Câmara cobra de Carlinhos solução para verba do Banhado

Integrantes da bancada aliada do prefeito Carlinhos Almeida (PT) na Câmara de São José cobram do governo solução para o impasse da verba destinada ao Parque Natural do Banhado. A verba, no valor de R$ 9,1 milhões e que é procedente da compensação ambiental da Petrobras pelas obras de ampliação e modernização da Revap (Refinaria Henrique Laje), está disponível ao município desde 2006, mas a condição para a aplicação dos recursos é a remoção dos moradores do parque. O VALE revelou na edição do último domingo que o governo Carlinhos excluiu do Orçamento 2014 recurso da compensação ambiental disponibilizado pela Petrobras para o Parque Natural do Banhado e tenta acordo para aplicação da verba em outras áreas ambientais.

Para integrantes da bancada aliada, é preciso encontrar uma solução para evitar que o recurso seja destinado para outras localidades. “Acho muito difícil a remoção dos moradores da comunidade do Banhado, até porque é praticamente inviável levar as famílias para a periferia. Mas é preciso encontrar uma solução”, disse Walter Hayashi (PSB). Ele avalia que se a remoção fosse para localidades próximas do centro seria mais fácil acordo com os moradores da comunidade. “Não podemos é perder esses recursos. Conseguir acordo para aplicar o dinheiro em outras unidades de conservação da cidade é uma saída”, disse Hayashi.

“Não se pode tirar as famílias do local e simplesmente levá-las para a periferia. Este dinheiro poderia ser aplicado no Parque Natural Augusto Ruschi \[antigo horto\]”, afirmou Carlos Tiaca (PMDB). Já para Shakespeare Carvalho (PRB), o recurso precisa ser aplicado conforme previsto na proposta aprovada ou seja, no Banhado. “Defendo aplicação da verba no Banhado conforme foi acordado”.

O prazo concedido pela Câmara de Compensação Ambiental da Secretaria Estadual de Meio Ambiente para o cumprimento da exigência termina em dezembro deste ano. O governo Carlinhos já propôs uso da verba no Parque Natural Augusto Ruschi e na APA (Área de Proteção Ambiental) de São Francisco Xavier. A secretária de Meio Ambiente, Andréa Bevilacqua, informou que a cidade pedirá a transformação da APA em unidade de conservação integral para poder receber o recurso.  Por causa do impasse, os projetos para o Banhado estão praticamente engavetados. Na campanha eleitoral de 2012, Carlinhos propôs que os moradores do Banhado atuassem como monitores ambientais.

Sindicato pede ajuda Federal para solução de Demissões

A direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São José aposta hoje na presença de representantes do governo federal para tentar reverter o fracasso da última reunião com a direção da General Motors para definir o futuro de 1.500 funcionários considerados excedentes. Eles podem ser demitidos no dia 26 de janeiro, data prevista para acabar o prazo do layoff 779 operários estão com o contrato suspenso desde 27 de agosto de 2012.

O encontro de hoje, o segundo de três previstos, mudou de lugar e de intermediadores. Da GM passou para a sede do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo). Além disso, deve contar com a presença de representantes dos ministérios do Trabalho e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, além de Luiz Moan, diretor de assuntos institucionais da General Motors.

“Nós esperamos que esses representantes fiquem ao nosso lado e nos ajudem a impedir as demissões”, disse Antônio Ferreira de Barros, o ‘Macapá’, presidente do sindicato. A última reunião, na quarta-feira, durou 10 horas e terminou sem acordo.

O sindicato alega que a montadora só aceita negociar qualquer proposta da entidade se o grupo for dispensado. “O governo detém instrumentos econômicos e políticos para intervir nas demissões. Um exemplo é cortar benefícios fiscais”, afirmou ele.

Hoje, o grupo fará assembleia com funcionários do primeiro turno da fábrica, às 5h30. Assim, a entrada deve sofrer atraso. No domingo, um ônibus deve sair de São José rumo a Brasília. Lá, os sindicalistas prometem acampar em frente ao Palácio do Planalto na esperança de serem recebidos pela presidente Dilma Rousseff (PT). A ida até o Distrito Federal será avaliada entre hoje e amanhã.

“Estamos batalhando essa audiência há meses. É um absurdo que a presidente não nos receba. Lula sempre nos recebeu”, disse Macapá. Além disso, o ‘janeiro vermelho’, nome dado pelos sindicalistas à mobilização pelos empregos, deve ser marcado por protestos. A entidade não descarta uma possível greve. Segundo Macapá, haverá paralisação caso não ocorra um acordo entre sindicato e GM.

“Nós queremos o entendimento, estamos com toda disposição para negociar. Mas vamos usar nossa grande ‘arma’ quando esgotarem os processos de negociação.” A última reunião está agendada para o dia 23 de janeiro. Procurado ontem, o prefeito Carlinhos Almeida (PT), por meio de sua assessoria de imprensa, informou que vai falar somente quando esgotarem todas as possibilidades de acordo entre as partes.

Na semana passada, o prefeito de São José se colocou à disposição para intermediar o diálogo entre GM e sindicato. Na última terça-feira, se reuniu com a direção da montadora e pediu à empresa que reveja a situação e evite a demissão dos trabalhadores.

As propostas feitas pelo sindicato são a continuidade da fabricação do Classic em São José, a fabricação local de modelos que hoje são importados como o Sonic, a retomada da produção de caminhões, investimentos e acordo trabalhista que garanta a estabilidade no emprego.

O Vale

Publicado em: 18/01/2013