Infraero lança plano para ampliar Aeroporto da cidade

Depois de acompanhar a tentativa da Prefeitura de São José de assumir o controle do aeroporto da cidade, a Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) anunciou ontem um pacote de investimentos para revitalizar o aeródromo.

Na próxima semana, uma comissão formada por integrantes da Infraero, da Aeronáutica (proprietária do terreno do aeroporto) e da SAC (Secretaria de Aviação Civil) inicia um estudo para definir a estratégia para a ampliação do aeroporto.

Inicialmente, o atual terminal de passageiros será remodelado. Um MOP (Módulo Operacional de Passageiros) será instalado e um estacionamento para aeronaves, construído, com investimento de R$ 8 milhões a R$ 10 milhões.

Daqui a três anos, a meta da Infraero é construir uma nova pista para pousos e decolagens, o que irá dinamizar o uso compartilhado do aeródromo entre aviação comercial, Aeronáutica e Embraer e ampliar sua estrutura às margens da Rodovia dos Tamoios.

“Reconhecemos que a Infraero não tem dado um aeroporto condizente com o que a cidade pede. Estudos indicam que, em 2040, teremos que ter um aeroporto do tamanho do de Guarulhos a 100 km de São Paulo. Acredito que ele seja aqui em São José”, disse o presidente da Infraero, Gustavo do Vale.

Questionado sobre o motivo pelo qual a estatal não havia anunciado investimento semelhante nos 16 anos em que administra o terminal, Vale destacou que trâmites legais no convênio com a Aeronáutica impediam a ampliação.

“Tínhamos um convênio (com a Aeronáutica) de prestação de serviços apenas. Havia certo impedimento jurídico. Essas dificuldades estão sendo resolvidas por meio de mudanças no convênio. Temos um grupo de trabalho que começa na próxima semana a tratar dessas mudanças”, disse o presidente da Infraero.

Investimento. O ministro-chefe da SAC, Wagner Bittencourt, foi outro a falar sobre a localização privilegiada de São José, o que facilitaria o recebimento de investimentos por parte do governo federal. “Pelos nossos estudos, (São José) é uma localização que faz todo sentido ter um aeroporto daqui a alguns anos de grande capacidade.

Primeiro vamos melhorar o terminal para que a população seja melhor atendida, depois vamos avaliar a nova pista”, disse. Bittencourt disse que a proposta de municipalização da prefeitura não está descartada. “O modelo está sendo discutido, mas o importante é fazer.” O anúncio do investimento da Infraero foi feito durante a abertura da Expo Aero Brasil ontem, em São José.

O Vale

Aeroporto da cidade perde passageiros em meio a impasse

Em meio ao impasse sobre seu futuro, o Aeroporto de São José teve nos primeiros quatro meses do ano queda de 5% no número de passageiros transportados, ante o mesmo período de 2011. De janeiro a abril deste ano, 61.851 pessoas utilizaram o terminal, sendo que a capacidade anual do aeroporto é de 90 mil usuários, segundo a Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária), administradora do local desde 1996.

No ano passado, 236.084 pessoas decolaram ou pousaram em São José, crescimento de 180% em relação a 2010, o maior entre todos os aeroportos da Infraero. No entanto, a falta de estrutura fez com que a companhia aérea Azul reduzisse seu número de voos na cidade pela metade, o que vem derrubando o número de passageiros no terminal.

Para as lideranças empresariais, a falta de investimentos no aeroporto atrapalha a geração de negócios em todo o Vale do Paraíba. “Todo mundo é afetado. A região perde negócios e deixa de fazer outros. Atuo no setor de logística e posso dizer que o que a Infraero está fazendo é um insulto à logística”, afirmou o presidente da ACI (Associação Comercial e Industrial de São José), Felipe Cury.

Uma das apostas para fazer com que a o movimento volte a ‘decolar’ é a nova rota implantada ontem pela Azul que liga São José a Campinas em quatro voos diários. De Campinas, os passageiros poderão fazer conexão para 42 destinos. “A nova ligação facilitará o fluxo de clientes, em ambos os sentidos, além de possibilitar viagens a negócios com ida e volta no mesmo dia para muitas cidades brasileiras”, afirmou o vice-presidente comercial, de marketing e TI da Azul, Paulo Nascimento, em comunicado.

Para o secretário de Desenvolvimento Econômico da cidade, José de Mello Corrêa, a nova linha é um sinal de que há demanda por voos na região. “(A nova rota) significa que as companhias aéreas acreditam no nosso potencial. Se São José não traz novas rotas, a empresa leva São José a elas.”

O diretor regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Almir Fernandes, salientou que a nova rota beneficia todos os empresários da região. “É uma linha muito interessante. Hoje perdemos tempo indo para outros aeroportos”, disse.

O Vale

Cidades entram em disputa para ser sub-sede da Copa 2014

Outros dois projetos na região surgem como alternativa para receber voos durante a Copa do Mundo no Brasil. São os aeródromos utilizados pelas Forças Armadas em Guaratinguetá e Taubaté. Em Guará, representantes da SAC (Secretaria de Aviação Civil) e Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) vistoriaram na última semana a pista do aeroporto Edu Chaves, hoje dividido entre a Escola de Especialistas da Aeronáutica e o aeroclube da cidade.

De acordo com o vice-prefeito de Guará, Miguel Sampaio (PSB), até o final do mês, um convênio entre prefeitura, governo do Estado e governo federal será firmado para dar início à elaboração de um projeto para que o local passe a receber voos comerciais.

Com verba estadual de R$ 150 mil para elaboração do projeto, a intenção é utilizar uma área de 170 mil metros quadrados para a construção de um terminal para passageiros e hangares para empresas de manutenção de aeronaves.

“O projeto ainda será concluído, mas já temos um estudo de que uma obra dessa ficará em torno de R$ 22 milhões. Será um aeroporto voltado para voos regionais e fretados para o turismo religioso”, afirmou Sampaio. O comandante da Escola de Especialistas, brigadeiro Jeferson Domingos, se mostrou favorável à modernização do local, disse o vice-prefeito. “Ele se mostrou 100% favorável à ideia, foi uma grata surpresa.”

Questionado sobre a viabilidade do projeto, o Comando da Aeronáutica não se manifestou até as 20h de sexta-feira. A SAC disse que todos os aeródromos do país estão sendo analisados e que o futuro de cada um deles será descrito no Plano Geral de Outorgas, com previsão para ser divulgado até o final deste semestre.

Já em Taubaté, a tentativa de candidatura da cidade como sub-sede da Copa pode reativar um projeto modernização da estrutura ao redor da pista do Cavex (Comando de Aviação do Exército). Inicialmente, a intenção do município era viabilizar a construção de uma pista de 3.200 metros de comprimento ao lado da atual do Cavex para recebimento de voos de carga.

Apesar de estar em estágio avançado, o projeto, feito em 2008, foi abandonado por falta de apoio. “Caminhamos até onde nossas pernas alcançaram. Agora depende governo federal, estadual, de forças políticas”, disse o secretário de Planejamento de Taubaté, Antônio Carlos Pedrosa.

Agora, a Secretaria de Turismo, com apoio de órgãos como o Ciesp, tenta finalizar projeto para que a pista receba voos fretados durante a Copa. “Até o fim de maio devemos ter novidades”, disse o diretor do Ciesp, Fábio Duarte.

O Vale

Megaprojeto de R$314 milhões para ampliação de Aeroporto

A ‘novela’ de mais de 15 anos em torno da ampliação do aeroporto de São José dos Campos fez com que municípios menores da região ultrapassassem a ‘capital do avião’ em projetos para construção de aeródromos com o objetivo de desafogar o tráfego aéreo de grandes centros durante a Copa do Mundo no Brasil, em 2014.

Entre os projetos, o mais avançado é do CEA (Centro Empresarial Aeroespacial), de Caçapava, que deve iniciar suas obras dentro de 10 dias. Também são estudadas melhorias nos aeródromos de Guaratinguetá e Taubaté, usados pelas Forças Armadas.

O CEA será instalado em uma área de 2,6 milhões de metros quadrados, às margens da rodovia Carvalho Pinto, a quatro quilômetros da via Dutra. Com investimento previsto de R$ 314 milhões, o projeto é encabeçado pelo Grupo Penido e tem previsão inicial de receber jatos executivos e aviões de pequeno porte.

“Esperamos ver aviões descendo na pista no final de 2013. É uma meta arrojada, mas pretendemos trabalhar 24 horas por dia depois do início das obras”, afirmou o diretor executivo do grupo, Rogério Penido. A escolha de Caçapava, segundo Penido, foi motivada por critérios técnicos.

“Apresentamos mais de 15 áreas para a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), sendo seis em São José. A que mais agradou a Anac foi essa, por ser paralela às pistas de São José e Taubaté”, disse Penido.

A estimativa é que 22 mil empregos diretos sejam gerados com o empreendimento, que tem mais de 300 lotes disponíveis à venda para instalação de empresas do setor aeronáutico e hangares particulares. Cerca de 40% dos lotes já têm proprietários interessados.

O Vale

Problemas no Aeroporto descatam o uso pela Anac

Diferente das previsões de empresários e da prefeitura, o especialista da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Sylvio José Coelho de Souza, acredita que o Aeroporto de São José nunca será um importante terminal de cargas e passageiros. A avaliação joga um ‘balde de água fria’ na força-tarefa do governo do prefeito Eduardo Cury (PSDB) de tentar municipalizar o terminal para aumentar sua capacidade operacional.

“A pista de São José foi feita para atender a necessidade da indústria aeronáutica até por ter sido construída em área militar. Ao longo do tempo, nenhuma pessoa do cenário político se opôs ou refletiu sobre a necessidade de oferecer outro atendimento”, disse Souza. “Hoje, não enxergo perspectiva de mudança. São José perdeu o bonde de uma eventual mudança há pelo menos 15 anos”, afirmou.

Souza ministrou uma palestra sobre o tema na última semana na unidade da Faap (Fundação Armando Alvares Penteado) de São José. O evento foi assistido por 50 pessoas. Segundo ele, o principal entrave sofrido hoje para mudar o perfil do Aeroporto de São José é que cidades vizinhas estão com projetos similares porém mais adiantados.

“Existem alternativas na região muito à frente, a exemplo de Caçapava e Taubaté, que realmente estão investindo na ideia. Será preciso quatro anos para São José chegar no ponto que esses municípios estão agora”, afirmou.

Apesar de ter uma das melhores pistas do país, o Aeroporto de São José não conta com estacionamento para a pernoite das aeronaves e tem uma estrutura precária para receber os passageiros. O terminal também não atende à necessidade das empresas da região já que entrega ou envia menos de 1% da carga circulante. A maioria vai parar nos terminais de Guarulhos e de Viracopos, em Campinas.

Apesar do cenário, a perspectiva do especialista da Anac é criticada por empresários como Almir Fernandes, diretor regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado). “O aeroporto de São José precisa ser municipalizado. Assim que isso ocorrer, já existem projetos para aumentar sua capacidade”, afirmou.

O projeto que ele se refere é o da prefeitura, que aposta na municipalização do terminal. A ideia da administração é construir um aeroporto no lado oposto ao atual, com saída pela Rodovia dos Tamoios. O terminal é operado pela Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária).

O prefeito Eduardo Cury e o deputado federal Carlinhos Almeida (PT) se reuniram na última semana com representantes da SAC (Secretaria de Aviação Civil), órgão vinculado à Presidência da República, para discutir a muni-cipalização. A secretaria pediu um ano para analisar o caso.

“Entendemos que esse é um tempo demasiadamente longo, mas paciência. Nós dependemos deles”, afirmou Cury a O VALE. “Pedimos que pelo menos emergencialmente a SAC dê uma olhada no terminal de passageiros para deixa-lo em condições de uso. Eles prometeram entrar em contato com Infraero para agilizar esse processo”, afirmou. Hoje, o Aeroporto de São José é operado por apenas duas empresas, a Azul e a Trip, que oferecem voos diários para destinos curtos.

O Vale

União de Prefeito e Ministro, pedem um ano para avaliação

O ministro-chefe da SAC (Secretaria de Aviação Civil), órgão vinculado à Presidência da República, Wagner Bittencourt, pediu um ano para estudar a proposta de municipalização do Aeroporto de São José. Ontem, Bittencourt se reuniu em Brasília com o prefeito Eduardo Cury (PSDB) e o deputado federal Carlinhos Almeida (PT) para falar sobre o futuro do terminal.

Após ouvir das lideranças políticas a necessidade de investimentos no terminal, o ministro-chefe se comprometeu a auxiliar nas tratativas com a Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária), atual administradora do terminal, para investimentos a curto prazo.

Inicialmente, a ideia é implantar no aeroporto um MOP (Módulo Operacional Provisório), uma espécie de contêiner com estrutura para receber passageiros. Faltaria apenas a definição do local para a instalação da estrutura, cuja instalação levaria cerca de seis meses. Já a médio prazo, a SAC pretende finalizar o zoneamento civil/militar e definir o uso compartilhado entre

Aeronáutica, companhias aéreas e Embraer para dinamizar a ampliação do local. Carlinhos disse que Bittencourt considera que o aeroporto de São José tem potencial para chegar ao porte de Congonhas, em São Paulo. Segundo o assessor de Planejamento de Comunicação da prefeitura, Felício Ramuth, Cury pediu providências imediatas para dar “condições mínimas” ao terminal.

O Vale

Pedido de Municipalização do Aeroporto será revisto até março

A Prefeitura de São José dos Campos encaminhou carta à SAC (Secretaria de Aviação Civil), órgão vinculado à Presidência da República, cobrando um posicionamento sobre a proposta de municipalização do aeroporto da cidade.

Quase três meses depois de o prefeito Eduardo Cury (PSDB) apresentar o projeto, o Executivo se queixa da falta de uma reposta. “Temos certeza que um aeroporto que cresceu 180% precisa de investimento. A Infraero, agora com o caixa cheio, pode investir. A prefeitura continua lutando pela municipalização”, disse José de Mello Corrêa, secretário de Desenvolvimento Econômico de São José. A carta foi enviada na segunda-feira.

Concessão. Anteontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a concessão de aeroportos regionais para Estados e municípios estava, inicialmente, descartada, informação desmentida ontem pela SAC.

Por meio de sua assessoria, a secretaria informou que o projeto com o futuro de todos os aeródromos do país denominado Plano Geral de Outorgas ainda está em estudo pela pasta e não descarta municipalizações.O projeto tem previsão de ser divulgado até o final do primeiro trimestre deste ano.

“Se as palavras do ministro Mantega se confirmarem, só temos a lamentar. Continuaremos com a mesma história de sempre, com a perda de voos”, disse Mello. Dados da Infraero mostram que o terminal de São José recebeu mais de 236 mil passageiros em 2011, quase três vezes mais que sua capacidade, estimada em 90 mil por ano pela própria companhia.

A maior reclamação dos usuários do local é a falta de estrutura da sala de embarque, como quantidade insuficiente de assentos, vagas de estacionamento e estrutura física para abrigar comércio. Já as companhias que operam na cidade, Azul e Trip, reivindicam melhorias na infraestrutura do local, como espaço para que as aeronaves passem a noite no aeroporto, para que possam ampliar suas atividades no local. A Azul, inclusive, reduziu este ano seu número de voos em São José pela metade.

A ‘novela’ sobre a ampliação do Aeroporto de São José se arrasta desde a década de 90. O uso compartilhado entre Embraer, Aeronáutica e companhias aéreas seria o principal empecilho para o recebimento de melhorias do governo federal. A atual concessão do terminal à Infraero acaba em 2013.

O Vale

Sem suporte, Aeroporto exporta suas cargas na cidade

Menos de 1% da carga de empresas da região sai ou entra pelo Aeroporto de São José dos Campos. O restante vai parar nos terminais de Guarulhos e de Viracopos, em Campinas, segundo o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo). Em 2011, 72 mil toneladas tiveram o Vale como destino de partida ou chegada depois de sair dos outros terminais paulistas. Já o aeroporto de São José movimentou 72 toneladas, 13% a menos do que em 2010.

A falta de estrutura em São José para o armazenamento das cargas impede que a mercadoria seja transportada diretamente à região via aérea. Desta forma, empresas da região gastam mais com logística e o terminal deixa de faturar com taxas alfandegárias. Dados da Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) mostram que em 2011 o crescimento de movimentação de cargas nos terminais operados pela empresa, entre eles, Guarulhos e Viracopos, foi de 3,6% em relação a 2010.

De acordo com o especialista em transporte aéreo e ex-superintendente de infraestrutura da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) Anderson Correia, o terminal de São José poderia ser a alternativa para desafogar os aeroportos de Guarulhos e Viracopos.

“Guarulhos encontra-se em saturação iminente. O aeroporto não comporta mais nenhum voo internacional em horários de pico. Viracopos também já está enfrentando saturação hoje, o que transforma São José dos Campos na alternativa real para movimentação de carga internacional por sua localização muito boa em termos de rodovias”, afirmou.

Correia afirma ainda que a demanda de mercadorias da região é suficiente para que São José receba frequência diária de voos de carga. “Campinas processa carga não apenas de Campinas, mas do Paraná, Centro-Oeste, Minas Gerais, Rio de Janeiro e todo o Estado de São Paulo. A mesma situação poderia ocorrer com São José, que poderia processar a carga do Vale, mas também de outras regiões adjacentes”, disse o especialista.

Entre as mudanças necessárias para que o terminal local ‘decole’ nos voos de carga estão a construção de um acesso pela Rodovia dos Tamoios, outra pista de táxi, estacionamento de veículos de passageiros e caminhões, além de escritórios administrativos.

“O mais difícil já existe, que é a pista de 3.000 m. Não existe qualquer outro aeroporto no Estado de São Paulo com esta condição”, disse Correia. Para o presidente da ACI (Associação Comercial e Industrial de São José), Felipe Cury, investimentos no terminal só poderão ser feitos com a saída da Infraero do comando. “A Infraero não faz e não deixa ninguém fazer.”

O Vale

Aeroporto bate recorde recebendo pessoas a mais

O Aeroporto de São José recebeu 236.084 passageiros em 2011, quase o triplo do ano anterior, quando 84.176 embarcaram ou desembarcaram no município. O crescimento de 180% foi o maior entre todos os terminais administrados pela Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) no país. O movimento também superou a sua capacidade, de 90 mil passageiros por ano.

Apesar do crescimento, o futuro do terminal segue sem definição. A atual estrutura é alvo de críticas de lideranças da região, que defendem a ampliação para a atração de novos negócios para o Vale do Paraíba. “A Infraero sabe desse crescimento, mas finge que não sabe. A prioridade dela são outros aeroportos, e o de São José vem depois do último da lista”, disse o presidente da ACI (Associação Comercial e Industrial) de São José, Felipe Cury.

As companhias aéreas que operam na cidade também manifestaram a necessidade da ampliação do terminal a fim de aumentar os voos. Pela falta de investimentos no terminal, a Azul reduziu no início do mês de quatro para dois os voos em São José.

Em novembro de 2011, a prefeitura apresentou à SAC (Secretaria de Aviação Civil), órgão vinculado à Presidência da República, proposta de municipalizar o aeroporto. A intenção seria acelerar o projeto de ampliação do terminal. A mudança aconteceria depois de 2013, quando termina a atual concessão à Infraero.

Dois meses após a entrega do documento, a prefeitura segue sem resposta. “Ligamos semanalmente à Secretaria de Aviação Civil, mas continuamos sem obter uma resposta, sequer uma sinalização”, disse José de Mello Corrêa, secretário de Desenvolvimento Econômico de São José.

A resposta da SAC virá juntamente com o Plano Geral de Outorgas, que traçará o potencial de crescimento de todos os aeródromos do país o documento deve ser divulgado até o fim de fevereiro. “Essa operação do aeroporto acima de sua capacidade é lamentável. A própria Infraero, que dizia que não havia demanda em São José, vê que é lamentável”, disse Mello.

A Infraero afirma investir no aeroporto de São José e estuda uma medida paliativa para aumentar a capacidade atual do terminal.

A Infraero disse ter investido em 2011 cerca de R$ 7,5 milhões na recuperação da pista e mais R$ 15 milhões na manutenção da estrutura do aeroporto de São José. A empresa estuda a instalação de um MOP (Módulo Operacional de Passageiro), uma espécie de container com custo estimado em R$ 16 milhões, para aumentar a capacidade do local de maneira emergencial.

A atual estrutura do terminal de São José incomoda os usuários do local. “Às vezes, alguns conhecidos que passam pelo aeroporto até brincam o chamando de mini-rodoviária. A falta de estrutura do aeroporto incomoda muito. Faltam atendentes, vagas de estacionamento, sendo que há demanda, os voos saem sempre lotados”, disse o analista de sistemas Rafael Bessa, 26 anos.

O Vale

Municipalização do terminal é a resposta cobrada pela Prefeitura

A Prefeitura de São José irá procurar, nas próximas semanas, a Secretaria de Aviação Civil a fim de obter uma resposta do órgão federal sobre sua proposta de municipalização do aeroporto da cidade. A intenção é usar a redução dos voos da companhia aérea Azul no aeroporto de São José para agilizar a posição da SAC sobre o assunto.

“Ainda não tomamos essa atitude, pois estávamos no final do ano (quando a empresa decidiu reduzir sua operação na cidade)”, disse o prefeito Eduardo Cury (PSDB).

Ele afirmou que a Trip, outra companhia que opera na cidade, não deverá tomar a mesma decisão da Azul.
“A Trip tem bons horários. O problema é que não se pode colocar novas rotas pois o terminal não suporta que duas aeronaves desembarquem no mesmo horário. Isso é um absurdo. Não é problema da pista, mas sim do terminal.

Não há como colocar passageiros de duas aeronaves ao mesmo tempo com a atual estrutura”, disse o prefeito. A atual concessão do aeroporto de São José é da Infraero e termina em 2013. A empresa implantará esse ano uma estrutura montada para aumentar a estrutura do local.

O Vale