Cerimônia abre Comissão da Verdade em São José

A Comissão da Verdade da Câmara de São José dos Campos foi instaurada ontem à noite, em cerimônia com a presença de ex-presos políticos do regime militar. A comissão pretende apurar casos de violações de direitos humanos ocorridas na cidade durante a ditadura (1964-1985), como perseguições, torturas e desaparecimentos forçados. No próximo dia 16, às 14h, estão previstos para acontecer depoimentos de familiares de pessoas que lutaram contra o golpe em 1964 abrindo os trabalhos da comissão. Na lista de convidados estão parentes dos ex-sindicalistas José Maria e Lauro Pinto, do ex-vereador de São José Osvaldo Martins Toledo e a viúva do também ex-vereador Argemiro Parisoto.

“Vamos convidar os familiares dessas pessoas que lutaram e tiveram papel fundamental na resistência contra o golpe de 1964. Isso não quer dizer que a presença delas é garantida, mas nós já enviamos os convites”, afirmou a vereadora Amélia Naomi (PT), autora do projeto de lei que criou a Comissão da Verdade. Ao todo, estão previstas oito audiências públicas na cidade e que devem coletar depoimentos de ex-professores do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e ex-funcionários do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial). A comissão também pretende ouvir pessoas que integraram o movimento estudantil, ex-alunos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Fundação Valeparaibana de Ensino e trabalhadores demitidos na época da ditadura militar.

A comissão leva o nome do ex-reitor do ITA Michal Gartenkraut, morto em julho deste ano.“Ele perdeu o cargo após entregar diplomas para ex-alunos perseguidos na ditadura”, afirmou Amélia.

Contratada pela Urbam, Cavo é doadora de campanhas do PT

A Cavo Serviços e Saneamento, que presta serviço desde anteontem de forma emergencial para a Prefeitura de São José dos Campos, está entre as principais doadoras de campanhas eleitorais do PT nos últimos anos. A empresa foi contratada com dispensa de licitação pela Urbam (Urbanizadora Municipal) para fazer a coleta de lixo no lugar da empresa VSA (Vale Soluções Ambientais), que teve o contrato rescindido. A Cavo, que vai atuar por três meses em São José e receber R$ 4,049 milhões da Urbam, é doadora de campanhas do PT desde 2004. Durante este período, ela doou R$ 648 mil para candidatos petistas em várias cidades do país. Nenhum deles era de São José dos Campos.

A empresa Estre Ambiental, atual controladora da Cavo, também é uma histórica doadora para candidatos petistas. Nas eleições de 2008 e 2010, a Estre, que é considerada a maior empresa de gerenciamento de lixo do país, doou para candidatos petistas R$ 1,070 milhão. Ambas as empresas também doaram somas em dinheiro para candidatos de outros partidos. Para vereadores da oposição, a ligação da Cavo com candidatos petistas é duvidosa e levanta suspeitas sobre o contrato emergencial assinado em São José. “Vamos ficar de olho nessa empresa em São José, que está começando a operar. A prefeitura deveria ter mantido a VSA enquanto realizava a nova licitação do lixo”, disse Fernando Petiti (PSDB). Ele informou que a bancada de oposição irá estudar quais medidas poderá tomar para questionar o contrato emergencial. “Não descartamos recorrer ao Ministério Público, mas isso ainda está em estudo pela bancada do PSDB.”

Para o vereador governista Shakespeare Carvalho (PRB), , a situação do lixo na cidade foi desencadeada pelo valor abaixo do mercado no contrato com a VSA. “Ela acabaria deixando o serviço por não conseguir pagar as contas e deixaria a cidade na mão”, afirmou. Para ele, no entanto, a Cavo não deveria participar da próxima licitação do lixo, em razão das doações para o PT. “Não seria o ideal”. A Urbam defendeu o contrato emergencial com a Cavo, que fornece caminhões e absorveu os cerca de 200 trabalhadores da VSA. Em nota, a Urbam informou que “preza pela segurança jurídica dos seus atos e pelo estrito respeito às leis”. Também em nota, a Cavo informou que “realizou doações a diversos partidos políticos em diversas ocasiões”, e que “todas as contribuições realizadas são públicas e conforme legislação vigente”.

Após uma semana de greve dos coletores de lixo e outra de força-tarefa da Prefeitura de São José para minimizar o problema, a coleta de lixo comum na cidade ainda não foi completamente regularizada. Moradores de bairros das regiões leste e sul reclamaram ontem da falta de coleta, que não teria sido feita. “O caminhão não passou e o lixo ficou na porta de casa”, disse a manicure Maria Batista de Oliveira, 50 anos, que mora no Novo Horizonte, na zona leste da cidade. Mathias Cardoso, 48 anos, professor do Morumbi, na região sul, também reclamou da falta de coleta de lixo. “É ruim ficar com o lixo amontoado na rua de casa. Os vizinhos estão reclamando muito”, afirmou.

A Urbam informou que o calendário da coleta de lixo comum sofreu uma mudança e que alguns moradores ainda não estão habituados com a nova agenda da passagem do caminhão. Ontem, por exemplo, não era dia de coleta no Novo Horizonte. No Morumbi, o lixo foi coletado ontem na área entre a rua Benedito Bento para o Jardim Oriente. A Urbam informou que reforçará a divulgação do novo calendário para os moradores. A distribuição do folheto será feita de porta em porta.

Em São José, queda de folha de palmeira gera polêmica

Moradores de São José que transitam pela avenida João Guilhermino, no centro da cidade, temem que a intensa queda de folhas das palmeiras imperiais do local seja um sinal de que as árvores estejam doentes. A palmeiras, que foram plantadas há cerca de 150 anos, são uma das marcas registradas da cidade. “As folhas sempre caíram, mas acho que as árvores estão velhas. Às vezes, a árvore esta bonita por fora, mas pode estar podre por dentro por causa da umidade”, disse o comerciante Paulo Lopes, 60 anos, que trabalha na praça Kennedy há 20 anos. “Alguém tinha que examinar para saber se as árvores estão bem. Tem que fazer prevenção e avaliar para que elas não caiam, já que seria um estrago terrível. Para mim, não é por causa das lagartas que as folhas caem e sim porque as árvores estão velhas”, completou.

O taxista Irani Márcio Cursino, 50 anos, também demonstrou preocupação com as palmeiras. “Não acho que estejam doentes, mas o que tem que fazer é cuidar e fazer um trabalho para não acontecer de caírem”, afirmou Cursino. “Dá impressão de que as árvores estão ficando doentes. Há 20 anos era tudo verdinho e hoje parecem que estão debilitadas. Têm que cuidar porque são o cartão postal da cidade”, disse a balconista Vanderléia de Fátima dos Santos, 32 anos. O engenheiro agrônomo e chefe de divisão da Secretaria de Serviços Municipais Carlos Ignácio Trunkl explicou que as folhas caem porque são alimento de lagartas das borboletas da espécie Brassolis sophorae.

Segundo ele, se as árvores têm condições de descartar as folhas velhas comidas pelos insetos para dar lugar às novas é sinal de que estão saudáveis. “As condições climáticas dessa época do ano, como temperatura e umidade altas, facilitam a reprodução das lagartas, que são atraídas por todo tipo de palmeira. Há cerca de 10 anos nós controlávamos a infestação com inseticidas, mas paramos porque nessa época também há procriação de pássaros adaptados à área urbana, como o bem-te-vi, que se alimentam dessa lagarta”, afirmou Trunkl. “O inseticida matava não só a lagarta, mas também os pássaros. Sem o inseticida, nós conseguimos manter o equilíbrio entre as aves, as lagartas e as plantas”, completou. Segundo ele, a infestação de lagartas, que dura de 30 a 40 dias, não faz mal às palmeiras e ainda neste mês as árvores estarão vigorosas de novo.
Para isto, a prefeitura tem realizado constantemente serviço de adubação.

Com cerca de 150 anos, as 15 palmeiras imperiais da avenida João Guilhermino, no centro de São José, são tombadas pelo patrimônio histórico municipal devido à sua beleza, valor histórico e paisagístico e localização. Elas são consideradas um dos principais cartões postais da cidade. Em 1988, o então prefeito Antônio José Mendes de Faria baixou decreto municipal protegendo as árvores, tornando-as imunes ao corte. Em 1990, o prefeito Joaquim Bevilacqua sancionou lei que obriga a reposição das palmeiras imperiais na João Guilhermino em caso de problemas com as árvores. Com cerca de 30 metros de altura, as palmeiras imperiais da João Guilhermino estão entre as árvores mais altas da cidade, o que é um de seus diferenciais. Também existem 169 palmeiras imperiais no Parque da Cidade. Outras árvores preservadas são figueiras da Praça João Mendes e jequitibá da estrada velha Rio-São Paulo, na divisa de São José com Caçapava.

Estado lança pré-vestibular on-line

O governo do Estado de São Paulo anunciou anteontem a criação do primeiro cursinho pré-vestibular on-line e gratuito. O preparatório é destinado aos alunos da 3ª série do ensino médio, que estão se preparando para o vestibular. Disponível no Portal da Educação, o cursinho tem conteúdo interativo, simulados baseados nos vestibulares e simulado preparatório para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

É possível criar uma senha e ter acesso às matérias a cada vez que o aluno se conectar ao portal.
“Não faço cursinho por falta de dinheiro. Quem tem condições de pagar preparatório passa na frente de quem não tem a mesma chance. Quero me inscrever no cursinho on-line porque ele coloca todo mundo no mesmo patamar”, disse a vestibulanda Sarah Lúcia Martins Nascimento, 17 anos. “Tenho me preparado para o vestibular em casa porque não tenho tempo pra cursinho. De manhã faço técnico em enfermagem, de tarde trabalho e de noite vou pra escola. Vai ser uma boa conciliar isso com o cursinho on-line”, afirmou a estudante Juliette Luzia de Souza, 18 anos.

Algumas escolas da região já planejam como facilitar o acesso aos alunos. “Como se trata de cursinho pré-vestibular, a escola pode reservar a sala de informática para os alunos que não têm acesso à internet em casa. É oportunidade única para os 38 alunos da escola que prestam vestibular este ano”, disse a coordenadora pedagógica da rede estadual Débora Dias.

Câmara cobra de Carlinhos solução para verba do Banhado

Integrantes da bancada aliada do prefeito Carlinhos Almeida (PT) na Câmara de São José cobram do governo solução para o impasse da verba destinada ao Parque Natural do Banhado. A verba, no valor de R$ 9,1 milhões e que é procedente da compensação ambiental da Petrobras pelas obras de ampliação e modernização da Revap (Refinaria Henrique Laje), está disponível ao município desde 2006, mas a condição para a aplicação dos recursos é a remoção dos moradores do parque. O VALE revelou na edição do último domingo que o governo Carlinhos excluiu do Orçamento 2014 recurso da compensação ambiental disponibilizado pela Petrobras para o Parque Natural do Banhado e tenta acordo para aplicação da verba em outras áreas ambientais.

Para integrantes da bancada aliada, é preciso encontrar uma solução para evitar que o recurso seja destinado para outras localidades. “Acho muito difícil a remoção dos moradores da comunidade do Banhado, até porque é praticamente inviável levar as famílias para a periferia. Mas é preciso encontrar uma solução”, disse Walter Hayashi (PSB). Ele avalia que se a remoção fosse para localidades próximas do centro seria mais fácil acordo com os moradores da comunidade. “Não podemos é perder esses recursos. Conseguir acordo para aplicar o dinheiro em outras unidades de conservação da cidade é uma saída”, disse Hayashi.

“Não se pode tirar as famílias do local e simplesmente levá-las para a periferia. Este dinheiro poderia ser aplicado no Parque Natural Augusto Ruschi \[antigo horto\]”, afirmou Carlos Tiaca (PMDB). Já para Shakespeare Carvalho (PRB), o recurso precisa ser aplicado conforme previsto na proposta aprovada ou seja, no Banhado. “Defendo aplicação da verba no Banhado conforme foi acordado”.

O prazo concedido pela Câmara de Compensação Ambiental da Secretaria Estadual de Meio Ambiente para o cumprimento da exigência termina em dezembro deste ano. O governo Carlinhos já propôs uso da verba no Parque Natural Augusto Ruschi e na APA (Área de Proteção Ambiental) de São Francisco Xavier. A secretária de Meio Ambiente, Andréa Bevilacqua, informou que a cidade pedirá a transformação da APA em unidade de conservação integral para poder receber o recurso.  Por causa do impasse, os projetos para o Banhado estão praticamente engavetados. Na campanha eleitoral de 2012, Carlinhos propôs que os moradores do Banhado atuassem como monitores ambientais.

Carlinhos anuncia 1.564 casas para famílias de baixa renda

O prefeito de São José dos Campos, Carlinhos Almeida (PT), lança quinta-feira um pacote para a construção de 1.564 casas populares para famílias de baixa, em conjunto com a Caixa Econômica Federal. Segundo o governo, o investimento é de cerca de R$ 150 milhões. As unidades residenciais deverão ficar prontas em até dois anos, informou o secretário municipal da Habitação, Miguel Sampaio. As unidades serão destinadas às famílias com renda de até R$1.600.  Do total do investimento previsto, R$ 118,8 milhões são provenientes do governo federal, dentro do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), e R$ 31,2 milhões do governo estadual.

Os conjuntos habitacionais serão construídos na região do Novo Horizonte e Cajuru, zona leste, e no Limoeiro, zona oeste. De acordo com o projeto, as unidades residenciais terão de 48,8 a 49,5 metros quadrados. Cada conjunto residencial reserva uma média de 9 imóveis para pessoas com necessidades especiais. São unidades que possuem maior área construída para possibilitar o giro de 360 graus de cadeira de rodas, em todos os cômodos, além de portas e janelas adaptadas. Além disso, atendendo às exigências de qualidade do Minha Casa Minha Vida, os condomínios possuem infraestrutura completa, com pavimentação, redes de água, esgotamento sanitário, drenagem e energia elétrica.  Os moradores serão beneficiados com equipamentos de uso comum, como playground, quadra de esportes, salão de festas, churrasqueira e portaria.

O secretário da Habitação afirmou que até o final do ano o governo terá fechado acordo para a construção de 5.800 residências para famílias de baixa renda. “A nossa expectativa é fechar no começo do próximo ano a meta estabelecida pelo prefeito Carlinhos para o seu primeiro mandato de fechar acordos para a construção de 8 mil casas populares”, disse Miguel Sampaio. Já foram contratadas este ano a construção de 1.428 unidades habitacionais para famílias de baixa renda. Segundo Sampaio, serão contratadas este ano de mais 980 casas na região do Jardim Santa Inês, zona leste, e as moradias para as famílias que foram desalojadas do Pinheirinho, região sul. “Acreditamos que até o final do mandato de Carlinhos teremos contratado a construção de 11 mil casas”, disse.

Prefeitura estuda reduzir ISS

O prefeito de São José dos Campos, Carlinhos Almeida (PT), planeja lançar no primeiro semestre do próximo ano um pacote de incentivos fiscais para ampliar a arrecadação do município. As principais diretrizes do pacote são redução de alíquotas do ISS (Imposto Sobre Serviços), e recuperação de créditos da dívida ativa. No caso da dívida ativa, a meta do governo é aumentar em mais de 100% a arrecadação de créditos. Segundo o secretário da Fazenda, José Walter Pontes, parte do pacote deve ser encaminhado ainda este ano para apreciação e aprovação do Legislativo e é referente ao ISS. Ele relatou que a intenção é reduzir de 5% para 2% a alíquota do ISS pago pelos cartórios referente a serviços de serventia dos cartórios.

“Hoje, a arrecadação quase não existe. É preferível ter uma alíquota menor e arrecadar recursos do que ter uma alíquota alta e não arrecadar quase nada”, pontuou o secretário da Fazenda. O ISS é a segunda maior fonte de receita do município. Para 2014, o governo Carlinhos estima uma arrecadação de R$ 256,8 milhões com a cobrança do tributo. De acordo com Pontes, a meta do governo é reduzir também a alíquota do ISS de outros setores. No momento, os técnicos da Fazenda preparam estudo para definir quais outros segmentos terão redução de alíquotas. O secretário já avaliou que, no futuro, o ISS será a grande fonte de recursos do município por causa da mudança da economia do município, cada vez mais pautada pela prestação de serviços. Atualmente, o ICMS (Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços) ainda responde pela maior fatia do orçamento (38%). A previsão é no próximo ano o município terá uma receita de R$ 832,3 milhões procedente desse tributo.

Para recuperar créditos da dívida ativa, o governo Carlinhos prepara pacote de incentivos, como facilidades de parcelamento de débitos, maior prazo para quitação de débitos, entre outras medidas em estudo. Pontes disse acreditar que se o cidadão que possui débitos com o Tesouro Municipal tiver incentivos, ele quita os débitos com o Fisco. A previsão de arrecadação de créditos prevista para este ano soma R$ 37 milhões. Até setembro, havia sido recuperado R$ 23,6 milhões. A dívida ativa do município soma R$ 1,250 bilhão. A meta do governo Carlinhos para o próximo ano é recuperar R$ 87,7 milhões, mais que o dobro previsto para este ano.

O governo Carlinhos Almeida também trabalha com a meta de ampliar as receitas procedentes de empréstimos e transferências voluntárias dos governo federal e estadual no Orçamento 2014. O secretário da Fazenda, José Walter Pontes, informou que para 2014 as transferências voluntárias terão uma acréscimo de R$ 33 milhões em relação a este ano. Já as operações de crédito terão aumento de 614,9%. No total, os empréstimos firmados e incluídos no orçamento do próximo ano pelo governo, por meio de operações de crédito, somam R$ 190 milhões ante R$ 26,6 milhões previstos no orçamento municipal deste ano. O maior volume, de R$ 111 milhões, é para a primeira etapa do projeto do VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos).

O município dará uma contrapartida de R$ 5 milhões. Na avaliação do secretário, o município tem bastante lastro financeiro para correr atrás de mais transferências e operações de crédito. Para Pontes, o desafio é transformar os recursos em ações para cidade, conforme diretrizes estabelecidas no POP (Planejamento do Orçamento Participativo), para os quatro anos da gestão.

São José planeja transferir verba do Banhado para outras áreas

O governo do prefeito de São José dos Campos, Carlinhos Almeida (PT), excluiu do Orçamento de 2014 recurso da compensação ambiental disponibilizado pela Petrobras para o Parque Natural do Banhado. A administração do PT tenta um novo acordo para aplicar os recursos em outras unidades de proteção ambiental do município, como, por exemplo, no distrito de São Francisco Xavier. A verba, no montante de R$ 9,1 milhões, está disponível desde 2006, mas o município não consegue cumprir a principal exigência para a utilização do recurso. A prefeitura tem que remover os moradores da concha do Banhado que estão dentro da área de 1,5 milhão de metros quadrados, que foi transformada em uma unidade de conservação e preservação integral.

A questão é tratada na Câmara de Compensação Ambiental da Secretaria Estadual de Meio Ambiente. O prazo inicial para a aplicação da verba era de cinco anos, a partir de 2006. Em 2011, o governo do PSDB conseguiu dilatar o prazo para dezembro deste ano. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente informou ontem que esse prazo está mantido. Se o município não cumprir, a verba será alocada para outras unidades de conservação do Estado. Esse recurso é referente ao pagamento ambiental das obras de ampliação e modernização da Revap (Refinaria Henrique Laje).

A secretária Municipal de Meio Ambiente, Andréa Francomano Bevilacqua, relatou que o governo tem conversado permanentemente com a Câmara de Compensação Ambiental na busca de uma solução. “A nossa meta é utilizar esse recurso no Banhado, mas, se não for possível por causa questão dos moradores, vamos tentar acordar o uso do dinheiro em outras unidades ambientais do município”, afirmou. A Secretária de Meio Ambiente, Andréa Francomano Bevilacqua, afirmou que o governo avaliou que não há necessidade de constar no Orçamento o recurso de compensação ambiental da Petrobras.

Segundo a secretária, a avaliação é que o recurso é extra-orçamentária, desvinculado, porque está disponível ao município desde 2006 . “É uma verba carimbada. O recurso fica em uma conta bancária aberta pela Petrobras. É liberado conforme é utilizado”, afirmou. Na análise do governo, a gestão anterior in cluia no orçamento de forma “incorreta”. Apenas uma pequena parte da verba de R$ 9,1 milhões foi utilizada até o momento. A gestão anterior, do ex-prefeito Eduardo Cury (PSDB), utilizou aproximadamente R$ 30 mil para a elaboração de estudo ambiental do Banhado. Os recursos, na realidade, são para pagamento de desapropriações de áreas que estão dentro do perímetro do Parque Natural do Banhado.

Para 2014, está previsto na proposta orçamentária do município uma verba do Tesouro Municipal de R$ 593 mil para o Parque do Banhado. A secretária informou que o recurso é para a manutenção e custeio da unidade. André Miragaia, ex-secretário de Meio Ambiente, discorda da avaliação do atual governo com relação aos recursos da Petrobras. Ele afirmou que “há necessidade de prever o recebimento da verba no Orçamento”. Miragaia também destacou que o ideal é que essa verba seja aplicada em São José dos Campos. “Esse recurso tem que ficar na cidade, porque é a população de São José que sofre o impacto da refinaria da Petrobras. Não tem sentido aplicar o dinheiro em outro lugar”, disse o ex-secretário.

Orçamento do Estado para 2014 ignora a RM Vale

O Orçamento do Estado para 2014 não especifica verbas para o Fundo de Desenvolvimento da Região Metropolitana do Vale do Paraíba, criado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) com a proposta de financiar o- bras, estudos e programas de interesse regional. O fundo foi instituído por meio de decreto em maio, com previsão de receber os primeiros repasses a partir do ano que vem. Projeto encaminhado pelo governador à Assembleia Legislativa detalha recursos somente para as outras três Regiões Metropolitanas do Estado: São Paulo (R$ 59 milhões), Campinas (R$ 5,5 milhões) e Baixada Santista (R$ 5,5 milhões).

Prefeitos e deputados do Vale temem que, sem a dotação orçamentária, o fundo saia efetivamente do papel só em 2015, já no próximo governo três anos após a criação da RMVale, ocorrida em janeiro de 2012. “A falta de uma previsão no Orçamento é um risco. Isso pode levar a um descrédito, o que não é bom para ninguém”, disse o deputado estadual Marco Aurélio (PT), membro do Conselho da RMVale. Questionado na última semana, o governo informou a O VALE que os recursos para o fundo estão contemplados na previsão orçamentária da Secretaria de Desenvolvimento Metropolitano (rubrica 48001).

Segundo a assessoria de imprensa do Estado, o investimento inicial será de R$ 5,5 milhões, mesmo valor destinado às RMs de Campinas e da Baixada Santista. Ao contrário das duas últimas, porém, a RMVale não aparece no projeto. O prefeito de São Bento do Sapucaí, Ildefonso Mendes Neto (PSDB), presidente do Conselho da RMVale , disse ter sido informado de que a verba do fundo “seria incluída no Orçamento de 2014”. “Estive com o secretário de Desenvolvimento Metropolitano e nada foi comentado a esse respeito”, afirmou. “Agora, é preciso identificar, primeiro, quanto será preciso para iniciar os nossos projetos, e ainda não temos esse valor. Estamos em um período de estudos e planejamento.”

A lei que instituiu a RMVale prevê a criação de instrumentos de planejamento, execução e fomento de ações de interesse regional. A estrutura contempla um Conselho de Desenvolvimento (instância máxima, formado por representantes das 39 prefeituras da região e do governo do Estado que deliberam sobre todas as questões), um fundo e uma agência regional (órgão executor, responsável por contratar obras e serviços com os recursos captados). A criação desse último órgão ainda depende da aprovação de um projeto na Assembleia, sem data para ocorrer. “Ganhamos um carro de último ano, mas não temos pneus nem gasolina”, disse o deputado estadual Padre Afonso Lobato (PV), presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Vale do Paraíba.

A criação da Agência de Desenvolvimento, braço operacional da RMVale, ainda depende da aprovação de um projeto de lei na Assembleia. Segundo o secretário de Desenvolvimento Metropolitano, Edmur Mesquita, os estudos que embasarão a proposta estão sendo finalizados. “Creio que eles serão concluídos em 10 dias. Depois, o projeto passará pela análise das secretarias de Gestão, Planejamento e Fazenda”, disse. “Tenho convicção que o projeto será enviado à Assembleia ainda este ano”, acrescentou. Mesquita ressaltou que o escritório regional da Emplasa (Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano), criado em abril deste ano em São José dos Campos, tem dado suporte técnico à RMVale . “Não há nenhum prejuízo prático ou institucional.” Enquanto a agência não for criada, o Fundo da RMVale ficará vinculado à Desenvolve SP (Agência de Desenvolvimento Paulista), ligada ao próprio governo do Estado.

Número de usuários de ônibus aumenta após Bilhete Único

Após implantação bilhete único, o número de usuários de ônibus aumentou em relação ao mesmo período de 2012, conforme levantamento da Secretaria de Transportes. Em agosto deste ano, por exemplo, foram transportados 7.889.693 passageiros, enquanto no mesmo  mês do ano passado foram 7.685.034 de usuários.

O número de integrações entre as linhas também subiu. Em agosto de 2012 foram 953.292 e, no mesmo período deste ano, atingiu-se o número de 1.392.736 de integrações. Desde o dia 27 de julho, quando do início do bilhete único e emissão de cartão eletrônico, São José registrou aumento de 45,7% e houve diminuição do número de pessoas que utilizam dinheiro para pagar a passagem.

Um dos exemplos do benefício da implantação do bilhete único está em São Francisco Xavier. Com o cartão, qualquer usuário de transporte coletivo realiza o deslocamento entre São José e o distrito pagando apenas uma tarifa de R$3,00.