Sem moradias novas, Ex-pinheirinhos ameaçam invasão

Um grupo de ex-moradores do Pinheirinho realiza hoje, a partir das 8h, um ato de repúdio contra a falta de moradias populares em São José dos Campos. O protesto será realizado em frente ao terreno desocupado pelos sem-tetos em janeiro deste ano no Residencial União, na zona sul. A estimativa dos organizadores é de que 1.000 pessoas participem da manifestação.

O VALE apurou que o ato público pode resultar em nova invasão da área. Desde a reintegração de posse do terreno, marcada pela expulsão de 1.700 famílias, a área está abandonada. O leilão para a venda da gleba também foi cancelado.

“Estamos à espera das casas prometidas. Queremos saber qual a proposta dos candidatos a prefeito para os ex-moradores do Pinheirinho que estão vivendo com auxílio aluguel. Queremos a garantia de moradias para as famílias”, disse o líder dos sem-teto do Pinheirinho, Valdir Martins, o ‘Marrom’.

O coordenador da campanha de Alexandre Blanco (PSDB), Anderson Ferreira, classificou a manifestação como ato político.  “É um ato político do PSTU e do PT. Estas famílias irão entrar na fila da habitação. Nunca foi dada preferência para ninguém. O critério é a analise social.”

O candidato do PT, Carlinhos Almeida, lembrou que há compromisso do governador Geraldo Alckmin (PSDB) de resolver a questão.  “Daremos todo apoio ao Estado e manteremos diálogo com as famílias para que a questão seja resolvida.”

O Vale

Após suspendido o Leilão do Pinheirinho, Nahs quer de volta

A decisão judicial que suspendeu o leilão do terreno do Pinheirinho abre caminho para que o megaespeculador Naji Nahas reassuma o controle da área, localizada na zona sul de São José. Em recurso encaminhado ao TJ (Tribunal de Justiça), a empresa Selecta, controlada por Nahas, relaciona bens suficientes para quitar as dívidas remanescentes em seu processo de falência e alega que a venda do Pinheirinho nunca foi necessária para honrar os compromissos com os credores.

O posicionamento contradiz os argumentos usados pelos administradores da massa falida na Justiça para justificar a reintegração de posse da área, realizada em janeiro deste ano ao todo, 1.703 famílias sem-teto foram removidas do local. A alegação era que o terreno era o único bem da Selecta.

Em março deste ano, o juiz Luiz Beethoven Giffoni Ferreira, da 18º Vara Cível de São Paulo, responsável pelo processo de falência da Selecta, também informou que o Pinheirinho era o único bem da massa falida. “Há mais de 20 anos o imóvel Pinheirinho compõe o acervo da massa e nunca antes sua alienação foi cogitada na falência.

Até porque todos os créditos da massa já foram pagos, com exceção de apenas dois, e recentemente um outro crédito, ainda em fase de habilitação, os quais, podem ser pagos, com sobras, pelos demais ativos da massa”, justifica a defesa de Nahas.

Nos autos do processo que pede a suspensão do leilão, a Selecta afirma possuir R$ 66,1 milhões em bens. O valor representa quase três vezes a soma das dívidas reconhecidas pela massa falida, hoje estimadas em R$ 26,2 milhões R$16,4 milhões com a Prefeitura de São José, R$ 8,6 milhões com o condomínio Fazenda Real de Itu e outros R$ 1,1milhão com a União.

A relação de patrimônios da empresa inclui 56 lotes localizados no condomínio Fazenda Vila Real de Itu, avaliados em R$ 50,4 milhões, duas fazendas em Itu, avaliadas em R$ 10 milhões, e outros R$ 5,7 milhões em conta bancária.

Com base no recurso de Nahas, o desembargador do TJ Fábio Quadros suspendeu por tempo indeterminado o leilão do terreno do Pinheirinho no último dia 11 de setembro. O leilão havia sido aberto pela Justiça no dia 3. Avaliado em R$ 187 milhões pela Justiça, o terreno tem 1,3 milhão de metros quadrados de área, o equivalente a 130 campos de futebol.

O mérito da ação que pede o cancelamento definitivo do leilão ainda será julgado. Ontem, o Tribunal de Justiça e o juiz Luiz Bethoven da 18ª Vara Cível não se manifestaram sobre o assunto. Os advogados de Naji Nahas afirmam que a reintegração de posse da área não foi concluída, já que parte do Pinheirinho ainda continua ocupada por invasores, o que inviabilizaria o leilão.

A defesa se refere a um grupo de cinco famílias que vive em uma área contígua ao antigo acampamento do Pinheirinho há mais de 30 anos. “Requeremos a suspensão do leilão do Pinheirinho face a constatação de um fato novo, até então ignorado nos autos, de que significativa parte do terreno, aproximadamente 100 mil metros quadrados, ainda continua na posse de esbulhadores”, diz a defesa.

Também é informado que a massa falida já havia noticiado a juiza Marcia Loureiro da 6ª Vara Cível de São José, do pedido de reintegração dessa área, a qual já teria determinado a intimação dos ocupantes das áreas remanescentes.

“Sendo realizado o leilão nessas condições haverá evidente prejuízo irreparável à massa falida, já que os interessados na aquisição, por não poderem, dispor de imediato da totalidade do imóvel, certamente farão lances inferiores ao real valor do imóvel”, diz trecho da petição.

O Vale
Imagem: G1

Tribunal da Justiça suspende Leilão do Pinheirinho

O TJ (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) suspendeu por tempo indeterminado o leilão do terreno do Pinheirinho, em São José dos Campos. Avaliada em R$ 187 milhões pelo Judiciário, a área seria vendida para o pagamento de credores da massa falida da empresa Selecta S/A, dona da gleba.

O leilão foi iniciado em 3 de setembro e suspenso no dia 11 do mesmo mês por determinação do desembargador Fábio Quadros, acolhendo pedido da Selecta ligada ao megaespeculador Naji Nahas. A falida quer o cancelamento do leilão, alegando que a reintegração de posse do Pinheirinho, deflagrada em janeiro pela Polícia Militar, ainda não foi concluída e que há pessoas vivendo na área.

Os administradores da massa falida não recorreram da liminar. A Sodré Santoro, empresa responsável pelo certame, confirmou a suspensão do leilão e disse que não há previsão de novas datas. As dívidas da Selecta somam R$ 24 milhões R$ 16,4 milhões se referem a débitos com a Prefeitura de São José pelo não pagamento de tributos municipais.

Para o secretário de Assuntos Jurídicos de São José, Aldo Zonzini Filho, a decisão do TJ não afeta o município.
“Eles [Selecta] possuem um patrimônio maior que o débito e podem arrematar essa dívida sem leiloar o terreno”, disse.  O advogado dos sem-teto, Antonio Donizete Ferreira, comemorou a liminar.

“Essa suspensão era o queríamos e mostra que a desocupação foi um festival de irregularidades. Eles alegam que a área não foi toda desocupada. Algumas famílias moram ao lado das mangueiras, na antiga Casa da Fazenda, como ocupantes da área que é deles. Eles fizeram o levantamento errado do terreno para a reintegração”, disse.

O Vale

Leilão do terreno da Selecta tenta ser barrado na cidade

Advogados dos ex-moradores do Pinheirinho tentam, na Justiça, suspender o leilão da área, iniciado na última segunda-feira. A ação de embargos de terceiros foi protocolada na semana passada na 18ª Vara e Ofício Cível de São Paulo, onde corre o processo de falência da empresa Selecta, proprietária do terreno.

Um dos argumentos dos advogados é que, apesar da área, localizada na zona sul de São José dos Campos, ter sido desocupada em janeiro deste ano, a disputa pela posse do terreno ainda não terminou. “A desocupação só aconteceu devido a uma liminar da Justiça. Ainda não existe sentença definitiva. Caso a Justiça decida em favor dos moradores, eles terão o direito de voltar ao Pinheirinho. Se essa possibilidade existe, a área não pode ser vendida”, disse Antonio Donizete Ferreira, advogado dos ex-moradores.

As famílias sem-teto foram retiradas do Pinheirinho em 22 de janeiro em razão de uma liminar expedida pela Justiça. Mais de sete meses depois, a juíza Marcia Faria Mathey Loureiro, da 6ª Vara Cível de São José dos Campos, ainda não emitiu uma sentença definitiva.

A reintegração da área envolveu 2.040 policiais militares. Para o advogado dos ex-moradores, a venda do terreno inviabiliza a indenização reivindicada pelas famílias. “Durante a ação, muitos móveis foram destruídos. As 1.800 famílias cobram um ressarcimento por parte da Selecta. Esse é outro motivo pelo qual o terreno não pode ser vendido. Ele é o único bem que garantiria o pagamento de possíveis indenizações”, afirmou Ferreira.

O leilão do Pinheirinho foi aberto na última segunda-feira e vai até o dia 3 de outubro. A área, de 1,3 milhão de metros quadrados, foi avaliada em R$ 187,4 milhões. Caso os lances não sejam suficientes para pagamento à vista, o leiloeiro poderá receber propostas para a compra parcelada da área.

Pela Lei de Zoneamento, o terreno só pode ser usado para fins industriais. Além disso, 45% dele está em área de preservação ambiental. A Justiça determinou a venda para que sejam quitadas as dívidas acumuladas pela Selecta antes e depois da falência. O principal credor é a Prefeitura de São José. O juiz da 18ª Vara e Ofício Cível de São Paulo, Luiz Beethoven Giffoni Ferreira, ainda não se pronunciou a respeito da ação movida pelos ex-moradores do Pinheirinho.

O Vale

Ação contra Juizes é arquivada na cidade

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) arquivou na última segunda-feira (27) o processo com denúncias de irregularidades na atuação de cinco magistrados durante ação de reintegração de posse no Pinheirinho, ocorrida em 22 de janeiro deste ano, em São José dos Campos, no interior de São Paulo.

O processo foi protocolado em junho, seis meses após a desocupação, pelos advogados que representam os moradores do antigo acampamento sem-teto. A juiza Eliana Calmon, responsável pelo arquivamento do processo, afirmou em sua decisão que não compete ao CNJ analisar a legalidade da atuação dos magistrados. Um recurso para revisão da decisão será apresentado pela defesa nesta sexta-feira (31), prazo limite para recorrer. O processo segue em segredo de Justiça.

O documento – apresentado pelos advogados ao CNJ – apresentava uma série de irregularidades na atuação de cinco juízes no cumprimento da reintegração de posse. Entre as irregularidades apontadas estão a quebra do pacto federativo pelo desembargador do TJ de São Paulo, que desobedeceu a determinação de um juiz federal que impedia a desocupação na área e por não ter considerado a intenção das partes em regularizar a situação no local.

Durante a desocupação, cerca de 1.500 famílias foram desalojadas em uma ação da Polícia Militar para reintegração de posse da área que havia sido invadida há oito anos.  A área, na zona sul da cidade, pertence ao especulador Naji Nahas.

Explicações
Uma semana antes do arquivamento do processo, o CNJ havia solicitado que os magistrados envolvidos no caso, entre eles o desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ivan Sartori, prestassem esclarecimentos sobre o caso.

O advogado Aristeu Pinto Neto, representante dos ex-moradores do Pinheirinho, questiona o curso do processo. “Ficamos surpresos com a decisão. A ministra havia determinado a manifestação dos juízes e, assim que eles receberam a intimação, foi promovido o arquivamento. Isso não é comum. Vamos entrar com recurso”, disse.

Além de Sartori, haviam sido intimados os juízes Luiz Bethoven Giffoni Ferreira, da 18ª Vara Cível de São José dos Campos, Rodrigo Capez, assessor da presidência do TJ-SP, o desembargador Cândido Allen, também do TJ-SP, e a juíza Márcia Loureiro, da 6ª Vara Cível de São José dos Campos. Márcia foi a juiza que decidiu pela reintegração de posse.

Segundo Neto, a defesa vai embasar o pedido de revisão do processo na jurisprudência. “Consideramos esse arquivamento prematuro. Estamos levantando casos semelhantes para mostrar que esta decisão precisa ser revista pelo plenário do CNJ”, afirmou o advogado.

CNJ
A assessoria de imprensa do CNJ foi procurada no começo da tarde desta quarta-feira (29) pelo G1 para comentar as críticas à decisão, mas não retornou até a manhã desta quinta-feira (30).

G1 (Vnews)

Limpeza do Terreno da Selecta será realizado pela Prefeitura

A Prefeitura de São José dos Campos resolveu assumir a limpeza do terreno do Pinheirinho, zona sul, depois que a massa falida da empresa Selecta S/A ignorou várias notificações.  Como a área é privada, a Secretaria de Defesa do Cidadão informou que se baseou numa lei municipal para realizar o serviço, que custou R$ 7.900 aos cofres públicos.

A administração diz que vai cobrar o valor dos proprietários na Justiça. Para o governo, o local oferece riscos de proliferação do mosquito transmissor da dengue e de animais peçonhentos.  As cerca de 1.700 famílias que viviam na área há quase oito anos foram expulsas com ajuda da PM no dia 22 de janeiro, após determinação da Justiça. A limpeza do terreno foi determinada pela prefeitura em 2 de fevereiro.

No total, a massa falida da Selecta recebeu 14 multas, sete delas por reincidências, que juntas somam R$ 28 milhões. Avaliada em R$ 187 milhões, a área será leiloada dia 3 de outubro.De acordo com a prefeitura de São José, a limpeza do Pinheirinho foi realizada há uma semana, numa pequena área que compreende o trecho onde a estrada do Imperador cruza com a rua Almirante Barroso.

Foram removidas 37 toneladas de lixo e entulho. O gasto com o serviço foi de R$ 7.900, entre recolhimento, separação e transporte. “É gastar dinheiro público em um terreno privado. O valor não será cobrado. Depois, eles vão perdoar a dívida”, disse Antônio Donizete Ferreira, advogado dos sem-teto.

Ontem, O VALE esteve no Pinheirinho e verificou dois tratores e um caminhão retirando entulho do local. Um carro da prefeitura também foi avistado dentro do terreno.  A assessoria da prefeitura informou que o serviço ontem não era feito pelo Executivo que isso foi feito somente na quarta-feira passada e que desconhecia algum veículo oficial deslocado para a área. A Secretaria de Assuntos Jurídicos informou que irá cobrar da massa falida os gastos com a limpeza. A secretária de Defesa do Cidadão, Marina Oliveira, não comentou o caso.

O Vale

Dia 3 de Outubro é realizado o Leilão do terreno da Selecta

Para atrair interessados na compra do terreno do Pinheirinho, localizado na zona sul de São José dos Campos e avaliado em R$ 187 milhões, a Justiça autorizou a venda parcelada da área. O valor referencial representa o dobro do preço venal da área, estimado em R$ 92,7 milhões. Também supera valor de outros dois laudos encomendados pela própria massa falida da Selecta, antes da reintegração de posse R$ 130 milhões e R$ 180 milhões.

O edital de venda da área foi concluído ontem pelo advogado do leiloeiro, Sidney Palharini Júnior, e será submetido ao Ministério Público e ao juiz Luiz Beethoven Giffoni Ferreira, da 18º Vara Cível, responsável pelo processo de falência da massa falida, antes de ser publicado em diário oficial.

O leilão será realizado no dia 3 de outubro, a partir das 14h, na Casa de Leilões Sodré Santoro, em São Paulo. O valor inicial de lance será livre. Também será possível fazer lances no site do leiloeiro, a partir do dia 3 de setembro. Interessados terão de se cadastrar no site e comprovar renda.

O terreno não será fracionado e a venda será da área total. Será permitido o parcelamento, desde que com um sinal de 30% do valor. O restante pode ser dividido em 12 vezes com correção monetária definida pela tabela de juros do Tribunal de Justiça.

Acima de 12 parcelas, além da correção haverá juros de 1% ao mês. Todas as propostas serão submetidas à avaliação do juiz. Também será permitida a venda da gleba por um grupo de investidores. E quem se arriscar em comprar a área e desistir pode ser multado em 20% do valor do terreno.

Com 1,3 milhão de metros quadrados (equivalente a 130 campos de futebol), a área foi reintegrada pela Justiça em 22 de janeiro deste ano. As cerca de 1.700 famílias que viviam no local há quase oito anos foram expulsas com ajuda da PM.

O Vale

Terreno da Selecta vai a leilão por volta dos R$187 Milhões

O terreno do Pinheirinho, na zona sul de São José dos Campos, vai a leilão no final de setembro por R$ 187 milhões, o dobro do valor venal da área, estimado atualmente em R$ 92,7 milhões. O edital será publicado no próximo dia 26 pelo leiloeiro Luiz Fernando Sodré Santoro. A área, que pertence à massa falida da Selecta, empresa do megaespeculador Naji Nahas, será leiloada para pagamento de dívidas.

De acordo com juiz Luiz Beethoven Giffoni Ferreira, da 18º Vara Cível, responsável pelo processo de falência da massa falida da Selecta, o terreno é o único bem da empresa, que possui dois credores, entre eles a prefeitura e o governo federal. O juiz não informou o valor devido aos credores, mas a estimativa é que a dívida da massa falida com município e União some R$ 28 milhões R$ 17milhões do município e outros R$ 11 milhões do governo federal. O montante da dívida representa somente 14,9% do preço de venda do terreno.

O preço da área foi definido por um perito à pedido da Justiça. É a segunda avaliação judicial da área. Na primeira delas, o valor fixado era de R$ 220 milhões. O terreno do Pinheirinho foi desocupado pela Polícia Militar em janeiro, por determinação da Justiça. Cerca de 1.700 famílias ocupavam a área (veja cronologia do caso ao lado).

A pedido de O VALE, o especialista em avaliação fundiária José Silvio da Costa Manso fez ontem uma projeção do custo de mercado da área. Segundo ele, o valor do metro quadrado naquela região varia de R$ 80 a R$ 100. Assim, o custo total da gleba poderia variar entre R$ 108 milhões e R$ 136 milhões.

“Normalmente, o valor do metro quadrado é 20% superior ao valor venal da área, o que ficaria em R$ 80,30 o valor do metro quadrado. Mas há variações que podem elevar ou reduzir esse valor em 15%, depende da procura do mercado”, disse.

Com 1,3 milhões de metros quadrados, o terreno é uma das últimas áreas disponíveis na zona sul. Entretanto, pelo menos 45% da gleba correspondem a áreas de proteção ambiental. A gleba tem um aproveitamento estimado de 718 mil metros quadrados. A Lei de Zoneamento também limita o uso do terreno apenas para condomínios industriais e galpões. Nesse espaço, Manso estima que seria possível construir 1.000 galpões industriais. “Acima de R$ 100, o valor está fora do mercado e dificulta a aquisição da área. Há interessados nessas áreas, desde que esse custo caia 40%.”

O leilão será realizado pela empresa Sodré Santoro entre o final de setembro e o início de outubro na Casa Sodré Santoro, em São Paulo. O edital está sendo finalizado. Segundo o advogado da empresa, Sidney Palharini Júnior, o leilão será presencial, mas com possibilidade de lances pela internet com pelo menos 15 dias de antecedência. Os interessados poderão se cadastrar no site da empresa.

Só será permitira a venda da área total do terreno e o lance mínimo permitido será de 50% do valor definido em perícia R$ 93,5 milhões. Segundo Palharini, o valor definido pela Justiça é apenas referencial e caberá ao juiz determinar o valor final da gleba. O advogado diz que está descartada a participação de órgãos públicos no leilão.

A Prefeitura de São José informou não ter conhecimento do leilão. Quando o pregão for agendado, a Procuradoria Fiscal do Município irá acompanhar o processo para receber os créditos da dívida de impostos da Selecta.

O Vale

Empresa Selecta acumula divida de mais de R$20 Milhões

Sete meses após a desocupação do terreno do Pinheirinho, na zona sul de São José, a massa falida da Selecta S/A, proprietária da área, já acumula uma dívida de R$ 28 milhões por ‘abandonar’ o terreno de 1,3 milhão de metros quadrados. A limpeza da área, determinada pela prefeitura no dia 2 de fevereiro, após a demolição das 1.700 casas e a remoção dos entulhos, não ainda foi realizada.

Ao todo, a proprietária da área ignorou sete de nove notificações encaminhadas pelo governo. A massa também ignorou os pedidos para cercar o terreno, desfazer as ruas internas e reconstruir o passeio público. Em razão do descumprimento, recebeu 14 multas, sete delas por reincidências que juntas somam R$ 28 milhões. Em todas elas, a Selecta solicitou prazo de recurso, mas não cumpriu as determinações.

A multa mais alta é a que cobra a higiene e limpeza do terreno, R$ 27,5 milhões. Isso porque a cobrança é feita com base no tamanho do terreno é cobrado um valor de R$ 6,65 por cada metro quadrado de área. Para o governo, o local se transformou em um problema para a vizinhança local por oferecer riscos de proliferação do mosquito transmissor da dengue e de animais peçonhentos.

Outro problema é o uso do espaço por usuários de crack que costumam se reunir no local para o uso de drogas em plena luz do dia. “É um descaso com São José e com os moradores do entorno desse terreno. O excesso de entulho pode causar doenças e atrair animais peçonhentos”, disse a secretária de Defesa do Cidadão, Marina de Oliveira.

Segundo Marina, são constantes das rondas da guarda municipais e de fiscais no local. “Eu espero que a massa falida tome uma providencia, principalmente para cercar e limpar aquela área, porque todas as multas que podíamos aplicar eu já apliquei”, disse.

Marina pretende contratar uma empresa para fazer a limpeza em um trecho do terreno, onde o problema é mais grave. Ela aguarda respaldo jurídico para fazer a limpeza em área particular. “Tem um trecho muito afetado onde os usuários de drogas se concentram. Estamos monitorando a área e iremos limpar uma parte e o jurídico irá remeter a conta para a empresa”, disse Marina.

Será a segunda ação da prefeitura no terreno. O alto risco do local, levou equipes do Centro de Controle de Zoonoses no final de fevereiro a realizar vistorias no local. Em um mutirão, agentes recolheram mais de oito toneladas de entulhos considerados potenciais criadouros do mosquito entre os escombros do Pinheirinho. A época o governo alegou que a ação foi necessária para eliminar possíveis criadouros da dengue.

A área também foi incluída entre os pontos estratégicos de risco para o controle do mosquito. São realizadas vistorias semanais. Todos os processos de multa ainda estão em andamento, alguns deles com recursos da Selecta sendo julgados pela Junta de Recursos Municipal. Até o momento, nenhuma das multas foi paga. Nenhum representante da Selecta foi encontrado ontem para comentar o assunto.

O Vale

Aluguel social para família do Pinheirinho é prorrogado

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) renovou o convênio com a Prefeitura de São José dos Campos para liberar mais seis meses de aluguel social aos ex-moradores do Pinheirinho. Ao todo, 1.750 famílias estão recebendo um benefício de R$ 500 por mês desde fevereiro. Cada uma delas também recebeu uma parcela única no valor de R$ 1.000 a título de auxílio-mudança.

O novo convênio, no valor de R$ 3,9 milhões, se limita ao pagamento do aluguel social por mais seis meses. O governo Geraldo Alckmin irá desembolsar a maior parte dos recursos previstos R$ 3,120 milhões, enquanto a prefeitura entrará com R$ 780 mil. A prorrogação dos benefícios foi publicada ontem no Diário Oficial do Estado.

O secretário de Desenvolvimento Social de São José, João Francisco Sawaya de Lima, o Kiko, confirmou a renovação do convênio. Segundo a administração municipal, serão atendidos os 1.750 moradores já cadastrados. O auxílio contempla todas as famílias sem-teto que possuem renda mensal inferior a três salários mínimos (R$ 1.866) e que não invadiram outras áreas.

As famílias sem-teto foram retiradas do Pinheirinho em 22 de janeiro, por determinação da Justiça. A inclusão delas no aluguel social foi anunciada pelo governador Geraldo Alckmin dois dias após a reintegração de posse. Na época, a repercussão negativa da operação, que envolveu 2.040 policiais militares na expulsão das famílias, levou o governo do Estado a construir, em parceria com o município, uma proposta para os sem-teto que amenizasse as críticas da opinião pública.

Alckmin também prometeu a construção de 5.000 moradias em São José em parceria com o governo federal até o final de 2014. De acordo com a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), o Estado já autorizou o início das obras de 1.317 moradias no Altos de Santana e no Putim. O governo irá investir R$ 102 milhões na construção desses conjuntos.

Segundo o coordenador regional da CDHU, Francisco de Assis Vieira Filho, o Chesco, serão cerca de 700 unidades no Altos de Santana, na zona norte, outras 400 no Putim e as restantes no São Judas Tadeu, na região sudeste.

As obras devem ser concluídas em até 18 meses, prazo em que o governo do Estado pretende manter o auxilio aluguel aos sem teto. “É compromisso do governador pagar o aluguel social às famílias do Pinheirinho até a entrega dessas moradias, que também irão atender a fila de espera da prefeitura”, afirmou Chesco.

Pelo projeto, as 1.317 moradias serão construídas por meio de prédios de até quatro andares. Cada unidade terá dois dormitórios. Segundo Chesco, outras 3.500 unidades serão construídas pelo Estado em parceria com o Governo Federal, por meio do Minha Casa, Minha Vida.

O Vale