Serviço de Segurança Eletronica cresce devido ao medo

O aposentado R. C. P, 68 anos, paga cerca de R$ 20 mil por ano para a iniciativa privada para ter segurança, um serviço que deveria ser garantido pelo Estado. R. não é o único. Com a escalada da violência, as pessoas estão recorrendo cada vez mais a muros maiores, cercas elétricas e câmeras de vigilância. O mercado da segurança privada, cresce em média, 17% ao ano.

“As pessoas ouvem repercussão de outros crimes e tomam medidas excessivas. Isso prejudica a qualidade da vida. Muitas vezes, a pessoa não deixa os filhos saírem de casa por medo”, diz José Vicente da Silva Filho, consultor de segurança.

Na região, uma pessoa é vítima de roubo, furto ou sequestro a cada 12 minutos. Uma forma comum de abordagem é a pessoa ser rendida no portão da casa. A Engeseg, empresa de segurança que atua em São José, diz que houve uma mudança no padrão dos clientes atendidos.

“Antigamente, eram empresas que queriam tecnologia. O número de casas era ínfimo. Hoje, de 3.000 clientes, metade são casas que instalaram câmeras e alarmes”, diz Antônio de Pádua Oliveira, gerente de segurança eletrônica da Engeseg.

De acordo com a Sesvesp (Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado de São Paulo), em 2011, o setor de segurança privada empregava 3.549 pessoas em São José. Em 2010, o número era 2.784. “Este aumento é reflexo da legislação, que mudou e também do crescimento da economia. Se a economia cresce, aumenta também a contratação de vigilantes”, diz João Eliezer Palhuca, vice-presidente do Sindicato.

A casa onde R. mora com o pai, possui uma forte estrutura de segurança: muro de três metros de altura, câmeras e cerca elétrica em volta do terreno. Na rua, um vigilante é pago por todos os moradores para acionar a polícia em casos suspeitos. Além disso, a residência e os três veículos estão segurados.

“Se o ladrão pensar em olhar minha casa vai pensar duas vezes. Talvez decida roubar um local que tenha menos segurança”, diz. R. diz que a rua em que ele mora é tranquila, mas todos seus vizinhos investem em equipamentos de segurança.

“Quem quer ser assaltado? A gente sabe que a Polícia Militar não pode estar em todos os lugares. Então, prefiro não depender só dela”, d iz. A tecnologia permite hoje que a pessoa consiga ver do celular tudo que acontece em sua casa, em tempo real. Mas custa caro. Um kit básico com duas câmeras de segurança custa R$ 4.000 e mais uma mensalidade de R$ 150 para que a empresa de segurança faça o monitoramento.

“Ter segurança em casa era muito mais caro, mas agora está mais acessível. As pessoas investem nesses equipamentos para sentirem mais sensação de segurança e evitar o trauma de serem vítimas”, diz o gerente da Engeseg.

O Vale

Combate a Violência ganha novos adeptos ao projeto

A campanha ‘O Vale pela paz’, cujo objetivo é abrir o debate sobre a violência epidêmica que atinge a região, ganhou adeptos entre pessoas com representatividade dentro e fora do Vale. Eles elogiaram a iniciativa dos jornais O VALE e ‘Bom Dia’ e afirmaram que, sim, a sociedade mobilizada pode mudar o panorama de violência.

Uma série de reportagens especiais irá tratar de temas relacionados à violência nas páginas dos periódicos. No site de O VALE (ovale.com.br), será disponibilizado mais conteúdo diariamente. Com isso, os veículos pretendem mobilizar a sociedade a cobrar do Estado medidas efetivas no combate à violência na região.

Doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra e diretor do Master em Jornalismo, Carlos Alberto Di Franco elogiou a iniciativa por focar em “tema relevante da agenda pública. Segurança é um das maiores demandas da sociedade”.

Para ele, como o crime organizado migrou para regiões que, no passado, eram sinônimo de paz e convivência, a sociedade precisa reagir. “É preciso dar um basta, cobrar segurança pública e, sobretudo, promover uma campanha em favor da paz.”

Avaliando como uma “excelente ideia”, o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São José, Júlio Rocha, disse que a iniciativa “estimula e envolve toda a sociedade a refletir sobre os mecanismos de conquista da sonhada paz”.

Para ele, e a sociedade deve assumir a responsabilidade de sua parcela, para que se possa realizar o ideal da paz. Nesse contexto, Rocha defende que as pessoas se lembrem que a paz “começa em família, estimulando a cada membro, e principalmente as crianças, a viverem em harmonia, solucionando os problemas pelo diálogo”.

Mobilização. Na avaliação do deputado estadual Hélio Nishimoto (PSDB), a campanha pode conscientizar os leitores para a “importância de ajudar na melhoria da segurança”. Segundo ele, a força da mídia é capaz de despertar o interesse dos cidadãos. “O jornal ajuda a conscientizar a população.”

“Toda iniciativa que busque a mobilização da sociedade em torno das mazelas sociais é válida, sobretudo um tema tão complexo como a violência”, opinou o sociólogo e cientista político Alacir Arruda, professor da Unitau.

Para ele, a campanha pode incentivar os cidadãos a denunciar, se indignar e não aceitar a violência, seja ela de qualquer espécie, como algo natural. “Temos a maior carga tributária do planeta e o mínimo que o Estado deve fazer é nos dar condições seguras de ir e vir.”

Para enfrentar a violência, segundo a promotora Silvia Máximo, da Vara da Infância e Juventude de São José, a sociedade tem que assumir sua responsabilidade. “Deve se articular e cobrar a implementação de políticas públicas e rigor para o cumprimento das penas impostas aos sentenciados.”

Agostinho Gomes, delegado assistente do Deinter-1 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior), reforçou que a segurança é responsabilidade de todos, não só das polícias. Quanto à participação da sociedade, estimulada pela campanha, ele defende o registro das ocorrências, denúncia de atividades suspeitas e confiança no trabalho policial.

O Vale

Com foco no mercado, Empresas apostam em exportação

Em setembro do ano passado, os sócios Ivan Sant’Anna e Renato Pisani participaram da feira Copa Ícaro, na França, voltada a esportes ligados a voos livres. A intenção da dupla, dona da Adventure Instruments, de São José, era apresentar seus produtos aos aficionados em voo livre, no entanto, a viagem foi o início de uma nova fase da empresa.

Os equipamentos fabricados pela Adventure, responsáveis pela medição de correntes de ar, tempo de voo e informações de voos anteriores, despertaram o interesse de comerciantes europeus e, atualmente, são exportados para 12 países, entre eles, França, Alemanha, Itália, Áustria e Suíça.

A Adventure Instruments ilustra um cenário cada vez mais presente na região: o crescimento do número de empresas que vendem para outros países. O MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) não possui dados sobre este crescimento, que foi sentido pelo Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo).

“Temos visto esse crescimento aos poucos, principalmente de empresas incubadas. Hoje, está mais fácil exportar, até mesmo pelo correio, por Sedex. Elas se beneficiam deste momento mais que as grandes empresas pois os contratos são pequenos, mais curtos”, disse o diretor regional do Ciesp, Almir Fernandes.

A meta da Adventure para este ano é exportar para 50 países. “Não temos concorrentes no país. A exportação é fácil, fazemos tudo pelo correio e nunca tivemos problemas”, disse Pisani. “Exportar nos deu credibilidade no mercado interno”, acrescenta Sant’Anna. Hoje, a exportação representa 10% do total de vendas da empresa.

A Compsis, também de São José, fechou 2011 na 36ª posição no ranking de empresas mais exportadoras de São José. A companhia, que atua na área de tecnologia para sistemas de automação, arrecadação em pedágio e sistemas embarcados, vendeu o equivalente a US$ 1,4 milhão ao exterior no ano passado.

A diretora executiva de tráfego e transporte da Compsis, Rosângela Monteiro, destacou que no segmento de pedágio, carro-chefe da empresa, as exportações chegam a 20% do total de vendas da empresa. “Hoje em dia, o contato é maior”, disse Rosângela. Ainda assim, a executiva salienta que o mercado brasileiro está aquecido e continua sendo seu foco de atuação.

O Vale

Atletas de Capoeira, vão para os EUA

Aviões, carros e capoeiristas. Nem só as indústrias e a alta tecnologia levam o nome do Vale do Paraíba para o exterior. Cada vez mais, uma atividade esportiva que já foi considerada desordem ganha o mundo e chama a atenção dos estrangeiros. Na região, a capoeira se tornou produto de exportação.

Centenas de capoeiristas do Vale percorrem o mundo abrindo academias e se apresentando em shows, programas de TV e filmes. Eles levam o gingado da capoeira e encantam os estrangeiros, que também visitam a região para conhecer a cultura dos capoeiristas direto da fonte.

Mas nem sempre foi assim. A capoeira já foi considerada atividade de bandidos e punida até com a morte. Ela chegou ao Brasil com os escravos africanos trazidos para a então colônia portuguesa entre os séculos 16 e 19. Era o meio de defesa deles e a tentativa de manter a cultura nativa.

Misturando diversas manifestações folclóricas africanas, a capoeira foi “gestada na África e parida no Brasil”, como resume José Antônio dos Santos de Almeida, 54 anos, o mestre Zé Antônio, do grupo Cordão de Ouro, de Guaratinguetá. Para ele, mais do que uma luta, a capoeira é uma “filosofia de vida, capaz de unir arte, dança e atividade esportiva e harmonizar corpo e mente”.

Começo.Desde os pioneiros baianos Vicente Ferreira Pastinha (1889-1981), o mestre Pastinha, e Manoel dos Reis Machado (1900-1974), o mestre Bimba, que chegaram a sofrer com a perseguição policial nas primeiras décadas do século 20, a capoeira vem rompendo fronteiras e derrubando preconceitos.

“A polícia perseguia um capoeirista como se persegue um cão danado”, narra Bimba nas páginas de ‘Conversando sobre capoeira’ (1996), livro de Esdras Magalhães dos Santos, 84 anos, o mestre Damião, tenente reformado das Forças Aéreas, advogado e um dos precursores da capoeira em São Paulo.

Ele veio da Bahia para São José dos Campos e tornou-se uma referência no Vale. Para ele, embora a capoeira seja uma só, ela tem diversas variações, desde a luta agressiva até o bailado alegre e descontraído que encanta os estrangeiros. “Pode jogar mais bravo ou para se deleitar”, explica.

Tradição. Com turnês anuais por diversos países da Europa e nos Estados Unidos, mestre Zé Antônio e o irmão Ponciano Almeida, trouxeram para Guará o Cordão de Ouro de mestre Suassuna, de São Paulo, em 1974. Desde então, vêm formando uma legião de professores que se espalha pelo mundo.

Atualmente em turnê pelos EUA, Everaldo Bispo de Souza, 59 anos, o mestre Lobão, celebra 41 anos de história da primeira academia de capoeira do Vale, a Besouro Mangangá, que ajudou a montar em São José, em 1971, com Damião e seu filho, Esdras Filho.

“O Vale tem excelentes mestres, mas temos que trabalhar com muita responsabilidade para que tenhamos capoeiristas de excelente qualidade. Aí sim estaremos bem representados lá fora”, afirma Lobão.

O Vale

Megaprojeto de R$314 milhões para ampliação de Aeroporto

A ‘novela’ de mais de 15 anos em torno da ampliação do aeroporto de São José dos Campos fez com que municípios menores da região ultrapassassem a ‘capital do avião’ em projetos para construção de aeródromos com o objetivo de desafogar o tráfego aéreo de grandes centros durante a Copa do Mundo no Brasil, em 2014.

Entre os projetos, o mais avançado é do CEA (Centro Empresarial Aeroespacial), de Caçapava, que deve iniciar suas obras dentro de 10 dias. Também são estudadas melhorias nos aeródromos de Guaratinguetá e Taubaté, usados pelas Forças Armadas.

O CEA será instalado em uma área de 2,6 milhões de metros quadrados, às margens da rodovia Carvalho Pinto, a quatro quilômetros da via Dutra. Com investimento previsto de R$ 314 milhões, o projeto é encabeçado pelo Grupo Penido e tem previsão inicial de receber jatos executivos e aviões de pequeno porte.

“Esperamos ver aviões descendo na pista no final de 2013. É uma meta arrojada, mas pretendemos trabalhar 24 horas por dia depois do início das obras”, afirmou o diretor executivo do grupo, Rogério Penido. A escolha de Caçapava, segundo Penido, foi motivada por critérios técnicos.

“Apresentamos mais de 15 áreas para a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), sendo seis em São José. A que mais agradou a Anac foi essa, por ser paralela às pistas de São José e Taubaté”, disse Penido.

A estimativa é que 22 mil empregos diretos sejam gerados com o empreendimento, que tem mais de 300 lotes disponíveis à venda para instalação de empresas do setor aeronáutico e hangares particulares. Cerca de 40% dos lotes já têm proprietários interessados.

O Vale

Dias das Mães aquece Comércio na cidade

O comércio de São José estima crescimento de 11% nas vendas para o Dia das Mães deste ano em relação a 2011, aponta pesquisa da ACI (Associação Comercial e Industrial). Desde a semana passada, as vitrines das lojas dedicadas ao público feminino ganharam decoração especial visando atrair aqueles que desejam antecipar as compras e fugir do movimento de última hora.

Para o presidente da ACI, Felipe Cury, o otimismo do comércio é explicado pelo momento de expansão de crédito aos consumidores e o aumento de promoções. “Essa queda de juros é muito animadora, veio para ficar e vai atingir diretamente o comércio. A mudança de estação também ajuda, pois há necessidade da mudança de vestuário com essa queda brusca de temperatura”, disse.

A bancária Thatiane Lima, 25 anos, já começou a observar potenciais presentes para sua mãe. “Vou comprar esta semana. Todo ano dou alguma roupa e desta vez não será diferente”, disse Thatiana. A gerente da Barred’s, Rosana Leone, disse que o movimento deve se intensificar a partir desta semana. Ela estima aumento de 30% nas vendas.

“Já tivemos clientes pedindo embrulho para o Dia das Mães”, afirmou Rosana. Em Taubaté, a Acit (Associação Comercial e Industrial) divulga nos próximos dias expectativa de vendas dos lojistas. A presidente da entidade, Sandra Morales, acredita que o crescimento nas vendas deva ficar em torno de 10%.

O Vale

Fim do Prazo para Declaração de Imposto de Renda na cidade

Faltando cinco dias para o fim do prazo para a declaração do Imposto de Renda 2012, pouco mais da metade dos moradores da região realizou o procedimento. Até a meia-noite de segunda-feira, 58% do total das declarações esperadas nas regionais de São José e Taubaté foram realizadas. O prazo para declarar o IR termina na próxima segunda-feira.

Segundo a Receita Federal, o processo de declaração segue em ritmo considerado normal. Como nos últimos anos, é esperado que a maioria das declarações seja feita nos últimos dias. Na regional da Receita Federal em São José, que engloba 15 cidades, das 300 mil declarações esperadas, 170 mil foram feitas. Já na regional de Taubaté, responsável por 30 cidades, 115 mil declarações foram efetuadas até a última segunda.

Lavrinhas é a cidade da região com maior índice de IRs declarados, com 66%. Por outro lado, Arapeí possui 46% do total de operações feitas e ocupa a lanterna no ranking de declarações.

A Receita alerta para o risco de deixar a declaração para a última hora. Além do sistema poder ficar lento pela quantidade de acessos, um erro pode ser responsável por levar a pessoa à malha fina. “Pela experiência que temos dos anos anteriores, o sistema pode ficar lento nos últimos dias pela quantidade de acessos”, disse a auditora da Receita Federal de São José, Ana Cristina Wajsman.

Um dos problemas mais comuns no ato de declarar o IR é a falta de documentos necessários para comprovar gastos e recebimentos. A Receita lembra que erros na declaração podem ser retificados após o dia 30. A pessoa só cai na malha fina caso a Receita identifique o erro antes que o declarante.

O índice de declarações no país é um pouco menor que o da região. Até a meia noite de segunda-feira, das 25 milhões de declarações esperadas, 13,5 milhões foram feitas.

O Vale

Vale do Paraíba registra baixa em empregos nas cidades

O Vale do Paraíba teve no primeiro trimestre deste ano seu pior desempenho na geração de empregos desde a crise que atingiu o país no final de 2008 e início de 2009. O saldo de postos de trabalho criados nas três maiores cidades da região foi negativo de 231 vagas. No ano passado, no mesmo período, 3.736 tinham sido abertas.

São José dos Campos teve o pior resultado entre os três municípios, com saldo negativo de 576 vagas, segundo os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho.

Os piores setores na cidade são comércio, construção civil e indústria. Somente em março, a construção civil foi responsável pelo fechamento de 327 vagas. Para o presidente da Aconvap (Associação das Construtoras do Vale do Paraíba), Cléber Córdoba, o ‘buraco’ no emprego deve permanecer nos próximos meses, devido ao impasse sobre possíveis mudanças na lei de zoneamento. O setor pressiona a prefeitura para alterar a lei e liberar prédios com mais pavimentos na cidade.

“Todo mês, estamos perdendo postos de trabalho pela dificuldade que os empresários têm encontrado para viabilizar seus empreendimentos”, disse. Já para o secretário de Relações do Trabalho de São José, Ricardo Dinelli que assumiu a pasta ontem, o cenário de perda de emprego na cidade é momentâneo.

“Qualquer demissão de trabalhador preocupa a secretaria, mas sabemos também que é uma preocupação momentânea, já que a prefeitura tem trabalhado por uma legislação mais arrojada visando atrair novos empreendimentos. Da mesma forma, a secretaria tem investido muito na qualificação e requalificação de profissionais”, afirmou Dinelli.

Em Taubaté, as contratações do início do ano na indústria automobilística fizeram com que a cidade mantivesse o saldo positivo (647) na geração de empregos no trimestre. Ainda assim, o resultado é bem inferior ao do ano passado (1.476).

Em março, o pior desempenho da cidade foi no setor da construção civil. “Muita obra está em fase de acabamento, quando algumas pessoas são dispensadas. Na indústria, o setor continua melhor que nas outras cidades e deve melhorar ainda mais por causa do investimento da Volks”, disse o assessor para assuntos políticos da Prefeitura de Taubaté, Jacir Cunha.

Jacareí, que amargou a perda de 303 postos de trabalho na indústria neste primeiro trimestre, atribui o resultado à sazonalidade da produção de suas empresas. “Geralmente, sentimos o impacto do mercado sazonal das cervejarias da cidade no começo do ano, mas melhora depois”, disse o secretário de Desenvolvimento Econômico de Jacareí, Emerson Goulart.

O Vale

Novas construções investem pouco em ‘projeto verde’

Considerada uma das capitais tecnológicas do país, São José dos Campos está atrasada quando o assunto é sustentabilidade na construção civil. Ainda poucas empresas resolveram se engajar na “construção verde” e os projetos sustentáveis são minoria na cidade.

De 143 novos empreendimentos surgidos desde novembro do ano passado, apenas dois buscaram pré-certificação no Leed (Leadership in Energy and Environmental Design liderança em energia e design ambiental, na tradução livre). Trata-se de sistema de certificação e orientação ambiental de edificações criado nos Estados Unidos, sendo adotado em 130 países, incluindo o Brasil.

Em São José, apenas a nova sede da Associação de Engenheiros e Arquitetos e o Colinas Green Tower estão buscando a certificação. Para tanto, os empreendimentos precisam seguir sete critérios: eficiência energética, uso racional da água, materiais e recursos, qualidade ambiental interna, espaço sustentável, inovações e tecnologias e créditos regionais.

Eles se comprometem a seguir os critérios e, depois de prontos, serão avaliados, para só aí recebem o certificado. Para o engenheiro Marcos Casado, gerente técnico do Green Building Council Brasil, representante oficial do Leed no Brasil, falta informação aos empresários sobre os benefícios da construção sustentável.

“O custo adicional chega até a 7% dependendo do nível de certificação que o empreendimento busca. Mas o retorno é rápido com a economia operacional gerada”, diz ele, que aposta no futuro da sustentabilidade em São José. “Tenho certeza que rapidamente despontará como uma das cidades com mais projetos.”

Trazendo eventos, palestras e apoiando um curso de MBA na área de sustentabilidade, a Aconvap (Associação das Construtoras do Vale do Paraíba) quer mudar esse prisma. “Estamos em sintonia com o mundo. Mesmo não tendo certificados, os empreendimentos estão sendo construídos com sustentabilidade parcial, como reaproveitamento da água”, afirma Cleber Córdoba, presidente da Aconvap.

Para erguer uma torre de 25 andares de salas comerciais na área do Shopping Colinas, na região oeste de São José, o vice-presidente do Colinas, Emerson Marietto, investe pesado na sustentabilidade. Serão gastos R$ 81 milhões para erguer 32 mil metros quadrados de área construída, até abril de 2014, com garagem e torre, que se conectará ao shopping. Para conseguir o certificado Leed, o modelo de construção seguirá rígidos padrões para uso de materiais, reduzindo resíduos e impactos.

“O prédio será eficiente na gestão energética, água terá controle por sensores, vidros privilegiam a iluminação natural e retêm calor e até os elevadores são inteligentes”, conta Marietto. “Tudo isso agrega valor ao empreendimento e atrai grandes empresas.”

Marco Aurélio Vituzzo, gerente comercial da construtora M Vituzzo, olha para frente quando pensa em sustentabilidade. Cada morador dos 60 apartamentos do Aquarius Evolution, prédio de 20 andares que deve ser entregue em 2015, terá uma tomada na garagem para recarregar um carro elétrico, além de outros projetos verdes.

“Em 2020, cerca de 20% da frota será de carros elétricos, que rodam 180 km com R$ 5 em energia. O apelo sustentável é enorme”, explica. Além disso, a empresa usa uma máquina capaz de reciclar os resíduos da construção e diminuir a média de 20% de perdas nos materiais. “Sem ela, continuamos na média de perda da construção, que é de um prédio inteiro para cada cinco construídos.”

O Vale

Acordo firma instalação de instituto do ITA E MIT na cidade

Um acordo firmado ontem entre o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), dos EUA, prevê a instalação de um centro de inovação do setor aeroespacial em São José dos Campos.

O convênio, que também inclui expansão do intercâmbio entre alunos das duas universidades, foi assinado pelo reitor do ITA, Carlos Pacheco, que integra a comitiva da presidente Dilma Rousseff (PT) em visita aos EUA desde anteontem. “Com o acordo queremos repensar a maneira como ensinamos engenharia e quais cursos novos vamos abrir”, afirmou Pacheco.

Nos próximos seis meses, as duas instituições trabalharão juntas na formatação da parceria, que já tem definida a concessão de 50 bolsas de estudo para doutores brasileiros estudarem no MIT. “Vejo (a parceria) com bastante otimismo e excelentes perspectivas, primeiramente para o ITA. Se isso vai beneficiar a indústria, é consequência. É um passo muito interessante”, disse o presidente da AAB (Associação Aeroespacial Brasileira), Paulo Moraes Júnior.

Ele lembrou que o MIT foi um dos colaboradores da fundação do ITA em 1950, com a implantação da mesma filosofia de ensino. “É um modelo de integração entre escola e residência no campus, o que possibilita um contato maior entre professor e aluno. O MIT é uma instituição bastante respeitada e muita gente que estudou lá se tornou empreendedor”, disse Moraes.

Além do MIT, a comitiva brasileira, que também conta com os ministros da Educação, Aloizio Mercadante, e da Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp, visitou ontem a Universidade de Harvard, onde foi oficializada nova parceria para intercâmbio. Para Moraes Junior, parcerias com as instituições norte-americanas são benéficas pois há defasagem no número de engenheiros formados no país.

“Nós não estamos encontrando engenheiros. Apesar do esforço de todas as escolas, formamos poucos engenheiros. O MIT vem para agregar valor, não para concorrer. A cidade tem corpo para absorver uma instituição desse porte”, afirmou Moraes Júnior.

Após visita, Mercadante afirmou que o governo brasileiro negociava com a universidade a implantação de uma sede no Brasil. A assessoria do MIT desmentiu o ministro, afirmando ter havido um mal entendido, e ressaltou que o instituto não abre unidades de ensino fora dos Estados Unidos.

O Instituto de Tecnologia de Massachusetts, com sede em Cambridge, foi fundado em 1861 e é um dos líderes mundiais em ciência e tecnologia. Hoje, há 58 estudantes brasileiros no MIT. Já o ITA recebe por aluno 120 novos alunos.

O Vale