Rodovia dos Tamoios será rodovia modelo

Após prometer por 16 anos duplicar a Tamoios (SP-99), o Estado agora informa que vai transformar a rodovia em uma das mais ‘modernas do país’. É o que afirma o presidente da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário), Laurence Casagrande Lourenço, em entrevista concedida a O VALE.

Segundo ele, serão implementados na rodovia recursos novos de segurança como sinalização anti-ofuscante que evita que o farol do veículo sentido contrário prejudique o motorista.

Lourenço afirmou ainda que está prevista a construção de passarelas e barreiras de concreto nas margens do acostamento para evitar que os carros invadam a pista usada pelos pedestres. O motorista vai precisar de paciência porque as obras que devem durar cerca de 20 meses, até novembro de 2013, vão gerar impactos no tráfego da rodovia como interdições parciais em alguns trechos e mudanças de acessos.

Estimada em R$ 1,05 bilhão, a obra está em fase de licitação para contratação da empresa que executará o serviço 15 empresas entre as maiores construtoras do país estão na concorrência. A nova rodovia será construída ao lado da atual.

O Vale

Em 2012 São José ganhará 2 novos calçadões

O centro de São José dos Campos vai ganhar em 2012 novos calçadões, com o fechamento das ruas laterais do Mercado Municipal. O plano é transformar a travessa Chico Luiz, onde está localizada a Igreja Nossa Senhora Aparecida, e a continuidade da rua Sete de Setembro, em vias para pedestres.

O projeto, elaborado pelo Ipplan (Instituto de Pesquisa, Administração e Planejamento), está em fase de orçamento de custos na prefeitura. A proposta integra o plano de revitalização do centro antigo de São José, denominado “Centro Vivo”.

Arrojado, o plano prevê a recuperação das fachadas dos imóveis comerciais pelos proprietários, floreiras, bancos e nova sinalização visual. Também está previsto um sistema de iluminação especial, subterrânea, para eliminar a fiação aérea hoje existente nas duas vias.

“A intenção do projeto é mostrar para a comunidade como pode ser todo o centro de São José”, afirmou a diretora do Ipplan, Cynthia Gonçalo. Segundo ela, a recuperação das duas ruas irá valorizar todo o entorno do mercadão, que também passará por reformas.

As duas pequenas ruas possuem 88 metros de extensão cada. A continuação da rua Sete de Setembro, por exemplo, já vira um calçadão em dezembro. O trecho é fechada ao trânsito no período que antecede o Natal para facilitar as compras de final de ano pela população.

Depois que o orçamento do projeto ficar pronto, o Ipplan pretende promover reuniões com os comerciantes locais e também do mercadão para expor o projeto e conquistar a adesão dos empresários ao projeto. Cynthia explicou que na travessa Chico Luiz será reservado um espaço até a primeira entrada do mercadão para serviços de carga e descarga de mercadorias e recolhimento do lixo. “Não haverá prejuízos para os comerciantes”, garantiu a diretora do Ipplan.

Comerciantes consultados pelo O VALE disseram que aprovam a iniciativa. “Acho uma ideia boa, pois irá facilitar o acesso para pedestres. Os clientes podem ficar mais tranquilos”, afirmou Jonatas Fernandes, gerente da Eletrogames.

“Se o projeto transformar a Chico Luiz em um boulevard, acho excelente ideia”, disseo lojista Décio Gatti, da Itapoã Embalagens. Já para Roberto Pereira, da Casa do Fazendeiro, o plano é bom, desde que não deixem camelôs se instalarem no local. “Acho que pode valorizar a área”, declarou o lojista.

Na avaliação do Ipplan, os calçadões podem atrair novos empreendimentos, além de valorizar a Igreja Nossa Senhora Aparecida, transforma em Museu Sacro. “Podemos pensar em novas atividades para o museu”, afirmou Cynthia.

O Vale

Escolas receberam R$ 6 milhões para obras e melhorias

Novo mapa da Secretaria de Estado da Educação coloca 71 escolas públicas da região entre as piores do Estado. Ao todo, 1.206 unidades em todo Estado estão com o ensino oferecido em ‘xeque’. O número de escolas consideradas críticas na região representa 20% das unidades estaduais do Vale (400 escolas), que juntas atendem cerca de 230 mil adolescentes.

As unidades vão receber uma intervenção especial em 2012, que prevê o monitoramento permanente, a capacitação dos professores e obras de melhoria. Do grupo de escolas consideradas ‘prioritárias’ no Vale, 20 vão receber no ano que vem cerca de R$ 6 milhões para obras de reforma e melhorias da infraestrutura.

A classificação das piores unidades levou em consideração a vulnerabilidade tanto no aspecto socioeconômico como nos de infraestrutura e de aprendizagem, entre eles o desempenho no Saresp 2010. Saresp é avaliação do próprio Estado sobre a rede de ensino.

A ofensiva do Estado na melhoria das unidades prevê ainda a implantação do programa Residência Educacional, que é uma nova modalidade de estágio para universitários que tem como objetivo colaborar com o aprendizado das escolas.

A busca pela melhora na qualidade da educação na rede prevê ainda ampliar para tempo integral a grade curricular de 16 escolas no Estado. Desse grupo, duas estão no Vale a Vila Albertina, em Campos do Jordão, e a Ryote Yassuda, em Pindamonhangaba.

A Secretaria de Estado da Educação informou que para 2013 está prevista a implantação do ensino integral em mais 100 unidades e em 2014, em outras 184. Em nota oficial, o secretário Herman Voorwald, afirmou que a participação da população é fundamental na melhoria do ensino público.

“Em todos os países em que o ensino teve grandes avanços, foi essencial o envolvimento de toda a sociedade, com famílias acompanhando o desempenho de seus filhos.” As escolas ‘prioritárias’ não tiveram os nomes divulgados ontem pelo Estado para não expor os alunos que estão em fase final de provas.

O Vale

Prefeitura da cidade inicia obras de Pavimentação

A Prefeitura de São José dos Campos iniciou as obras de pavimentação no bairro Jardim Mesquita, região sul da cidade. Com a chegada do asfalto os moradores terão mais tranqüilidade e segurança para circular pelas ruas.

Nesta primeira etapa, serão realizadas obras de drenagem e estabilização de solo, para em seguida começar a pavimentação. Ao todo, serão 686 metros de asfalto. A empresa responsável pela execução dos trabalhos é a Urbam. O prazo para conclusão das obras é de quatro meses. O valor da pavimentação é de R$ 456.381,50.

O bairro Jardim Mesquita foi regularizado pela Prefeitura, junto ao Cartório de Registro de Imóveis, em agosto deste ano. Com isso, os 97 lotes terão a devida inscrição imobiliária no município e matrícula em cartório.

Prefeitura Municipal

Mudanças previstas para novas licitações e frotas de ônibus

A criação da Região Metropolitana do Vale do Paraíba, prevista para ocorrer ainda este mês, vai gerar mudanças imediatas no sistema de transporte intermunicipal da região, que é utilizado diariamente por cerca de 500 mil usuários.

Além da abertura de novas licitações, renovação da frota e construção de corredores exclusivos, está prevista realização de uma pesquisa de origem e destino para coletar dados e informações sobre os deslocamentos dos moradores da RMVale.

A remodelação do sistema será feita pela EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos). “Teremos um planejamento de rede voltado às adequações de oferta de viagens e à demanda existente, racionalizações e integrações físicas e tarifárias entre linhas que objetivam melhoria na acessibilidade e mobilidade do usuário do transporte metropolitano”, disse o diretor de gestão operacional da EMTU, Evandro Losacco.

O primeiro passo será a realização de uma pesquisa origem e destino para identificar as principais viagens diárias das pessoas, o motivo das mesmas e o modo de transporte utilizado. Para Losacco, será um instrumento vital para o planejamento de transporte.

“A pesquisa nos fornecerá dados para conhecer os deslocamentos da população dentro de um aglomeração, incluindo sua a situação socioeconômica.”

Segundo Losacco, da interação dessas informações será definido o novo padrão de viagens da RMVale. Será definido pela distribuição dos deslocamentos segundo as origens, os destinos, os modos de transporte utilizados, os motivos e os horários da realização.

“Essas viagens, quando mapeadas, produzem uma fotografia dos fluxos nas cidades. A comparação desses fluxos com a rede de linhas de transporte e a rede de vias existentes permite identificar as carências no atendimento da demanda de transporte e, portanto, fundamentar as propostas para a ampliação.”

A população do Vale poderá participar desse debate por meio de audiências públicas. O novo modelo de gestão do sistema de transporte coletivo passará a obedecer ao mesmo padrão já adotado nas regiões metropolitanas de São Paulo, Baixada Santista e Campinas.

Entre as mudanças previstas estão a bilhetagem eletrônica, padronização visual dos ônibus e o monitoramento da frota através do GPS, que irá permitir o acompanhamento em tempo real da operação para eventuais ajustes de tabelas de horários e itinerários. Losacco afirmou ainda que ações de planejamento macro, como a construção de corredores, terminais e polos metropolitanos, dependem de análises detalhadas, execução de projetos de viabilidade e dotação orçamentária.

Transição. A EMTU já se prepara para a transição de gestão do sistema que hoje é feita pela Artesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo). De acordo com a empresa, um estudo sobre a atual rede de transporte coletivo já foi iniciado.

Durante o processo de transição, todo o atual sistema, suas linhas e respectivos operadores serão incorporados para que não haja descontinuidade na prestação do serviço. Para o professor da área de transportes da Unicamp, Carlos Guimarães, a metropolização é benéfica aos usuários e pode levar um período de até dois anos para se consolidar.

O Vale

R$ 84 Milhões, custo da desapropriação de Pinheirinho

A desapropriação da área que abriga o acampamento sem-teto do Pinheirinho, na zona sul de São José dos Campos, pode custar pelo menos R$ 84 milhões. Segundo a Justiça, esse é o valor venal da gleba cifra usada pela prefeitura como base para o cálculo do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).

Laudos encomendados pela massa falida da empresa Selecta S/A, proprietária da área, apontam valores ainda maiores, entre R$ 130 milhões e R$ 180 milhões. Localizado no Residencial União, o terreno do Pinheirinho tem cerca de 1,3 milhão de metros quadrados. O local abriga hoje 1.577 famílias sem-teto.

A desapropriação da área seria o primeiro passo para a transformação do acampamento em um bairro regularizado, principal reivindicação dos invasores. A Prefeitura de São José já informou que não planeja adquirir a gleba. Lideranças da ocupação ainda tentam garantir recursos do governo do Estado e da União para viabilizar o projeto.

Em julho, a Justiça de São José concedeu liminar determinando a desocupação do Pinheirinho. A ordem de reintegração de posse pode ser cumprida a qualquer momento, segundo o Judiciário. Segundo a juíza da 6ª Vara Cível, Márcia Faria Mathey Loureiro, que concedeu a liminar em favor da Selecta, os dois laudos de avaliação da área foram apresentados pela massa falida.

“Não são laudos de peritos judiciais, mas de empresas idôneas”, disse. A juíza disse que os prazos para uma negociação envolvendo uma possível compra da área se esgotaram com a decisão judicial.

“A negociação efetiva não aconteceu e nunca foi fechada uma proposta para a compra da área.” Ontem, a Prefeitura de São José recebeu lideranças do movimento sem-teto e voltou a descartar qualquer ajuda financeira para a regularização da gleba.

As lideranças do Pinheirinho, porém, ainda confiam n o apoio do governo federal para garantir os recursos necessários à aquisição do terreno. “Eu acho que não é o momento de discutir valores, mesmo porque eles não estão nos autos do processo de reintegração de posse e só terão validade se feitos por um perito judicial”, disse o advogado dos sem-teto, Antonio Donizete Ferreira, o Toninho.

A dívida de IPTU da gleba chegaria a R$ 15 milhões. Segundo ele, os recursos para aquisição da área foram garantidos pelo Ministério da Cidade, mas sua liberação depende da elaboração do projeto urbanístico da ocupação. Inicialmente, o Governo do Estado chegou a anunciar que pretende realizar o projeto urbanístico, mas após a determinação da Justiça de reintegração de posse, tem evitado falar sobre o assunto.

Toninho afirmou ainda que atualmente, as famílias ocupam cerca de 60% da área, que também tem áreas de proteção ambiental.

O Vale

Patrulhamento e reforço nas ruas de São José

Menos papel e mais ação. A Polícia Militar no Vale passou por uma reengenharia em seu setor administrativo. A intenção: tirar os policiais das cadeiras para colocá-los no patrulhamento. O enxugamento do quadro administrativo garantiu 126 PMs a mais no policiamento ostensivo. Em São José, são 44 policiais.

O número de novos PMs equivale ao efetivo de uma cidade do porte de Caraguatatuba. As mudanças entraram em vigor no início da semana passada. Em tese, alguns setores em que o trabalho era dividido por batalhão passaram a ser centralizados no CPI (Comando de Policiamento do Interior).

A região sofre com a falta de efetivo. Em outubro, o comandante da PM no Estado veio a São José dos Campos e anunciou que o Vale receberia ‘mais policiais’ que outras regiões de uma formatura de 2.100 PMs.
15 dias depois, o governador Geraldo Alckmin veio a região e anunciou que o reforço seria de 35 policiais.

O policiamento no Vale do Paraíba e Litoral Norte é dividido em seis batalhões: Taubaté, Jacareí, Lorena, Caraguatatuba e São José, que tem dois batalhões. Cada batalhão tinha sete setores administrativos, que cuidavam da divisão de pessoal, atendimento à imprensa, eventos, controle de estatística e setor de inteligência, entre outras funções.

Após uma auditoria feita com representantes do ISO (a corporação possui o selo ISO 9001 pela qualidade no atendimento), foi constatado que era possível exercer algumas funções empenhando menos, desde que o trabalho fosse centralizado.

No atendimento à imprensa, por exemplo, eram 21 policiais três em cada batalhão, mais três no CPI-1, que coordena as ações da PM na região. Com a reestruturação, todas as demandas de imprensa são feitas a partir do CPI-1. Os 18 policiais dos outros seis batalhões, agora, atuam no reforço do policiamento.

“Antes, precisávamos que pessoas fizessem esse trabalho no local. Agora, com as ferramentas inteligentes, podemos administrar isso à distância. Podemos produzir a mesma informação de uma sede”, diz o major Acácio Geraldo Wendling César, chefe da administração interna da PM.

Outra vantagem apontada pela corporação na reengenharia é a liberdade para o estudo de segurança pública. Com as decisões administrativas tomadas em uma central. Os comandantes podem priorizar o estudo de dados e a melhor distribuição de policiais.

“A ordem é que os batalhões e companhias fiquem concentrados no atendimento à população e no estudo de estratégias de combate ao crime.”

As primeiras beneficiadas pela reestruturação da polícia, foram as chamadas cidades nanicas. “Nas cidades menores, havia menos policiais do que o mínimo para fazer um bom trabalho. Você estendia a carga de trabalho para suprir a falta de policiais. Agora, há um trabalho diuturno de qualidade.”

Segundo César, cada cidade da região, tem agora, pelo menos 11 policiais militares fazendo o atendimento à população. Conseguir reforçar o policiamento é uma briga antiga de autoridades de segurança pública do Vale.

O efetivo na região está perto dos 5.000 policiais militares. A corporação precisa de cerca de 4.000 policiais na região para atingir o parâmetro da ONU (Organização das Nações Unidas), que defende um policial para cada 250 habitantes.

Representantes de Taubaté e São José demonstraram frustração com o anúncio feito por Alckmin no dia 12 de outubro de que apenas 35 policiais viriam para a região. Uma nova formatura de PMs deve acontecer em dezembro a expectativa é de que o Vale tenha maior reforço.

SAIBA MAIS

Administração
A Polícia Militar enxugou o setor administrativo no Vale do Paraíba para aumentar o número de policiais em patrulhamento nas ruas

Reforço
A mudança colocou mais 126 PMs na rua com essa reestruturação; o efetivo extra é semelhante ao número de policiais de Caraguá

Setores
A PM possui seis batalhões no Vale do Paraíba. Cada batalhão tinha sete setores administrativos. Com a reengenharia, alguns setores foram excluídos e o trabalho será centralizado no CPI-1

Policiais
Em outubro, o comandante da PM no Estado anunciou que o Vale seria um dos maiores beneficiados de uma formatura de 2.100 policiais, mas apenas 35 PMs vieram

O Vale

Aeroporto de São José prepara ampliação e melhorias

Apontado como modelo de gestão a ser implantado em São José, o Aeroporto de Maringá (PR) completa 10 anos em 2011 administrado por uma empresa de economia mista e preparando projeto ambicioso de ampliação, que promete colocar o terminal na rota internacional dos voos de carga.

De janeiro a outubro desse ano, 551.236 passageiros foram transportados em Maringá, número 186% maior do que o movimento registrado no terminal de São José. A administração do aeroporto que atende o norte e nordeste do Paraná, sul do Mato Grosso do Sul e regiões de São Paulo, é feita pela SBMG S.A., empresa de economia mista criada especialmente para gerir o terminal.

Sua composição é formada por 99,96% de participação da prefeitura, 0,01% do prefeito em exercício, 0,01% de um representante da secretaria da fazenda, 0,01% de um representante da Câmara e 0,01% do superintendente do terminal em exercício.

Segundo o superintendente do aeroporto, Marcos Valêncio, o modelo de gestão dá agilidade às melhorias do terminal e garante o funcionamento do local mesmo com a troca de prefeito. “Houve uma profissio-nalização das pessoas que trabalham no aeroporto. Com isso, atraímos empresas. Se o aeroporto fosse tratado como uma secretaria, ficaria engessado”, disse Valêncio.

Por ser vinculado à prefeitura, o modelo também impossibilita a geração de lucro. Todo excedente de renda é investido em melhorias no próprio terminal, que conta com sala de espera climatizada, hangar para aviação executiva e um aeroclube.

Somente esse ano, a receita bruta do terminal foi de R$ 5,3 milhões, contra R$ 4,5 milhões de despesas. “Somos um dos poucos aeroportos autossustentáveis do país. Só recebemos dinheiro da prefeitura ou do Estado para reformas maiores”, afirma o superintendente da unidade.

No final de setembro, Valêncio esteve em São José para falar do funcionamento do aeroporto paranaense a representantes da prefeitura.

Do encontro, surgiu a ideia de adaptar o modelo de Maringá no Vale do Paraíba. Pela proposta apresentada pelo secretário de Desenvolvimento Econômico da cidade, José de Mello Corrêa, em audiência pública com a presença de um representante da Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República, a Urbam (Urbanizadora Municipal) faria o papel exercido pela SBMG em Maringá.

“A Urbam tem, em seu estatuto, essa possibilidade de gerir o aeroporto”, disse Mello, referindo-se ao texto encontrado no capítulo 1 do estatuto, que diz que a empresa poderá “implantar, operar e explorar as estações terminais de uso público de passageiros”.

Para o presidente da ACI (Associação Comercial e Industrial) de São José, Felipe Cury, a municipalização seria ideal. “Temos o exemplo da OS (Organização Social) do Parque Tecnológico, que transformou esse polo industrial em um dos melhores do país”, afirmou Cury.

A decisão sobre a possibilidade de municipalização do aeroporto será anunciada no início do próximo ano, quando a Secretaria de Aviação Civil da Presidência divulgará o Plano Geral de Outorgas, que prevê projeto de melhorias em todos os terminais aeroportuários do país

O Vale

Serviços de melhorias da cidade estão paralisados

Entre reformas e construções, pelos menos nove obras do governo de Eduardo Cury (PSDB) sofrem com paralisações ou atrasos em São José. Juntas, elas somam mais de R$ 130 milhões em investimentos públicos. A gestão de obras é um dos principais gargalos do atual governo tucano. No começo do ano passado, por exemplo, eram pelo menos 20 obras que enfrentavam atrasos, todas com custos superiores a R$ 1 milhão.

Desde então, o governo passou a apostar num “choque de gestão”, termo criado a partir da troca de comando na Secretaria de Obras. À época, a engenheira civil Flávia Pitombo assumiu a pasta, prometendo implantar mecanismos de qualidade do setor privado para acabar com problemas na execução de obras públicas.

Entretanto, mesmo em obras novas e estratégicas do governo, como a construção do novo Centro de Referência da Juventude, obra avaliada em R$ 14,1 milhões em construção desde junho na zona sul da cidade, atrasos já são acumulados.

Nos três primeiros meses de serviço, conforme cronograma enviado pela empresa responsável pelo Centro, a Tecsul Engenharia, apenas 27% do previsto foi efetuado. Ou seja, em três meses de obra já se acumula atraso de mais de 70%. O governo promete entregar a obra até junho de 2012.

“Isto mostra falta de fiscalização e projetos executivos ruins. A partir desses atrasos, vamos ver lá na frente aditamentos de valores e abandonos. Estamos falando de dinheiro público” afirmou o vereador oposicionista Wagner Balieiro (PT). Assim como o Centro de Juventude, outra obra nova do governo que já enfrenta atrasos é a Arena Municipal de Esportes, uma das vitrines do governo Cury que está sendo construída na zona oeste da cidade.

Iniciada em agosto último, apenas 4,9% do cronograma previsto da obra até agora foi cumprido. O cálculo é feito com base no Portal da Transparência do governo municipal. Até o começo deste mês, a prefeitura pagou à Recoma, empresa responsável pela obra, R$ 303,3 mil, enquanto a previsão era que a Recoma já tivesse executado R$ 6,1 milhões do total dos serviços.

O governo tucano promete entregar a arena até agosto do ano que vem. Além das duas obras, outras promessas de campanhas de Cury, com valores acima dos R$ 20 milhões, também apresentam problemas.

O caso mais emblemático é o do novo Teatro Municipal, na zona norte, obra de R$ 22,9 milhões iniciada em 2007 e que está abandonada desde maio de 2008. O teatro começou a ser construído com suas fundações invertidas e o erro é alvo de processo judicial.

Na lista das obras mais caras também aparece o novo Fórum (R$ 27,3 milhões), na zona oeste de São José, que depois de quatro promessas de entrega e seis anos de obra foi programado para ser inaugurado no começo deste mês, mas até agora as obras não foram concluídas.

Também prometido para o começo deste mês, o Cefe (Centro de Formação Educacional), na zona norte, não foi entregue. A um custo de R$ 25,7 milhões, o Cefe fora prometido para maio deste ano, prazo posteriormente estendido para 5 de novembro, prazo que não foi cumprido.

Completam a lista a ampliação do Hospital de Clínicas Norte (R$ 3,9 milhões), com mais de dois anos de atraso, a construção de um ginásio Poliesportivo na zona leste, obra que começou e deveria ter sido entregue em 2008, e reformas em uma escola e em um posto de saúde.

AS OBRAS COM PROBLEMAS

Arena de Esportes
Valor: R$ 33,3 milhões
Situação: em obra

Fórum
Valor: R$ 27,3 milhões
Situação: em obra

CeFe
Valor: R$ 25,7 milhões
Situação: em obra

Novo Teatro
Valor: R$ 22,9 milhões
Situação: obra paralisada

Centro da Juventude
Valor: R$ 14,1 milhões
Situação: em obra

Hospital Clínicas Norte
Valor: R$ 3,9 milhões
Situação: em obra

Poliesportivo de Eugênio de Melo
Valor: R$ 1,8 milhão
Situação: em obra

E.E. Juvenal Machado
Valor: R$ 1,4 milhão
Situação: em obra

UBS Interlagos
Valor: R$ 310,8 mil
Situação: em obra

O Vale

Aeroporto deverá ser incluso no plano para a Copa em 2014

A Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República define até o início do próximo ano qual será o destino do aeroporto de São José dos Campos. A pasta tem R$ 7,5 bilhões para investir na infraestrutura aeroportuária brasileira até 2014, a fim de melhorar o transporte até a Copa.

Um grupo em São José se mobiliza para convencer o governo a aplicar parte deste investimento na ampliação ou na construção de um novo terminal na cidade. Audiência pública no próximo dia 18 vai ajudar a definir as diretrizes do projeto. O encontro estava agendado para esta sexta-feira, mas foi adiado por motivo de agenda das autoridades.

A intenção da audiência é reunir lideranças políticas e entidades ligadas ao setor aeronáutico para convencer a Secretaria de Aviação Civil sobre a necessidade de melhorias no terminal.

“Esta é a oportunidade de falarmos com a secretaria. Esperamos que isso seja levado em conta quando haja uma decisão sobre o projeto”, afirmou o deputado federal Carlinhos Almeida (PT), principal interlocutor da região junto ao governo de Dilma Roussef (PT).

A expectativa é que, durante o encontro, um pré-projeto de ampliação do terminal, elaborado pelo Comando da Aeronáutica em dezembro de 2010, seja apresentado à secretaria.

O documento, assinado pelo chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, Cleonilson Nicácio Silva, prevê, entre outras melhorias, a construção de uma pista semelhante à já existente, a implantação de um distrito industrial, um novo terminal, novas vagas de estacionamento e um centro de convenções com acesso pela rodovia dos Tamoios.

“É um bom momento para apresenta-lo, assim como outras ideias”, disse Carlinhos.

Além da presença da sociedade civil, serão convidados para a reunião representantes da prefeitura, da Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária), da Embraer, do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), além de lideranças políticas e empresários de São José.

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, José de Mello Corrêa, disse que o Poder Público ainda não foi convidado para o evento, mas deverá comparecer. Ele afirmou que a prefeitura tem cobrado melhorias.

“Continuaremos cobrando a Infraero sobre investimentos que deveriam ter sido feitos no aeroporto e que até agora não aconteceram. Faz cinco anos que só ouvimos falar de projetos e mais projetos, mas nada sai do papel”, disse.

ENTENDA O CASO

Impasse
Reunião no dia 18 com Secretaria de Aviação Civil em São José dos Campos pode ajudar a definir projeto de ampliação do terminal da cidade

Investimento
Até 2014, Secretaria de Aviação Civil deve destinar R$ 7,5 bilhões a projetos de ampliação em aeroportos; intenção é melhorar a estrutura até o início da Copa do Mundo

Estudo
Atualmente, 66 aeroportos do país são administrados pela Infraero; Secretaria de Aviação estuda quais possuem maior potencial para receber investimentos

Decisão
Secretaria deve anunciar no início do próximo ano o plano diretor dos terminais que receberão investimentos

Alternativas
Solução a curto prazo seria instalação de um MOP para aumentar estrutura do atual terminal; alternativa é a construção de um novo complexo com acesso pela Rodovia dos Tamoios

Infraero tem dois projetos em estudo
A Infraero tem dois projetos de ampliação do terminal de São José para avaliar. O primeiro é a construção de um novo terminal com acesso pela Rodovia dos Tamoios, ainda indefinido. Outra alternativa seria a implantação de um MOP (Módulo Operacional de Passageiros), uma espécie de contêiner com estrutura preparada para abrigar número maior de pessoas.

Terminal atinge recorde movimento
De acordo com a Infraero, a capacidade anual do terminal de São José é de 90 mil passageiros. No entanto, de janeiro a setembro deste ano, 169.707 pessoas utilizaram o aeroporto, mais do que o dobro do total registrado nos doze meses de 2010. As companhias aéreas que operam na cidade reclamam da falta de infraestrutura aeroportuária para ampliar sua operação no terminal.

O Vale