Segunda parcela do Auxilio Moradia é liberado a Famílias

A Prefeitura de São José dos Campos começa a pagar hoje a segunda parcela do aluguel social, no valor de R$ 500, para os ex-moradores do Pinheirinho. De acordo com a administração, as famílias cadastradas serão comunicadas por telefone a comparecer na agência da Caixa Econômica Federal no centro da cidade para receber o benefício.

A previsão é convocar um total de 987 famílias que receberam o primeiro cheque até 11 de fevereiro. Os sem-teto serão cadastradas no banco para passar a receber o benefício em conta bancária. O segundo lote de pagamentos deve cair na próxima semana. Quem não tiver conta no banco poderá receber a segunda parcela do aluguel por meio de cheque nominal.

De acordo com a prefeitura, 1.297 famílias já receberam o primeiro cheque do governo no valor de R$ 1.000, sendo R$ 500 do auxílio-mudança e outros R$ 500 do aluguel. O auxílio foi anunciado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) em 26 de janeiro, quatro dias após a reintegração de posse do Pinheirinho. Os sem-teto receberão o benefício até serem contemplados com novas moradias.

Outras 60 famílias cerca de 200 pessoas ainda estão alojadas no ginásio do Jardim Morumbi. Elas afirmam ter dificuldade para alugar imóveis na região. “Não consegui alugar nada. Já me ofereceram o cheque, mas se eu pegar terei de deixar o abrigo. Não posso sair com meus três filhos para morar na rua”, disse a dona de casa Paola Regina dos Santos, 24 anos. A prefeitura informou que está auxiliando as famílias sem-teto a encontrar casas nas imobiliárias da cidade.

O Vale

Passado um mês famílias permanecem em casa condenada

Um mês depois da chegada dos primeiros invasores, casas condenadas no Rio Comprido, na zona sul de São José, continuam ocupadas por dezenas de pessoas desalojadas da antiga ocupação do Pinheirinho.

O êxodo dos sem-teto rumo aos imóveis localizados em área de risco no bairro começou na manhã do último dia 25 de janeiro, quando um grupo de ex-moradores do Pinheirinho, insatisfeitos com os abrigos oferecidos pela prefeitura, dirigiu-se ao Rio Comprido.

Dias depois, no começo deste mês, era possível contar cerca de 40 famílias nas casas condenadas. Na última quinta-feira, a reportagem de O VALE voltou ao bairro e viu que muitos ainda estão lá. Pelo menos 15 imóveis mostravam sinais de ocupação.

Fazem parte do grupo de invasores famílias que não se cadastraram para receber o auxílio moradia, pessoas que encontram dificuldades em conseguir o benefício e outras que já receberam o aluguel social, mas sustentam ter dificuldades em encontrar imóveis.

“Vamos ficar aqui até quando der. Nós não conseguimos casa para alugar”, afirmou T., que preferiu não ter o nome identificado para evitar retaliações. Ela não realizou cadastro junto à prefeitura, quando da reintegração de posse do Pinheirinho no último dia 22 de janeiro, ficando sem o direito de receber o aluguel social de R$ 500.

M., outro ex-morador do Pinheirinho que preferiu não se identificar, também não recebeu o auxílio moradia, instalando-se num imóvel no Rio Comprido. “Quando fui fazer meu cadastro, a assistente social me disse que eu estava me aproveitando do momento e que eu não era do Pinheirinho. Reclamei e agora estou esperando.”

M., que tinha comércio no Pinheirinho, improvisou um pequeno cômodo na casa que está ocupando no Rio Comprido para continuar vendendo bebidas e alimentos. “É de que tiro meu sustento.” Pai de uma filha e com a mulher prestes a dar a luz ao segundo filho do casal, P. também está instalado num imóvel do Rio Comprido. A família já recebeu o primeiro cheque do auxílio moradia.

“Estou atrás de casas, mas não encontro.” Em geral, os imóveis ocupados exibem grandes rachaduras, colunas estruturais danificadas e muito lixo e entulho no entorno. As casas foram abandonadas em janeiro de 2011, quando um deslizamento de terra matou cinco pessoas no bairro. Quase todas as construções já não contam com portas e janelas, que foram saqueados ao longo deste período.

No começo das invasões, o governo de Eduardo Cury (PSDB) prometeu realizar um trabalho social para retirar os sem-teto do Rio Comprido. No entanto, famílias que se encontram atualmente no bairro afirmam que até o momento não foram abordadas sequer uma vez por assistentes sociais da prefeitura.

O Vale

Audiência discute a Desocupação do Pinheirinho

A Comissão de Direitos Humanos do Senado realiza hoje, em Brasília, uma audiência pública para discutir supostos abusos durante a reintegração de posse do Pinheirinho, em São José. A reunião deverá contar com quórum reduzido, restrito a representantes do governo federal e do movimento sem-teto. A Prefeitura de São José e o governo do Estado não mandarão nenhum representante.

A audiência acontece um mês após a desocupação do Pinheirinho. No dia 22 de janeiro, cerca de 2.000 policiais militares cumpriram uma ordem de reintegração de posse expedida pela Justiça em favor da massa falida da empresa Selecta, dona do terreno.

Durante a operação, um ex-morador do Pinheirinho foi baleado nas costas em um tumulto com a Guarda Civil Municipal. Outros sem-teto relataram ter sofrido agressões. A audiência mobilizada pelo senador Eduardo Suplicy (PT) deve ser esvaziada. Até ontem, apenas representantes dos se-teto, políticos de oposição e integrantes do alto escalão do Governo Federal haviam confirmado presença.

Representantes do Governo do Estado não devem comparecer. Procurado, o secretário de Habitação do Estado, Silvio Torres, não informou nem se iria encaminhar um representante. Em viagem para os Estados Unidos, o prefeito de São José Eduardo Cury (PSDB) justificou sua ausência.

Ao todo, 12 requerimentos convites foram encaminhados, entre eles, para o prefeito Eduardo Cury (PSDB), o secretário de Habitação do Estado, Silvio Torres, a juíza da 6ª Vara Cível de São José, Márcia Loureiro, responsável pela ordem de desocupação, e o comandante da Polícia Militar, Álvaro Batista Camilo.

Até ontem, a Polícia Militar e a juiza Márcia Loureiro não haviam confirmado oficialmente presença. O presidente do TJ, Ivan Sartori, também não estará presente. Para representar o judiciário, foi confirmada apenas a presença do juiz de direito assessor do TJ, Rodrigo Capez.

Na tarde de ontem, um ônibus com lideranças do movimento sem-teto de São José partiram rumo à Brasília, para levar cerca de 40 moradores sem-teto do Pinheirinho.“É fundamental essa atitude do Senado. A luta do Pinheirinho não terminou, continuamos reivindicando a desapropriação das terras pelo Governo Federal. Também queremos apontar as irregularidades dessa desocupação”, disse o advogado dos sem-teto Antonio Donizete Ferreira, o Toninho.

Também estarão presentes o vereador de São José, Tonhão Dutra e o deputado estadual, Marco Aurélio Souza, que irá representando a Assembleia Legislativa.

O Vale

Completam 1 mês os moradores do Pinheirinho no abrigo

Um mês após a reintegração de posse do Pinheirinho, mais de 300 ex-moradores da área permanecem alojados de forma improvisada em abrigos da Prefeitura de São José dos Campos. Eles reclamam de dificuldades para alugar imóveis com o auxílio-moradia de R$ 500 por mês oferecido pelo município em parceria com o governo do Estado.

Outro entrave seria a necessidade de comprovante de renda e do pagamento antecipado de três meses de aluguel, exigidos pela maioria das imobiliárias. A área do Pinheirinho foi desocupada pela Polícia Militar no dia 22 de janeiro, em cumprimento a uma ordem de reintegração de posse expedida pela Justiça em favor da massa falida da empresa Selecta, dona da gleba.

No próximo dia 28, o acampamento completaria oito anos. Cerca de 1.300 famílias viviam na área. A prefeitura montou quatro abrigos em ginásios para acolher os ex-moradores do Pinheirinho. Dois deles permanecem abertos, nos bairros Jardim Morumbi (onde estão 137 pessoas) e Vale do Sol (que concentra outras 168).

Os sem-teto reclamam da alimentação oferecida pela prefeitura e das condições precárias de higiene dos locais. “A prefeitura deveria dar três cheques de uma vez ou ser a nossa fiadora. Ninguém está aqui porque quer. A gente precisa”, disse o auxiliar de manutenção Cícero Lopes, 39 anos.

A operadora de telemarketing Rosalva das Graças Silva, 55 anos, diz que conseguiu um imóvel, mas não o cheque do aluguel social. A demora, segundo ela, fez com que a casa fosse alugada para outro. “Eles fizeram uma confusão e colocaram meu nome em dois registros diferentes.”

O líder do movimento sem-teto, Valdir Martins, o Marrom, endossa as críticas. “A prefeitura só oferece o necessário, que é almoço e jantar. Até de leite agente precisa de doação”, afirmou.  A prefeitura promete começar hoje uma força-tarefa para fechar os abrigos restantes em até três semanas.

“Quarenta servidores vão fazer um trabalho especial com cada uma das famílias para resolver o problema delas”, disse o secretário de Desenvolvimento Social João Francisco Sawaya de Lima, o Kiko. “Se necessário, o albergue também poderá ser usado para abrigar essas pessoas.” Kiko ressalta que as famílias alojadas nos abrigos representam menos de 10% do total. “O saldo é positivo. A assistência que a prefeitura oferece é de primeira qualidade.”

O Vale

Pinheirinho e Lei Seca viram tema de Bloco de Carnaval

A desocupação do acampamento do Pinheirinho e uma sátira à Lei Seca são temas que os blocos políticos de São José dos Campos levarão este ano para avenida no sábado de Carnaval. O desfile deste ano pode ter uma baixa. O Estrela Vermelha, bloco do PT, pode não sair, após nove anos consecutivos de desfile.

Os grupos políticos desfilam no sábado de manhã pelas principais ruas do centro. Criado pelo Sindicato dos Metalúrgicos há 14 anos, com o apoio da CSP-Conlutas e do PSTU, o Acorda Peão escolheu como a desocupação do Pinheirinho.

Segundo o sindicato, a história será contada na avenida por alas representando moradores, policiais e o confronto ocorrido durante a reintegração de posse. “Vamos mostrar na avenida a covardia nacional”, disse Renato Bento, o Renatão, um dos coordenadores do bloco e autor do samba que irá embalar o desfile. O título do samba-enredo é “Covardia Nacional”.

Um dos trechos da letra do samba-enredo faz menção à postura da prefeitura, da Justiça e do comando da Polícia Militar: “Prefeitura e a Justiça / Comando do batalhão / Mete bala em inocente/ e liberta o ladrão”. O Acorda Peão terá dois carros alegóricos. Um deles representará um trator destruindo um barraco. A máquina será dirigida por um boneco que representa o prefeito Eduardo Cury (PSDB).

Segundo Renato, a expectativa é que pelo menos 400 pessoas participem do desfile. Já o Estrela Vermelha, bloco do PT, não deve desfilar e se sair, será apenas para “marcar presença”. Segundo João Gilberto Ribeiro, o Giba, um dos coordenadores do grupo, os foliões do PT estão “ocupados com outras atividades e não houve tempo para preparar o desfile”. “O pessoal está ocupado, entre outras atividades, com as eleições do Sindicato dos Metalúrgicos e não deu tempo para pensar no desfile”, disse.

Segundo Giba, apenas um grupo de no máximo 30 pessoas deve desfilar, para manter a tradição da presença do Estrela Vermelha na avenida. Já o Engole Sapo vai fazer uma sátira à Lei Seca. “Se for dirigir, não beba. Se for beber me chame”, é o tema do bloco este ano. O coordenador do grupo, Luiz Paulo Costa, disse que é uma brincadeira à Lei Seca no volante do veículo.

Pelo menos 150 pessoas são esperadas no desfile do bloco, que se concentra na praça João Mendes (Sapo).
Todos os blocos começam o “esquenta” para o desfile por volta das 10h e o ponto alto acontece a partir das 11h.

O Vale

Selecta reembolsara imovéis danificados durante a Operação

Após pressão da Prefeitura de São José, a Justiça determinou que a massa falida da empresa Selecta se responsabilize pelos móveis danificados ou destruídos durante a reintegração de posse do Pinheirinho. Cerca de 1.700 famílias foram expulsas do terreno. O processo de reintegração que deveria ser concluído em 15 dias durou apenas quatro.

E muitas famílias deixaram o local antes mesmo da chegada do oficial de Justiça para relacionar os pertences. Inúmeras famílias reclamaram da falta de pertences e também da dificuldade para retirar os móveis nos galpões oferecidos pela Selecta.

A família da dona de casa Maria José de Almeida, 62 anos, já pagou dois carretos, ma ainda não conseguiu retirar seus pertences. A Defensoria Pública de São José recebeu mais de 200 denúncias de sem-teto e planeja mover ações por danos materiais.

Foi a pressão das famílias que levou a prefeitura a questionar as ações de responsabilidade da Selecta. Em nota, a prefeitura sustenta que apesar de não ser de sua responsabilidade irá oferecer suporte para que as famílias possam receber seus pertences sem prejuízo. O objetivo é cobrar da massa falida a reposição dos móveis danificados ou extraviados durante a reintegração do Pinheirinho.

A juiza da 6ª Vara de São José, Marcia Loureiro, responsável pela ação de reintegração de posse, informou já ter acionado a massa falida. A empresa já teria nomeado um funcionário para auxiliar as famílias sem-teto na localização dos pertences.

Segundo ela, os autos descritivos de cada imóvel elaborados pelos oficiais de justiça no dia da reintegração servirão de base para apontar se há irregularidades no lote de pertences de cada família. Procurada, a massa falida não se pronunciou.

Pelo menos 140 famílias ainda estão alojadas em três abrigos da Prefeitura. A meta do governo é fechar o abrigo do ginásio Ubiratan, no Dom Pedro 2ª, ainda essa semana. Ao todo, 1.033 famílias já receberam o cheque no valor de R$ 1.000 (R$ 500 referente ao auxílio mudança e R$ 500 ao aluguel social).

O Vale

Famílias do Pinheirinho se mudam para casa de Parentes

Ex-moradores do Pinheirinho contemplados com aluguel social pela Prefeitura de São José dos Campos se mudaram para casas de amigos e parentes. É o caso da família da dona de casa Maria José de Almeida, 62 anos. Ela deixou o abrigo da prefeitura para ir para a casa de uma amiga no Jardim Itapuã (zona leste). Junto, levou 16 pessoas.

“Sou eu, mais a família dos meus três filhos. Ela é nossa amiga e nos acolheu. Estamos procurando casas, mas está muito difícil”, disse. A gerente de vendas Elenita Saladin, 42 anos, diz que abriu as portas de sua casa para amenizar o sofrimento da família. “Uma delas foi minha babá por 14 anos. Não podia abandoná-la nesse momento.”

Pelo menos 140 famílias sem-teto ainda estão nos dos ginásios do Dom Pedro 2º, Jardim Morumbi e Vale do Sol, todos na zona sul. A meta é que até o final de semana o ginásio Ubiratan, no Dom Pedro, seja fechado. “Temos 10% das famílias em abrigos e esse número já era esperado. São famílias mais simples e com menos referência na cidade, e isso tem gerado maior dificuldade na locação de moradias”, disse o secretário de

Desenvolvimento Social, João Francisco de Sawaya Lima, o Kiko. Ontem, a prefeitura designou 30 servidores municipais para acompanhar as famílias em imobiliárias da cidade. “Nossa expectativa é que essas famílias consigam garantir uma casa. As pessoas ficam olhando só na zona sul, mas tem imóveis em outras regiões”, disse.

Ao todo, já foram distribuídos 1.033 cheques no valor de R$ 1.000 (R$ 500 do aluguel social e R$ 500 de auxílio-mudança). Foram cadastradas 1.250 famílias sem-teto. A Asseivap (Associação das Empresas Imobiliárias do Vale do Paraíba) informou que apenas 10% dos 3.550 imóveis disponíveis para locação no mercado estão dentro da faixa de R$ 500.

Segundo a entidade, em 55% dos contratos o locador do imóvel exige fiador, o que dificultaria a negociação com ex-moradores do Pinheirinho.

O Vale

Abrigos do Pinheirinho, disponível por tempo indeterminado

A Prefeitura de São José já admite manter parte dos ex-moradores do Pinheirinho em abrigos municipais por tempo indeterminado em razão da dificuldade que os desalojados enfrentam para alugar casas com o dinheiro do auxílio-moradia.

A meta inicial do governo era concluir até a última segunda-feira a transferência de todas as famílias abrigadas para casas alugadas ou de familiares, mas pelo menos 200 ainda estão nos ginásios do Morumbi, Vale do Sol e Dom Pedro 2º.

E, apesar da dificuldade apontada pelas famílias, a prefeitura fez um balanço positivo dos trabalhos. “Estimamos que 85% das famílias já estão em casas alugadas ou na casa de parentes. E isso foi feito em grande velocidade”, disse o secretário de Desenvolvimento Social, João Francisco de Sawaya de Lima, o Kiko. Segundo ele, as famílias serão abrigadas nos ginásios públicos “até quando for necessário”.

Desativação. Ontem, o primeiro dos quatro abrigos improvisados pela prefeitura foi desativado. Ao todo, 43 famílias que estavam na escola Dom Pedro de Alcantara, conhecida como Caic Dom Pedro, foram transferidas para outros abrigos ou para a casa de parentes.

“Eles queriam que saíssemos do abrigo de qualquer jeito. Mas eu não vou para outro abrigo. Não aguento mais viver dessa forma. Vou dormir no quintal na casa de familiares”, disse Josefa Adevina da Silva, 42 anos. A última família a deixar o Caic seguiu rumo ao abrigo do ginásio Ubiratan Maciel, no Dom Pedro. No local, estão cerca de 50 famílias.

Por volta das 16h30, o auxiliar de serviços gerais Luiz Alberto Ferreira Nunes, 27 anos, e a cuidadora de idosos Rafaela Araújo de Lima, 26 anos, se juntaram aos abrigados.

Para garantir um pouco de privacidade, usaram colchões como paredes. O casal, que tem dois filhos, reclamou da demora na liberação do aluguel social. “Perdemos tudo, até o enxoval do nosso bebê. Nossas duas filhas pequenas estão com os avós, porque não podemos deixa-las viver dessa maneira”, disse Rafaela, grávida de quatro meses.

“Aqui é nosso novo lar até entramos em uma casa. Já levei toda a documentação necessária e o cheque ainda não saiu”, disse Nunes. Segundo balanço do governo, 750 cheques do aluguel social e do auxílio-mudança, no valor de R$ 1.000, já foram distribuídos. A estimativa é que sejam entregues 1.250 cheques. A prioridade é atender as famílias dos abrigos.

Ao todo, governo do Estado e prefeitura irão investir nesse primeiro mês do benefício R$ 1,250 milhão. A liberação da próxima parcela está prevista para o dia 28. Kiko afirmou que muitas famílias ainda permanecem nos abrigos para antecipar o recebimento do aluguel social.

“Muita gente voltou para o abrigo para ter prioridade no aluguel social. Mas, estamos repassando os cheques também para quem está na casa de parentes e amigos”, disse. De acordo com ele, 960 famílias cadastradas foram identificadas no cadastro oficial da prefeitura realizado em julho de 2010 no Pinheirinho. Segundo ele, “a maior parte” das 290 famílias restantes comprovou que vivia no Pinheirinho por meio de outros cadastros.

O Vale

Para a volta do funcionamento, abrigo é desativo na cidade

A Prefeitura de São José decidiu transferir os ex-moradores do Pinheirinho alojadas no ginásio do Caic do Dom Pedro 2º para outros abrigos municipais. O objetivo é liberar o prédio para o retorno escolar de cerca de 900 crianças. As aulas foram retomadas pela rede municipal no último dia 6, mas no Caic serão iniciadas com pelo menos uma semana de atraso.

No local, ainda vivem cerca de 50 famílias sem teto. Muitas delas não pretendem deixar o abrigo em razão da dificuldade para alugar um imóvel com o valor do auxílio-moradia oferecido pela prefeitura (R$ 500 por mês, mais cota única de R$ 500 a título de auxílio-mudança).

“Não adianta pegar o cheque se não temos para onde ir. Estamos procurando um lugar para ficar, mas não encontramos”, disse o desempregado Fabricio Silva de Souza, 25 anos. Junto com sua mulher e dois filhos, ele divide uma das 14 salas de aula do Caic.

Souza deve ser transferido para o ginásio de esportes Ubiratan Pereira Maciel, também no Dom Pedro, até amanhã. No local, vivem outras 32 famílias. Lá, a história de Souza irá se somar a de outras famílias abrigadas que afirmam passar pela mesma dificuldade.

No Jardim Morumbi, a situação se repete. O motorista desempregado Dirceu José da Silva, 48 anos, tenta, sem sucesso, encontrar um emprego e uma casa para morar. “Não tenho fiador e não consigo alugar uma casa. Também estou procurando emprego, mas eles tem preconceito com quem morou no Pinheirinho. O nosso medo é nos mandarem para a rua.”

Ao lado dos colhões de Dirceu, o jovem Bruno Fernando Ganso, 15 anos, enfrenta um outro desafio. Sozinho, ele acabou de passar por uma cirurgia de apendicite e depende dos cuidados de outros sem-teto para se recuperar. Sem poder se inscrever no programa do aluguel social, ele teme ser colocado na rua. A mãe está presa e ele não conhece o pai.

No abrigo, as críticas com relação à falta de infraestrutura continuam. Mães reclamam que não podem fazer a mamadeira de seus bebês e da falta de frutas e refrescos para os pequenos durante as tardes quentes. As crianças não entendem porque as piscina poliesportiva ficam trancadas. Procurada, a prefeitura não comentou os casos.

Ao todo, cerca de 200 famílias sem-teto ainda estão alojadas nos quatro abrigos públicos Caic e os ginásios esportivos do Dom Pedro 1º, Vale do Sol e Morumbi. O líder dos sem-teto, Valdir Martins, o Marrom, disse que a transferência das famílias reflete o despreparo da prefeitura no acolhimento. “É um absurdo transferir de um abrigo para outro. O acolhimento não foi preparado como disseram. Fizeram a desocupação as pressas e sem se preocupar com as pessoas.”

O Vale

Pesquisa feita aponta que eleitores apoiam Desocupação

Mais da metade da população de São José dos Campos aprova a desocupação do Pinheirinho, revela a pesquisa O VALE/Mind. De acordo com a sondagem, 54,3% dos pesquisados manifestaram apoio à reintegração de posse da área, na região sul da cidade.

Outros 30,7% afirmaram que não aprovam e 15% dos pesquisados disseram não saber ou não responderam.
A pesquisa foi realizada entre os dias 30 e 31 de janeiro. Foram ouvidas 600 pessoas de todas as regiões de São José dos Campos.

A pesquisa foi estratificada por sexo, escolaridade, renda familiar, religião e zona geográfica. A margem de erro é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos. A sondagem mostra também que a maioria da população acha que houve violência na remoção dos moradores da área e que a prefeitura tem a maior parcela de culpa pelo crescimento do acampamento irregular.

Pelos dados da estratificação, 73% dos pesquisados que possuem ensino superior de ensino disseram que são a favor da remoção. Outros 20% desse nicho disseram que são contra a desocupação do Pinheirinho. Considerando ainda a escolaridade, 41,7% dos que possuem o primeiro grau disseram que não aprovam a remoção, maior índice dos que manifestaram ser contrários à desocupação da área.

No quesito renda familiar, 72% dos entrevistados com renda familiar superior a 5 salários mínimos disseram que são a favor da desocupação, enquanto 20,6% da mesma faixa de renda manifestaram contra. Ainda segundo a renda, 35,9% dos que ganham até 3 salários disseram que são contra a desocupação e outros 46,2% aprovam.

Considerando a zona geográfica, 58% dos entrevistados que moram na região sul, onde fica o terreno do Pinheirinho, aprovam a desocupação, ante 25% que reprovam a remoção dos sem-teto. Nesse nicho, a maior aprovação está entre os que moram no centro, 61,9%, e a maior reprovação entre os moradores da zona norte, 39,7%

“Se olharmos os dados da estratificação da pesquisa, verificamos que a taxa de aprovação à desocupação do Pinheirinho é maior entre os moradores de maior renda e escolaridade”, disse o diretor geral da Mind Pesquisas, Alexandre Lima.

Para ele, esse posicionamento da população reflete o perfil da cidade. “São José é uma cidade bastante urbanizada e industrial e a parcela da população mais escolarizada e com maior renda defende o respeito à lei, ao estado de direito, já que a desocupação foi uma decisão judicial”, disse o executivo.

Lima destacou que entre a camada da população com menor escolaridade e renda, a visão é o inverso. “Nesse nicho, a maioria desaprova a desocupação. Possivelmente, muitas pessoas dessa camada são mais suscetíveis a questões habitacionais ou vivenciam problemas de moradia”, avalia Lima.

O Vale