Acordo que a GM realiza não é ideal, mais gera empregos

Nos últimos dois meses, São José dos Campos acompanhou apreensiva as negociações entre o Sindicato dos Metalúrgicos e a direção da General Motors para a vinda de um investimento de R$ 2, 5 bilhões. Nos ônibus, supermercados, elevadores, a pergunta era a mesma: o acordo entre a GM e o sindicato foi aprovado? O ‘fantasma’ das 598 demissões, ocorridas em março, e o medo de que os trabalhadores não aprovassem a proposta para que a GM investisse na produção de um novo carro, o que poderia causar mais demissões, fizeram com que todos torcessem pela aprovação.

No centro das discussões, o presidente do sindicato, Antonio Ferreira de Barros, o “Macapá”, um figura tímida, mas “bom ouvinte”, como ele mesmo se define, que teve importante papel nessa negociação. Em entrevista a O VALE, ele falou sobre como foi chegar ao acordo com a GM e conseguir a aprovação em assembleia com os funcionários do complexo. Leia a seguir os principais trechos.

Como o senhor avalia a aprovação da proposta da GM em assembleia?
No dia seguinte da assembleia, eu fui numa concessionária de veículos na cidade e, chegando lá, fui abraçado por uma senhora porque conseguimos aprovar a proposta com a GM. Percebi que existia uma expectativa muito grande da cidade. Acho que o sindicato teve um grande acerto, defender os empregos na GM é defender a cidade.

O Sindicato dos Metalúrgicos sempre foi acusado de ter uma postura intransigente. O senhor, como presidente, está mudando esse perfil?
Eu não acho que o sindicato mudou de postura. Sindicato existe para defender o trabalhador. Numa negociação difícil como foi essa, é preciso fazer mediação. Nós buscamos um ponto menos desfavorável. Nós sofremos uma derrota, não foi bom o acordo, banco de horas não é saudável, as empresas não tem necessidade de rebaixar salários. Antes de tudo, o resultado dessa negociação foi um trabalho de equipe. Aqui quero falar da participação do Mancha (Luiz Carlos Prates) e do Toninho (Antonio Donizete Ferreira).

Como é o ‘presidente Macapá’?
Sou uma pessoa que procura ouvir, o mundo pode estar desabando e eu vou estar te ouvindo com tranquilidade, mesmo não concordando às vezes, consigo ouvir bem. Eu acho que se constroem grandes lideranças em momentos de conflitos grandiosos como esse que nós estamos atravessando aqui. Esse é o teste, ou você passa ou você se arrebenta.

O que o senhor achou do resultado da assembleia?
O trabalhador sabe que nós chegamos ao nosso limite. Na visão dos trabalhadores, para o que a empresa queria, do que foi o produto final da negociação, tiramos leite de pedra. Ficamos numa situação muito desfavorável. Poderíamos ter saído deste acordo numa situação muito pior do que esta aí. Nos últimos sete dias, foi uma pressão muito forte contra o sindicato. Nós chegamos para negociar na última segunda-feira numa situação muito complicada. A empresa chegou mais fortalecida. O sindicato não ia abandonar as negociações, porque essa não é nossa postura política. No fim, chegamos a um acordo que não foi para o trabalhador e nós falamos a verdade para eles. O acordo traz flexibilização, reduz direitos e rebaixa salários. Poderíamos mentir, mas a seriedade do sindicato é tão forte que a aprovação foi reflexo disso aí.

E as 750 demissões no MVA, linha de produção do Classic? Por que o sindicato não conseguiu reverter essas demissões que devem ocorrer no final do ano?
Em janeiro, fechamos um acordo com a GM que garante a produção do Classic até dezembro. Como todo acordo, pode ser prorrogado ou não. A fábrica nova vai ser construída no MVA, que vai precisar ser desativado para construir a nova fábrica. Nos últimos 18 meses, as negociações da GM são a nossa principal preocupação. Na semana que vem, vai ser aberto um Plano de Demissões Voluntárias. Hoje a empresa tem 130 aposentados e 900 no período de pré-aposentadoria. Se a GM quiser, ela aposenta todo mundo, como ela já fez no passado. Esse processo de negociação entre o sindicato e a GM continua. O PDV aberto para a fábrica toda. Nós vamos tentar negociar a transferência dos funcionários. Também garantimos neste acordo que os demitidos terão preferência no processo de seleção da nova fábrica em 2017. A luta pelos empregos continua.

Futuro da GM é definido hoje na cidade

Os funcionários da GM têm hoje um dia decisivo para aprovar ou não a proposta de acordo fechada entre o Sindicato dos Metalúrgicos e a montadora, para viabilizar um investimento de R$ 2,5 bilhões na cidade. O sindicato vai reunir os trabalhadores às14h30,no bolsão da S-10, para que eles decidam em assembleia sobre o futuro dos investimentos da montadora.

Antes de levar a proposta para a votação, os dirigentes sindicais distribuíram 5.000 informativos na empresa, para explicar aos trabalhadores os principais pontos do acordo. “A expectativa é de que seja uma assembleia muito participativa, em que a decisão final cabe ao trabalhador. Independente da opinião do sindicato, os trabalhadores vão votar e a decisão será acatada”, informou o presidente do sindicato, Antonio Ferreira de Barros, o “Macapá”.

Nos bastidores, empresários, vereadores, prefeitura e sindicalistas acreditam que a proposta será aprovada em assembleia. Sindicalistas e montadora, demoraram cerca de dois meses para chegar a um consenso, sobre a proposta que será votada hoje.  O acordo é válido para os funcionários que vierem a ser contratados para a nova fábrica, que tem previsão de começar a funcionar em 2017.

A GM começou as negociações oferecendo um piso salarial de R$ 1.560, PLR (Participação nos Lucros e Resultados) de R$ 8.000 e 14 anos para a duração do acordo. O sindicato queria um piso de R$ 1.890, PLR a ser definida posteriormente (hoje é de R$ 15.384) e um acordo de, no máximo , 4 anos. A proposta fechada na última segunda-feira, definiu que o piso salarial para os novos funcionários será de R$ 1.700 (reajustado pelo INPC a partir de 2014), PLR de R$ 10 mil (reajustada a partir de 2015/16/17) e um prazo de 6 anos para a duração do acordo, contando a partir de 2017.

A direção da GM aguarda com expectativa a decisão da assembleia. Segundo o diretor de Relações Institucionais da GM, Luiz Moan, a decisão será levada à direção geral da GM, que deve anunciar na primeira semana de julho, onde será investido os R$ 2,5 bilhões. “Estamos torcendo para que seja em São José”, disse Moan. Em entrevista ao jornal, o prefeito Carlinhos de Almeida, disse que acredita na aprovação da proposta. A prefeitura vai dar isenção fiscal e construir um distrito industrial para os fornecedores da GM se instalarem na cidade.

Investimento da GM é garantido na cidade

Um dia depois de a General Motors conseguir fechar um acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José que pode viabilizar um investimento de R$ 2,5 bilhões para a montadora implantar uma nova fábrica na cidade, a prefeitura já se mobilizou para garantir os investimentos na cidade, que podem gerar até 6.000 empregos diretos e indiretos. O prefeito Carlinhos de Almeida (PT) disse que o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Sebastião Cavali, procurou ontem a GM para fazer o protocolo de isenção de impostos municipais.

A prefeitura vai oferecer isenção de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e ISS (Imposto sobre Serviços) para a empresa se instalar em São José. O Estado também deve conceder isenção de impostos. Além disso, o governo municipal já anunciou que vai construir um distrito industrial, ao lado da GM para abrigar prioritariamente os fornecedores da empresa e outros setores produtivos.

O sindicato fará uma assembleia na portaria da GM amanhã, a partir das 14h30, para os trabalhadores decidirem se aprovam ou não o acordo que foi fechado anteontem. Os principais pontos do acordo, que valerá para os novos funcionários que vierem a ser contratados em 2017, são piso salarial de R$ 1.700, PLR (Participação nos Lucros e Resultados) de R$ 10 mil e manutenção da estrutura salarial atual. O acordo tem validade de 6 anos, a partir de 2017.

Carlinhos destacou o empenho feito pelos governos federal, estadual e municipal para que a montadora invista na cidade. “Vencemos várias etapas e estas negociações demonstraram a maturidade da empresa e do sindicato para o diálogo”, afirmou o prefeito. Carlinhos espera que os trabalhadores aprovem o acordo na assembleia de amanhã. “Confio que os trabalhadores irão decidir pelo melhor para a cidade”, afirmou.

Nos últimos dois meses, GM e sindicato se reuniram 8 vezes para discutir uma proposta de acordo. A reunião decisiva, realizada anteontem na sede do Ciesp na cidade, durou mais de 8 horas. “Trabalhamos bastante para buscar uma proposta que viabilize o investimento no município. Chegamos a um acordo que dá condições para São José competir com outras cidades e países que disputam esse investimento”, disse o presidente de Relações Institucionais da GM, Luiz Moan. Ele também afirmou que o acordo não foi o ideal, “mas está factível de ser apresentado à diretoria geral da GM para decidir se o investimento vem ou não para São José”, afirmou o executivo. A previsão dele é de que essa decisão seja tomada na primeira semana de julho.

Trabalhadores. O sindicato também considerou que esse não foi o acordo “ideal”, mas que eles conseguiram garantir novos benefícios. “Fica mantida a atual grade salarial da empresa. Os funcionários que vierem a ser contratados para a nova fábrica, se a GM investir em São José, não poderão ser transferidos para as demais áreas da empresa”, afirmou o presidente do sindicato, Antonio Ferreira de Barros, o ‘Macapá’.

O diretor da regional do Ciesp em São José, Almir Fernandes, aguarda apreensivo a decisão sobre o investimento da GM. “O que nos preocupa é que o acordo que foi fechado ficou acima do que era esperado pela GM. Vamos ver se, com isso, a montadoa vai querer investir na cidade.” A GM chegou a oferecer piso de R$ 1.560. O valor foi fechado em R$ 1.700. A empresa ofereceu PLR de R$ 8.000. A proposta fechou em R$ 10 mil. A montadora queria que o acordo fosse para 14 anos. O sindicato falou em 4 anos. O acordo tem validade de 6 anos, a partir de 2017.

Mesmo que os funcionários aprovem amanhã o acordo entre o sindicato e a empresa, ainda não é certo que a GM invista na cidade. O resultado da assembleia,segundo o diretor da GM Luiz Moan, será levado para a diretoria geral da empresa decidir sobre os investimentos. “A decisão vai depender do comparativo com as demais propostas para que a gente possa ter a boa ou a má notícia por parte da empresa”, afirmou Moan após o acordo.

Investimento da GM gera Briga na cidade

A CUT (Central Única dos Trabalhadores)entrou na briga pelos investimentos da GM em São José, criando novo foco de conflito com o Sindicato dos Metalúrgicos, ligado à Conlutas. A CUT vai montar uma subsede em São José e pretende acompanhar de perto as negociações entre a montadora e o sindicato em torno do investimento de R$ 2,5 bilhões para a produção de um novo carro. Ligada ao PT, a central sindical acusa o Sindicato dos Metalúrgicos de São José de radicalizar a negociação de investimentos e dificultar a geração de empregos na cidade.

O diretor regional da CUT, Nilson Coutinho, disse que o discurso do sindicato está ultrapassado e, com isso, a cidade corre o risco de perder esse novo investimento da montadora. “O sindicato tem que estar aberto a negociação, numa relação de ganha-ganha. Com esse discurso inflexível, o que vamos ter é o perde-perde, cidade e trabalhadores prejudicados”, afirmou Coutinho. A CUT pretende participar da audiência pública que a Câmara realizará amanhã para discutir os investimentos da GM. “Queremos apresentar para a sociedade uma outra visão de sindicalismo, mais aberta a negociações”, disse o diretor.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Antonio Ferreira de Barros, o “Macapá”, rebateu as acusações de Coutinho e disse que o sindicalismo proposto pela CUT é muito flexível e não defende os interesses dos trabalhadores. “Lamentavelmente , o que a CUT defende faz parte da pauta de interesses das empresas, com rebaixamento de salários e condições precárias para os trabalhadores”, afirmou.

A próxima reunião de negociação entre GM e sindicato está agendada para segunda-feira. O maior foco de impasse é o futuro dos 750 trabalhadores do MVA, que a montadora pretende incluir em um PDV (Programa de Demissões Voluntárias) ainda este mês. A Câmara de São José realiza audiência pública amanhã, às 18h, para discutir os novos investimentos da montadora na cidade. A proposta, segundo o vereador Fernando Petiti (PSDB), da Comissão de Emprego, é apresentar à sociedade o que está sendo feito para garantir a geração de mais empregos em São José.

A Câmara está divulgando a audiência nos meios de comunicação para mobilizar um maior número de pessoas. A General Motors anunciou em 27 de abril que vai investir R$ 2,5 bilhões para produzir um novo carro da marca. Três unidades da empresa, em diferentes países, disputam o investimento. No Brasil, o local qualificado é São José. Representantes do Sindicato dos Metalúrgicos e da GM iniciaram uma agenda de reuniões negociar um acordo. O próximo encontro ocorre na segunda-feira. Depois de sugerir um piso de R$ 1.200, a GM cedeu e ampliou a oferta para R$ 1.700.

A empresa manteve a proposta de R$ 8.000 para a PLR na fábrica, metade dos R$ 15 mil atuais. O principal foco de impasse nas negociações é a estabilidade no emprego para 750 trabalhadores do MVA, setor que encerra a produção até o fim do ano. A empresa planeja abrir um plano demissão voluntária e o sindicato não abre mão dos empregos.

Acordo com GM e Sindicato é adiado

Após 9 horas e meia de reunião, representantes da General Motors e do Sindicato dos Metalúrgicos de São José chegaram ao final da noite de ontem sem um acordo que possa garantir investimentos de R$ 2,5 bilhões no complexo industrial da empresa na cidade. Nova reunião foi marcada para a próxima segunda-feira, também na regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de São José, a partir das 15h.

O encontro de ontem, o terceiro desde o último dia 27, começou às 13h e acabou apenas às 22h30. Na reunião de ontem, os representantes do sindicato e da GM deixaram a mesa de negociação com três impasses: o valor do piso salarial, o valor da PLR (Participação sobre Lucros e Resultados) e a estabilidade para os 750 trabalhadores do MVA (Montagem de Veículos Automotores), que encerra a produção em dezembro.

No encontro de ontem, houve um avanço em relação ao valor do piso. A GM ampliou a oferta de R$ 1.560 para R$ 1.700, aproximando-se da reivindicação do sindicato, que é de R$ 1.712. Na reunião do último dia 29, a empresa já havia aumentando sua proposta, que era de R$ 1.200. Se praticamente ficou selado o acordo em relação ao piso, o valor da PLR continua atrapalhando o acordo.

A GM reiterou a proposta de R$ 8.000, praticamente a metade dos R$ 15 mil atuais. Ontem, a montadora também apresentou novo PDV (Plano de Demissão Voluntária) para aposentados, pré-aposentados e funcionários que queiram aderir. Já o sindicato garante que não vai abrir mão da estabilidade para os 750 funcionários do MVA.

Após a reunião, o diretor de Assuntos Institucionais da GM, Luiz Moan, avaliou que já houve um avanço, mas voltou a pedir a colaboração do sindicato para que o acordo seja fechado na reunião da próxima semana. “A GM já chegou ao seu limite. Fizemos novamente um apelo para o sindicato para nos ajudar a atrair este investimento tão importante para São José dos Campos”, disse Moan.

“Mas esta reunião de hoje [ontem] já representa um passo a mais”, completou o executivo. O secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos, Luiz Carlos Prates, o ‘Mancha’, reconheceu que houve avanços na reunião de ontem e acredita ser possível o fechamento do acordo. “O sindicato já fez várias concessões. Acredito que houve avanços e agora temos mais um tempo para voltar à fábrica e conversar com os trabalhadores. Mas vamos continuar insistindo na defesa dos trabalhadores, já que com as concessões que fizemos houve precarização do trabalho”, afirmou ‘Mancha’.

Segundo ele, o sindicato quer que a PLR seja definida apenas após o início das operações da fábrica. “Além do valor proposto pela GM ser metade do atual da PLR, como querem definir valor sem saber quanto vão ser os lucros? Vamos insistir neste ponto na reunião de segunda-feira. Também não abrimos mão da estabilidade.” A meta é fechar uma proposta que torne mais competitiva a produção de um novo carro da GM em São José. A cidade disputa com outros dois países a fabricação do novo modelo.

O sindicato defendeu que os metalúrgicos fossem remanejados para outros setores do complexo industrial de São José. A GM não concordou e, até ontem, sustentava a proposta de abrir um PDV (Programa de Demissão Voluntária) em junho para os trabalhadores. Quanto ao valor da grade salarial que será aplicada para os novos contratados, a diferença entre sindicato e GM caiu de R$ 690 para R$ 152, o que deveria ser resolvido.

O pacote de investimentos é considerado vital para o futuro da GM em São José. Sem a chegada de um novo projeto, o complexo industrial pode começar a ficar obsoleto na cidade e perder em competitividade para outras fábricas da empresa no Brasil e no exterior. No dia 28 de maio, a Prefeitura de São José anunciou um acordo com a GM para a criação de um distrito industrial ao lado do complexo da empresa, na região leste da cidade.

Trata-se de um terreno de mais de 1 milhão de metros quadrados que seria transformado em distrito industrial para receber novas empresas, entre elas fornecedores da GM, que viriam até do exterior. A administração também poderá conceder redução de impostos para a GM. “Precisamos que a empresa e o sindicato cheguem a um acordo e, a partir daí, em um tempo muito rápido, teremos a definição do distrito e da isenção de impostos”, disse Carlinhos na semana passada.

O Vale

Negociação da GM recebem sigilo na cidade

A General Motors e a Prefeitura de São José dos Campos iniciaram ontem negociações sobre a concessão de incentivos fiscais do município à montadora como parte de um acordo que pode levar a companhia a investir R$ 2,5 bilhões na implantação de uma linha de montagem para o novo modelo que a empresa planeja lançar no mercado. O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Sebastião Cavali, se reuniu com a direção da empresa por cerca de quatro horas ontem, na sede da empresa, em São Caetano do Sul.

Além do complexo da GM em São José dos Campos, outros dois países (cujos nomes não foram divulgados) também disputam o investimento da montadora. No entanto, nenhum detalhe do encontro foi divulgado pela prefeitura. O governo petista informou que “para manter o sigilo que uma concorrência internacional no mercado automotivo exige, não estamos dando entrevistas sobre o processo”.

A prefeitura informou ainda que o encontro faz parte das rodadas de negociação para garantir a implantação no complexo industrial de São José dos Campos da linha de produção do novo modelo de veículos da montadora. “Este foi a primeira reunião com a fabricante de veículos. O processo de negociação está em andamento”. A assessoria da GM informou que a montadora irá se pronunciar apenas no final das negociações, que envolvem também o Sindicato dos Metalúrgicos e o governo do Estado de São Paulo.

O prefeito Carlinhos Almeida (PT) disse anteriormente que o “município não medirá esforços para atrair o investimento”. Entre os incentivos fiscais que o município pode oferecer estão isenção do ISS (Imposto Sobre Serviços) e IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), além de melhoria da infraestrutura de acesso ao complexo industrial da montadora na cidade.

Com o Sindicato dos Metalúrgicos, a GM negocia um novo acordo trabalhista. As tratativas com a entidade foram iniciadas em abril. A base de negociação é o acordo fechado em janeiro que levou ao rebaixamento do piso salarial dos funcionários em São José, de R$ 1.840 para R$ 1.712 e a flexibilização da jornada de trabalho. Com o governo estadual, a montadora também negocia concessão de incentivos fiscais, como de ICMS (Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços).

Para dirigentes de entidades de classe de São José, esse investimento é essencial para a sobrevivência da fábrica da GM na cidade. “Sem esse investimento, a fábrica da montadora em São José será esvaziada aos poucos por falta de novos produtos”, disse o diretor regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Almir Fernandes. A decisão da montadora será tomada até o final do mês.

O Vale

Publicado em: 09/05/2013

Empresa GM tem planos para tentar resgatar a fabrica

A General Motors e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos iniciaram negociações, com base no último acordo firmado entre as partes, em janeiro deste ano, para tentar viabilizar investimentos de R$ 2,5 bilhões na planta da empresa no município. A GM planeja lançar um novo carro e o complexo industrial de São José dos Campos é candidato a receber a nova linha de montagem.

Outros dois países também disputam os investimentos, segundo informou Luiz Moan, diretor de Assuntos Institucionais da GM. O presidente do sindicato, Antonio Ferreira de Barros, o Macapá, disse que as conversações com a GM foram iniciadas em abril e são reflexo do acordo firmado pela entidade com a montadora em janeiro. “Uma das cláusulas do acordo prevê que qualquer novo investimento da empresa no Brasil precisa, primeiro, ser negociado com São José dos Campos. Foi uma conquista, depois de muita luta”, disse o dirigente.

Por questões de sigilo, o sindicato não dá detalhes sobre o que vem sendo negociado, mas Macapá disse que a entidade está “empenhada em fechar novo acordo para garantir que os investimentos sejam aplicados no complexo de São José”. Segundo o sindicalista, trata-se de um projeto de vulto que implica ampliação da fábrica de São José, caso seja escolhida para receber a nova linha de montagem.

Pelo último acordo firmado com a GM, o piso salarial que era de R$ 1.840 foi rebaixado para R$ 1.712, além de flexibilização da jornada de trabalho, entre outros itens negociados. A GM também mantém conversações com a prefeitura e com o governo do Estado sobre a concessão de benefícios fiscais para completar as negociações. O anúncio do local da produção do novo modelo deve ser feito no começo de junho, segundo Macapá.

O Vale

Publicado em: 06/05/2013

Metálurgicos voltam ao trabalho na GM da cidade

Os 150 funcionários da unidade local da General Motors que estavam afastados desde agosto do ano passado retornaram ontem à empresa. A informação é do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos. O grupo estava em lay-off (contrato de trabalho suspenso) e tem estabilidade.

Na semana passada, a montadora demitiu 598 metalúrgicos que estavam afastados, por considerar “mão de obra excedente”. O presidente do sindicato, Antonio Ferreira de Barros, o Macapá, relatou que a entidade ingressou no Ministério Público Federal do Trabalho com pedido de reunião com a GM, para tentar ampliar o número de trabalhadores com estabilidade.

“O nosso cadastro tem quase 300 pessoas que têm estabilidade e queremos que todos voltem para a fábrica”, disse. Macapá disse que a lista também foi enviada à direção da GM. “Conversamos com a empresa, que ficou de analisar”. A GM reconhece estabilidade de 150 empregados do grupo que estava afastado. A montadora não comenta a informação do sindicato.

O Vale

Publicado em: 02/04/2013

Demissões da GM são confirmadas pela General Motors

A General Motors confirmou ontem a demissão de 598 trabalhadores do complexo industrial da empresa em São José dos Campos. O grupo estava afastado do trabalho desde agosto de 2012. Agora, o Sindicato dos Metalúrgicos e a prefeitura vão buscar alternativas para a recolocação dos demitidos que estavam em regime de lay-off (contrato de trabalho suspenso) no mercado de trabalho.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Antonio Ferreira de Barros, o Macapá, disse que a entidade iniciou o cadastramento dos interessados em disputar uma vaga na montadora chinesa Chery, que vai contratar para a sua fábrica em fase de construção em Jacareí.

“A Chery já demonstrou interesse em contratar demitidos da GM, porque é mão de obra especializada”, afirmou o sindicalista. Segundo ele, a montadora chinesa pode recrutar funileiros, eletricistas, mecânicos, entre outros.
Macapá relatou que o sindicato planeja procurar outras montadoras da região e até de outros Estados em busca de vagas para os demitidos da GM.

“A gente tentou manter os empregos até onde foi possível. Havia alternativas, mas a empresa insistiu na sua decisão”, afirmou. O secretário municipal de Relações do Trabalho, José Luís Nunes, informou que serão colocados à disposição dos demitidos os programas de requalificação de mão de obra oferecidos pela administração municipal.

Nunes disse que os trabalhadores poderão se cadastrar no PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador) em busca de recolocação. “Vamos ainda buscar alternativas para a recolocação do pessoal junto aos RHs das empresas que temos contato”, afirmou.

No momento, ele descartou outras possibilidades de auxílio, como doação de cesta básica. “O serviço social da prefeitura está atento e vai acompanhar o caso, mas não está prevista doação de cesta básica”, afirmou Nunes. Segundo o sindicato, além das verbas rescisórias, os demitidos terão direito a receber três salários a mais como indenização pela dispensa.

O presidente da ACI (Associação Comercial e Industrial), Felipe Cury, disse que o desfecho do episódio mostra “que houve intransigência de ambas as partes”. “Quando existe celeuma entre duas entidades e ambas se comportam mal, o prejuízo, o grande prejudicado é a cidade”, afirmou Cury.

Ele disse que o sindicato foi intransigente no passado ao negociar com a GM novos acordos para permitir investimentos na planta de São José, mas a GM também não demonstrou interesse em “convencer o sindicato e nem procurou ajuda da comunidade para isso”, afirmou Felipe Cury. “Há um ano a GM ameaça demitir. Isso gerou um pânico entre os familiares dos funcionários da empresa e impactou o comércio. Quem se sente ameaçado, não consome”.

O Sindicato dos Metalúrgicos informou que a GM teria convocado 151 trabalhadores que estavam afastados desde agosto do ano passado para voltarem ao trabalho, a partir de hoje. Esses operários formam o grupo de funcionários que têm estabilidade, principalmente por motivos de saúde.

No entanto, a direção do sindicato informa que o número de trabalhadores nessa condição é maior e pode chegar a 300 pessoas. “Encaminhamos hoje (ontem) uma listagem com as pessoas que têm direito à estabilidade. Vamos esperar a empresa analisar o caso”, disse o presidente do sindicato, Antonio Ferreira de Barros. A GM não se pronunciou sobre o assunto. Na nota que divulgou ontem, a montadora informa apenas o número de funcionários demitidos.

O Vale

Publicado em: 27/03/2013

Protesto contra as demissões da GM na cidade fracassa

Fracassou ontem o último protesto contra a ameaça de demissão dos trabalhadores da General Motors, de São José dos Campos, que estão em lay-off (suspensão temporária do contrato de trabalho). O lay-off termina hoje e um grupo de 602 trabalhadores corre risco de demissão a partir de amanhã.

Na semana passada, a empresa informou o sindicato que admite apenas o retorno dos empregados que têm estabilidade. Segundo o sindicato, 739 operários que estão afastados desde agosto do ano passado. Desse total, apenas 80 compareceram ontem à assembleia convocada pelo Sindicato dos Metalúrgicos.

Durante a reunião, o presidente do sindicato, Antonio Ferreira de Barros, o Macapá, propôs que o grupo fizesse uma caminhada pelas ruas do centro, até a praça Afonso Pena, mas a manifestação acabou não ocorrendo por falta de adesão. Mais cedo, o sindicato também havia cancelado a assembleia na portaria da GM, programada para as 5h. Segundo o dirigente, a manifestação não teve a aprovação dos operários da montadora. “O sindicato é dos trabalhadores ”, disse.

No encontro com o grupo afastado, Macapá relatou que a GM informou que a sua listagem de operários com estabilidade soma 137. Para o sindicato, no entanto, esse número pode ser de cerca de 300. “Esse número é maior. Vamos conversar com a empresa caso a caso”, disse.

Se considerar o número da montadora, 602 empregados correm risco de demissão. Macapá afirmou que o sindicato vai “continuar lutando para que não ocorra demissões”. “O jogo ainda não acabou. Esperamos que a prefeitura pressione a empresa ou peça ao governo federal para evitar demissões, disse. O dirigente orientou os trabalhadores para não assinarem carta de demissão. Operários informaram que até ontem não haviam recebido nenhuma correspondência da empresa a respeito.

A prefeitura informou, por meio de assessoria, que conversou com a direção da GM e que a empresa mantém a decisão de cumprir o acordo firmado em janeiro, que prevê o fim do lay-off a partir de hoje. Entre os trabalhadores, o clima é de descrença quanto à possibilidade de retorno. “Acho difícil uma solução para o retorno do pessoal”, disse Elzon Antonio Querido de Olivera, 50 anos, funcionário da GM há 28 anos.

Para Marcelo Chagas, 43 anos, funcionário da montadora há 17 anos, o sentimento dos trabalhadores é de “abandono”. “Parece que fomos abandonados pela empresa e pelo sindicato”, desabafou. Na semana passada, a GM, em reunião com a direção do sindicato, informou que vigora o acordo fechado em janeiro que prorrogou por 60 dias o afastamento do grupo.

O Vale

Publicado em: 26/03/2013