Investimento da GM é garantido na cidade

Um dia depois de a General Motors conseguir fechar um acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José que pode viabilizar um investimento de R$ 2,5 bilhões para a montadora implantar uma nova fábrica na cidade, a prefeitura já se mobilizou para garantir os investimentos na cidade, que podem gerar até 6.000 empregos diretos e indiretos. O prefeito Carlinhos de Almeida (PT) disse que o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Sebastião Cavali, procurou ontem a GM para fazer o protocolo de isenção de impostos municipais.

A prefeitura vai oferecer isenção de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e ISS (Imposto sobre Serviços) para a empresa se instalar em São José. O Estado também deve conceder isenção de impostos. Além disso, o governo municipal já anunciou que vai construir um distrito industrial, ao lado da GM para abrigar prioritariamente os fornecedores da empresa e outros setores produtivos.

O sindicato fará uma assembleia na portaria da GM amanhã, a partir das 14h30, para os trabalhadores decidirem se aprovam ou não o acordo que foi fechado anteontem. Os principais pontos do acordo, que valerá para os novos funcionários que vierem a ser contratados em 2017, são piso salarial de R$ 1.700, PLR (Participação nos Lucros e Resultados) de R$ 10 mil e manutenção da estrutura salarial atual. O acordo tem validade de 6 anos, a partir de 2017.

Carlinhos destacou o empenho feito pelos governos federal, estadual e municipal para que a montadora invista na cidade. “Vencemos várias etapas e estas negociações demonstraram a maturidade da empresa e do sindicato para o diálogo”, afirmou o prefeito. Carlinhos espera que os trabalhadores aprovem o acordo na assembleia de amanhã. “Confio que os trabalhadores irão decidir pelo melhor para a cidade”, afirmou.

Nos últimos dois meses, GM e sindicato se reuniram 8 vezes para discutir uma proposta de acordo. A reunião decisiva, realizada anteontem na sede do Ciesp na cidade, durou mais de 8 horas. “Trabalhamos bastante para buscar uma proposta que viabilize o investimento no município. Chegamos a um acordo que dá condições para São José competir com outras cidades e países que disputam esse investimento”, disse o presidente de Relações Institucionais da GM, Luiz Moan. Ele também afirmou que o acordo não foi o ideal, “mas está factível de ser apresentado à diretoria geral da GM para decidir se o investimento vem ou não para São José”, afirmou o executivo. A previsão dele é de que essa decisão seja tomada na primeira semana de julho.

Trabalhadores. O sindicato também considerou que esse não foi o acordo “ideal”, mas que eles conseguiram garantir novos benefícios. “Fica mantida a atual grade salarial da empresa. Os funcionários que vierem a ser contratados para a nova fábrica, se a GM investir em São José, não poderão ser transferidos para as demais áreas da empresa”, afirmou o presidente do sindicato, Antonio Ferreira de Barros, o ‘Macapá’.

O diretor da regional do Ciesp em São José, Almir Fernandes, aguarda apreensivo a decisão sobre o investimento da GM. “O que nos preocupa é que o acordo que foi fechado ficou acima do que era esperado pela GM. Vamos ver se, com isso, a montadoa vai querer investir na cidade.” A GM chegou a oferecer piso de R$ 1.560. O valor foi fechado em R$ 1.700. A empresa ofereceu PLR de R$ 8.000. A proposta fechou em R$ 10 mil. A montadora queria que o acordo fosse para 14 anos. O sindicato falou em 4 anos. O acordo tem validade de 6 anos, a partir de 2017.

Mesmo que os funcionários aprovem amanhã o acordo entre o sindicato e a empresa, ainda não é certo que a GM invista na cidade. O resultado da assembleia,segundo o diretor da GM Luiz Moan, será levado para a diretoria geral da empresa decidir sobre os investimentos. “A decisão vai depender do comparativo com as demais propostas para que a gente possa ter a boa ou a má notícia por parte da empresa”, afirmou Moan após o acordo.

Prefeitura da cidade emprega mais 700 servidores

A Prefeitura de São José dos Campos mantém atualmente pelo menos 780 servidores em desvio de função ou deslocados por problemas de saúde para exercer atividades diferentes daquelas para as quais foram contratados. O número corresponde a 10% do total de funcionários 7.854 de carreira, segundo o atual governo.

A informação foi repassada aos dirigentes do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais durante reunião com representantes da administração Carlinhos Almeida (PT) para discutir aumento de salários e melhorias para o funcionalismo. Na última quinta-feira, o sindicato protocolou pedido de informações sobre o número de funcionários que trocaram de atividade por motivos de saúde e em quais setores eles atuam. A entidade também pretende solicitar explicações sobre os desvios de função. O desvio de função tem sido recorrente na Prefeitura de São José nas últimas.

O Sindicato dos Servidores já denunciou ao Ministério Público a existência de pelo menos 179 técnicos e auxiliares de enfermagem exercendo atividades incompatíveis com seus cargos, como servir café, atender na recepção e na cozinha e realizar testes de Papanicolau, o que seria atribuição dos enfermeiros. A denúncia foi acatada pela Promotoria, que abriu inquérito civil para investigar as supostas irregularidades.

“Já pedimos explicações à prefeitura sobre o número de funcionários readaptados por problemas de saúde e posteriormente pretendemos abordar a questão dos desvios de função”, afirmou a diretora do sindicato Zelita Ramos. Também dirigente da entidade, Donizetti Aparecido de Souza, o ‘Zetão’, citou como exemplos de desvio de função fiscais de posturas trabalhando em escolas e servidores da Secretaria de Serviços Municipais dirigindo tratores. “O sindicato sempre foi contra o desvio de função, que é algo preocupante no serviço público. Se houver casos em excesso, pode prejudicar o atendimento à população.”

Especialista em direito administrativo, o advogado João Fernando Lopes de Carvalho, que é de São Paulo, afirmou que os casos de desvio de função que atentam contra o interesse público ou contra os cofres públicos podem ser passíveis de ações de improbidade administrativa contra os gestores públicos. “A pessoa faz concurso público para exercer uma função determinada. Se há o desvio de função, ele tem que ser por um período curto. Não pode ser algo permanente, já que a gestão pública não deve ter espaço para improvisações”, afirmou o advogado. “Casos que atentam contra interesse público ou contra cofres públicos podem configurar improbidade.”

A Prefeitura de São José informou, por meio da assessoria, que atualmente existem 365 servidores em sistema de readaptação, mas não divulgou o número de casos atuais de desvio de função.“Atualmente existem 365 servidores em sistema de readaptação”, disse o governo Carlinhos Almeida (PT) na nota oficial encaminhada ao O VALE. “Inclusive sobre isto, a prefeitura vai realizar uma ata de registro visando a contratação de uma junta médica para avaliação de todos os readaptados com o objetivo de assegurar que os mesmos estejam realizando serviços compatíveis com suas restrições de saúde”, afirmou a prefeitura em outro trecho da nota oficial. Sobre desvios de função, o governo informou que “o número de servidores nesta situação está sob avaliação”.

Cidade tem investimento da GM criando distrito

O investimento de R$ 2,5 bilhões que a General Motors poderá injetar na produção de um novo carro em São José dos Campos vai incentivar a implantação de um distrito industrial com 15 novas empresas fornecedoras da cadeia automotiva.  Essas empresas seriam fornecedoras estratégicas de conjuntos e sistemas automotivos para a GM.

São José disputa com outros dois países o investimento, que, segundo a empresa, deve ser definido em junho. Para a GM, é interessante ter um cinturão que funcione no sistema ‘just in time’, com os principais fornecedores bem ao lado da empresa. Com esse sistema, as peças podem ser utilizadas assim que chegam à linha de montagem, sem a necessidade de formação de estoques.

A Prefeitura de São José dos Campos já se comprometeu a criar esse novo distrito industrial para abrigar os fornecedores da empresa, caso o investimentos de consolide. A prefeitura também disse que vai abrir mão de impostos municipais, como IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e ISS (Imposto sobre Serviços). Por meio da agência Investe São Paulo, o governo estadual também pode retirar impostos.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Sebastião Cavali, disse por meio da assessoria de imprensa, que “o novo distrito atenderá prioritariamente a cadeia automotiva, mas outros setores produtivos também deverão ser contemplados”. Para o diretor de Relações Institucionais da GM, Luiz Moan, a criação do distrito diminuirá os custos da empresa com a compra de materiais de fornecedores. “Poderemos trazer fornecedores de fora do país, com novos investimentos para São José”, afirmou.

O VALE apurou que o novo distrito deve ser implantado na região leste, numa área com mais de 1 milhão de metros quadrados, entre a GM e o viaduto Santa Inês. O diretor regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Almir Fernandes, estima que o distrito industrial com 15 empresas sistemistas, poderá gerar até 3.000 novos empregos.  “A fábrica da GM em São José precisa do investimento de R$ 2,5 bilhões para continuar a existir. Acredito que, um investimento desse porte, pode gerar até 3.000 novos empregos. Com mais as empresas sistemistas, teremos 6.000 novos postos de trabalho em São José”, avaliou.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José, Antonio Ferreira de Barros, o Macapá, disse que não tem muitas informações sobre o novo distrito que pode ser implantado na cidade, mas que ele aprova a sua criação. “O sindicato vai querer uma área para instalar uma subsede no local e também vai querer representar os trabalhadores das empresas que vierem a se instalar no local”, disse.

A GM emprega cerca de 6.600 funcionários em São José, sendo 750 no MVA (Montagem de Veículos Automotores), que vai encerrar a produção no final deste ano. Os modelos produzidos são S-10, Blazer, motores e Classic. Antônio Ferreira de Barros, o Macapá, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José, acusou o PT, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e a Câmara de realizar uma campanha contra o sindicato.

Segundo ele, uma panfletagem realizada ontem pela manhã na praça Afonso Pena, zona central de São José, e material entregue nas casas coloca moradores da cidade contra o Sindicato dos Metalúrgicos. O panfleto informa que a cidade corre o risco de perder investimentos da GM e empregos por causa da posição ‘truculenta’ adotada pelo Sindicato dos Metalúrgicos. “Não entendo porque eles estão se colocando contra nós. Estamos lutando pelo direito dos trabalhadores, que inclusive estão revoltados com o que está escrito no panfleto”, afirmou Barros.

O prefeito Carlinhos Almeida (PT) informou em nota que a prefeitura busca unir a todos no processo. “Respeitamos a legitimidade do sindicato e da direção da empresa na negociação e apostamos no diálogo e bom senso.” A presidente da Câmara, Amélia Naomi (PT), não foi localizada.

Acontece amanhã na regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de São José, a partir das 15h, a quarta reunião entre representantes da General Motors e do Sindicato dos Metalúrgicos de São José. A GM anunciou que encerrará a produção do MVA (Montagem de Veículos Automotores) em dezembro e provocar a demissão de 750 trabalhadores.

Investimento da GM gera Briga na cidade

A CUT (Central Única dos Trabalhadores)entrou na briga pelos investimentos da GM em São José, criando novo foco de conflito com o Sindicato dos Metalúrgicos, ligado à Conlutas. A CUT vai montar uma subsede em São José e pretende acompanhar de perto as negociações entre a montadora e o sindicato em torno do investimento de R$ 2,5 bilhões para a produção de um novo carro. Ligada ao PT, a central sindical acusa o Sindicato dos Metalúrgicos de São José de radicalizar a negociação de investimentos e dificultar a geração de empregos na cidade.

O diretor regional da CUT, Nilson Coutinho, disse que o discurso do sindicato está ultrapassado e, com isso, a cidade corre o risco de perder esse novo investimento da montadora. “O sindicato tem que estar aberto a negociação, numa relação de ganha-ganha. Com esse discurso inflexível, o que vamos ter é o perde-perde, cidade e trabalhadores prejudicados”, afirmou Coutinho. A CUT pretende participar da audiência pública que a Câmara realizará amanhã para discutir os investimentos da GM. “Queremos apresentar para a sociedade uma outra visão de sindicalismo, mais aberta a negociações”, disse o diretor.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Antonio Ferreira de Barros, o “Macapá”, rebateu as acusações de Coutinho e disse que o sindicalismo proposto pela CUT é muito flexível e não defende os interesses dos trabalhadores. “Lamentavelmente , o que a CUT defende faz parte da pauta de interesses das empresas, com rebaixamento de salários e condições precárias para os trabalhadores”, afirmou.

A próxima reunião de negociação entre GM e sindicato está agendada para segunda-feira. O maior foco de impasse é o futuro dos 750 trabalhadores do MVA, que a montadora pretende incluir em um PDV (Programa de Demissões Voluntárias) ainda este mês. A Câmara de São José realiza audiência pública amanhã, às 18h, para discutir os novos investimentos da montadora na cidade. A proposta, segundo o vereador Fernando Petiti (PSDB), da Comissão de Emprego, é apresentar à sociedade o que está sendo feito para garantir a geração de mais empregos em São José.

A Câmara está divulgando a audiência nos meios de comunicação para mobilizar um maior número de pessoas. A General Motors anunciou em 27 de abril que vai investir R$ 2,5 bilhões para produzir um novo carro da marca. Três unidades da empresa, em diferentes países, disputam o investimento. No Brasil, o local qualificado é São José. Representantes do Sindicato dos Metalúrgicos e da GM iniciaram uma agenda de reuniões negociar um acordo. O próximo encontro ocorre na segunda-feira. Depois de sugerir um piso de R$ 1.200, a GM cedeu e ampliou a oferta para R$ 1.700.

A empresa manteve a proposta de R$ 8.000 para a PLR na fábrica, metade dos R$ 15 mil atuais. O principal foco de impasse nas negociações é a estabilidade no emprego para 750 trabalhadores do MVA, setor que encerra a produção até o fim do ano. A empresa planeja abrir um plano demissão voluntária e o sindicato não abre mão dos empregos.

Acordo com GM e Sindicato é adiado

Após 9 horas e meia de reunião, representantes da General Motors e do Sindicato dos Metalúrgicos de São José chegaram ao final da noite de ontem sem um acordo que possa garantir investimentos de R$ 2,5 bilhões no complexo industrial da empresa na cidade. Nova reunião foi marcada para a próxima segunda-feira, também na regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de São José, a partir das 15h.

O encontro de ontem, o terceiro desde o último dia 27, começou às 13h e acabou apenas às 22h30. Na reunião de ontem, os representantes do sindicato e da GM deixaram a mesa de negociação com três impasses: o valor do piso salarial, o valor da PLR (Participação sobre Lucros e Resultados) e a estabilidade para os 750 trabalhadores do MVA (Montagem de Veículos Automotores), que encerra a produção em dezembro.

No encontro de ontem, houve um avanço em relação ao valor do piso. A GM ampliou a oferta de R$ 1.560 para R$ 1.700, aproximando-se da reivindicação do sindicato, que é de R$ 1.712. Na reunião do último dia 29, a empresa já havia aumentando sua proposta, que era de R$ 1.200. Se praticamente ficou selado o acordo em relação ao piso, o valor da PLR continua atrapalhando o acordo.

A GM reiterou a proposta de R$ 8.000, praticamente a metade dos R$ 15 mil atuais. Ontem, a montadora também apresentou novo PDV (Plano de Demissão Voluntária) para aposentados, pré-aposentados e funcionários que queiram aderir. Já o sindicato garante que não vai abrir mão da estabilidade para os 750 funcionários do MVA.

Após a reunião, o diretor de Assuntos Institucionais da GM, Luiz Moan, avaliou que já houve um avanço, mas voltou a pedir a colaboração do sindicato para que o acordo seja fechado na reunião da próxima semana. “A GM já chegou ao seu limite. Fizemos novamente um apelo para o sindicato para nos ajudar a atrair este investimento tão importante para São José dos Campos”, disse Moan.

“Mas esta reunião de hoje [ontem] já representa um passo a mais”, completou o executivo. O secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos, Luiz Carlos Prates, o ‘Mancha’, reconheceu que houve avanços na reunião de ontem e acredita ser possível o fechamento do acordo. “O sindicato já fez várias concessões. Acredito que houve avanços e agora temos mais um tempo para voltar à fábrica e conversar com os trabalhadores. Mas vamos continuar insistindo na defesa dos trabalhadores, já que com as concessões que fizemos houve precarização do trabalho”, afirmou ‘Mancha’.

Segundo ele, o sindicato quer que a PLR seja definida apenas após o início das operações da fábrica. “Além do valor proposto pela GM ser metade do atual da PLR, como querem definir valor sem saber quanto vão ser os lucros? Vamos insistir neste ponto na reunião de segunda-feira. Também não abrimos mão da estabilidade.” A meta é fechar uma proposta que torne mais competitiva a produção de um novo carro da GM em São José. A cidade disputa com outros dois países a fabricação do novo modelo.

O sindicato defendeu que os metalúrgicos fossem remanejados para outros setores do complexo industrial de São José. A GM não concordou e, até ontem, sustentava a proposta de abrir um PDV (Programa de Demissão Voluntária) em junho para os trabalhadores. Quanto ao valor da grade salarial que será aplicada para os novos contratados, a diferença entre sindicato e GM caiu de R$ 690 para R$ 152, o que deveria ser resolvido.

O pacote de investimentos é considerado vital para o futuro da GM em São José. Sem a chegada de um novo projeto, o complexo industrial pode começar a ficar obsoleto na cidade e perder em competitividade para outras fábricas da empresa no Brasil e no exterior. No dia 28 de maio, a Prefeitura de São José anunciou um acordo com a GM para a criação de um distrito industrial ao lado do complexo da empresa, na região leste da cidade.

Trata-se de um terreno de mais de 1 milhão de metros quadrados que seria transformado em distrito industrial para receber novas empresas, entre elas fornecedores da GM, que viriam até do exterior. A administração também poderá conceder redução de impostos para a GM. “Precisamos que a empresa e o sindicato cheguem a um acordo e, a partir daí, em um tempo muito rápido, teremos a definição do distrito e da isenção de impostos”, disse Carlinhos na semana passada.

O Vale

Novo contrato da Embraer pode gerar mais de R$ 8 bilhões

A Embraer, de São José, anunciou ontem o que pode ser o maior contrato da companhia após a crise internacional de 2008, que derrubou o mercado de aviação comercial em todo o mundo e levou a empresa a demitir mais de 4.000 empregados. Além do contrato anunciado, a Embraer ainda negocia, com o mesmo grupo, opções de compra que podem chegar a 200 aviões, em um contrato de US$ 8,3 bilhões.

A venda anunciada é de 40 jatos do modelo 175 para a empresa norte-americana SkyWest, maior grupo aéreo regional do mundo e controladora da SkyWest Airlines e da Express Jet. A encomenda é avaliada em US$ 1,7 bilhão e entra na carteira de pedidos a entregar da Embraer do segundo trimestre de 2013. A preço de lista, cada jato 175 custa cerca de US$ 42 milhões. Outros 60 pedidos da mesma aeronave foram feitos pela SkyWest, o que pode elevar o valor do contrato para US$ 4,1 bilhões. Nesse caso, já seria uma das mais importantes encomendas da história das duas empresas.

O acordo também inclui opções para outros 100 jatos Embraer 175, elevando o potencial do pedido para até 200 aviões, com valor estimado em US$ 8,3 bilhões. Segundo a Embraer, a SkyWest configurará o avião em duas classes, com 76 assentos. A entrega do primeiro jato está prevista para segundo trimestre de 2014. “Este é realmente um marco para a Embraer. Como nosso maior cliente de Brasilia e ERJ, a SkyWest agora seleciona o modelo aprimorado do E-Jet para sua frota, validando a confiança na Embraer”, disse, por nota, Paulo Cesar Silva, presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial.

“Estou confiante de que o tecnologicamente avançado E175 será a principal aeronave da empresa, trazendo maior eficiência à companhia aérea.” Também por meio de nota, o presidente e CEO da SkyWest, Jerry Atkin, disse que o avião da Embraer irá atender a empresa “com grande conforto e o melhor custo operacional na sua categoria”.

Em janeiro deste ano, a Embraer anunciou a venda de um pacote de jatos para a empresa americana Republic Airways, em um contrato que pode atingir US$ 4 bilhões. O contrato é para a venda de 47 aeronaves 175, com a opção para mais 47 jatos adicionais. Para especialistas, a Embraer age corretamente ao mirar o mercado aéreo norte-americano, o maior do mundo.

O crescimento da Embraer no mercado norte-americano de aviação regional é considerado estratégico por analistas de mercado e especialistas. A Embraer estima entre 300 e 400 unidades a demanda de jatos para a aviação regional nos Estados Unidos. A venda dos jatos foi viabilizada por causa de um acordo firmado pelas companhias aéreas norte-americanas com a associação dos pilotos para permitir que a aviação regional opere jatos com capacidade superior a 50 passageiros.

Para o pesquisador de assuntos militares da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG), Expedito Bastos, o fortalecimento da Embraer no mercado americano é uma estratégia acertada da companhia. “A Embraer está agindo corretamente e terá tranquilidade se continuar crescendo no mercado americano, que está em ascensão, ao contrário do mercado europeu, que passa por uma crise”, afirmou Bastos. Considerando pedidos firmes e opções de compra, o contrato com a SkyWest pode chegar a 200 aviões, o que configuraria o maior já feito pela Embraer desde 2005.

O Vale

Publicado em: 22/05/2013

Lincença atrasa impasse das obras da Tamoios

O governo do Estado adiou pela segunda vez o envio, para o Consema (Conselho Estadual do Meio Ambiente), do relatório de análise ambiental do trecho de serra da obra de duplicação da Rodovia dos Tamoios. São os conselheiros do órgão que dão o aval para a aprovação da licença prévia da obra, prevista para começar em novembro deste ano.

O governo depende da avaliação para definir o modelo da PPP (Parceria Público-Privada) para a construção da obra, que terá 22 km de extensão e custará cerca de R$ 2,13 bilhões. Na última sexta-feira, o presidente da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), Laurence Casagrande Lourenço, disse que a expectativa era de que o Consema avaliasse a obra na reunião de maio, que será realizada no dia de hoje.

Mas os conselheiros não receberam a documentação e a serra não entrou na pauta do órgão. No último dia 21 de março, o governador Geraldo Alckmin (PSDB), em visita às obras, disse que a licença prévia poderia ser obtida na reunião do Consema de 26 de março, mas o tema acabou não entrando na pauta. Mesmo assim, segundo a Dersa, o processo de licenciamento da obra está dentro do prazo esperado.

A expectativa do governo estadual é lançar o edital da PPP no próximo mês de junho e assinar o contrato da obra em outubro. Em nota, a Dersa informou que falta a manifestação da APA dos Mananciais do Rio Paraíba do Sul para enviar o relatório do trecho de serra ao Consema.

O Vale

Publicado em: 21/05/2013

Policias da cidade conta com a tecnologia para Segurança

Feriado de 1º de maio, quarta-feira, 11h40. O Copom (Comando de Operações da Polícia Militar), em São José dos Campos, atende uma chamada de emergência sobre um acidente envolvendo um carro e um caminhão no Jardim Santa Inês, na zona leste da cidade. Cerca de 10 minutos após acionar o 190, uma viatura chega ao local para prestar o atendimento. A resposta com a presença da PM ocorreu graças à tecnologia e à inteligência empregadas na comunicação do CPI-1 (Comando de Policiamento do Interior 1), com os policiais das 39 cidades da RMVale.

O VALE embarca com você nesta viagem para desvendar o setor de inteligência da comunicação da PM. O Copom atende cerca de 186 mil ligações por mês, uma média de 6.200 pedidos de socorro por todo o Vale do Paraíba e Litoral Norte. Do total de contatos, 21% são trotes, um velho problema enfrentado pela corporação, que tem uma média diária de 1.240 ‘atendimentos perdidos’.

Por meio da chamada 190, podem ser despachadas viaturas do serviço de rádio patrulhamento, policiamento ambiental, rodoviário, bombeiros e ronda escolar. As chamadas são registradas em pontos de atendimento e enviadas para o setor de despachos de viaturas, segundo o chefe do Copom, capitão Arlindo Soares Henrique da Silva Júnior.

“Os policiais são treinados para atender no mais breve tempo e obter informações detalhadas sobre a emergência. Em algumas situações, somente com as orientações dos atendentes, vidas podem ser salvas. Temos casos de crianças que tiveram suas vidas salvas graças à orientação passada aos pais durante o socorro que antecedeu a chegada da viatura do bombeiro”, disse o capitão. Só em abril, segundo ele, foram dois casos de engasgamento de crianças resolvidos pelo Copom por telefone.

Toda a comunicação é gravada para o controle de procedimentos. Atualmente são 130 policiais que atuam no processo de atendimento e despacho das viaturas da PM. “O nosso Copom foi o primeiro a ser regionalizado no interior, o que resultou no retorno de cerca de 200 policiais militares para o policiamento das 39 cidades. Seguimos os padrões da capital”, disse Silva Junior.

O despacho das viaturas e o atendimento são feitos pelo sistema de rádio comunicação. Além disso, o sistema permite o acompanhamento e o deslocamento de 100% da frota, por meio do equipamento TDM (Terminal Móvel de Dados), os tablets, que permitem pesquisar os bancos de dados da PM sobre veículos, armas e pessoas.

Todo esse serviço, em São José dos Campos, é complementado ainda pelo videomonitoramento transmitido diretamente pelo COI (Centro de Operações Integradas), da Secretaria de Defesa do Cidadão. “A tecnologia tornou-se parte integrante da atividade policial deixando-a mais rápida, segura e eficiente, certificada pelo ISO 9001:2008 nos idiomas inglês e português”, afirmou o capitão Silva Júnior, lembrando os 2 milhões de pedidos de socorro registrados em 2012.

A frota da Guarda Civil Municipal de São José já está circulando com um tablet acoplado ao painel dos veículos. Com isso, as 34 viaturas têm agora equipamentos ligados ao COI, o que dará mais segurança e rapidez no atendimento das ocorrências. Os tablets serão monitorados por um telão, segundo a Secretaria de Defesa do Cidadão. O policiamento ostensivo de bicicletas e motocicletas também utiliza o Terminal Portátil de Dados, que permite identificar a localização exata do soldado, auxiliando-o em caso da necessidade de apoio. “Todo esse sistema de atendimento fornece ao gestor de segurança pública indicadores para a administração operacional da PM”, disse o capitão da PM, Antero Baraldo.

O Vale

Publicado em: 20/05/2013

Verba disponibilizada pelo Governo chega a R$ 100 milhões

O governo federal planeja lançar no mês que vem um edital para disponibilizar R$ 100 milhões para parques tecnológicos do país. A informação foi divulgada na última sexta-feira pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, em São José dos Campos. Segundo o ministro, os recursos serão para financiar projetos de parques tecnológi-cos e integram o pacote de R$ 32,9 bilhões anunciados pelo governo para incentivar setores da economia considerados estratégicos.

“A verba para os parques tecnológicos é considerável. É o último edital do programa Inova Empresa”, afirmou. Raupp destacou que a intenção é fomentar projetos para alavancar parques tecnológi-cos em todo o país. “O Parque Tecnológico de São José dos Campos precisa concorrer aos recursos”, afirmou o ministro. Os detalhes sobre a liberação da verba e prazos para a apresentação de projetos serão divulgado no edital.

Na sexta-feira, o governo federal lançou em São José dos Campos o edital para investimentos de R$ 2,9 bilhões no setor aeroespacial e de defesa. Do total, R$ 2,4 bilhões serão disponibilizados pela Finep (Financiadora de Projetos) e outros R$ 500 milhões pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social). As empresas do segmento têm prazo para encaminhar projetos até 1° de julho. O objetivo é fomentar pesquisas de novos produtos e desenvolvimento tecnológico. Empresários elogiaram a iniciativa do governo em fomentar o setor.

O Vale

Publicado em: 20/05/2013

Valor de obras de melhorias do Aeroporto é oculto

A Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) decidiu contratar a obra de ampliação do aeroporto de São José dos Campos pelo RDC (Regime Diferenciado de Contratação), para viabilizar a conclusão do projeto antes da Copa do Mundo de 2014. O edital foi lançado ontem. A empresa estima que a ampliação deve ficar pronta, no máximo, até maio do próximo ano.

Pelo Regime Diferenciado de Contratação, criado em 2011 pelo governo federal para acelerar as obras da Copa, o custo estimado da obra é mantido em sigilo, ao contrário das licitações baseadas na Lei 8.666/93. Na licitação pelo RDC, primeiro é verificado o preço ofertado pelos participantes e depois a documentação da empresa que ofereceu o menor valor, explicou a superintendente do Aeroporto de São José dos Campos, Jussara Regina de Lima Ribeiro.

A contratação de obras pelo RDC se alastrou pelo país e hoje é utilizada até para a construção de quadras e creches. O modelo já foi questionado pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Para a Procuradoria Geral da República, o modelo dificulta a fiscalização dos gastos públicos. Com a ampliação, o aeroporto passará a ter uma área de 5.000 metros quadrados. O terminal atual tem 814 metros quadrados.

O novo espaço será de alvenaria com cobertura de estrutura metálica e ocupará a área hoje onde existe estacionamento. Ele terá 14 balcões para check-in, duas esteiras para bagagem e três canais de inspeção de raio X e uma praça de alimentação. A sala de embarque interna do terminal terá banheiros.

Com a ampliação, o aeroporto poderá receber até três aeronaves simultâneas em seu pátio. Hoje recebe uma. A superintendente informou que a capacidade anual de passageiros pulará de 190 mil para 600 mil. O projeto recebeu autorização da Cetesb e, segundo a superintendente, “não haverá impacto de vizinha com relação a poluição sonora”. “A Infraero já tem um estudo que aponta que não haverá impacto”, afirmou.

O prefeito Carlinhos Almeida disse ontem que o investimento no aeroporto é importante porque São José terá um “terminal decente”. “É o que se pode fazer no momento, mas é uma obra importante para a cidade.” O presidente da ACI (Associação Comercial e Industrial), Felipe Cury, disse que a ampliação do aeroporto de São José dos Campos é uma “notícia alvissareira, mas está muito longe da solução ideal para o terminal”.

“O ideal é conceder o aeroporto para a iniciativa privada,como o de Viracopos, em Campinas”, afirmou. Na avaliação do presidente da ACI, a decisão da Infraero de ampliar o terminal é um fato positivo, após “permanecer anos na estaca zero”. “Esperamos que seja o começo de uma nova era para o aeroporto”, declarou.

Na avaliação do advogado e ambientalista Lincoln Delgado, certamente haverá impacto ambiental, mas, é preciso levar em consideração aspectos econômicos e sociais da obra para a cidade. “Temos que colocar tudo isso na balança. Acreditamos que do ponto de vista econômico e social, a ampliação é importante para São José”.

O Vale

Publicado em: 17/05/2013