Estudantes acompanham a rotina de Chefes na cidade

Onze estudantes do ensino médio de São José dos Campos conheceram ontem mais de perto um dia de trabalho de funcionários do alto escalão da Embraer e da Johnson & Johnson. Os estudantes participaram do programa Empresário Sombra Por Um Dia. O objetivo do programa é fazer com que os jovens tenham uma visão mais realista da profissão que desejam seguir no futuro.

A ideia é que os estudantes vivenciem e acompanhem um executivo ou empresário em seu local de trabalho, desde o começo da manhã até o final da tarde. Por isso o nome ‘sombra’. O intuito é que o jovem seja uma ‘sombra’ do executivo.

Dos 11 estudantes, 8 estiveram ontem na Embraer e 3 passaram o dia na Johnson e Johnson. O estudante do 3º ano do ensino médio Wellington Felipe Arauj acompanha pela segunda vez um funcionário. No ano passado, ele esteve na Johnson & Johnson e ontem participou das atividades na Embraer.

Ele garante que a experiência é importante para ele, mesmo não entendendo muitas coisas que são discutidas no ambiente de trabalho das empresa. “Está difícil entender um pouco, mas é bom para saber como o emprego funciona, se gosto e se é isso que quero seguir no futuro”,disse Wellington.

Depois de acompanhar a rotina do engenheiro Marcelo Fassina, que é gerente de suporte, prontidão e serviços ao cliente da Embraer, ele garantiu que vai prestar vestibular para estudar engenharia. O gerente Marcelo Fassina gostou da nova ‘sombra’ que ganhou por um dia. Foi a primeira vez que ele participou do projeto.

“É uma oportunidade que poucos têm. É bom para ter certeza que o estudante está no caminho certo. Mais do que a parte técnica, o importante é passar os valores que temos na empresa.” O programa Empresário Sombra Por Um Dia é realizado pela ONG (Organização Não Governamental) internacional Junior Achievement.

O Ismart (Instituto Social para Motivar, Apoiar e Reconhecer Talentos) é o responsável pela indicação dos alunos de São José dos Campos, que em parceria com empresas da região coloca os estudantes para seguir os executivos. A escolha dos alunos que participarão da atividade é feita através do rendimento escolar e área de interesse.  A parceria entre a ONG Junior Achievement e o Ismart começou em 2011. Até o momento, já foram selecionados 176 alunos, sendo 35 de São José.

O Vale

Demanda de Aviões tem mudanças pela Embraer

A demanda de aviões no segmento mundial de aeronaves de 30 a 120 assentos nos próximos 20 anos será de 6.800 jatos, em um valor de mercado estimado em US$ 315 bilhões. A estimativa foi divulgada ontem pela Embraer, de São José dos Campos, líder do mercado mundial de jatos de 61 a 120 assentos.

Somente para o nicho do mercado em que lidera, a previsão da fabricante é de demanda de 6.390 jatos nos próximos 20 anos. Segundo a companhia, o transporte aéreo mundial, de acordo com RPK ( demanda de passageiro-quilômetro transportado) crescerá, em média, 5% anualmente no período de 2012 a 2031.

O estudo feito pela Embraer aponta que a substituição de aeronaves antigas representará 53% das novas entregas, enquanto os 47% restantes das vendas serão por conta do crescimento do mercado da aviação.  A América do Norte ainda se mantém como a maior região compradora de jatos nesse nicho, com um total de 2.195 aeronaves (32%), seguida pela Europa/CEI (Comunidade de Estados Independente) com 1.905 aviões (28%) e China, com 1.005 aeronaves (15%).

No entanto, a Embraer avalia que o centro de gravidade da aviação vai se mover para o leste, principalmente para a Ásia e, em menor proporção, para a América Latina. O estudo aponta que em 2031 os maiores mercados do mundo serão Ásia Pacífico e China, que responderão por 34% do RPK mundial.

Para Marcos Barbieri Ferreira, professor de economia da Unicamp (Universidade de Campinas) e especialista em mercado aeronáutico, as previsões de entregas feitas pela Embraer “refletem a realidade do mercado”. “Considero bastante realista esta previsão. O mercado da aviação regional está em crescimento e existe demanda para rotas curtas e de média e baixas densidades de passageiros”, disse Ferreira.

O especialista afirmou que a Embraer, certamente, tem condições de atender esse mercado com a sua família de E-Jets. “A Embraer já domina parte desse nicho e os produtos dos concorrentes levarão anos para chegar ao mercado.”

Ferreira destacou que é possível que, por causa da crise econômica da Europa, a previsão de demanda nos próximos três a quatro anos não se confirme. “Mas a aviação regional tem potencial de crescimento em outras partes do mundo”. De acordo com o estudo divulgado pela Embraer, o Oriente Médio será o mercado que terá o maior crescimento no período analisado, com taxa anual de 7,2% de RPK.

O Vale

Embraer realiza associação para aumento de vendas

Para ampliar as suas opções de mercado e adquirir a ‘expertise’ de uma empresa com experiência do setor de defesa, a Embraer firmou uma parceria com a norte-americana Boeing para o desenvolvimento do cargueiro militar KC-390.

O acordo, anunciado ontem em São Paulo, prevê elaboração de estratégia de vendas em locais onde a Boeing já possui contratos, além dos próprios Estados Unidos, vitrine que a Embraer tem buscado desde que entrou no mercado militar.

Na fase de estudos iniciais do KC-390, a Embraer havia excluído de seu leque de opções para venda países onde outras companhias já fabricavam cargueiros, como os Estados Unidos, Canadá, Índia e Rússia. Com o acordo assinado ontem, a intenção é expandir sua chance de venda. No entanto, os executivos de Embraer e Boeing evitaram detalhar quais mercados serão alvo da nova estratégia.

“Uma das partes deste acordo é rever esse estudo que inicialmente excluía EUA, Canadá, Índia e Rússia, mas não significa que todos serão incluídos nessa parceria”, disse o presidente da Embraer Defesa e Segurança, Luiz Carlos Aguiar. A mesma linha foi adotada pelo presidente da Boeing Defesa, Espaço e Segurança, Dennis Muilenberg. “Vamos aguardar a nossa análise de mercado”, disse o executivo norte-americano ao ser questionado sobre que mercados seriam focados com a nova parceria.

Ainda assim, Aguiar admitiu que a entrada do cargueiro nos EUA teria importante significado para a Embraer. “Teria muita importância. Basta ver o exemplo do C-17 cargueiro produzido pela Boeing que completou 20 anos de operação no ano passado, com 270 unidades entregues, trabalhos em diversos países”, disse Aguiar.

Os representantes das fabricantes de aeronaves também não detalharam como será a participação financeira da Boeing sobre as vendas do KC-390. Questionado se a empresa norte-americana receberia comissão pelas vendas, Aguiar disse que o modelo da parceria ainda seria definido.

“Nós brasileiros temos a mania de achar o que o outro está ganhando. Esse é um processo para ajudar as duas empresas”, afirmou Aguiar. O KC-390 é um projeto da FAB (Força Aérea Brasileira) iniciado em 2009, no qual a Embraer foi selecionada para desenvolver o projeto e selecionar as empresas parceiras.

O cargueiro KC-390 já possui 60 intenções de compra de diversos países. O primeiro voo da aeronave está programado para 2014 e sua primeira entrega foi projetada para 2016.

O Vale

Embraer realiza test drive em avião a Biocombustivél

A Azul Linhas Aéreas prevê utilizar biocombustível em seus voos comerciais dentro de cinco anos. Este é o prazo estimado para a homologação do produto feito à base de cana-de-açúcar, fruto de uma tecnologia desenvolvida pela Amyris.

Ontem, o biocombustível foi testado em um voo da aeronave E-195, da Embraer, que partiu do aeroporto de Viracopos, em Campinas, para o aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, como parte das ações do evento de sustentabilidade Rio+20.

A tecnologia da Amyris, fruto de investimento de US$ 500 milhões, utiliza microorganismos que atuam convertendo o açúcar da cana em hidrocarboneto e é capaz de reduzir em até 82% a emissão de dióxido de carbono em relação ao querosene convencional.

“Esse voo é o ápice desse projeto iniciado em 2009, um marco para a aviação mundial”, disse o diretor de Relações Institucionais da Azul, Adalberto Febeliano. A Embraer, além da parceria com Azul, Amyris e a fabricante de motores GE para o voo de ontem, atua em outras frentes para atingir maior índice de sustentabilidade em suas aeronaves.

“A aviação é responsável por apenas 2% da emissão de dióxido de carbono no mundo, mas é uma indústria que está crescendo e que vai continuar crescendo. Por isso, houve compromisso de se reduzir a emissão de poluentes”, disse o diretor de desenvolvimento tecnológico da Embraer, Jorge Ramos.

O compromisso da indústria aeronáutica é reduzir em até 50% a emissão de poluentes na atmosfera até 2020 com base nos índices de 2005, considerando o aumento da frota de aeronaves no mundo.

“São várias frentes para atingir esse objetivo. Temos projetos estruturais, uma busca pela eficiência operacional com sistemas que viabilizem a operação de menor consumo de combustível. Outra frente é na construção da aeronave, com sistemas mais eficientes, perfis aerodinâmicos e materiais que deixem essas aeronaves mais leves”, disse Ramos.

Uma dessas ações é o LEL (Laboratório de Estruturas Leves), situado no Parque Tecnológico de São José no qual a Embraer faz o papel de empresa integradora. No local são desenvolvidas tecnologias para utilizar materiais cada vez mais leves na construção dos aviões.

“O LEL está no foco da construção de uma aeronave mais leve e vai permitir que todas as empresas aéreas façam seus exercícios e soluções com essas tecnologias mais leves”, afirmou Ramos. Sem citar números, o executivo salientou que para a nova família de E-Jets remotorizados, com previsão de entrada no mercado em 2018, haverá “ganhos substanciais em termos de redução” de emissão de poluentes.

A Embraer está envolvida em pelo menos outras quatro frentes para a pesquisa de biocombustível. Na maior delas, atua com a norte-americana Boeing e a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) na elaboração de um estudo voltado para identificar todas as possibilidades de biomassa a serem empregadas como combustível.

A cana-de-açúcar, usada no voo de ontem, já é utilizada pela indústria do açúcar e do etanol, o que poderia criar uma disputa interna pelo produto e elevar os custos do combustível para aviões, hipótese descartada pelo diretor da Azul.

“O custo do biocombustível é compatível com o do querosene tradicional. Não vejo risco na safra da cana-de-açúcar maior do que o risco político no Oriente Médio, que eleva o preço do barril de petróleo”, disse Febeliano, ressaltando que existem outras possibilidades a serem estudadas.

“Temos milhões de pastos degradáveis que poderiam ser convertidos na produção de cana. Ainda temos cartas na manga e muitas possibilidades”, afirmou o diretor da companhia aérea.  O voo de aproximadamente 50 minutos partiu de Campinas por volta do meio-dia e teve a composição de 50% de querosene convencional e 50% de biocombustível, batizado de AMJ 700.

O Vale

Direção Sindicato teme demissões na Embraer

A direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São José teme uma nova demissão em massa na Embraer, três anos após a empresa enfrentar uma de suas piores crises e dispensar 4.273 funcionários em um único dia. De acordo com a entidade, mudanças na gerência da empresa aconteceriam há três semanas, o que teria gerado um clima de tensão entre os funcionários.

Ontem, o sindicato enviou ofícios ao prefeito Eduardo Cury (PSDB), ao ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, e à própria Embraer pedindo informações sobre os rumores. Ao prefeito e ao governo federal, os metalúrgicos pediram intervenção junto à empresa para assegurar os postos de trabalho. Já à Embraer, a solicitação é para que a empresa publique um comunicado desmentindo o risco da demissão.

“Quando os rumores começaram, não acreditamos muito, pois o momento da empresa é bom. No entanto, essa mudanças na gerência e a não confirmação (da manutenção dos empregos) da empresa por meio de um comunicado deixaram o clima tenso na fábrica”, disse o vice-presidente do sindicato, Herbert Claros.

Sindicato e o Departamento de Recursos Humanos da Embraer chegaram a se reunir para debater o assunto. No encontro, no último dia 25, a empresa descartou a possibilidade de demissão. “Desde então, a empresa não confirmou aos trabalhadores que os empregos seriam mantidos, o que só aumentou a tensão. O clima está parecido com o de 2009”, afirmou Claros.

Em 19 de fevereiro de 2009, a Embraer anunciou a demissão de 4.273 funcionários, reflexo da crise econômica iniciada um ano antes, que atingiu diretamente o setor aeronáutico mundial. Claros reconheceu que o momento atual da empresa é diferente do de 2009, no entanto, cobra uma confirmação da manutenção dos postos. “Em 2009, a empresa mandou um documento às 9h ao sindicato desmentindo as demissões. Às 16h, estava mandando mais de 4.000 embora”, afirmou.

A Embraer, por meio de sua assessoria, informou que os rumores de demissão em massa não procedem e que o sindicato, em seu próprio comunicado, reconhece que o momento da Embraer é bom. A empresa salientou que já afirmou ao sindicato que não há intenção de realizar demissões e que não pretende publicar comunicado.

Dados da empresa mostram que, entre o final do ano passado e abril deste ano, cerca de 700 postos de trabalho foram gerados. O desenvolvimento de projetos no setor de defesa e o aumento do portfólio executivo da companhia fizeram com que 200 engenheiros fossem contratados este ano.

A prefeitura, também por meio de sua assessoria, confirmou o recebimento do ofício, enviado no período da tarde de ontem via email. No entanto, como o prefeito cumpria agenda no momento do envio do documento, ele não havia lido o comunicado, o que inviabilizaria o Executivo de comentar o assunto. Já a Secretaria Geral da Presidência não se manifestou sobre o documento, nem confirmou o recebimento da carta.

Imagem: Aero.Jor

O Vale

Embraer Cria Jato Verde com combustível de Cana

Embraer e suas parceiras no desenvolvimento de biocombustível para aviões Amyris, Azul Linhas Aéreas e a fabricante de motores GE anunciaram ontem a realização de um voo demonstração na Rio+20 com uso de combustível feito à base de cana-de-açúcar.

O voo, chamado de ‘Azul+Verde’, irá acontecer no dia 19 em uma aeronave E-195, avião de maior porte fabricado pela Embraer. No ano passado, as mesmas empresas realizaram um voo com o mesmo combustível em uma aeronave E-170.

Em comunicado, a Embraer afirma que “foram concluídos com sucesso os testes necessários para que um combustível renovável e inovador para jatos, seja utilizado em voo de demonstração por um jato E-195”. A fabricante está envolvida em diversos projetos relacionados a biocombustível.

Em um deles, é parceira da ‘gigante’ norte-americana Boeing e da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), que desenvolvem levantamento de todos os projetos de biocombustível no país para aprofundar pesquisas a partir de 2013. A Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, acontece de 13 a 22 no Rio.

O Vale

Embraer cria na cidade empresa de Criação de Satélite

Embraer e Telebras formalizaram ontem a criação da Visiona Tecnologia Espacial S.A., empresa que será responsável, inicialmente, pela produção do satélite geoestacionário que será lançado em órbita pelo governo brasileiro em 2014.

A Visiona será sediada no Parque Tecnológico de São José dos Campos e terá composição de 51% da Embraer e 49% da Telebras. Estimado em R$ 750 milhões, o satélite geoestacionário terá finalidades civil e militar, transmitindo imagens para monitoramento de fronteiras, informações sobre condições climáticas e disponibilizando internet banda larga.

“Este projeto representa um passo histórico para o avanço da prontidão tecnológica e industrial do setor espacial no Brasil, e a Embraer tem satisfação e orgulho de ser a parceira estratégica da Telebras e do Estado brasileiro”, disse em nota o diretor-presidente da Embraer, Frederico Curado.

No mesmo comunicado, o presidente da Telebras, Caio Bonilha, disse que “o satélite brasileiro permitirá a ampliação do acesso à internet a milhões de lares”.

O Parque Tecnológico, também por meio de nota, informou que “a chegada da Visiona constitui passo estratégico para a implantação e consolidação do Parque Tecnológico, que ora ingressa em sua fase de expansão, sempre em linha com o objetivo permanente de propiciar às empresas nele instaladas um ambiente sinérgico e estimulante para a geração de conhecimento, tecnologia e inovação”.

Já o secretário de Desenvolvimento Econômico, José de Mello Corrêa, salientou que é um privilégio de poucas cidades no mundo a construção de um satélite. No Parque, a Visiona será empresa âncora do Centro de Desenvolvimento de Tecnologias Espaciais, ainda a ser construído. Num primeiro momento, a empresa poderá se instalar provisoriamente na atual estrutura do parque.

O Vale

Diante da Concorrente, Embraer se mostra confiante

O diretor-presidente da Embraer, Frederico Curado, mostrou-se confiante quanto à nova concorrência promovida pela Força Aérea dos Estados Unidos a fim de escolher caças de ataque leve para serem usados em missões no Afeganistão.

Os requisitos do novo contrato apresentam alterações em relação ao primeiro processo de escolha que, na visão de Curado, podem auxiliar o Super Tucano, avião da empresa de São José dos Campos, a vencer o único adversário na concorrência, o AT-6 da norte-americana Hawker Beechcraft.

Se por um lado a Força Aérea eliminou o item que pedia o comparativo de voo entre os aviões, por outro, agora pede histórico de desempenho comprovado dos modelos em missões de contrainsurgência, finalidade dos caças a serem selecionados para o Afeganistão.

“Talvez uma coisa compense a outra. Embora em voo não teremos a chance de mostrar a superioridade do nosso avião, ao falar de passado, temos mais de 100 aeronaves em operação, um avião que vem sendo usado em operação real, como na Colômbia e outros lugares. O avião da concorrente é um avião de treinamento.

Contrainsurgência, eles não têm muito o que falar a não ser o que eles pretendem fazer”, disse Curado, em entrevista exclusiva a  O Vale. Embraer e Beechcraft têm até 4 de junho pra apresentarem suas propostas à Força Aérea dos EUA. O vencedor da disputa será definido somente em janeiro de 2013.

Curado lembrou que o novo processo de escolha traz um elemento diferente da primeira concorrência: a situação financeira da Beechcraft, que na última quinta-feira entrou em processo de concordata para quitar uma dívida de US$ 2,5 bilhões (R$ 4,9 bilhões).

“É uma variável nova. Não sabemos se isso é um fator determinante para que eles sejam mantidos na competição, mas por isso não podemos deixar de competir. Temos que ter mais um pouco de paciência, mas essa é nossa expectativa e tomara que a gente consiga vencer de novo”, disse.

Após o anúncio dos novos requisitos para a concorrência, a porta-voz da Beechcraft, Nicole Alexander, afirmou que não espera que o pedido de concordata atrapalhe o processo de escolha da Força Aérea. Segundo a empresa norte-americana, o pedido de concordata não é usado como critério da Força Aérea para excluir um competidor.

O processo de escolha para o fornecimento das aeronaves está sendo refeito após ‘lobby’ da Beechcraft em órgãos dos EUA. No final de dezembro do ano passado, Embraer e sua parceira na disputa, Sierra Nevada, chegaram a ser declaradas vencedoras do contrato inicial para o fornecimento de 20 caças, avaliado em US$ 355 milhões (R$ 696 milhões). A Beechcraft recorreu da decisão e a Força Aérea decidiu refazer a concorrência.

A Força Aérea dos EUA seleciona as aeronaves para o programa denominado LAS (apoio aéreo leve) com finalidade de operar em missões de vigilância de fronteira e ataques contrainsurgência no Afeganistão.
As primeiras entregas estão previstas para o terceiro trimestre de 2014. O contrato pode chegar a US$ 1 bilhão.

O Vale

Edital nos EUA pode beneficiar rival da Embraer

Uma mudança na concorrência para escolher o fornecedor de caças para a Força Aérea dos Estados Unidos no programa LAS (apoio aéreo leve) pode beneficiar a Hawker Beechcraft, rival da Embraer na disputa de US$ 355 milhões.

Diferentemente da primeira concorrência, cancelada em fevereiro, o novo edital descarta a necessidade de um voo teste dos equipamentos em disputa. A Beechcraft seria beneficiada pelo fato de estar oferecendo uma aeronave ainda em fase de desenvolvimento, o AT-6, ao contrário do Super Tucano da Embraer, já utilizado em missões, como no combate às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

“À primeira vista, sim, (a mudança) ajuda (a Beechcraft). Vender para americano é algo complexo. Mas o avião brasileiro tem grandes chances. O Super Tucano talvez seja o único (avião) para o que eles querem. Tem excelente rendimento e armamento, capacidade para levar bombas”, disse o professor da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora-MG), Expedito Bastos, especializado no mercado de defesa.

Para Bastos, o momento seria de atrelar a concorrência do LAS ao programa F-X2, que prevê a compra bilionária de caças supersônicos pela Força Aérea Brasileira, no qual a norte-americana Boeing concorre com a sueca Saab e a francesa Dassault.

“(A união das concorrências) é bom para nós, que acabamos com uma novela de 15 anos (F-X2) e para a Embraer, que coloca seu avião na maior vitrine do mundo. O Brasil tinha que aproveitar a chance, é uma oportunidade única. No passado, já ganhamos e não levamos. Temos que fazer nosso ‘lobby’”, disse Bastos.

Após receber uma minuta das exigências do novo contrato, já com as alterações, o diretor-presidente da Embraer, Frederico Curado, havia dito que não considerava a retirada do voo teste um fator determinante na disputa.

“Não seríamos necessariamente prejudicados, (a não realização do voo teste) não seria determinante. Não somos uma empresa que desiste facilmente das coisas”, afirmou Frederico Curado, durante teleconferência com jornalistas para analisar o primeiro trimestre de 2012 da empresa.

Outras alterações no contrato são a inclusão de preços fixos para equipamentos de apoio, a manutenção dos valores no caso de novas encomendas e a falta de exigência da participação de pequenas empresas no projeto. Dificuldade. No final da última semana, a Beechcraft entrou em processo de concordata para quitar sua dívida de US$ 2,5 bilhões.

O programa LAS irá selecionar aeronaves a serem utilizadas em missões no Afeganistão contra insurgência de rebeldes. O vencedor será anunciado no início de 2013. As entregas estão programadas para o final de 2014.

O Vale

Embraer entrega avião-conceito na cidade

O MAB (Memorial Aeroespacial Brasileiro), de São José, recebe hoje a aeronave Super Tucano EMB 312H, conhecida como ‘Ana Raio’, que foi revitalizada pela Embraer em parceria com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial).

Esta é a sétima aeronave recuperada pelo Centro Histórico Embraer, que desde 2008 atua na restauração de aviões que tiveram importância na trajetória da fabricante de São José. O trabalho de recuperação do ‘Ana Raio’ durou cerca de seis meses e foi feito paralelamente ao serviço de revitalização do Brasília, entregue ao MAB em agosto do ano passado.

A revitalização foi feita por um grupo de 15 aprendizes do Senai, orientados por técnicos da Embraer durante o processo. Segundo o diretor do Instituto Embraer, Pedro Ferraz, a dificuldade do trabalho foi adquirir peças que faltavam para a aeronave.

“O avião estava sem o trem de pouso. Faltavam algumas peças e as conseguimos com ajuda da própria Aeronáutica”, disse Ferraz. Os alunos do Senai também tiveram contato com profissionais que desenvolveram o projeto inicial da aeronave, que fez seu primeiro voo em setembro de 1991.

“A gente tenta conscientizar os alunos sobre a importância dessa aeronave. O bom desse projeto é que os aprendizes acabam fazendo uma coisa verdadeira e fazendo parte dessa história”, disse Ferraz. O Ana Raio é um protótipo desenvolvido com base no Tucano, com alterações no motor e sistemas de voo que tinham objetivo de qualificar a aeronave para uma concorrência para fornecimento de aviões de treinamento à Força Aérea dos EUA.

Para aumentar a qualidade de acrobacias em voo, uma das principais alterações do Ana Raio em relação ao Tucano foi dobrar a potência do motor para 1.600 shp (cavalos de potência para aviões), o que foi mantido para o desenvolvimento do Super Tucano.

À época, o Ana Raio nome em homenagem à novela de 1990 ‘Ana Raio e Zé Trovão’ acabou não vencendo a disputa pelo contrato nos EUA. “Essa é uma aeronave única, um avião-conceito”, disse Pedro Ferraz.  Outras aeronaves ‘únicas’ já fizeram parte do portfólio de restaurações do Centro Histórico Embraer.

Em 2008, ano em que o avião Bandeirante primeiro modelo produzido pela empresa, ainda na década de 70 completava 40 anos, ele foi revitalizado e entregue ao MAB. Também foram revitalizados os modelos CBA-123, Xingu, Brasília e ERJ 140. No próximo mês, será a vez do modelo Xavante ser recuperado.

A aeronave está desmontada no DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial) e por muito tempo foi usada como jato de treinamento avançado da Força Aérea Brasileira. Ela saiu de operação em 2010, dando lugar ao AMX e ao Tucano. O Ana Raio estará disponível para visitação no MAB a partir de amanhã.

O Vale