Sacolas Plásticas deixam de ser cobradas em supermercados

Os supermercados da região vão continuar a oferecer sacolas plásticas gratuitas para os consumidores, mesmo tendo uma decisão judicial permitindo a cobrança a partir de amanhã. A medida foi anunciada ontem pela Apas (Associação Paulista de Supermercados) e será mantida até que se encerrem as negociações entre representantes do setor, do Ministério Público, de entidades de direito do consumidor e de defesa do meio ambiente.

A meta é trocar definitivamente as sacolas plásticas por modelos reutilizáveis nos supermercados a partir do primeiro semestre do próximo ano. Em nota, a Apas justificou a manutenção da gratuidade para que o setor chegue a um “acordo equilibrado e definitivo”, que concilie a preservação ambiental e a melhoria da qualidade de vida nas cidades com uma “mudança gradual para hábitos mais sustentáveis de uso das sacolas plásticas”.

Segundo a entidade, que representa 113 estabelecimentos na região, a medida não contraria decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que assegurou o direito dos supermercados optarem pelo não fornecimento gratuito de sacolas.

Nos estabelecimentos, os comerciantes informaram que seguirão a orientação da Apas e manterão a gratuidade das sacolas. “Seguimos o bom senso e estamos mantendo as sacolas gratuitas, mas conscientizando os clientes a usá-las de forma racional”, afirmou o empresário Amadeu Peloggia, dono de um supermercado na região central de Taubaté que leva o sobrenome dele. “Oferecemos um modelo se sacola biodegradável para não prejudicar o meio ambiente.”

O fim das sacolas plásticas gratuitas nos supermercados foi decretado em 25 de janeiro deste ano, mas um acordo entre Apas, Ministério Público e Procon deu mais prazo para a saída das sacolinhas. Durante dois meses, foi mantida uma campanha nos estabelecimentos anunciando que as sacolas plástica sairiam de cena, entrando em seu lugar modelos reutilizáveis que poderiam ser vendidos alternativamente por R$ 0,59.

Desde então, contudo, entidades de defesa do consumidor procuraram a Justiça para manter a distribuição das sacolas plásticas e gratuitas. A novela de liminares e decisões judiciais ora liberando e ora cobrando pelas sacolas, que ainda não chegou ao fim, acaba prejudicando os consumidores. “A gente fica meio sem saber o que fazer. Eu sempre levo alguma coisa para trazer a compra por não saber se haverá sacola”, disse a confeiteira Celeste Rocha, 45 anos.

O Vale

O fim das sacolas plásticas gera polêmica na cidade

Muitos consumidores foram pegos de surpresa ontem nos supermercados de São José e região com o fim das sacolas plásticas. No Vale e Litoral Norte, pelo menos 53 redes de supermercados, totalizando 80 lojas, aderiram à medida. Em São José, 15 supermercados participam da ação, entre eles as redes Pão de Açúcar/ Extra, Carrefour, Piratininga e Villarreal.

A partir de agora, o consumidor deve carregar as compras em sacolas biodegradáveis ou recicláveis. Os supermercados também oferecem caixas de papelão para facilitar a compra. No Spani Atacadista, há quatro opções de sacolas disponíveis. A mais barata custa R$ 0,19 e a mais cara é vendida por R$ 1,99.

Com dois carrinhos lotados e sem ter outra opção, a faxineira Maria José de Souza, 57 anos, precisou gastar quase R$ 10 para levar cinco sacolas de R$ 1,99. “É o jeito, mas agora eu já compro e venho preparada das próximas vezes. Apesar de ter sido pega de surpresa, eu aprova a ideia, vai ser boa para o meio ambiente”, disse.

De acordo com o gerente do Spani, José Alceu Teixeira, o estoque das sacolas já foi abastecido. Com o início da medida, a unidade deverá economizar cerca de R$ 30 mil por mês. O Spani fixou cartazes informando os preços das sacolinhas no lado de fora do imóvel. Para o guarda industrial aposentado José Moreira, 65 anos, que também concorda com a ideia, a esperança é que os supermercados revertam a economia em descontos.

“Já comprei minhas sacolas apropriadas e ficou barato. Eu concordo com a iniciativa, mas acho que os mercados devem dar algo em troca para nós, como descontos.” Mais de 40 milhões de sacolas plásticas são usadas por mês apenas em São José. Segundo o presidente da Apas (Associação Paulista de Supermercados), João Galassi, o objetivo da campanha ‘Vamos Tirar o Planeta do Sufoco’ é o fim da cultura do descarte.

“Estamos orientando os associados desde agosto de 2011, com farta comunicação. Pelo resultado de hoje (ontem), a Apas está confiante de que a adaptação será tranquila”, disse ele. Para o diretor do Procon de São José, Sérgio Werneck, os supermercados devem oferecer alternativas ao cliente.

CONSUMIDOR
Segundo o Procon de São José, os supermercados não devem impor a venda das sacolinhas e devem oferecer outras alternativas para o consumidor. “Estamos atentos porque não são eles que devem pagar pela mudança. Muitos consumidores já vieram reclamar e vamos agir de acordo com a lei. Recomendo que todos reclamem”, disse o diretor do Procon, Sérgio Werneck.

O Vale

Campanha para substituição de sacolas plásticas

A Prefeitura de São José dos Campos assina nesta quarta-feira (30), às 14h, um termo de cooperação com a Associação Paulista de Supermercados (APAS), oficializando o apoio à campanha “Vamos Tirar o Planeta do Sufoco”. A assinatura será no auditório da Secretaria de Meio Ambiente, no Parque da Cidade Roberto Burle Marx.

O objetivo da campanha é incentivar os supermercados a adotar o conceito ‘descartável zero’, substituindo as sacolas descartáveis, à base de petróleo, por reutilizáveis. Assinam o termo de cooperação para desenvolver e implantar projetos de conscientização ambiental entre os consumidores, a APAS, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, a Associação Comercial e Industrial (ACI) e o Sindicato do Comércio Varejista de São José dos Campos (Sincomércio).

Durante a oficialização do apoio, o Secretário de Meio Ambiente de São José dos Campos e o Presidente da Urbam (Urbanizadora Municipal) farão uma apresentação sobre a gestão de resíduos sólidos e o impacto das sacolas plásticas no aterro sanitário do município.

O evento terá a presença dos presidentes das entidades envolvidas e supermercadistas associados da APAS, além do Assessor de Planejamento em Comunicação da Prefeitura, e Secretário de Desenvolvimento Econômico.

“Vamos Tirar o Planeta do Sufoco” é uma campanha realizada em todo o Estado de São Paulo. A APAS disponibiliza material de divulgação para ajudar na conscientização dos clientes. A expectativa é que até janeiro de 2012 o maior número de estabelecimentos tenha deixado de distribuir aos consumidores sacolas plásticas derivadas de petróleo, estimulando o uso de sacolas retornáveis, como as de feira; ecobags, reutilizáveis e feitas de material renovável; carrinho de feira; caixa de madeira ou mochila.

A campanha é uma iniciativa da APAS do Estado de São Paulo, realizada em parceira com o Governo de São Paulo e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

Prefeitura Municipal

Polêmica sobre o saco de plástico

ONGs (Organização Não-Governamental) estudam materiais plásticos e alegam que deveriam existir ações para conscientizar a população a reutilizar sacola plástica quantas vezes for necessário e, no final, dar destinação correta.

Para a ONG Plastivida ( Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos), as pessoas podem reutilizar as sacolas plásticas para fazer novas compras, sem precisar pegar novas sacolas. Outra preocupação é com a perda de empregos na cadeia produtiva de sacolas, que tem 30 mil trabalhadores.

Para o presidente da Urbam (Urbanizadora Municipal) Alfredo de Freitas Almeida, a maior preocupação se as sacolas plásticas forem banidas é onde o lixo será colocado. Segundo ele, as pessoas podem reutilizar as sacolas plásticas o máximo possível e depois que ela não tiver mais uso, pode ser descartada junto com a coleta seletiva, já que no aterro ela será repassada a empresas recicladoras.

Contraponto. Ambientalistas e alguns supermercados defendem o uso de sacolas biodegradáveis –que se decompõem em menos tempo do que as sacolas plásticas (as plásticas podem levar até 400 anos).

Para o ambientalista Lincoln Delgado, as sacolas retornáveis são menos prejudiciais ao meio ambiente.

Em São José, três vereadores fizeram projetos de lei para proibir o uso da sacola plástica em lojas e supermercados da cidade, mas as iniciativas ainda estão em discussão na Câmara.

No ano passado foi aprovado em Jacareí um projeto de lei de autoria do vereador Edinho Guedes (PPS), que oferece isenção de imposto para os comércios que incentivarem o uso da sacola retornável. Em Taubaté também existe um projeto semelhante, de autoria da vereadora Maria Paolicchi (PSC), mas não foi à votação.

Fonte: O Vale