Abrigos do Pinheirinho, disponível por tempo indeterminado

A Prefeitura de São José já admite manter parte dos ex-moradores do Pinheirinho em abrigos municipais por tempo indeterminado em razão da dificuldade que os desalojados enfrentam para alugar casas com o dinheiro do auxílio-moradia.

A meta inicial do governo era concluir até a última segunda-feira a transferência de todas as famílias abrigadas para casas alugadas ou de familiares, mas pelo menos 200 ainda estão nos ginásios do Morumbi, Vale do Sol e Dom Pedro 2º.

E, apesar da dificuldade apontada pelas famílias, a prefeitura fez um balanço positivo dos trabalhos. “Estimamos que 85% das famílias já estão em casas alugadas ou na casa de parentes. E isso foi feito em grande velocidade”, disse o secretário de Desenvolvimento Social, João Francisco de Sawaya de Lima, o Kiko. Segundo ele, as famílias serão abrigadas nos ginásios públicos “até quando for necessário”.

Desativação. Ontem, o primeiro dos quatro abrigos improvisados pela prefeitura foi desativado. Ao todo, 43 famílias que estavam na escola Dom Pedro de Alcantara, conhecida como Caic Dom Pedro, foram transferidas para outros abrigos ou para a casa de parentes.

“Eles queriam que saíssemos do abrigo de qualquer jeito. Mas eu não vou para outro abrigo. Não aguento mais viver dessa forma. Vou dormir no quintal na casa de familiares”, disse Josefa Adevina da Silva, 42 anos. A última família a deixar o Caic seguiu rumo ao abrigo do ginásio Ubiratan Maciel, no Dom Pedro. No local, estão cerca de 50 famílias.

Por volta das 16h30, o auxiliar de serviços gerais Luiz Alberto Ferreira Nunes, 27 anos, e a cuidadora de idosos Rafaela Araújo de Lima, 26 anos, se juntaram aos abrigados.

Para garantir um pouco de privacidade, usaram colchões como paredes. O casal, que tem dois filhos, reclamou da demora na liberação do aluguel social. “Perdemos tudo, até o enxoval do nosso bebê. Nossas duas filhas pequenas estão com os avós, porque não podemos deixa-las viver dessa maneira”, disse Rafaela, grávida de quatro meses.

“Aqui é nosso novo lar até entramos em uma casa. Já levei toda a documentação necessária e o cheque ainda não saiu”, disse Nunes. Segundo balanço do governo, 750 cheques do aluguel social e do auxílio-mudança, no valor de R$ 1.000, já foram distribuídos. A estimativa é que sejam entregues 1.250 cheques. A prioridade é atender as famílias dos abrigos.

Ao todo, governo do Estado e prefeitura irão investir nesse primeiro mês do benefício R$ 1,250 milhão. A liberação da próxima parcela está prevista para o dia 28. Kiko afirmou que muitas famílias ainda permanecem nos abrigos para antecipar o recebimento do aluguel social.

“Muita gente voltou para o abrigo para ter prioridade no aluguel social. Mas, estamos repassando os cheques também para quem está na casa de parentes e amigos”, disse. De acordo com ele, 960 famílias cadastradas foram identificadas no cadastro oficial da prefeitura realizado em julho de 2010 no Pinheirinho. Segundo ele, “a maior parte” das 290 famílias restantes comprovou que vivia no Pinheirinho por meio de outros cadastros.

O Vale

Com o auxilio moradia, famílias começam a deixar abrigos

A Prefeitura de São José pretende concluir a entrega de 1.250 cheques do aluguel social às famílias removidas do Pinheirinho, na zona sul da cidade, até a próxima semana. Ao todo serão repassados R$ 1,250 milhão em recursos. Cada família receberá nessa primeira parcela R$ 500 do aluguel social e uma parcela única de R$ 500 de auxílio mudança. A segunda parcela de R$ 500 será disponibilizada no dia 28 de fevereiro.

A meta da prefeitura é concluir a remoção das famílias dos quatro abrigos municipais até sexta-feira. Das 1.100 pessoas abrigadas, cerca de 800 já teriam saído.

De forma paralela, a Secretaria de Desenvolvimento Social começa a convocar hoje as famílias abrigadas na casa de parentes e amigos. Elas também serão contempladas. “Todos os cheques já estão impressos. E agora iremos chamar as famílias que não estão nos abrigos”, disse o secretário, João Francisco de Sawaya Lima.

Nos abrigos, as famílias aguardam com expectativa pela liberação do cheque do aluguel social e reclamam da dificuldade de encontrar um imóvel ára alugar. “Estamos esperando pelo cheque, mas ainda não encontramos uma casa. As imobiliárias querem um fiador”, disse o pedreiro I.J., 44 anos.

O presidente da Asseivap (Associação das Empresas Imobiliárias do Vale do Paraíba), Marco Aurélio Peneluppi, afirmou que em todas as cidades são necessários fiadores nos casos de locações. “Essas exigências não se aplicam somente aos moradores do Pinheirinho”, disse.

O Vale

Na cidade área continuará abandonada na Zona Leste

Principal avalista do movimento sem-teto em São José dos Campos, o Sindicato dos Metalúrgicos mantém abandonado um terreno de pelo menos 3.000 metros quadrados no distrito de Eugênio de Melo (zona leste da cidade).

A gleba é o mote da mais nova polêmica em torno da desocupação do Pinheirinho. Nas redes sociais, internautas contrários ao movimento sem-teto defendem que o terreno do sindicato seja doado às famílias desalojadas como prova do apoio irrestrito da entidade à causa.

Localizada às margens da estrada velha São Paulo-Rio de Janeiro, a área foi comprada há seis anos pelo Sindicato dos Metalúrgicos para construção de um clube para a categoria.

Até hoje, porém, o espaço de lazer não saiu do papel e o terreno permanece vazio, sem nenhuma benfeitoria. “O sindicato manter um terreno improdutivo é mais um dos exemplos que mostram que o movimento é falso e politiqueiro. Eles não fazem o que defendem”, afirmou Alexandre Blanco, presidente de PSDB em São José.

“Eles sindicalistas só sabem usar essa população como massa de manobra para criar um clima de instabilidade na cidade”, completou. O projeto do clube é tratado como verdadeiro tabu pelo sindicato, que evita falar sobre o assunto.

Procurada pela reportagem, a entidade se negou a fornecer informações sobre o valor e a metragem do terreno a gleba tem aproximadamente 40 metros de frente por 80 metros de comprimento, cercados por uma cerca de arame farpado com uma placa informando o proprietário.

Vizinhos do terreno são contrários a proposta da ‘corrente virtual’ de que a área seja doada aos sem-teto. “Vivemos em paz aqui”, disse Maria Aparecida Lacerda, 63 anos, que mora do outro lado do terreno há 10 anos. Outra moradora do bairro que não quis se identificar disse que ouviu dizer que a área vai se transformar em um clube. “Já ouvimos dizer várias coisas do terreno entre elas que iria se transformar em um condomínio residencial e o outro boato mais recente é que iria virar um clube”, disse.

A ligação do Sindicato dos Metalúrgicos com o movimento sem-teto é forte. A entidade sempre colocou sua estrutura à disposição dos sem-teto e, em contrapartida, sempre contou com os moradores do Pinheirinho para engrossar suas mobilizações –sejam políticas, como a campanha contra o aumento salarial dos vereadores, ou sindicais.

Também vem do sindicato o salário pago ao principal líder do movimento sem-teto, Valdir Martins de Souza, o Marrom, que ocupa um cargo ‘fantasma’ na instituição. Marrom representa “a base de trabalhadores” da Tecsat, empresa que não tem mais fábrica em São José desde o final de 2007. Por mês, ele recebe cerca de R$ 3.000.

Marrom, que dedica 100% do seu tempo ao movimento, chegou a dizer à reportagem que o terreno de Eugênio de Melo não é do Sindicato dos Metalúrgicos, e sim de uma “associação de aposentados”, mas não quis dar mais detalhes sobre o assunto.

O Vale

Auxilio moradia é antecipado para famílias do Pinheirinho

A Prefeitura de São José começou a distribuir ontem os primeiros cheques do aluguel social às famílias sem-teto expulsas da área do Pinheirinho, na zona sul da cidade. As primeiras 31 famílias contempladas estavam abrigadas no poliesportivo do Jardim Morumbi, considerado o mais precário dos alojamentos municipais em razão da superlotação. Das 1.100 pessoas acolhidas pela prefeitura, 420 estavam neste abrigo até ontem.

Cada família recebeu um cheque de R$ 1.000, sendo uma parcela única de R$ 500 a título de auxílio mudança e outra de R$ 500 para o aluguel. O recebimento do benefício está condicionado à saída imediata dos abrigos da prefeitura. A entrega dos cheques continua hoje. Segundo o secretário de Desenvolvimento Social João Francisco de Sawaia, o Kiko, outras 700 famílias já estão aptas a receber o aluguel.

São requisitos do programa que famílias possuam renda de até três salários mínimos (R$ 1.866), tenham se cadastrado na prefeitura e estejam alojadas nos abrigos ou na casa de parentes ou terceiros. Ao todo, foram cadastradas 1.250 famílias. Os dados de todas elas estão sendo submetidos a uma triagem para verificar quais se enquadram no perfil social do programa. Os sem-teto contemplados receberão o auxílio até ganharem novas moradias no programa habitacional.

O projeto de lei que liberou o auxílio-moradia para as famílias desalojadas tramitou em tempo recorde. O texto foi aprovado em sessão extraordinária na manhã de ontem e sancionado pelo prefeito Eduardo Cury (PSDB) no final da tarde, permitindo a liberação dos primeiros cheques minutos depois.

Uma emenda da bancada governista ampliou o benefício a famílias alojadas na casa de parentes. O texto original limitava o repasse aos alojados em abrigos municipais. A emenda também garantiu que o benefício seja renovado até haja dê uma solução definitiva de moradia (por parte de qualquer uma das esferas de governo) às famílias.

Todas as oito emendas da bancada do PT foram rejeitadas, inclusive a que garantia transporte e vaga em escola para crianças do Pinheirinho. O valor do aluguel social será dividido entre Estado e prefeitura: o primeiro pagará R$ 400 mensais por família e o segundo complementará o valor com mais R$ 100.
O Estado liberou ontem R$ 1,040 à prefeitura para o início dos pagamentos.

O Vale

Abrigo que abriga famílias do Pinheirinho, fica super lotado

A falta de estrutura do ginásio do Jardim Morumbi, na zona sul de São José dos Campos, fez com que os sem-teto alojados no local improvisassem novas “moradias” com barracos de lona. A justificativa, segundo eles, é a falta de espaço para abrigar todos que estavam, até semana passada, dormindo em uma igreja.

Muitos sem-teto criaram em uma parte do complexo, onde deveria ser um campo de futebol, barracos com lona, pedaços de madeira e plástico. No local é possível encontrar animais ontem, havia até um porco no local. Em cada uma das moradias, que possuem luz elétrica e até televisão em alguns casos, vivem pelo menos cinco pessoas, como é o caso da auxiliar de serviços gerais Maria Natalia Damasceno, de 25 anos.

Ela mora em um dos barracos com o marido e a filha de 5 anos, mais a cunhada com o marido e a filha, totalizando seis pessoas. “Ontem anteontem a gente começou a construir isso aqui porque não tem como ficar lá dentro do ginásio. Está lotado”, disse. “A situação está tão precária que está uma confusão geral, para tomar banho principalmente”, completou.

Uma das vizinhas de Maria Natália é a doméstica Cícera Esmeralda de Sousa, 29 anos, diz que está doente, assim como os dois filhos. Segundo ela, a causa seria a comida servida no alojamento. “Tem um filho meu que está doente, eu também estou. Meu outro filho comeu a comida servida aqui várias vezes e passou muito mal”, disse.

Quem não conseguiu pedaços de madeira para construir o barraco, teve que construir uma moradia usando plásticos e lona. Foi assim que a faxineira Joana D’arc de Moura, 43 anos, fez um lugar para dormir com o marido, os dois filhos e um cachorro, aproveitando parte da cobertura da raia de malha do poliesportivo.

“Não tinha outro lugar para ficar, aí arrumaram uma lona e plásticos para mim, eu pendurei no telhado e coloquei a cama. O problema é que a gente passa muito frio à noite”, disse Joana, que teria perdido o emprego por causa da reintegração de posse.

Assim como Joana, o caminhoneiro Luiz Gonçalves dos Santos, 45, também perdeu o emprego com a ação no Pinheirinho. “Fiquei sem trabalhar na semana passada e fui demitido”. Agora, ele, a mulher e os três filhos de 9, 13 e 16 anos, dividem o vestiário do complexo esportivo com outros sem-teto.

O local, que também recebeu adaptações elétricas, tem três janelas, todas com os vidros quebrados. Quando chove, o casal, que dorme na área onde ficam os chuveiros, acaba se molhando. “Estou doente por causa disso. Essa situação não é humana”, disse a dona de casa Ana Vieira Campos, 35 anos.

O Vale

Fila para casa própria prioriza famílias do Pinheirinho

O prefeito de São José Eduardo Cury (PSDB) criou uma ‘matemágica’ para reduzir a fila de espera pela casa própria na cidade, que se arrasta há 13 anos. Após a crise do Pinheirinho, Cury sustenta que apenas 42% das 26.000 famílias inscritas precisam realmente de moradia popular.

“Na medida que chamamos as famílias para dar casas é que se descobre a real situação. A experiência dos últimos oito anos nos mostra que para cada 2 pessoas chamadas, 1 não precisa mais de moradia porque melhorou de vida ou porque não se encaixa mais nos critérios habitacionais”, disse o prefeito na última quarta-feira.

Pelas contas do prefeito, a fila real tem apenas 11 mil famílias em São José. Mas os dados só serão comprovados após o recadastramento das famílias até agora, só foram “recenseados” os moradores que entraram na fila em 1999.

A fila da habitação em São José enfrenta dois problemas: o número insuficiente de casas e a prioridade para famílias que viviam em área de risco ou foram afetadas por obras públicas. Cury afirma que entrega, em média, mil unidades por ano, mas os números do próprio governo tucano não sustentam esta estimativa. Nos últimos sete anos, foram 1.886 moradias em parceria com a CDHU e o BID. Outras 652 foram entregues pela CDHU.

Somadas, 2.538 foram entregues pelo governo uma média de 362 casas por ano. As outras 1.600 unidades que o tucano inclui no pacote foram construídas pela iniciativa privada, com financiamento da Caixa Econômica Federal.

A maioria das unidades construídas em parceria com a prefeitura foram destinadas a famílias removidas de áreas de risco e do conjunto Henrique Dias, projeto habitacional fracassado da prefeitura. Também foram realizadas remoções de moradores para obras como a Via Norte e a ampliação do aterro sanitário.

Com isso, em oito anos, apenas 335 moradias teriam sido sorteadas para quem estava na fila da casa própria.
Em 2012, a prefeitura não irá entregar nenhuma casa. “Habitação popular não sai de forma automática todo ano, tem ano que faz mais e outros menos”, diz Cury.

A meta de Cury era acabar com a fila em 11 anos. O anúncio da construção de 5.000 moradias pelo governador Geraldo Alckmin deixou o prefeito mais otimista. “Com 5.000 moradias, a gente mata metade da fila em 4 anos. Para o presidente do PT em São José, Wagner Balieiro, a multiplicação da fila mostra a ineficiência do setor.

O Vale

Famílias do Pinheirinho são priorizados com Habitações

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou ontem um programa emergencial que prevê a construção de 5.000 moradias em São José dos Campos para atender, prioritariamente, as famílias expulsas do acampamento sem-teto do Pinheirinho, na zona sul da cidade.

As unidades serão construídas em parceria com o governo federal e a Prefeitura de São José. O pacote também irá beneficiar famílias inscritas no programa habitacional do município. A fila da habitação em São José tem 26 mil pessoas atualmente.

De acordo com a prefeitura, já foram cadastradas 1.100 famílias do Pinheirinho, mas só as que se encaixarem nos critérios de baixa renda serão contempladas com as novas moradias. “As famílias do Pinheirinho terão prioridade, mas nós vamos atendê-las junto com as demais famílias. Elas terão prioridade porque estarão no aluguel social”, completou.

A prioridade para as famílias do Pinheirinho contraria política adotada pela Prefeitura] de São José a administração do PSDB sempre defendeu o respeito à fila. “As primeiras 1.100 unidades irão para as famílias mais pobres do Pinheirinho, além das famílias mais pobres da cidade que estão na fila. Por isso, a decisão de não fazer só 1.000 casas, mas 5.000, porque temos pessoas às vezes mais pobres que as do Pinheirinho, mas que esperam ordeiramente sua vez na fila”, disse Cury.

O pacote prevê apenas a construção de prédios. Os primeiros 1.100 apartamentos já haviam sido anunciados no ano passado serão 550 no Putim e 550 no Altos de Santana. Eles serão entregues pela CDHU em um prazo máximo de18 meses.

As 3.900 unidades restantes serão construídas em quatro anos por meio de convênio com o governo federal. Nesse modelo, a União entra com a maior parte dos recursos (R$65 mil por unidade, com um complemento de R$ 20 mil do governo do Estado a fundo perdido). A prefeitura disponibilizará as áreas.

O anúncio do pacote foi feito durante a assinatura do convênio do aluguel social que será destinado às famílias do Pinheirinho até a entrega das novas moradias. O decreto prevê a destina-ção de até 1.300 auxílios. O Estado irá destinar R$ 400 por família e a prefeitura, R$ 100. O benefício deve ser pago a partir da próxima semana.

O líder dos sem-teto, Valdir Martins, o Marrom, lamentou que a decisão tenha sido tomada somente agora. “As pessoas já tinham casa. Agora essas construções deverão ser feitas com urgência.”

O Vale

Famílias do Pinheirinho invadem casas condenadas

Ex-moradores do Pinheirinho invadiram 13 casas abandonadas em áreas de risco no Rio Comprido, zona sul de São José dos Campos.

Os móveis das famílias foram levados ao Rio Comprido por caminhões da Urbam (Urbanizadora Municipal). Os invasores afirmam que não têm para onde ir e já planejam reformar as casas, que foram esvaziadas em março devido ao risco de desabamento.

Os imóveis invadidos ficam na avenida Um, mesmo local onde cinco pessoas morreram em janeiro do ano passado, quando um deslizamento de terra derrubou quatro casas. Não havia nenhum impedimento para que as casas condenadas fossem reocupadas. Embora a maioria das casas tenha sido invadida ontem, algumas famílias chegaram ao local no domingo, assim que foram retiradas do Pinheirinho.

Já havia “gatos” e aparelhos ligados, como geladeiras. “Assim que houve a reintegração, já viemos pra cá. Precisa de alguns reparos, temos que pedir água emprestada para os vizinhos, mas pelo menos meus filhos têm um teto”, disse José Emílio Santos, 45 anos, com os cinco filhos e a mulher.

A maioria das casas está semi-destruída, já que a prefeitura começou a derrubar os imóveis, mas uma liminar da Justiça barrou a demolição. Regina Mendes da Silva, 43 anos, passou o dia retirando os escombros da casa onde pretende morar com o marido e seus nove filhos.

A estrutura do imóvel está intacta, mas não há portas ou janelas. “Precisa de uma reforma, mas enquanto não consigo mudar para um lugar melhor, aqui está ótimo.”

Por volta das 11h, a mudança se transformou em tumulto. Enquanto funcionários da Urbam ajudavam a colocar imóveis nas casas, uma viatura da Guarda Civil tentou impedir a ação. Após diálogo entre os guardas e moradores do Rio Comprido, foi decidido que os móveis ficariam guardados em casas regularizadas.

O Vale

Impasse chega ao fim no Pinheirinho

A semana começou diferente em São José dos Campos. Ruas vazias, comércio fechado, carcaças de veículos queimados e um impasse que parece caminhar para o fim, após um domingo de tensão na comunidade do Pinheirinho. Após a desapropriação das famílias que moravam no local, os moradores do município e, principalmente, os desabrigados, tentam se acostumar com a mudança da rotina após as notícias que circularam nas últimas semanas.

A história do terreno particular, com um milhão e trezentos mil metros quadrados, envolve bem mais fatos do que a ocupação de 600 famílias, ocorrida em 2004. A área é particular, e faz parte do patrimônio da empresa Selecta S/A, que decretou falência.

Um dos sócios da empresa é Naji Robert Nahas, preso por crimes financeiros, como lavagem de dinheiro e desvio de verbas públicas para especulação financeira. Só a dívida da Selecta com a prefeitura da cidade chega a 15 milhões.  A área foi avaliada pela Justiça Estadual em 180 milhões reais, e precisaria ser vendida para pagar a todos os credores.

Antes da desocupação, autoridades federais, como o senador Eduardo Suplicy (PT) e o deputado federal Ivan Valente (PSol), estiveram no local e tentaram barrar a decisão da Justiça do Estado, em um acordo com a massa falida da Selecta S/A.

“No sábado, o Suplicy esteve aqui e disse que os 15 dias ainda estavam valendo e que nada seria feito, isso nos deixou em clima de festa, tanto que no sábado o pessoal estourou todos os rojões comemorando. Mas aí no domingo cedinho, teve a invasão da polícia e não tinha rojões para avisar”, conta uma moradora desalojada do local.

Ela também descreve com tristeza os primeiros momentos da desocupação: “Você precisava ver, correria, homem, mulher, as crianças chorando… Já chegaram derrubando a igreja católica aqui e depois o barracão onde aconteciam as nossas reuniões.”

Veículos incendiados, ações rigorosas da polícia e famílias expulsas de suas casas percorreram os meios de comunicação, alcançando até mesmo a mídia internacional. Veículos como o The Guardian e a BBC, de Londres, deram ampla cobertura ao caso.

Nos bairros vizinhos, as pessoas evitaram sair de suas casas. No início da manhã, diversos pontos comerciais estavam fechados ou funcionavam com a porta parcialmente aberta.

Pessoas de outros bairros também foram afetadas, principalmente pela falta de transporte público. Um ônibus foi incendiado no domingo, e por conta deste acontecimento, as linhas urbanas mudaram seus itinerários e horários. Muitos trabalhadores chegaram atrasados ou faltaram ao serviço, por falta de ônibus.

A última decisão agora cabe ao Supremo Tribunal Federal (STF). O órgão precisa avaliar se a ordem de reintegração de posse precisa ser decidida pela justiça federal ou estadual.

Mas o veredito não mudaria muito os fatos, já que, durante entrevista coletiva, o comandante da Polícia Militar informou a entrega do terreno à massa falida da Selecta ainda nesta terça-feira (24).

Programa Internet Gratuita abre inscrições na cidade

A Prefeitura de São José dos Campos começa nessa quinta-feira o cadastro dos imóveis que desejam ser beneficiados pelo programa de internet sem fio gratuita. Ao todo, serão contemplados 127 bairros da periferia, mas até o limite de 20 mil casas o que representa menos de 15% das morarias que existem na cidade.

Para inscrever o imóvel, o morador precisa levar um carnê de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), RG e um comprovante de endereço originais. Quem estiver em atraso com o IPTU poderá receber o benefício. No mesmo dia do início do cadastro, 30% da área contemplada com o programa, cerca de 6.000 mil imóveis, já estarão recebendo o sinal da internet. A cobertura completa em todos os bairros estará disponível até maio.

“Estamos liberando o sinal por etapas, cobrindo 30% da área de cada vez, de forma que até o início de maio todos os bairros incluídos no programa terão acesso gratuito à internet”, afirmou Augusta Nanami, secretária adjunta de Administração, pasta responsável pela implantação do serviço.

Pontos. De acordo com a pasta, o cadastro dos imóveis pode ser feito em seis diferentes pontos da cidade como no Paço e no Poupatempo do Shopping Colinas. A inscrição é importante para que a prefeitura possa, por exemplo, ter condições de identificar problemas no sistema como a presença de hackers ou vírus.

Os moradores contemplados só vão poder navegar na internet após login que exigirá o número da inscrição do imóvel, disponível no carnê de IPTU. A medida restringe o acesso dos moradores de bairros clandestinos. Também será preciso comprar um roteador que custa, em média, R$ 200.

A internet sem fio da prefeitura deverá oferecer uma velocidade de 256 kbps (considerada baixa por especialistas) e restringirá o acesso a downloads de filmes e sites pornográficos. A proposta é facilitar o acesso a e-mails, redes sociais, pesquisas escolares ou de busca de emprego.

O programa vai consumir R$ 1,3 milhão dos cofres públicos em três anos e vai funcionar por meio da tecnologia Wi-Fi, através do sinal de rádio. Entre os bairros beneficiados estão o Jardim Santa Inês (zona leste), Recanto do Caetê (norte) e Campo dos Alemães (sul). Juntos, os 127 bairros somam mais de 54 mil casas.

A prefeitura oferece desde abril do ano passado, internet sem fio gratuita em parques e áreas públicas como centros de esportes. A proposta da administração é fazer a inclusão digital da população.

O sinal está disponível em sete locais como o Parque Santos Dumont, Parque da Cidade (nas imediações da casa Olivo Gomes) e em cinco poliesportivos, como o do Jardim Cerejeiras e da Vila Tesouro, ambos na zona leste. O investimento da prefeitura com esse serviço foi de R$ 156 mil para um período de dois anos.

O Vale