IPVA de 2013 tem redução de quase 10% pelo governo

O IPVA terá uma redução média no Estado de 8,56% em 2013. A tabela foi feita pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e divulgada ontem pela Secretaria da Fazenda de São Paulo. A queda no imposto reflete a redução no preço de venda dos veículos, ocasionada pelo corte no IPI (Imposto de Produtos Industrializados), promovido pelo governo federal em maio.

As alíquotas do IPVA, porém, permanecem inalteradas. Os proprietários de veículos movidos a gasolina e os modelos bicombustíveis recolherão 4% sobre o valor de venda. Para os veículos que utilizem álcool, eletricidade ou gás, ainda que combinados entre si, a alíquota é de 3%. Picapes cabine dupla pagam 4%. Os utilitários (cabine simples), ônibus, micro-ônibus, motocicletas, motonetas, quadriciclos e similares recolhem 2%. Caminhões pagam 1,5%.

Apesar da queda no valor do imposto em 2013, o contribuinte não terá muito o que comemorar. Segundo o economista Roberto Koga, a baixa do IPVA revela, na verdade, a perda no patrimônio do consumidor. “Quando o governo abaixa o IPI, o carro zero fica mais atrativo. Com isso, o modelo usado sofre uma depreciação e queda na demanda”, disse.

A Fazenda prevê arrecadar R$ 12,2 bilhões com o IPVA em 2013. 50% da arrecadação vai para o Estado o restante é repartido entre os municípios onde os veículos estão registrados. A frota paulista é de 21 milhões de veículos 16 milhões pagam IPVA e 4,8 milhões são isentos por terem mais de 20 anos de fabricação.

O Vale

Publicado em: 23/11/2012

Concessionárias da cidade tem alta nas vendas

Concessionárias da região registraram até 40% de crescimento nas vendas de carros em outubro, na comparação com setembro, e comemoraram o segundo melhor mês do ano. O aumento nas vendas se deve, principalmente, à prorrogação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), benefício previsto para terminar no dia 31 de dezembro. Por conta do crescimento, alguns carros já estão na fila de espera. E em algumas lojas faltaram vendedores.

“Outubro foi um mês excelente. Superou todas as nossas expectativas”, disse o supervisor de vendas da Superfor, em São José, Antônio Cleiton de Almeida. Para ele, os lançamentos também chamam a atenção do cliente e aquecem o mercado. “Vivemos um bom momento. Em outubro vendemos cerca de 170 carros, 25% a mais”, afirmou.

A aceleração nas vendas também agradou o supervisor de vendas da Itavema Fiat, Marlon Casco de Andrade. “Vendemos mais de 200 veículos em outubro, o que para nós representa 20% a mais”, disse. Segundo ele, os mais procurados são os carros 0 km. “Desses 200, cerca de 150 são novos. A facilidade em comprar tem atraído muita gente às concessionárias”, afirmou Andrade.

Em busca do primeiro carro, a estudante Samara Salles Lopes, 24 anos, pesquisou e decidiu pela compra. “Pesquisei bastante e há bastante tempo. E esse é o momento. Antes, a prioridade era o apartamento e já conquistei junto com meu marido, agora, a prioridade é o carro”, disse. Já o pecuarista Marco Rangel, 65 anos, esperou um bom momento para comprar um carro. “Estou atrás de um carro novo. E agora a condição está melhor. Quero voltar para casa de carro novo”, disse.

Cresceram as vendas e junto com elas cresceram as filas de espera. Em apenas uma concessionária de São José, para levar para casa o novo Ford Ecosport, alguns clientes terão que esperar até dois meses. De acordo com o supervisor de vendas, cerca de 100 pessoas aguardam por esse modelo.

“Quando o cliente chega, temos que pedir a ele que tenha paciência porque a procura é muito grande na região”, afirmou Almeida. E em algumas lojas faltaram vendedores. Para Almeida, foi uma grande surpresa. “Faltou vendedores para tantos clientes. Na hora, tivemos que ter jogo de cintura”, disse ele.

O crescimento na cidade chegou a 40% em algumas concessionárias a partir da segunda quinzena de outubro. “Foram 15 dias consideravelmente fortes”, disse o gerente de vendas da Taubaté Veículos, Agnaldo Mangini. De acordo com ele, os carros mais procurados como a Spin e o Cruze estão com fila de espera.

Com o fim do IPI em dezembro e em razão do 13º salário, as concessionárias esperam boas vendas em novembro e dezembro. “Esperamos um aumento maior ainda. Estamos nos preparando para isso”, disse Andrade.

O Vale

Publicado em: 06/11/2012

Prédio da Ciretran deixa usúarios insatisfeitos

Mais de um ano e meio após o governo do Estado anunciar a reestruturação do Detran (Departamento Estadual de Trânsito), a fim de melhorar os serviços, em São José dos Campos, a população ainda enfrenta filas e demora no atendimento e sofre com a falta de estrutura do prédio, que fica na avenida São José, no centro. Usuários da Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito) na cidade reclamam também da burocracia e da falta de informação.

O soldador Marcos Ferreira, 37 anos, foi à unidade regional para fazer o licenciamento de sua moto, mas descobriu que o CRV (Certificado de Registro de Veículo) estava bloqueado.  “Perdi minha tarde de trabalho aqui. Quando cheguei à Ciretran, me falaram que eu só podia dar entrada no desbloqueio quando eu tivesse cópia de vários documentos e pagasse uma taxa no banco. Há um desencontro de informações”, afirmou.

Ferreira disse que precisou esperar 40 minutos para ser atendido. E essa não foi a primeira vez que teve problemas. No primeiro semestre, contou que precisou esperar três meses para renovar sua carteira de habilitação.

O mecânico Rodrigo Paulino, 30 anos, também reclamou do atendimento. Ele foi sexta-feira à Ciretran tentar recuperar seu carro que foi apreendido há mais de uma semana. Ele também demorou 40 minutos para ser atendido.

Já o servidor público José Carlos Monteiro, 37 anos, reclamou das instalações da Ciretran em São José. “Não tem um acesso para cadeirante ou para pessoas com problemas de locomoção. Outro dia precisei praticamente carregar a minha mulher”, afirmou.

O único acesso ao atendimento é uma escada de 16 degraus. Os outros problemas apontados pelo servidor são a falta de um painel eletrônico informando de quem é a vez e a falta de água e banheiro. “Tudo que envolve o munícipe tem que tratar com respeito.”

Um despachante de São José que preferiu não se identificar afirmou que o número reduzido de funcionários e a burocracia do órgão atrasam o trabalho de emissão de documentos. “Infelizmente é comum ver cliente insatisfeito com a Ciretran” disse. Segundo o Detran, a Ciretran de São José tem 40 funcionários e atende 19 mil pessoas por mês. Na sexta-feira, quando O VALE esteve no local, dos 17 guichês de atendimento ao público, só 8 tinham funcionários.

O Vale

Publicado em: 30/10/2012

Cidade tinha guincho operando sem licença durante 21 anos

Há mais de 20 anos não é realizada em São José dos Campos licitação para definir quem deve fazer os serviços de guincho para órgãos oficiais como Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito)e polícias Civil e Militar.  O VALE apurou que o último processo licitatório ocorreu em 1991. Desde então, o trabalho é realizado por meio de contratos informais entre os delegados e as empresas que fazem esse tipo de serviço.

O acordo prevê que os pátios guinchem os automóveis apreendidos sem nenhum custo ao Estado. Em troca, adquirem o direito de cobrar dos proprietários a taxa do guincho e a diária de permanência nos locais. Se o veículo não for retirado no prazo de 90 dias, vai para leilão e a empresa também lucra com esse processo.

O problema é que, como não existe contrato oficial, as empresas não têm compromisso com delegacias e batalhões e podem se recusar a fazer o serviço quando não acharem vantajoso.  Situação que tem ocorrido com mais frequência com a lotação dos pátios devido à falta de leilões dos carros. Atualmente, os pátios Bola Branca e União estocam juntos cerca de 5.000 veículos.

“Hoje, a gente depende do fator sorte. Se achamos veículo abandonado em estrada rural com corpo abandonado dentro, o dono do guincho pode se recusar a buscar o carro e você não pode fazer nada, pois ele não é obrigado. É vergonhoso porque a gente tem que ficar pedindo favor pelo trabalho”, afirmou um delegado, que pediu para não ser identificado.

Constrangimento que atinge também a Polícia Militar.  “Se uma viatura nossa quebra, temos que mendigar favor ao dono do guincho para levar o veículo, pois não tem empresa credenciada para rebocar nossos carros”, disse um PM, que pediu para não ter o nome identificado.

O dono do pátio São Bento, que seria responsável pelo recolhimento dos veículos apreendidos pela polícia, alega que desde o início do ano não tem mais espaço. O local abriga 876 automóveis, mas desde 1995 não ocorre leilão.

“Os veículos que são apreendidos pela polícia em operações contra o crime organizado ou ligados a algum tipo de crime podem levar vários anos para ser liberados Tenho carros aqui encalhados há mais de 10 anos e que já viraram sucata”, disse o proprietário do Pátio Bola Branca, Álvaro Cesário da Conceição.

O outro pátio existente na cidade, o Auto Socorro União, localizado no Parque Industrial (zona sul), deixou de atender a polícia em 2007. No local, estão estocados cerca de 4.000 veículos. “Nosso contrato não prevê o recolhimento dos carros da polícia e, como não tínhamos mais espaço, optamos por deixar de fazer o serviço”, afirmou James Torres, advogado da empresa.

Atualmente, só atende ao Ciretran e é o único autorizado a recolher os veículos aprendidos por infrações de trânsito e falta de pagamento de tributos, como o licenciamento obrigatório. A exclusividade foi concedida em licitação em 1991 e desde então vem sendo prorrogada. “Quando a licitação foi feita, a lei não previa prazo para os contratos. Então, o serviço foi sendo prorrogado, já que conseguimos atender a demanda do órgão”, disse Torres.

O Vale

Publicado em: 17/10/2012

Pátio do Bola Branca não comporta mais carros

Com 17 anos sem a realização de leilões, o pátio Bola Branca, o único de São José dos Campos responsável por abrigar veículos recolhidos pela Justiça, não tem mais espaço para receber novas apreensões. O último leilão ocorreu em 1995 e desde então os carros se acumulam no local. São 874 automóveis a espera de uma solução.

A situação foi agravada em 2007, quando o outro pátio existente na cidade deixou de receber esse tipo de apreensão. “A maioria desses carros está atrelada a pendências judiciais ou criminais, que muitas vezes levam anos para serem resolvidas, o que não é interessante para quem faz o serviço”, disse Álvaro Cesário da Conceição, proprietário do pátio.

De acordo com o empresário, hoje não existe nenhum tipo de contrato legal com o município ou Estado. Há somente um acordo em que as empresas recolhem os carros sem custo para a polícia e depois cobram dos proprietários o serviço de guincho e a diária do pátio.

“O problema é que muitas vezes a dívida com prestações atrasadas, multas, impostos e taxas é tão alto, que não compensa para o dono buscar o veículo. Ai esse carro pode ficar encalhado por mais de 10 anos.” Para piorar a situação o pátio, que fica na Vila São Bento, zona sul, planeja desativar parte de suas instalações.

“Hoje eu faço esse serviço em dois terrenos alugados, mas o dono de um deles não vai mais renovar o contrato de locação e eu terei que devolver a área”, disse o empresário. A solução do problema seria a realização de leilões mais frequentes. A legislação diz que após 90 dias, se o proprietário não recuperar o automóvel ele já está liberado para ser leiloado.

A delegacia seccional de São José, responsável pela realização dos leilões, informou que no momento está fazendo um levantamento dos veículos existentes para a programação de um leilão. O órgão informou ainda que também estuda a realização de uma nova licitação para regularizar a situação dos pátios. “Primeiro precisamos fazer esse estudo, para saber o que existe e depois saber o que pode ser feito”, disse Antônio Alvaro de Sá, delegado assistente da delegacia.

O Vale

Publicado em: 09/10/2012

Pátio de carros da cidade pega fogo e consome carros

Um incêndio na tarde de ontem no pátio de carros Bola Branca, localizado na Vila São Bento, zona sul de São José, consumiu pelo menos 60 carros, de acordo com o proprietário do pátio. Alguns carros explodiram. Segundo o dono do local, Álvaro Cesário, o fogo começou em uma extensa área à direita do pátio.

“O fogo estava a cerca de 500 metros daqui. Quando começou a ventar, ele se alastrou em meia hora”, afirmou. “Logo que percebi que a queimada tinha atingido os veículos, por volta das 14h, chamei os bombeiros”. Segundo Cesário, o lugar possuia por volta de 300 automóveis, todos apreendidos por irregularidades pela Polícia Civil. Alguns, inclusive, com os tanques cheios de combustível.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, para combater o fogo foram necessários quatro veículos da corporação e a ajuda da rede integrada de emergência, formada por empresas da região, que os auxiliam em incêndios de grandes proporções. A Embraer e a Petrobras enviaram equipes.

Ainda segundo os Bombeiros, para controlar o fogo foram preciso 24 homens, sendo 16 bombeiros, três brigadistas de cada uma das empresas que prestaram auxílio, além dos profissionais da Defesa Civil e funcionários do próprio pátio.

O incêndio durou 3 horas. Os bombeiros estimam a perda de 35 carros, mas Cesário acredita que foram no mínimo 60. “Não fizemos essa lista porque não conseguimos chegar lá perto. Apesar do fogo ter sido apagado, a fumaça no local e o cheiro forte de borracha queimada está muito forte”, afirmou. O seguro foi acionado, mas até o fim da tarde de ontem os prejuízos ainda não haviam sido calculados.

Cesário acredita que o incêndio pode ter sido criminoso. “Do jeito que começou, a partir do canto do pátio, acho que alguém colocou fogo de propósito”, disse o proprietário do local, que deverá registrar boletim de ocorrência.

Há possibilidade também de que o fogo tenha começado a partir de uma bituca de cigarro acesa jogada de algum veículo que transitava na região. As queimadas são mais frequentes com o tempo seco. “Com esse tempo seco, o fogo se alastra rapidamente. As pessoas precisam estar atentas”, afirmou José Benedito da Silva, chefe da Defesa Civil do município.

O Vale

Feriado tem indice baixo de mortes na estrada

O balanço da Operação Independência 2012 revelou queda de 38,03% no número de acidentes nas estradas que ligam o Vale do Paraíba ao Litoral Norte e à Serra da Mantiqueira. Entre a quinta-feira e domingo do feriado, foram 88 acidentes, com 65 feridos e 2 mortes nas rodovias do Tamoios (SP-99), Oswaldo Cruz (SP-125) e Floriano Rodrigues Pinheiro (SP-123).

Como o feriado do ano passado caiu em uma quarta-feira, a PRE comparou os dados de 2012 com 2010 quando ocorreram 142 acidentes, com 75 feridos e cinco mortes. Este ano, os acidentes com vítimas fatais aconteceram na Tamoios e na Estrada Velha Rio-São Paulo, no trecho de Roseira, entre a sexta-feira e a noite e sábado. Ainda durante o feriado, os policiais fizeram 1.288 autuações, 67 recolhimentos de veículos e 12 registros de motoristas embriagados.

Devido às obras de duplicação, a rodovia dos Tamoios apresentou tráfego lento em vários trechos. Na sexta-feira, por exemplo, uma viagem de 1h30 entre São José dos Campos e Caraguatatuba levava quase 3 horas para ser percorrida.

Na volta, no domingo, a viagem durou cerca de 4h em alguns momentos do dia. Na Oswaldo Cruz, entre Ubatuba e Taubaté, o trecho era percorrido em até 4h30. “Foi complicado e cansativo, mas já peguei trânsitos piores nessa serra de Ubatuba”, disse Jeferson Vezaro, 32 anos, administrador de empresas, que escolheu viajar no domingo à noite para fugir do congestionamento do dia.

Na rodovia Presidente Dutra, principal corredor do Vale do Paraíba, foram registrados 56 acidentes durante o feriado prolongado, com 31 feridos e uma morte um homem atropelado na madrugada do último sábado, na altura do km 161 em Jacareí.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) usou como comparação o feriado da Semana Santa deste ano, que se estendeu de 5 a 8 de abril. Na ocasião, ocorreram 43 acidentes, com 18 feridos e 2 mortes. Segundo os policiais rodoviários, o Grito dos Excluídos no Santuário Nacional de Aparecida, na última sexta-feira, gerou até nove quilômetros de lentidão no sentido Rio de Janeiro da via Dutra. “Nos horários de pico, chegamos a registrar até 5.600 veículos por hora na rodovia no sentido capital-interior”, disse o inspetor Waldiwilson dos Santos, responsável pela 6ª delegacia da PRF em Taubaté.

O Vale

Para queimar estoquesa, Concessionarias realizam Feirão

Consumidores que procuram comprar um carro zero mais barato podem aproveitar os feirões de montadoras e concessionárias neste final de semana para garantir o benefício da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).

O corte, feito pelo governo federal em maio para estimular a venda de carros, está previsto para acabar em 31 de agosto. O Ministério da Fazenda não decidiu se prorrogará a redução do imposto. As lojas trabalham com a expectativa da retomada do valor do imposto. O IPI dos carros nacionais 1.0 caiu de 7% para zero. Carros nacionais até 2.0 tiveram redução de 11% para 5,5% (flex) e 13% para 6,5% (gasolina).

Há veículos novos com descontos de até R$ 3.000 e modelos semi-novos com facilidades no pagamento, entre outras promoções. A expectativa das concessionárias é vender 30% a mais por causa da redução do IPI. Hoje e amanhã, as principais lojas de carros de São José estarão com ofertas para zerar os estoques, que passam de 2.700 carros, entre modelos novos e usados.

“Os vendedores cancelaram a escala de folga para atender o público”, disse Marco Aurélio Silva, gerente de vendas da Itavema Fiat. “O consumidor encontrará preços diferenciados e opções variadas de financiamento”, afirmou Carlos Alberto Soares, gerente de vendas da Original do Vale, especializada em carros da Volkswagen.

Viviane Batista da Silveira, gerente de vendas da Veibrás, concessionária Chevrolet, aposta nas promoções da marca para atrair os consumidores. “É um ótimo momento para trocar de carro”, disse.

O Vale

Devido ao excesso, falta vagas para estacionar na cidade

Conceito disseminado em filmes publicitários, a paixão do brasileiro pelo carro traz consigo problemas que ficam à margem das peças de ficção. Não bastassem gastos com manutenção, combustível e impostos, o simples ato de parar o veículo em uma vaga é um sacrifício cotidiano.

Em São José dos Campos não é diferente. Com uma frota que já ultrapassa a marca de 300 mil veículos para uma população de cerca de 630 mil pessoas, segundo o último Censo 2010, achar uma vaga para estacionar é quase uma aventura. De acordo com a Secretaria Municipal de Transportes, a região central da cidade tem aproximadamente 1.000 vagas de estacionamento em ruas e avenidas, controladas por parquímetros da zona azul.

Para se ter uma ideia da dificuldade, se todos os motoristas de São José decidissem parar o carro ao mesmo tempo, cada vaga seria disputada por 245 veículos. “Na rua não tem jeito. A cidade não foi planejada para tanto carro. A única forma de melhorar isso é fazer um centro novo e deixar o velho pra lá”, ironizou o inspetor de qualidade Ismar Teixeira, de 57 anos. Para ele, a saída foi um estacionamento privativo na avenida Nelson D’Ávila. “É mais seguro”, disse.

O diretor da Secretaria de Transportes de São José, Paulo Guimarães, disse que as ações públicas para expandir o número de vagas de zona azul no centro da cidade já estão esgotadas. Segundo ele, o foco é agora no transporte coletivo. “A ideia é que as pessoas substituam os carros pelos ônibus. Para isso, estamos melhorando a condição do transporte público, com o projeto corredores e as ciclovias”, disse.

O ‘Projeto Corredores’, que prevê o uso de uma faixa exclusiva para a circulação de ônibus, já foi implantado em avenidas centrais como São João e Adhemar de Barros. Nessas vias, o estacionamento de veículos de passeio fica proibido.

A falta de vagas na superfície faz com que o poder público discuta a criação de estacionamentos subterrâneos para acomodar a demanda de veículos. A ideia não é nova, mas a promessa agora é de que ela sairá do papel. “Estaremos finalizando o projeto até o fim do ano. As obras estão previstas para 2013”, disse Guimarães. A avenida Heitor Villa-Lobos é um dos locais em estudo.

Para o especialista em trânsito, Ronaldo Garcia, a solução está numa parceria do comércio com a administração municipal. “Existem áreas não utilizadas no centro de São José. Uma parceria dos empresários com a prefeitura poderia ajudar na criação de estacionamentos coletivos para atender aos clientes das lojas”, disse.

O Vale

Trânsito na cidade será um desafio para o novo Prefeito

São José tem uma malha viária (conjunto de ruas e avenidas) de 1.800 quilômetros o suficiente para ir de São José a Salvador. São José tem 56 quilômetros de ciclovias pouco mais da metade do caminho entre a cidade e Caraguatatuba. O espaço destinado para as bicicletas, normalmente contíguo às ruas, representa 3% de toda a malha viária e suas 7.449 ruas em São José.

O engenheiro mecânico Luiz Ishii, 47 anos, traduz os números: “É bastante complicado andar de bicicleta em São José.” Ele explica: “Quando a gente está na ciclovia, é uma beleza. Mas não existe continuidade entre elas. Todo cruzamento é muito complicado, já que as bicicletas nunca têm prioridade”, afirmou.

O engenheiro, que começou a andar de bicicleta há três anos e sempre quando possível deixa o carro na garagem para pedalar, mesmo que seja para ir trabalhar, aponta outro problema. “Se você quer ir da zona sul para o centro, por exemplo, não existe ciclovia. Você tem que dividir espaço com os carros na Dutra ou no Anel Viário. Quem sai perdendo é o ciclista.”

Só no primeiro trimestre deste ano, foram 49 acidentes envolvendo ciclistas em São José. Com 630 mil habitantes, São José também tem aproximadamente 350 mil veículos em circulação, entre carros, motos e caminhões. Os números retratam a opção do joseense pelo transporte individual no veículo automotor: dos mais de 1,2 milhão de deslocamento diários feitos na cidade, 49% são realizados por carros. Nesse universo, o transporte coletivo é a opção em 25% dos deslocamentos, enquanto 22% são feitos a pé.

O índice de uso do transporte coletivo em São José fica abaixo do registrado em capitais, em que até 65% da população opta pelo modelo para deslocar, segundo estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), divulgado no ano passado.

Para os candidatos à prefeitura, não há outra alternativa senão investir maciçamente no transporte coletivo público. Pelo menos em suas propostas, é essa a promessa. Todos também afirmam que investirão em ciclovias. Enquanto isso, entre os usuários do transporte coletivo sobram reclamações. “O grande problema é o que o ônibus está sempre cheio. Quase sempre tenho que ir em pé, seja para ir ao centro ou voltar”, afirmou a dona de casa Virgínia Gonçalves, 50 anos.

O percurso entre sua casa, no Campos São José (zona leste) e o centro costuma durar 40 minutos. “Problema não é preço nem integração, que às vezes não funciona. O problema principal é que ficamos muito tempo no ponto. Os horários são muito espaçados”, disse a dona de casa Andréia Marcia Gonçalves dos Santos, 43 anos, moradora do Monterrey, na zona leste.

Atualmente, São José conta com 382 ônibus. Os veículos não contam com faixas exclusivas a promessa é de que a primeira seja entregue ainda este ano. A velocidade média do sistema de transporte público é de 25,5

O Vale