Com a recuperação do Mercado, Embraer amplia entregas

A Embraer, de São José dos Campos, registrou aumento de 21% no número de aeronaves entregues no primeiro trimestre do ano, ante o mesmo período de 2011. Foram 34 aviões entregues este ano contra 28 no primeiro trimestre do ano passado.

O maior crescimento foi no setor executivo. Foram 13 jatos entregues em 2012 contra oito no primeiro trimestre de 2011. O balanço divulgado ontem pela empresa mostra que as entregas de E-Jets, segmento comercial da Embraer e principal fonte de receita da companhia, se mantiveram estáveis. Foram 21 aeronaves entregues no primeiro trimestre de 2012 ante 20 de 2011.

Para o economista da Unicamp, especializado no mercado aeronáutico, Marcos Barbieri, o resultado ainda não indica a recuperação plena do setor, o que mais foi afetado pela recessão da economia mundial. “Em um trimestre, ainda é pouco para falar que há recuperação. Não que o resultado não signifique isso, mas é difícil afirmar com base em apenas um trimestre. É preciso mais alguns meses para ter uma ideia melhor. O segmento executivo é sempre o primeiro que é afetado e o primeiro que se recupera de uma crise” afirmou Barbieri.

Das 13 aeronaves do segmento executivo entregues no último trimestre, 12 foram jatos pequenos (da família Phenom 100/300) e um grande, da família Legacy 600/650. Entre os pequenos, o destaque foi a entrega da aeronave adaptada para serviços médicos, que foi o 300º jato da família Phenom e 100º jato executivo entregue para o mercado brasileiro.

No período, a Embraer anunciou a venda de três jatos Lineage 1000, maior aeronave do portfólio executivo da Embraer, avaliada em cerca de US$ 50,4 milhões (R$ 92 milhões), para a empresa chinesa de leasing Minsheng. No segmento comercial, das 21 aeronaves entregues, foram dois E-175, 13 E-190 e seis E-195. Com isso, a família E-Jets chegou a 1.063 unidades, com encomendas de 60 companhias em 42 países.

Nos primeiros três meses do ano, a Embraer anunciou a venda de 10 E-195 para a companhia aérea brasileira Azul, um E-190 para a BA CityFlyer (subsidiária da British Airways) e um E-170 para a JAL, do Japão. Em 31 de março, a lista da Embraer de pedidos firmes para entregar era formada por 240 aeronaves e seu backlog (carteira de pedido) era de US$ 14,7 bilhões. No primeiro trimestre de 2011, o backlog da empresa era de US$ 16 bilhões.

Com o resultado do trimestre, a Embraer manteve sua previsão inicial de entrega para 2012, de 105 a 110 jatos comerciais, de 75 a 85 jatos executivos leves e 15 a 20 jatos executivos grandes, atingindo uma receita líquida entre US$ 5,8 e US$ 6,2 bilhões.

O Vale

Jato executivo é novo lançamento no mercado da Embraer

Após registrar queda de 31% na entrega de jatos executivos em 2011, a Embraer prepara a expansão do seu portfólio no segmento atrás da recuperação de mercado. Dois novos modelos chegarão ao mercado a partir do final de 2013. Tratam-se dos jatos Legacy 500 e 450, que ocuparão um espaço intermediário entre a já existente família Legacy, de modelos grandes, e a linha Phenom, de aeronaves leves.

O diretor de marketing e vendas da Aviação Executiva da Embraer para América Latina, Breno Corrêa, afirma que os novos modelos têm como diferencial o aumento da autonomia de voo em relação à família Phenom, que possui praticamente o mesmo número de passageiros que os aviões a serem lançados, entre 6 e 10 pessoas. “O que muda é a distância que precisa ser voada, a autonomia”, disse Corrêa, que explica que o crescimento do mercado de aviação civil pede a atualização do portfólio da empresa.

“Há uma tendência das empresas de expandirem seus negócios e, com isso, acaba-se tendo necessidade de jatos maiores, com mais autonomia”, afirma Corrêa. Enquanto o Phenom 100 tem 1.178 milhas náuticas de autonomia e o Phenom 300, 1.971, as novas aeronaves terão 2.300 milhas náuticas (no caso do Legacy 450) e 3.000 (Legacy 500).

O jato executivo com maior autonomia da Embraer é o Lineage 1000, com 4.500 milhas náuticas. A expectativa da Embraer é que o Legacy 500 faça seu primeiro voo teste no terceiro trimestre deste ano. Sua certificação deve ficar pronta até o final de 2013 e suas entregas começarem no final de 2013 ou início de 2014. Já o Legacy 450 passará pelo mesmo processo com um ano de defasagem.

Num primeiro momento, a Embraer estima que a venda dos novos modelos deva ficar entre a família Phenom, líder de vendas do segmento, e os modelos Legacy 600/650. Em 2011, a Embraer entregou 99 jatos executivos, segmento responsável por 19% da receita da empresa.

Os campeões de venda são os Phenom 100 e 300, que representaram 83% do total das aeronaves entregues pela empresa no ano passado. Corrêa destaca que um indicador do fortalecimento do segmento executivo da empresa é que, do total de Phenom 100/300 vendidos pela Embraer, metade foi para clientes que não possuiam aeronaves.

“É interessante coletar o feedback dos clientes. Depois que ele começa a utilizar o avião, consegue visitar mais clientes, estar mais perto das operações da empresa e passar mais noites em casa. Não é luxo. No final do ano, a empresa tem retorno deste investimento. Se você visita mais clientes, pode fechar mais negócios e isto acaba pagando o avião”, afirma o executivo.

A Embraer iniciou sua atuação do segmento executivo em 2001, com o programa do Legacy 600, modelo que teve sua 100ª entrega em 2007. A família Phenom 100/300 foi lançada em 2005. Dois anos depois de sua entrada em operação, o Phenom 100 alcançou o posto de aeronave executiva mais entregue do mundo. Já o Lineage 1000, modelo mais sofisticado do segmento executivo da empresa, de US$ 50 milhões, fez seu primeiro voo em 2007.

O Vale

Embraer fecha contrato de U$18 milhões na cidade

A Embraer, de São José dos Campos, anunciou ontem a venda de 10 aeronaves Super Tucano para forças aéreas de países africanos. A operação comercial, que inclui pacote de suporte logístico, treinamento e peças de reposição, ultrapassa US$ 180 milhões (cerca de R$ 328 milhões).

São seis caças de ataque leve para Angola, três para Burkina Faso e pelo menos um para a Mauritânia. A Força Aérea de Burkina Faso, primeira a utilizar o Super Tucano na África, já recebeu as três aeronaves, que atuam em operações de vigilância de fronteira.

Já o departamento de defesa de Angola irá receber os primeiros três do total de seis caças ainda este ano. “O Super Tucano tem alto grau de eficiência com baixos custos de operação. Sua capacidade de atuar em missões de vigilância e de contra-insurgência o torna ideal para operações no continente africano”, disse Luiz Carlos Aguiar, presidente da Embraer Defesa e Segurança, em comunicado da empresa.

Segundo o executivo, alguns clientes deverão exercer suas opções de compra em breve. “(…) O avião tem despertado o interesse de diversos países da África.” Com as encomendas, o número de forças aéreas que selecionaram o Super Tucano na América Latina, África e Sudeste Asiático chega a nove, sendo que o avião já está em operando em seis delas.

As encomendas foram divulgadas durante a Fidae (feira internacional do ar e espaço), volta ao mercado aeronáutico, espacial e de defesa, realizada em Santiago, no Chile, desde a última terça-feira. Outras empresas da região, como a Avibras, também participam do evento que ocorre até domingo.

Já no setor comercial, a Embraer anunciou a venda de um E-190 para a BA CityFlyer, subsidiária da companhia inglesa British Airways, que opera voos regionais do aeroporto de London City para destinos em toda a Europa. A entrega está prevista para o terceiro trimestre de 2012. Com a nova aeronave, sobe para 14 o número de E-Jets operados pela British Airways.

O E-190 da BA CityFlyer será configurado com 98 assentos em classe única, com distância de 84 centímetros entre as poltronas. “O E-190 é um avião incrivelmente eficiente em termos de consumo de combustível. Ele atende nossos objetivos ambientais e também proporciona mais espaço para que possamos oferecer uma generosa franquia de bagagem de 23 kg para cada cliente”, disse em nota o diretor-geral da BA CityFlyer, Peter Simpson.

O Vale

Embraer planeja novo projeto que irá beneficiar empresas

Em oito anos, a Embraer, de São José, pretende elevar a participação do seu segmento de Defesa e Segurança na receita da empresa dos atuais 15% para até 25% com o desenvolvimento de novos projetos, entre eles, o cargueiro KC-390, o satélite geoestacionário e o F-X2. Cerca de 120 empresas da região, potenciais fornecedores desses projetos da Embraer, estão de olho nesse crescimento, aponta o Cecompi (Centro para a Competitividade e Inovação do Cone Leste Paulista).

“Até então, tínhamos um produto: os aviões da Embraer. Isso (novos projetos) aumenta a expectativa das empresas da cadeia produtiva. Fazia muito tempo que não havia ao mesmo tempo tanto produto”, afirmou o secretário-executivo do Cecompi, Agliberto Chagas.

O KC-390, cargueiro militar que vem sendo desenvolvido pela Embraer, corresponde à maior parte da carteira de pedidos do segmento de Defesa e Segurança da empresa para 2012. Do total estimado de US$ 3,4 bilhões da carteira, US$ 2 bilhões são referentes ao cargueiro.

Para este ano, a expectativa é que haja a definição do preço do KC-390, o que deve dinamizar o processo de encomendas pelo produto. A reta final do desenvolvimento do cargueiro anima a cadeia de fornecedores do setor aeronáutico. Sem contar os motores, cuja fabricação inexiste no Brasil, o índice de nacionalização do cargueiro é de 80%.

“Você tem um portfólio na área de defesa em que estão previstos R$ 100 bilhões de investimento com a modernização das três Forças (Militares). A Embraer é uma das principais players desse setor, com condições de abocanhar boa parte desse montante. Se isso acontecer, seus fornecedores também irão se beneficiar”, disse Chagas.

Os primeiros testes em voo do KC-390 estão previstos para 2014 e o início das entregas para 2016. Até agora, o cargueiro possui 60 intenções de compras de governos estrangeiros. Outro projeto em que a Embraer aposta é o satélite geoestacionário, desenvolvido em parceria com a Telebras, que deve gerar negócios na ordem de R$ 700 milhões.

A criação da joint-venture entre as duas empresas passa por processo final de avaliação pelo conselho da Embraer e uma definição pode ser anunciada nas próximas semanas. Pelo memorando de entendimento assinado no final do ano passado, a empresa de São José teria 51% de participação na joint-venture, contra 49% da Telebras.

O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) participará do projeto fornecendo as especificações do satélite. A sede da joint-venture será no Parque Tecnológico. A carteira de pedidos da Embraer e Segurança para este ano ainda conta com US$ 1,1 bilhão destinado a programas de modernização de equipamentos da Força Aérea Brasileira e da Marinha.

O Vale

Aviação comercial prevê aumento de 5% na industria

Após ‘amargar’ queda em seus lucros em 2011, a Embraer, de São José, aposta na melhoria da economia de países afetados pela crise, principalmente Estados Unidos e parte da Europa, para se recuperar neste ano. Estimativa da empresa é que o mercado cresça em média 5,2%. De olho nisso, a Embraer planeja aumentar a atuação no segmento de aviação comercial, seu maior gerador de receita.

Apesar de sofrer os efeitos da recessão na economia mundial, a aviação comercial aumentou em 2011 sua participação na receita da empresa, de 61% para 64%. O cenário estaria apresentando “os primeiros sinais positivos”, como afirmou ontem o vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores da Embraer, Paulo Penido.

O executivo participou de teleconferência com jornalistas para falar do balanço financeiro da empresa, divulgado anteontem. O documento mostra que a fabricante registrou queda de 73% no lucro líquido de 2011 ante o ano anterior.

“Estamos cautelosamente otimistas. Observamos os primeiro sinais positivos (nos países afetados pela crise). Na Europa, a situação não está piorando mais”, disse Penido. O executivo afirmou que a recuperação da economia desses países é fundamental para a retomada dos negócios da Embraer, beneficiada com um processo de renovação da frota das companhias aéreas.

“(O mercado de) aviação está relacionado com o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do país. Todos sabemos da necessidade de renovação da frota e isso tem gerado demanda por aeronaves.” No segmento de jatos de 60 a 120 assentos, a Embraer é líder, com 45% de participação. Na China, um dos mercados que mais cresce no mundo, esse número chega a 70%.

No ano passado, a venda de E-Jets (família de aeronaves comerciais) cresceu 30% em relação a 2010. Em 2011, seis novos clientes iniciaram operação com os modelos. O campeão de vendas é o E-190, que registrou 68 entregas em 2011, ante 58 de 2010.

Queda. Já a aviação executiva amargou queda de 8% em suas entregas em relação a 2010. A companhia credita o resultado aos reflexos da crise, que atingem o segmento de forma mais forte que outros setores, além da concorrência com jatos usados com preços menores. Na teleconferência, Penido também abordou os feitos do setor de defesa, como o ‘amadurecimento’ do projeto do cargueiro KC-390 e a aquisição de empresas como a Atech e a Orbisat.

O Vale

Inscrições abertar para cursos para Deficientes na Embraer

A Embraer, em parceria com o Ciee (Centro de Integração Empresa-Escola), seleciona 100 portadores de necessidades especiais para um curso de aprendizagem.

Os interessados devem ter entre 17 e 35 anos e ter cursado ou estar cursando o ensino médio. Os selecionados receberão bolsa-auxílio no valor de R$ 581, além de assistência médica e vale-transporte.

As inscrições são feitas por meio do Ciee, no email [email protected]. O site da prefeitura (www.sjc.sp.gov.br) também possui link de inscrição no ‘Trabalho sem Barreiras’. O período de inscrição se encerra no dia 31.

Curso. O primeiro ano do curso será feito pelo Ciee, que distribuirá conteúdo voltado para diferentes áreas de atuação. O segundo ano da atividade será feito na sede da Embraer, em São José.

Segundo o diretor de sustentabilidade da Embraer, Carlos Camargo, os aprendizes serão inseridos na empresa de acordo com sua deficiência nos setores de produção e de administração. Outras informações podem ser obtidas no Ciee, pelo telefone (12) 3904-9900.

Prefeitura Municipal

Embraer tem redução de ganhos devido a crise e do Dólar

A Embraer, de São José dos Campos, registrou queda 73% no lucro líquido em 2011 na comparação com o ano anterior, aponta o balanço financeiro divulgado ontem à noite pela companhia.

A empresa obteve um lucro líquido de R$ 156,3 milhões no ano passado, ante os R$ 573,6 milhões de 2010. O balanço revela que a fabricante também entregou menos aviões em 2011. Foram despachadas 204 aeronaves contra 246 em 2010. A maior redução foi no segmento executivo.

Os dados mostram que a empresa registrou aumento da receita no período, mas também viu crescer suas despesas operacionais. A receita líquida do ano foi de R$ 9,8 bilhões, 5% maior que os R$ 9,3 bilhões do ano anterior. “Apesar do menor número de entregas nesse ano comparado ao ano passado, o mix de produtos foi mais favorável, com uma maior participação dos E-Jets em relação aos Phenom”, informa o balanço.

A Embraer aponta que a redução do lucro foi motivada por vários fatores. Entre eles, está a valorização do real frente ao dólar, que no período foi de 5% e impactou as despesas em moeda nacional. Em 2011, as despesas operacionais totalizaram R$ 1,697 bilhão, apresentando crescimento de 53% em relação ao R$ 1,112 bilhão registrado em 2010.

A empresa justifica o crescimento das despesas operacionais ao fato de a companhia ter feito provisões financeiras de R$ 465,3 milhões para cobrir eventuais perdas relativas às suas obrigações com garantias financeiras e de valor residual (RVG) oferecidas a agentes financiadores e clientes das aeronaves da família ERJ 145.

Ela relata no balanço que a AMR (American Airlines), que entrou em processo de concordata ao final de 2011, opera atualmente 216 jatos da família ERJ 145, por intermédio de sua subsidiária integral American Eagle, e sua decisão final de como gerenciará essa frota ainda está em curso.

“Para fazer frente a este cenário, a Embraer constituiu uma provisão de R$ 583,2 milhões”, informa o balanço. A Embraer relata ainda que há dificuldades com relação a uma frota de 36 aeronaves ERJ 145 que eram operadas pela Mesa AirGroup e que ainda não foram recomercializadas, sendo obrigada a fazer provisões financeiras de R$ 79,4 milhões para garantias financeiras e ajustes.

Outros principais indicadores financeiros da companhia registraram redução em 2011. O resultado operacional (Ebit) da empresa totalizou R$ 521,8 milhões em 2011, 24% menor que os R$ 685,6 milhões do ano anterior, gerando margem operacional de 5,3%, menor que os 7,3% de 2010. Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) atingiu R$ 923 milhões, 14% menor que os R$ 1,069 bilhão do ano anterior.

Em 2011, as exportações da fabricante totalizaram US$ 4,209 bilhões, colocando-a como a quinta maior exportadora brasileira, contribuindo com 1,64% para o saldo da balança comercial brasileira, informa o balanço.

O Vale

Crise não abala o indice de exportação na cidade

As cidades exportadoras do Vale do Paraíba começaram o ano com um volume de vendas ao exterior maior do que em 2011. No primeiro bimestre do ano, as exportações subiram 10% em São José dos Campos e 17% em Taubaté, em relação ao mesmo período do ano passado.

Os setores aeronáutico e automotivo foram os responsáveis pelo crescimento do montante vendido ao exterior, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior divulgados ontem.

Em São José, os principais destinos da exportação foram os Estados Unidos e a China, graças a negócios da Embraer. O valor vendido ao exterior nos dois primeiros meses do ano, US$ 528 milhões, surpreendeu a liderança empresarial da cidade.

“Estou surpreso. Como (a exportação) pode aumentar tanto se a indústria está devagar, com produção em baixa”, questionou o diretor regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de São José, Almir Fernandes.

Por outro lado, a Argentina, principal destino das exportações do município em 2011, registrou neste bimestre queda de 64% nas encomendas ao Brasil, resultado do embargo de autopeças promovido pela presidente argentina Cristina Kirchner no início de fevereiro.

“Por isso é que estão tentando mudar essa situação em São Paulo (sede do Ciesp). Enquanto não resolver esse problema, o negócio vai ficar desta maneira”, disse Fernandes. Em Taubaté, o montante exportado no primeiro bimestre do ano foi de US$ 202 milhões.

Segundo o diretor regional do Ciesp de Taubaté, Fábio Duarte, a indústria automobilística da cidade, representada por Ford e Volkswagen, tem conseguido se sobressair do momento de retração na atividade industrial por contratos já assinados.

“Tão logo novos contratos entrem em negociação é que teremos o maior impacto nas exportações. (Ford e Volks aumentaram as exportações) porque estão utilizando contratos anteriores à crise”, disse. Apesar de queda de 3% no volume exportado no bimestre em relação a 2011, a Argentina continua sendo o principal destino das vendas ao exterior de Taubaté, seguida de perto pelo México (veja quadro nesta página).

A crise na LG Electronics, por sua vez, foi sentida no balanço do MDIC. Na comparação entre o primeiro bimestre deste ano com o de 2011, o volume de produtos de telefonia móvel exportado caiu 97%.

Desde o início da queda na produção da fabricante com unidade em Taubaté, mais de 500 pessoas foram demitidas na LG. A crise também atingiu a cadeia produtiva da empresa, com mais de 700 cortes, segundo dados do Ciesp.

“A situação (da LG) deve melhorar um pouco em março. Temos informação de que há novos contratos e alguns trabalhadores estão fazendo hora extra. Por isso, alguns demitidos devem ser recontratados por já serem funcionários treinados”, disse Duarte.

O Vale

Setor aeroespacial negocia redução de Folha de Pagamento

A Embraer, de São José dos Campos, será beneficiada com medida a ser tomada pelo governo que visa desonerar a folha de pagamento dos funcionários de determinados setores da indústria. Ontem, o vice-presidente de Relações Institucionais da Embraer, Jackson Schneider, representando a Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil, se reuniu com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em Brasília, para tratar do assunto.

A intenção do governo é substituir a atual contribuição das empresas de 20% da folha de pagamento à Previdência Social por uma alíquota única vinculada à receita bruta da empresa. Inicialmente, essa taxa seria de 1% do faturamento, valor que pode ser redefinido após reunião de Mantega com os setores a serem beneficiados pela medida.

Além da indústria aeronáutica, a mudança parte do programa de fomento da indústria Brasil Maior é direcionada aos setores têxtil, naval, moveleiro, autopeças, bens de capital e plástico. Ontem, o ministro Mantega também se encontrou com representantes da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), da Abimovel (Associação Brasileira das Indústrias de Móveis) e do Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores).

Os benefícios a serem concedidos têm a finalidade de aumentar a competitividade da indústria brasileira e barrar o avanço dos importados, que estaria resultando em demissões em todo o país. Balanço divulgado essa semana pelo Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) mostra que nos últimos cinco meses a indústria de São José fechou 1.600 postos.

“Toda medida para desonerar a folha de pagamento ajuda o setor. O peso da folha de pagamento é muito grande. Um trabalhador que ganha R$ 1.000 custa R$ 2.300 para a empresa, somados os encargos. É muita coisa”, afirmou o diretor regional do Ciesp de São José, Almir Fernandes.

Para o delegado do Corecon (Conselho Regional de Economia) do Vale do Paraíba, Jair Capatti Junior, a deso-neração da folha representa um certo ‘fôlego’ para a indústria. Ele considera uma medida válida para todo o setor. “As empresas podem ter fluxo de caixa um pouco mais favorável, o que deve auxiliar no dia a dia. É preciso que se equalize (a desoneração) para todos os setores para que haja crescimento em toda a indústria”, disse Capatti.

Ainda não há previsão de quando o governo deva formalizar a medida. As negociações com outros setores beneficiados devem continuar na próxima semana.

O Vale

Aposta no Mercado Brasileiro, aponta alta nas vendas na Embraer

A Embraer espera dobrar a participação de seu segmento executivo na receita da empresa em 2012. A projeção da Embraer é de que em 2012 a aviação executiva represente 20% de sua receita global sendo que dados do terceiro trimestre de 2011 mostram que o segmento equivale atualmente a 9% da receita.

Para dinamizar suas vendas, a empresa aposta no mercado brasileiro, que irá demandar mais de 550 jatos executivos nos próximos 10 anos, com negócios gerados na ordem de US$ 8 bilhões. “Não temos uma meta específica de quanto deste mercado podemos ter, mas pelo nosso produto, ser líder no Brasil é um objetivo possível”, disse o diretor de marketing e vendas da Embraer para América Latina, Breno Corrêa.

A confiança do executivo é embasada no desempenho da empresa no setor. Dos 700 jatos executivos no Brasil, a Embraer fabricou 100, equivalente a 14%. No entanto, dos últimos 300 jatos vendidos no país, um terço foi da fabricante de São José. “O crescimento do mercado de aviões executivos no Brasil é um sinal positivo, de amadurecimento da economia do país”, avalia Corrêa. Dos 100 jatos no Brasil, 15 são de grande porte (Legacy) e 85 menores (Phenom).

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