desde ontem. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, a empresa reforçou a segurança e impediu a entrada dos operários. Agora, eles aguardam decisão judicial que obriga a empresa a pagar os salários atrasados.

O Vale

Publicado em: 15/01/2013

Crise economica atinge a Embraer da cidade

A Embraer, de São José dos Campos, entregou 205 jatos em 2012, praticamente o mesmo número do ano anterior (204), segundo balanço divulgado ontem pela fabricante. Na contramão da estabilidade nas entregas, a companhia amargou uma queda de 18,3% em sua carteira de pedidos, o que reflete a dificuldade da empresa em fechar novas vendas. O backlog caiu de US$ 15,4 bilhões em 2011 para US$ 12,5 bilhões no ano passado.

Para o pesquisador de assuntos militares da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), Expedito Bastos, a ‘vilã’ da história é a crise mundial, que afeta os Estados Unidos e a Europa, onde estão os principais clientes da Embraer.

“Acredito que o pessoal de fora não está comprando por causa da crise. Estão todos cortando custos e comprando menos aviões. Isso também deve estar acontecendo com outras companhias”, disse ele. O que ‘salvou’ a empresa de uma queda ainda maior na carteira de pedidos firmes foi a encomenda de 20 E-jets (5 E-175 e 15 E-190) feita por um cliente não divulgado no quarto trimestre de 2012.

No período, a companhia aérea vendeu 23 jatos comerciais, contra 32 em 2011. O valor de pedidos firmes a entregar também inclui contratos da Embraer Defesa e Segurança, como a execução da primeira fase do projeto Sisfron (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras), no valor de R$ 839 milhões, com o Exército Brasileiro.

Dos 205 jatos entregues,106 são comerciais e 99 executivos. A carteira de pedidos firmes terminou 2012 com 185 jatos a entregar e 1.093 pedidos. Em 2011, a Embraer fechou com 249 jatos encomendados e 1.941 opções. De acordo com a empresa, os números estão dentro da meta estipulada para 2012, de 105 unidades comerciais e 90 na aviação executiva.

Dos 99 jatos executivos entregues no ano passado, 22 são grandes, da família Legacy e Lineage. Os outros 77 são jatos leves. Em 2011, foram entregues 16 jatos grandes e 83 leves. “Em uma crise mundial severa, a Embraer conseguiu se manter estável porque procurou diversificar, indo para outros países como a China. O mercado da Embraer não é só o Brasil, e sim o mundo”, afirmou Marcos José Barbieri Ferreira, pesquisador da indústria aeronáutica e defesa e professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

De acordo com a empresa, o jato com o maior número de entregas entre todos os fabricados hoje (451) foi o Embraer 190. Sendo que 50 foram para Hainan, na China, e JetBlue, nos Estados Unidos. Hoje, a aviação comercial é responsável por 67% da receita global da Embraer. defesa e segurança tem 18% de participação e aviação executiva segue em terceiro lugar, com 14% da receita.

O Vale

Publicado em: 15/01/2013

Negociação das Demissões da GM tem prazo final

O prefeito Carlinhos Almeida (PT) admitiu ontem que pouco poderá ajudar na negociação entre General Motors e Sindicato dos Metalúrgicos e deu como praticamente certa a demissão dos 1.500 funcionários considerados ociosos pela montadora em São José.

O petista, que se reuniu pela manhã com uma comissão de três sindicalistas e sete funcionários da GM, ainda criticou o governo do ex-prefeito Eduardo Cury (PSDB) pela demora em adotar um posicionamento. A reunião aconteceu após passeata pelo centro que reuniu 500 funcionários da GM, a maioria em ‘layoff’. Participaram também do encontro sete vereadores, entre eles Amélia Naomi (PT), presidente da Câmara.

“Estou bastante preocupado com a situação. Entendo que só existe um caminho. Buscar o entendimento entre empresa e trabalhadores. Nosso papel é criar um ambiente propício e intermediar as negociações”, disse Carlinhos, que deve se reunir na próxima semana com representantes da GM.

A vereadora Amélia Naomi também ficou de agendar uma audiência pública na Câmara para debater o caso. Os 1.500 operários ameaçados de demissão atuam no MVA, setor onde antes eram montados quatro modelos e hoje há apenas um, o Classic, que está sendo transferido gradualmente para a unidade da GM na Argentina.

Sem investimentos, a planta tem ociosidade de funcionários, maquinário e espaço físico. Após ameaçar demitir o grupo no ano passado, um acordo deu uma trégua na crise e estendeu até 26 de janeiro o prazo para um possível entendimento. Enquanto isso, 779 estão com o contrato suspenso (layoff) desde 27 de agosto de 2012.

Para Carlinhos, a solução imediata para evitar as demissões seria a vinda de novos investimentos para São José. “Temos que apostar todas as nossas fichas em um entendimento”, afirmou. Já para Almir Fernandes, diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de São José, nem isso salva os empregos. Empresários da cidade e os próprios funcionários compartilham da mesma opinião. Para eles, a demissão é inevitável. “A produção (de novos modelos) começaria apenas em 2015”, disse.

A GM atribui a crise à dificuldade em negociar com o sindicato local pacotes que garantissem investimentos. Foram pelo menos três modelos ‘perdidos’ para outras plantas no país. “O sindicato está querendo repassar a responsabilidade à prefeitura porque não admite que é culpado. Quando a GM tentou trazer mais investimentos para São José em 2008, foi barrada pelo sindicato. Nem a GM, nem os funcionários têm culpa. Não há mais o que fazer”, disse Fernandes.

O sindicato também é alvo de críticas da ACI (Associação Comercial e Industrial). “Que sirva de lição”, disse Felipe Cury, presidente da ACI. O presidente do sindicato, Antônio Ferreira de Barros, o ‘Macapá’, rebateu as críticas e disse que não houve proposta de investimentos formal da empresa.

“Oficialmente, nunca houve essa proposta ao sindicato de novos investimentos em troca da redução de salário. Todas as vezes celebramos acordo. Em 2008 mesmo, o acordo foi de R$ 800 milhões com a produção da S10 e da Blazer”, disse.

O protesto de ontem faz parte do que o sindicato chama de ‘janeiro vermelho’, que prevê uma série de manifestações para forçar a GM a rever sua posição. Os cerca de 500 trabalhadores caminharam do sindicato até o Paço, mas acharam os portões fechados. Após serem recebidos pelo chefe de gabinete, Paulo Roitberg, os sindicalistas foram ao gabinete para reunião com Carlinhos e os portões foram reabertos.

O Vale

Publicado em: 11/01/2013