Acordo com GM e Sindicato é adiado

Após 9 horas e meia de reunião, representantes da General Motors e do Sindicato dos Metalúrgicos de São José chegaram ao final da noite de ontem sem um acordo que possa garantir investimentos de R$ 2,5 bilhões no complexo industrial da empresa na cidade. Nova reunião foi marcada para a próxima segunda-feira, também na regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de São José, a partir das 15h.

O encontro de ontem, o terceiro desde o último dia 27, começou às 13h e acabou apenas às 22h30. Na reunião de ontem, os representantes do sindicato e da GM deixaram a mesa de negociação com três impasses: o valor do piso salarial, o valor da PLR (Participação sobre Lucros e Resultados) e a estabilidade para os 750 trabalhadores do MVA (Montagem de Veículos Automotores), que encerra a produção em dezembro.

No encontro de ontem, houve um avanço em relação ao valor do piso. A GM ampliou a oferta de R$ 1.560 para R$ 1.700, aproximando-se da reivindicação do sindicato, que é de R$ 1.712. Na reunião do último dia 29, a empresa já havia aumentando sua proposta, que era de R$ 1.200. Se praticamente ficou selado o acordo em relação ao piso, o valor da PLR continua atrapalhando o acordo.

A GM reiterou a proposta de R$ 8.000, praticamente a metade dos R$ 15 mil atuais. Ontem, a montadora também apresentou novo PDV (Plano de Demissão Voluntária) para aposentados, pré-aposentados e funcionários que queiram aderir. Já o sindicato garante que não vai abrir mão da estabilidade para os 750 funcionários do MVA.

Após a reunião, o diretor de Assuntos Institucionais da GM, Luiz Moan, avaliou que já houve um avanço, mas voltou a pedir a colaboração do sindicato para que o acordo seja fechado na reunião da próxima semana. “A GM já chegou ao seu limite. Fizemos novamente um apelo para o sindicato para nos ajudar a atrair este investimento tão importante para São José dos Campos”, disse Moan.

“Mas esta reunião de hoje [ontem] já representa um passo a mais”, completou o executivo. O secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos, Luiz Carlos Prates, o ‘Mancha’, reconheceu que houve avanços na reunião de ontem e acredita ser possível o fechamento do acordo. “O sindicato já fez várias concessões. Acredito que houve avanços e agora temos mais um tempo para voltar à fábrica e conversar com os trabalhadores. Mas vamos continuar insistindo na defesa dos trabalhadores, já que com as concessões que fizemos houve precarização do trabalho”, afirmou ‘Mancha’.

Segundo ele, o sindicato quer que a PLR seja definida apenas após o início das operações da fábrica. “Além do valor proposto pela GM ser metade do atual da PLR, como querem definir valor sem saber quanto vão ser os lucros? Vamos insistir neste ponto na reunião de segunda-feira. Também não abrimos mão da estabilidade.” A meta é fechar uma proposta que torne mais competitiva a produção de um novo carro da GM em São José. A cidade disputa com outros dois países a fabricação do novo modelo.

O sindicato defendeu que os metalúrgicos fossem remanejados para outros setores do complexo industrial de São José. A GM não concordou e, até ontem, sustentava a proposta de abrir um PDV (Programa de Demissão Voluntária) em junho para os trabalhadores. Quanto ao valor da grade salarial que será aplicada para os novos contratados, a diferença entre sindicato e GM caiu de R$ 690 para R$ 152, o que deveria ser resolvido.

O pacote de investimentos é considerado vital para o futuro da GM em São José. Sem a chegada de um novo projeto, o complexo industrial pode começar a ficar obsoleto na cidade e perder em competitividade para outras fábricas da empresa no Brasil e no exterior. No dia 28 de maio, a Prefeitura de São José anunciou um acordo com a GM para a criação de um distrito industrial ao lado do complexo da empresa, na região leste da cidade.

Trata-se de um terreno de mais de 1 milhão de metros quadrados que seria transformado em distrito industrial para receber novas empresas, entre elas fornecedores da GM, que viriam até do exterior. A administração também poderá conceder redução de impostos para a GM. “Precisamos que a empresa e o sindicato cheguem a um acordo e, a partir daí, em um tempo muito rápido, teremos a definição do distrito e da isenção de impostos”, disse Carlinhos na semana passada.

O Vale

Lincença atrasa impasse das obras da Tamoios

O governo do Estado adiou pela segunda vez o envio, para o Consema (Conselho Estadual do Meio Ambiente), do relatório de análise ambiental do trecho de serra da obra de duplicação da Rodovia dos Tamoios. São os conselheiros do órgão que dão o aval para a aprovação da licença prévia da obra, prevista para começar em novembro deste ano.

O governo depende da avaliação para definir o modelo da PPP (Parceria Público-Privada) para a construção da obra, que terá 22 km de extensão e custará cerca de R$ 2,13 bilhões. Na última sexta-feira, o presidente da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), Laurence Casagrande Lourenço, disse que a expectativa era de que o Consema avaliasse a obra na reunião de maio, que será realizada no dia de hoje.

Mas os conselheiros não receberam a documentação e a serra não entrou na pauta do órgão. No último dia 21 de março, o governador Geraldo Alckmin (PSDB), em visita às obras, disse que a licença prévia poderia ser obtida na reunião do Consema de 26 de março, mas o tema acabou não entrando na pauta. Mesmo assim, segundo a Dersa, o processo de licenciamento da obra está dentro do prazo esperado.

A expectativa do governo estadual é lançar o edital da PPP no próximo mês de junho e assinar o contrato da obra em outubro. Em nota, a Dersa informou que falta a manifestação da APA dos Mananciais do Rio Paraíba do Sul para enviar o relatório do trecho de serra ao Consema.

O Vale

Publicado em: 21/05/2013

Sacolas Plásticas deixam de ser cobradas em supermercados

Os supermercados da região vão continuar a oferecer sacolas plásticas gratuitas para os consumidores, mesmo tendo uma decisão judicial permitindo a cobrança a partir de amanhã. A medida foi anunciada ontem pela Apas (Associação Paulista de Supermercados) e será mantida até que se encerrem as negociações entre representantes do setor, do Ministério Público, de entidades de direito do consumidor e de defesa do meio ambiente.

A meta é trocar definitivamente as sacolas plásticas por modelos reutilizáveis nos supermercados a partir do primeiro semestre do próximo ano. Em nota, a Apas justificou a manutenção da gratuidade para que o setor chegue a um “acordo equilibrado e definitivo”, que concilie a preservação ambiental e a melhoria da qualidade de vida nas cidades com uma “mudança gradual para hábitos mais sustentáveis de uso das sacolas plásticas”.

Segundo a entidade, que representa 113 estabelecimentos na região, a medida não contraria decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que assegurou o direito dos supermercados optarem pelo não fornecimento gratuito de sacolas.

Nos estabelecimentos, os comerciantes informaram que seguirão a orientação da Apas e manterão a gratuidade das sacolas. “Seguimos o bom senso e estamos mantendo as sacolas gratuitas, mas conscientizando os clientes a usá-las de forma racional”, afirmou o empresário Amadeu Peloggia, dono de um supermercado na região central de Taubaté que leva o sobrenome dele. “Oferecemos um modelo se sacola biodegradável para não prejudicar o meio ambiente.”

O fim das sacolas plásticas gratuitas nos supermercados foi decretado em 25 de janeiro deste ano, mas um acordo entre Apas, Ministério Público e Procon deu mais prazo para a saída das sacolinhas. Durante dois meses, foi mantida uma campanha nos estabelecimentos anunciando que as sacolas plástica sairiam de cena, entrando em seu lugar modelos reutilizáveis que poderiam ser vendidos alternativamente por R$ 0,59.

Desde então, contudo, entidades de defesa do consumidor procuraram a Justiça para manter a distribuição das sacolas plásticas e gratuitas. A novela de liminares e decisões judiciais ora liberando e ora cobrando pelas sacolas, que ainda não chegou ao fim, acaba prejudicando os consumidores. “A gente fica meio sem saber o que fazer. Eu sempre levo alguma coisa para trazer a compra por não saber se haverá sacola”, disse a confeiteira Celeste Rocha, 45 anos.

O Vale

Aeroporto da cidade perde passageiros em meio a impasse

Em meio ao impasse sobre seu futuro, o Aeroporto de São José teve nos primeiros quatro meses do ano queda de 5% no número de passageiros transportados, ante o mesmo período de 2011. De janeiro a abril deste ano, 61.851 pessoas utilizaram o terminal, sendo que a capacidade anual do aeroporto é de 90 mil usuários, segundo a Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária), administradora do local desde 1996.

No ano passado, 236.084 pessoas decolaram ou pousaram em São José, crescimento de 180% em relação a 2010, o maior entre todos os aeroportos da Infraero. No entanto, a falta de estrutura fez com que a companhia aérea Azul reduzisse seu número de voos na cidade pela metade, o que vem derrubando o número de passageiros no terminal.

Para as lideranças empresariais, a falta de investimentos no aeroporto atrapalha a geração de negócios em todo o Vale do Paraíba. “Todo mundo é afetado. A região perde negócios e deixa de fazer outros. Atuo no setor de logística e posso dizer que o que a Infraero está fazendo é um insulto à logística”, afirmou o presidente da ACI (Associação Comercial e Industrial de São José), Felipe Cury.

Uma das apostas para fazer com que a o movimento volte a ‘decolar’ é a nova rota implantada ontem pela Azul que liga São José a Campinas em quatro voos diários. De Campinas, os passageiros poderão fazer conexão para 42 destinos. “A nova ligação facilitará o fluxo de clientes, em ambos os sentidos, além de possibilitar viagens a negócios com ida e volta no mesmo dia para muitas cidades brasileiras”, afirmou o vice-presidente comercial, de marketing e TI da Azul, Paulo Nascimento, em comunicado.

Para o secretário de Desenvolvimento Econômico da cidade, José de Mello Corrêa, a nova linha é um sinal de que há demanda por voos na região. “(A nova rota) significa que as companhias aéreas acreditam no nosso potencial. Se São José não traz novas rotas, a empresa leva São José a elas.”

O diretor regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Almir Fernandes, salientou que a nova rota beneficia todos os empresários da região. “É uma linha muito interessante. Hoje perdemos tempo indo para outros aeroportos”, disse.

O Vale