Novas batalhas são travadas com a crise da GM na cidade

Com capacidade para produzir 25.900 carros mensais, o setor denominado MVA (Montagem de Veículos Automotores) do complexo da General Motors de São José dos Campos está praticamente ocioso, segundo dados do Sindicato dos Meta-lúrgicos de São José, que planeja iniciar campanha contra a desativação dessa linha, prevista pela empresa para dezembro deste ano.

Até o ano passado, eram produzidos no MVA quatro modelos de carros: Meriva, Corsa, Zafira e Classic. Atualmente, o setor produz apenas o Classic, a uma cadência de 160 carros por dia, ou 3.000 mensais, informa a direção do sindicato. Dos 1.800 empregados do setor, permaneceram na ativa 950, que têm emprego garantido somente até o mês de dezembro. Nos próximos dias, pelo menos 500 dos 739 operários do setor que estavam afastados devem ser demitidos. O clima é de apreensão na unidade.

A situação atual desse setor retrata a queda-de-braço que ocorre entre a GM e o sindicato desde 2008, quando foi pactuado acordo para a produção do nova S10 em São José. De lá pra cá, não foi firmado nenhum acordo que resultasse em investimentos na planta de São José. A GM levou novos investimentos para outras unidades da montadora no país.

O embate está centralizado em questões trabalhistas. A montadora condiciona a produção de novos modelos em São José se houver flexibilização da jornada de trabalho e redução salarial, pontos considerados “intocáveis” pelo sindicato. Em janeiro deste ano, sob a ameaça de demissão de cerca de 1.500 operários, o sindicato concordou com flexibiliza-ções trabalhistas. A GM decidiu manter o MVA ativo até dezembro e prorrogou por mais 60 dias a licença dos operários afastados.

O presidente do sindicato, Antonio Ferreira de Barros, o Macapá, afirma que a entidade vai continuar sua batalha pela manutenção dos empregos na montadora, mas o foco principal será contra a desativação do MVA.
“O nosso foco até dezembro é encontrar alternativas para manter o MVA”, afirmou.

Ele relatou que o setor é o maior do complexo da GM e tem capacidade para produzir 300 mil carros por ano. “É o dobro da capacidade que terá a Chery em Jacareí”. O dirigente afirmou que o sindicato vai lançar campanha pela manutenção do setor. “Queremos negociar coma empresa a produção de novos modelos nessa linha, que é uma das mais modernas que existem no país”, afirmou. Segundo ele, o sindicato planeja mobilizar os trabalhadores da GM, a comunidade e procurar esferas governamentais para evitar que o MVA seja fechado em dezembro.

O Vale

Publicado em: 25/03/2013

Crise da GM ainda não teve fim e contam com demissões

O futuro dos 779 trabalhadores da General Motors em São José dos Campos que estão com o contrato de trabalho suspenso (layoff) desde agosto do ano passado continua indefinido. Eles podem ser demitidos em 26 de março, quando termina o prazo do layoff. Desde agosto, a medida foi renovada duas vezes, em novembro e janeiro.

Os trabalhadores participam hoje de assembleia na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, na região central de São José, para definir uma pauta de mobilizações em defesa do emprego. O sindicato, que defende o retorno imediato dos funcionários à produção e a chegada de novos modelos para fabricar na cidade, não acredita que a GM possa renovar o layoff por mais tempo.

“A empresa cancelou duas reuniões com o sindicato após o Carnaval. Deve haver uma na semana que vem. Eles estão com a ideia fixa de demitir”, disse Antônio Ferreira de Barros, o ‘Macapá, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos. “Vamos conversar com os trabalhadores hoje sobre uma agenda de mobilizações. É preciso lutar pelo emprego.” A GM informou que não se manifesta enquanto durar o processo de negociação. Tampouco confirmou a demissões dos trabalhadores em layoff.

A ‘quebra de braço’ entre GM e sindicato se arrasta desde 2008, quando a entidade e os trabalhadores não aceitaram a proposta da empresa de trazer investimentos para São José condicionados uma grade salarial menor e a abertura de banco de horas.

Desde então, a GM ameaça fechar a linha de produção MVA, responsável pela fabricação do Classic, e demitir até 1.800 trabalhadores, considerados excedentes. Após diversas reuniões, sindicato e GM chegaram a um acordo, em agosto do ano passado, que evitou a demissão e suspendeu o contrato de trabalho de 800 funcionários.

A empresa chegou a anunciar, em janeiro deste ano, um pacote de investimentos de R$ 500 milhões no complexo industrial de São José, até 2017. O pacote, porém, não prevê a manutenção do emprego dos trabalhadores com o contrato suspenso. Alguns deles já dão a demissão como certa. Outros já deixaram a empresa. “Eles não vão aproveitar nenhum desses funcionários. Não adianta. Eu já estou procurando outro emprego”, disse Antônio Silva, 36 anos.

O Vale

Publicado em: 15/03/2013

Crise da GM ainda continua e metálurgicos tem planos

Metalúrgicos da General Motors aprovaram nesta quarta – feira (20) um novo plano e luta em defesa do emprego. Os trabalhadores decidiram que vão organizar uma passeata na cidade e uma manifestação em Brasília. Uma nova reunião está marcada para a próxima semana entre a General Motors e o Sindicato para dar continuidade às negociações sobre o acordo que prorrogou o lay-off até o final de março e estendeu a produção do Classic na fábrica de São José dos Campos até dezembro deste ano.

Mesmo com o acordo, o sindicato mantém as propostas para a nacionalização da produção dos veículos que hoje são importados pela GM. “Vamos continuar insistindo para que o Governo Federal interfira em favor dos trabalhadores. Já fomos a Brasília diversas vezes e iremos novamente para reforçar nossa pauta de reivindicações junto à presidente Dilma”, disse o presidente do Sindicato, Antonio Ferreira de Barros, o Macapá.

Desde julho de 2012 a GM ameaça fechar o setor MVA (Montagem de Veículos Automotores) e demitir mais de 1.500 trabalhadores. Desde então os funcionários tem se mobilizado com o objetivo de sensibilizar a direção da fábrica e a opinião pública.

Publicado em: 21/02/2013

Obras da marginal da GM é retomada pela Prefeitura

A Prefeitura de São José dos Campos retomou nesta quinta-feira (7) a obra da marginal da GM, que foi abandonada no dia 19 de dezembro pela empresa vencedora da licitação. A Secretaria de Transportes iniciou o trâmite previsto no edital, para a rescisão do contrato e convocação das empresas participantes da concorrência. “Desde o primeiro dia de gestão, o prefeito solicitou à Secretaria de Transportes prioridade máxima para reiniciar e finalizar a obra”, disse o secretário de Transportes.

Após a negativa de todas as empresas envolvidas, foi definida a contratação da Urbanizadora Municipal (Urbam) em caráter urgente para a realização da obra. Uma equipe técnica da Secretaria de Transportes montou uma força tarefa para agilizar o processo previsto em edital.

Essa equipe conversou com cada uma das 14 empresas envolvidas na licitação e somente depois da negativa de todas em continuar a obra, pelo valor previsto no edital, é que a Urbam foi convocada em caráter de urgência. Funcionários da Urbam já estão no local fazendo a sinalização e o reconhecimento dos trabalhos. O prazo para a conclusão da obra é de 45 dias.

Prefeitura Municipal de São José

Publicado em: 08/02/2013

Ex- Metalurgicos perde o plano Collor na cidade

Pelo menos seis mil pessoas devem ser beneficiadas pelo processo movido pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos para correção da inflação referente às perdas dos planos Collor (1990) e Verão (1989), sobre multa de 40% do FGTS.

Na próxima quarta – feira (6) o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos realiza assembléia com ex- trabalhadores da General Motors para informar sobre o pagamento da correção. Devem comparecer na reunião, ex- funcionários da GM que estiveram na fábrica entre fevereiro de 1989 e março de 1990 e foram demitidos até março de 2006.

O Sindicato entrou com uma ação coletiva na Justiça, em 2003, cobrando a correção da inflação sobre a multa de 40% do FGTS para os demitidos naquele período. A sentença favorável aos trabalhadores foi dada pela Justiça do Trabalho de São José dos Campos há cerca de seis anos. Mas em razão do alto número de trabalhadores beneficiados, o cálculo demorou três anos para ser concluído.

Para que o pagamento seja efetuado, é necessária a homologação judiciária, o que deve acontecer nos próximos meses. O valor das indenizações varia de acordo com cada trabalhador. A assembléia será às 9h, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos em São José dos Campos.Informações podem ser obtidas pelo telefone:3946-5333.

Publicado em: 06/02/2013

Prefeitura irá ajudar demitidos na crise da GM da cidade

A Prefeitura de São José estuda um pacote para ajudar na recolocação dos trabalhadores que vierem a ser demitidos da General Motors na cidade. Entre as propostas, o governo municipal avalia oferecer cursos de requalificação em parceria com o Senai (Serviço Nacional da Indústria), orientação para cadastro no PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador) e apoio na abertura de um novo negócio.

No setor MVA, no complexo industrial da GM em São José, 759 trabalhadores estão com o contrato de trabalho suspenso desde 27 de agosto do ano passado. O período de lay-off foi estendido para mais dois meses a partir de anteontem. Quem for demitido após esse período, conforme acordo negociado entre a GM e o Sindicato dos Metalúrgicos, receberá mais três salários.

Entre os trabalhadores afastados, 150 estão lesionados e têm estabilidade. Os demais poderão ser demitidos após os dois meses de lay-off. Quem quiser sair agora, receberá cinco meses de salário e mais os direitos trabalhistas.

Em tese, a prefeitura está preocupada com os 609 funcionários da GM em lay-off que estão com o emprego ameaçado. “Acreditamos ainda que eles possam ser recolocados dentro da própria montadora. Mas, ao mesmo tempo, estudamos formas de ajudá-los a voltar ao mercado de trabalho se forem demitidos”, afirmou Paulo Roberto Roitberg, chefe de Gabinete da prefeitura.

A principal proposta em análise, segundo ele, é a de cursos de qualificação em parceria com o Senai diferentes daqueles oferecidos pela prefeitura. A ideia é preparar os trabalhadores para as exigências do mercado. “Podemos até pensar em qualificar para um retorno futuro à GM, com uma preparação específica de acordo com as necessidades da empresa.”

Para o Sindicato dos Metalúrgicos, a demissão dos 609 trabalhadores do MVA não está confirmada, embora seja difícil eles permanecerem na montadora. Diante disso, os sindicalistas estudam propostas para negociar com trabalhadores aposentados ou em via de se aposentar para reduzir o excedente dentro da empresa. A antecipação da aposentadorias é um dos 16 itens do acordo negociado entre a empresa e o sindicato, e que foi aprovado pelos trabalhadores anteontem.

Quem também está de olho nos eventuais demitidos da GM é a montadora chinesa Chery, que está construindo uma fábrica em Jacareí. A empresa confirmou que avalia uma forma de cadastrar os demitidos em um banco de dados que servirá para a contratação de mão de obra para o novo complexo, que só deve ficar pronto no final de 2014.

Para tanto, os chineses pediram ajuda do Ministério do Trabalho na formação desse cadastro com eventuais demitidos da GM. Na planta de Jacareí, que vai custar US$ 400 milhões, a Chery estima contratar 1.200 trabalhadores no início da produção e chegar a 4.000 postos de trabalho na capacidade máxima produtiva, com 150 mil carros por ano.

Para Angela Grou, coordenadora executiva da Assecre (Associação dos Empresários do Chácaras Reunidas), o mercado industrial na região ainda não está recuperado o suficiente para abrigar todos os demitidos da GM. “Acho que eles vão ter dificuldade em conseguir trabalho.”

Conheça a proposta de apoio:

Qualificação

  • A Prefeitura de São José vai negociar a oferta de cursos com o Senai da cidade para melhorar a qualificação dos trabalhadores que venham a ser demitidos da General Motors. A meta é preparar o contingente para conseguir recolocação no mercado, mesmo que seja na própria GM em futuras contratações

Cadastro

  • Outra proposta do governo é ajudar os trabalhadores a se cadastrarem no PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador), que oferece vagas em vários setores da economia regional. Segundo especialistas, um cadastro bem feito e organizado aumenta a chance de recolocação. Os trabalhadores serão orientados a procurar o PAT na cidade.

Novo negócio

  • A Sala do Empreendedor e o Banco do Empreendedor Joseense, ambos ligados à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, serão instrumentos oferecidos aos trabalhadores demitidos que quiserem abrir o próprio negócio. Eles receberão informações sobre como abrir e regularizar a empresa e tocar o novo negócio na cidade

Mercado

  • A montadora chinesa Chery, que está construindo uma fábrica em Jacareí, está estudando formas de cadastrar os trabalhadores que vierem a ser demitidos da GM para um eventual aproveitamento na planta em construção. A empresa não informou quando e nem como fará esse cadastro. A fábrica deve estar pronta até o final de 2014

O Vale

Publicado em: 30/01/2013

Para garantir o emprego, metálurgicos aceitam acordo

Os funcionários da General Motors em São José dos Campos aprovaram, em assembleias realizadas ontem, o acordo fechado entre a montadora e o Sindicato dos Metalúrgicos no último sábado, após um ano de indecisão. Foram aprovados os 16 itens da proposta (veja quadro), entre eles a manutenção da produção do Classic em São José até dezembro deste ano e um pacote de investimentos de R$ 500 milhões até 2017.

Atrelado ao investimento, a GM garante o nível de emprego no setor MVA até dezembro de 2013 e um ano a mais nas demais divisões do complexo industrial de São José. Porém, a estabilidade não inclui os 759 trabalhadores que estão com o contrato de trabalho suspenso (lay-off) desde 27 de agosto de 2012.

Eles tiveram a suspensão estendida para mais dois meses e poderão ser demitidos após esse período. Porém, as futuras novas contratações terão um piso salarial mais baixo, de R$ 1.800, conforme foi aprovado no acordo estabelecido entre sindicato e a GM. A montadora também poderá flexibilizar a jornada de trabalho no caso de oscilação na produção.

Na prática, isso já começa a ocorrer. A partir de hoje, os 950 trabalhadores do MVA que não estão em lay-off entraram em férias coletivas até 14 de fevereiro. Todos eles trabalham na produção do Classic, que será reorganizada. Do total em lay-off, 150 têm estabilidade e terão que retornar à fábrica. Os demais receberão, se demitidos, três meses a mais de salário. Quem optar por pedir demissão a partir de hoje receberá cinco salários e os direitos trabalhistas.

Moeda de troca.
Trabalhadores da GM já aposentados ou que estão em vias de se aposentar podem virar ‘moeda de troca’ entre a montadora e o Sindicato dos Metalúrgicos. Eles estudarão uma forma de antecipar a aposentadoria de funcionários para evitar a demissão de outros trabalhadores. “Precisamos conversar com esse pessoal”, disse Antônio Ferreira de Barros, presidente do sindicato.

Novos carros.
Na avaliação do sindicato, o acordo ficou no meio do caminho entre o que defendia a entidade e o que pretendia a GM, que admitiu o fechamento do complexo em São José caso não se chegasse a um entendimento.

Para Antônio Ferreira de Barros, o ‘Macapá’, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José, a ‘briga’ agora será para a vinda de novos carros para a fábrica. “Lutar pelos empregos significa batalhar para trazer novos projetos para São José. A fábrica não fecha com novos carros na linha de produção”, disse. No sábado, Luiz Moan, diretor de Relações Institucionais da GM e responsável pelas negociações, afirmou que a empresa fará uma oferta de novos modelos para a planta de São José “em breve”, e que isso poderá trazer de volta o nível de produção na cidade.

Tranquilidade.
A aprovação do acordo aplacou um pouco a angústia na qual viviam os metalúrgicos da GM, que temiam pelo pior: o fechamento do complexo de São José. Ontem, nas assembleias realizadas na portaria da empresa, às 5h30 e 14h30, o clima era de serenidade, bem diferente do estado de tensão dos últimos seis meses, quando a crise se agravou.

“Acho que o sindicato acertou em fazer o acordo. O pessoal já está bem mais tranquilo na linha de produção. Quem esperava o pior está respirando aliviado”, afirmou José Antônio dos Santos, 44 anos, trabalhador da GM.

Outro metalúrgico, que está no grupo do lay-off e que pediu para não ser identificado, disse que o acordo “acalma a tensão dentro e fora da fábrica”. “Na verdade, a gente já estava esperando a demissão, mas o acordo trouxe benefícios e deu um tempo para pensar na vida fora da GM.” Com a aprovação do acordo, advogados da GM e do sindicato redigirão o texto que será assinado pelas partes, com validade de dois anos.

GM recusa rodízio de lay-off
Uma das propostas recusadas pela GM na negociação de sábado, segundo sindicalistas, foi a de fazer um rodízio com trabalhadores de São José em lay-off para evitar demissões na fábrica. O grupo de 759 metalúrgicos que está com o contrato de trabalho suspenso desde agosto de 2012 teve a medida estendida por mais dois meses. Depois disso, eles poderão ser demitidos.

Sindicato vai reunir funcionário afastado

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José irá reunir, na próxima quinta-feira, os trabalhadores da GM que estão com o contrato de trabalho suspenso (lay-off) desde 27 de agosto do ano passado. Eles estão sendo convocados para participar de uma assembleia, na sede da entidade, no centro de São José, para discutir o acordo com a GM. Hoje, 759 funcionários estão em lay-off. “Não é o acordo que nós queríamos, mas também não é aquele que a GM queria aprovar. Desde o começo, a empresa queria demitir os trabalhadores. Isso a gente conseguiu evitar. A luta continua”

Antonio Ferreira de Barros, Macapá, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José “Garantimos o nível de emprego no período de produção do Classic em São José. O investimento não é baixo. Mas o mais importante é colocar a cidade na rota dos investimentos” Luiz Moan,  diretor de Relações Institucionais da GM

O Vale

Publicado em: 29/01/2013

Metalurgicos devem assinar acordo nesta Segunda-feira (28)

Os trabalhadores da GM (General Motors) de São José dos Campos realizam assembleia nesta segunda-feira, às 5h30, para votar a proposta de acordo elaborada sábado pelo Sindicato dos Metalúrgicos e pela montadora, em uma reunião que durou cerca de nove horas. A votação da proposta será no estacionamento da portaria do MVA (Montagem de Veículos Automotores).

O acordo encerrou uma negociação iniciada há cerca de seis meses, quando a direção da GM comunicou o sindicato sua intenção de encerrar a produção do modelo Classic em São José e demitir pelo menos 1.598 operários  considerados excedentes.

A proposta estende por mais dois meses o período de layoff  (suspensão do contrato de trabalho), que mantém 779 afastados da empresa desde agosto do ano passado e garante a manutenção da produção do Classic até dezembro deste ano. Porém, quando acabar o layoff, a empresa poderá demitir cerca de 650 funcionários, pagando uma  multa de três salários-base.

Caso a proposta seja aprovada na assembleia desta segunda-feira, os funcionários que trabalham na produção do Classic entram em férias coletivas a partir de amanhã até o dia 14 de fevereiro. Nesse período a GM deve repor as peças necessárias para a retomada da produção do Classic, que seria desativada caso não se chegasse a um acordo no sábado.

A proposta também prevê que a GM invista R$ 500 milhões no período de 2013 a 2017 na Powertrain, fábrica do complexo de São José que produz motores e câmbios. O pacote ainda permite jornada flexível de compensação em caso de oscilações na produção e nova grade salarial para novos operários, caso a GM venha a contratar na cidade.

“O acordo que foi fechado não é o nosso sonho, mas certamente é o que foi possível de ser reconstruído neste momento”, disse Antonio Ferreira de Barros, o ‘Macapá’, presidente do sindicato. Luiz Moan, diretor de Relações Institucionais da GM e responsável pelas negociações, ressaltou a manutenção do emprego de 950 dos 1.598 considerados excedentes.

“Nós garantimos o nível de emprego no período de produção do Classic. O investimento não é baixo. E mais importante é colocar São José na rota dos investimentos”, disse Moan. Moan ressaltou que a produção de novos modelos será oferecida à planta de São José em breve, o que poderá trazer de volta o nível de produção na cidade.

Do lado de fora da sede do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), onde aconteceu a reunião, cerca de 100 sindicalistas e funcionários da GM acompanharam o resultado da reunião. O grupo passou o dia em uma espécie de vigília no local. O impasse entre GM e sindicato se estende desde meados do ano passado, mas a ameaça aos empregos começou bem antes, em 2008.

O Vale

Publicado em: 28/01/2013

Montadora admite risco de fechamento de setor na cidade

A direção da General Motors admitiu ontem pela primeira vez que o complexo industrial de São José pode fechar caso não haja acordo na reunião de amanhã que vai discutir o futuro de 1.598 funcionários considerados excedentes.

A declaração foi dada pelo diretor de assuntos institucionais da empresa, Luiz Moan, em audiência pública na Câmara para debater o futuro da empresa na cidade. Segundo Moan, com o fechamento do MVA, onde hoje é produzido somente o Classic, as outras sete fábricas que integram a planta da cidade e que empregam mais 6.000 pessoas serão fechadas gradativamente por falta de produtos e novos investimentos.

“A coisa é mais séria do que vocês pensam. O risco não é fechar o MVA e sim o risco de fechar o complexo”, afirmou. Moan também deixou claro os números que envolvem a montadora. De acordo com ele, a empresa admitiu mais do que demitiu no Brasil do período de 2008 até 2012. Em janeiro de 2008, eram cerca de 21 mil funcionários e, até junho de 2012, cerca de 23 mil.

Em São Caetano do Sul, planta para onde foram os investimentos em 2008 que seriam para São José, em quatro anos, o número subiu de 9.598 para 11.678. Na contramão, São José perdeu 1.572 funcionários no mesmo período, de 9.128 para 7.549. “Há poucos anos tínhamos 13 mil empregados e é exatamente o período que não conseguimos acordo com o sindicato. Então, nós precisamos reverter essa tendência. Se salvarmos o MVA, salvamos o complexo todo”, disse ele.

Segundo Moan, a planta da cidade perdeu a produção do Cruze, Spin e Cobalt e a oportunidade de produzir o Ônix, além da expansão da fábrica de motores e estampados. “A GM perdeu a vontade em investir aqui (São José)”, disse o diretor da montadora.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, na época, houve acordo para a produção da S10 e a nova Blazer. Para a entidade, o momento é de lutar pelo emprego e pressionar o governo federal a criar medida que evite demissões na empresa.

“Nós não somos loucos de recusar investimento, mas queremos garantia da estabilidade do emprego”, disse Antônio Ferreira de Barros, o ‘Macapá’, presidente do sindicato. A reunião de ontem contou também com a presença de representantes da Prefeitura de São José, vereadores, CUT (Central Única dos Trabalhadores) e Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté.

Procurada por O VALE, a prefeitura, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que a postura do governo é de intermediar o diálogo apostando em um acordo positivo. Na quarta e última reunião para tratar do assunto, amanhã, GM e sindicato se reúnem às 10h no Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) em São José. Do encontro sairá a decisão final de acordo ou não.

A montadora se comprometeu na última quarta-feira a avaliar a proposta do sindicato, entre elas, redução do piso salarial de R$ 3.100 para R$ 1.840 para novos funcionários. Além disso, a GM vai apresentar uma contraproposta. “Eu trabalho com a hipótese de que na segunda-feira os operários aprovem o acordo feito no sábado”, disse Moan. Já o sindicato anunciou greve por tempo indeterminado a partir de segunda-feira se não houver acordo.

O Vale

Publicado em: 25/01/2013

Segundo levantamento, GM é a mais cara do País

O salário médio dos trabalhadores da General Motors em São José é quase 15% maior que o da planta de São Caetano do Sul e 185% superior ao de Gravataí (RS). A redução salarial em São José é o principal item da pauta de exigências da GM para manter os 1.598 empregos ameaçados na cidade.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, os operários ganham em média R$ 4.000 por mês em São José, contra R$ 3.500 de São Caetano e R$ 1.400 de Gravataí, a planta mais barata da GM no país. Na semana passada, a montadora condicionou a possível manutenção de 1.598 funcionários considerados excedentes a um plano para reduzir custos na unidade de São José.

A proposta deve ser apresentada pelo sindicato amanhã, data prevista para a terceira reunião do ano. Para Aparecido Inácio da Silva, o ‘Cidão’, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul, diálogo e flexibilização são o melhor caminho para tentar evitar a demissão em massa.

“Acho que o sindicato não acreditou que a GM pudesse fazer isso. Agora, é hora de reavaliar”, disse ele. Em entrevistas anteriores, o presidente do Sindicatos dos Metalúrgicos de São José, Antônio Ferreira de Barros, o ‘Macapá’, disse que não concorda com a redução dos salários.

Amanhã, GM e sindicato se encontram no Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), às 9h. No sábado, termina o prazo do layoff, no qual 779 estão com o contrato suspenso desde agosto de 2012. Sem acordo, pode haver a demissão.

O Vale

Publicado em: 22/01/2013