Prefeitura contrata médicos para multirão de cirurgias

Com um mês e meio de atraso, o prefeito de São José, Carlinhos Almeida (PT), lançou ontem edital para a contratação de um pacote de 3.610 cirurgias na rede particular para dar início ao mutirão de saúde, prometido durante a campanha do ano passado.

O edital prevê um investimento de cerca de R$ 3,5 milhões para a contratação de cirurgias ginecológicas, pediátricas e gerais. O pacote também contempla a realização de consultas pré-operatórias e pós-operatórias, além do atendimento ambulatorial. A expectativa é que os procedimentos tenham início entre o final deste mês e o início de março.

O mutirão da saúde prevê a contratação de 2.120 cirurgias gerais no valor de R$ 2,2 milhões, outras 750 cirurgias pediátricas no valor de R$ 542 mil e 740 cirurgias ginecológicas no valor de 774 mil. Segundo a Secretaria de Saúde, um novo edital de credenciamento será aberto ainda esta semana para contratação de cirurgias ortopédicas.

Segundo o secretário ajunto de Saúde, Eduardo Guadagnin, todos os hospitais interessados em prestar os serviços podem se credenciar na prefeitura. Segundo ele, a administração irá trabalhar com uma tabela diferenciada para o pagamento dos procedimentos. “Estamos trabalhando com uma tabela diferenciada para ter o interesse dos prestadores em oferecer o serviço no menor prazo”, disse Guadagnin, que é filho da vereadora e ex-prefeita Angela Guadagnin.

“Iremos trabalhar com blocos cirúrgicos e não de forma individualizada. Mas, de forma geral iremos trabalhar com duas tabelas”, completou. São José tem uma fila de espera de 17 mil cirurgias. As cirurgias gerais lideram a lista de espera com 5.000 pacientes na fila. Em média, os pacientes esperam até dois anos para fazer a cirurgia.

Outras 1.692 pessoas estão na fila de espera por cirurgias pediátricas. Para essa especialidade a demora chega a sete meses. Com uma demanda de 610 pacientes, a fila de espera das cirurgias ginecológicas é de seis meses em média. Guadagnin reconheceu que o pacote a ser contratado não atende toda a demanda, mas ponderou que as avaliações clínicas irão apontar a necessidade de novas contratações.

“Não atende tudo, mas só a avaliação cirúrgica vai apontar a real demanda. Dentro desses pacientes da fila, nem todos tem definição cirúrgica precisa, eles serão encaminhados para avaliação e de acordo com essa avaliação saberemos qual a necessidade de novas contratações”, disse.

Vereadores do PSDB criticaram o atraso para o início dos mutirões da saúde do governo petista. Os parlamentares apontam que o pacote de cirurgias já anunciado pela administração como parte dessa ofensiva foi contratado no ano passado, durante a gestão tucana.

“O governo anterior buscou recursos no governo federal para garantir o mutirão da saúde no início deste ano. Parte da verba chegou em junho ao ano passado, onde foram utilizados cerca de R$ 600 mil. O restante chegou em dezembro do ano passado para ser utilizado este ano”, disse Fernando Petiti (PSDB).

Na avaliação de Petiti, o mutirão petista ainda não começou. “O edital prova que o início do mutirão está aqui. Precisamos acompanhar como é este contrato e quando as cirurgias irão começar”. Para o vice-presidente do PSDB, Juvenil Silvério, a população reclama a demora no mutirão da saúde que, segundo o PT, teria início nos primeiros dias de janeiro.

“Ao andar pela rua, vejo todo mundo esperando o mutirão que o Carlinhos prometeu. A população quer saber como será feito e em que posição da fila está. O Carlinhos vendeu essa ilusão ao eleitor e vai ter que cumprir”, disse. Para Juvenil, a administração se apropriou de ações da administração passada para iludir a população.

O Vale

Publicado em: 20/02/2013

Novo Prefeito pede apoio para revisão de lei de zoneamento

Em sua passagem pela Câmara na noite de ontem, o prefeito Carlinhos Almeida voltou a defender a revisão na Lei de Zoneamento. “Para garantir o desenvolvimento da cidade, nós identificamos a necessidade de aperfeiçoar a legislação de zoneamento para viabilizar a construção de moradias populares”, disse em discurso.

À reportagem, Carlinhos afirmou que a decisão final das mudanças caberá a Câmara. “Estamos fazendo estudos para apresentar alguns pontos que achamos que devem ser aperfeiçoados na lei, mas a palavra final será da Câmara, que terá condições de ouvir a sociedade e debater para decidir com responsabilidade”, disse. Parlamentares ouvidos antecipam que somente alterações pontuais que favoreçam a construção de moradias populares devem ser aprovados.

“Mexer para viabilizar moradia popular eu sou a favor, mas tem que ter muito cuidado para não beneficiar as grandes construtoras e encher a cidade de prédios”, disse Robertinho da Padaria (PPS). Para Fernando Petiti (PSDB), a lei não é perfeita, mas procurou garantir qualidade de vida. “A população precisa ser ouvida”, disse.

O Vale

Publicado em: 06/02/2013

Primeiro mês do mandado de Carlinhos, tem altos e baixos

O primeiro mês da gestão do prefeito de São José dos Campos, Carlinhos Almeida (PT), foi marcado por polêmicas e descumprimento de promessa. O mutirão da saúde prometido pelo petista durante a campanha eleitoral para os primeiras semanas de governo não se realizou. Os mutirões que estão sendo feitos, como na área de oftalmologia, foram programados no governo do ex-prefeito Eduardo Cury (PSDB).

Na área das finanças, o primeiro mês foi pontuado por embate entre o PT e o PSDB sobre a situação financeira da prefeitura. A administração petista afirma que os recursos financeiros são insuficientes para cobrir os gastos programados no orçamento, estimado em R$ 1,837 bilhão. Carlinhos, aconselhado pelo secretário da Fazenda, José Walter Pontes, determinou contenção de até 10% das despesas para avaliar a arrecadação geral.

O aumento de salários foi outra polêmica que marcou o primeiro mês. Carlinhos sancionou aumentos salariais de 5% para ele próprio e sua equipe de governo e de 103% para o vice-prefeito Itamar Coppio (PMDB). Com a medida, subsídio do prefeito subiu de R$ 19.395 para R$ 20.365, o dos secretários, de R$ 9.697 para R$ 10.182, e o do vice, de R$ 6.658 para R$ 13.576. A prática da partilha de cargos em troca de apoio político que aconteceu nos 16 anos de governo do PSDB foi mantida pelo petista.

O prefeito também procurou construir uma agenda positiva para o início do seu governo. No período, assinou o primeiro convênio com o programa Minha Casa, Minha Vida, para a construção de 1.404 moradias para famílias com renda até três salários mínimos. Recebeu também a confirmação do governo federal que São José terá uma parada do Trem-Bala. Para o secretário de Governo, Marcos Aurélio dos Santos, o primeiro mês de gestão foi marcado por “avanços e preocupações”.

Ele rebateu a tese de que o mutirão da saúde não ocorreu dentro do prazo prometido. “Os mutirões estão acontecendo. Em dezembro, Carlinhos garantiu com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, uma verba de R$ 1,7 milhão, que foi repassado para a área”, declarou o secretário.

Santos pontuou ainda que o governo iniciou uma nova fase de diálogo com a comunidade e citou como exemplo o envolvimento conjunto da prefeitura e da Defensoria Pública em busca de solução para famílias que moram em áreas de risco. Defendeu também o reajuste do salário do vice. “O salário estava equiparado a cargo de terceira divisão. Foi a Câmara que fez a correção”.

Na avaliação do presidente do PSDB, Alexandre Blanco, o governo do PT “tropeçou” no primeiro mês. “Fazer promessa em campanha é fácil. A questão é a realidade. Nós sempre procuramos mostrar o que era possível fazer dentro da realidade.”

O Vale

Publicado em: 01/02/2013

Câmara passará por reforma administrativa na cidade

O prefeito de São José, Carlinhos Almeida (PT), selou acordo com a Câmara para aprovar a reforma administrativa do governo. O pacote inclui a criação da Secretaria de Regularização de Bairros Clandestinos, a fusão das secretarias de Juventude e Esportes e a transformação da Assessoria de Eventos e Turismo em Secretaria de Turismo.

Os projetos devem ser encaminhados para votação ainda na primeira quinzena de fevereiro, após o fim do recesso da Câmara, e já contam com o apoio da maior parte dos vereadores. Não está descartada a criação de uma assessoria específica para cuidar das parcerias da prefeitura com os governos estadual e federal.

A reforma deverá contemplar a criação de novos cargos de confiança para abrigar aliados do PT. Por nota, a Secretaria de Governo confirmou o interesse em fazer uma reforma administrativa, mas não comentou a criação de cargos.

“Os primeiros projetos que o governo pretende encaminhar para a votação na Câmara dizem respeito a alguns ajustes na organização administrativa”, informou a pasta ontem à tarde. “Possíveis mudanças ainda estão em estudo. Por este motivo, não há ainda um desenho final nem dados sobre seu respectivo impacto.”

Conforme apurou O VALE, a reforma não deverá encontrar grandes resistências na Câmara. “Estamos aguardando os projetos do governo. Estão previstas reformulações como a criação da Secretaria de Regularização, que terá estrutura técnica”, disse o vereador Shakespeare Carvalho (PRB).

Também favorável à reforma administrativa, o vereador Luis Mota (DEM) aponta que a nova pasta deve ser enxuta. “Será uma secretaria enxuta e com equipe técnica para atuar na regularização.” Robertinho da Padaria (PPS) também é favorável ao pacote. “O Carlinhos quer urgência nessa pasta de Regularização. Sabemos também da fusão da Juventude com Esportes, e não vejo problemas”.

Por meio de sua assessoria, a presidente da Câmara, Amélia Naomi (PT), mulher do prefeito Carlinhos Almeida, informou que a pauta da próxima sessão ainda não foi definida. O recesso acaba no dia 5. O vereador Fernando Petiti (PSDB) é contrário à criação da nova secretaria.

“A pasta de Regularização de Bairros é desnecessária. O governo do PSDB deu início ao processo. Conseguiu regularizar alguns bairros e deixou pelos menos outros 30 bairros já em processo de regularização”, afirmou. O tucano disse ainda que o atual governo poderia trabalhar com os profissionais que já possui e trazer a experiência que tanto falou que possui na área. Para Petiti, é incoerente em um momento de contenção de despesas, criar novos cargos e secretarias.

O Vale

Publicado em: 30/01/2013

Vereadores recebem amanhã primeira parcela de 13°

Na próxima terça feira, dia 15 de janeiro de 2013, 21 vereadores de São José dos Campos receberão a primeira parcela do subsídio polêmico, de R$ 10.173, do qual terão direito todos os meses neste mandato. O ‘adiantamento’ salarial corresponde a 33% do valor total do subsídio, cerca de R$ 3.357,09. O restante do salário, R$ 6.815,91 será pago no dia 30 de janeiro.

O valor é menor do que foi aprovado pelos vereadores em agosto de 2011. Na ocasião, mesmo sob intensos protestos da sociedade civil, parlamentares aumentaram os próprios salários de R$ 8.320 para R$ 12.907,05. A insatisfação dos eleitores obrigou os parlamentares a diminuírem em R$ 2.734,05 o subsídio.

O valor pago aos vereadores de São José dos Campos será maior até mesmo do que o salário de alguns prefeitos da região. O holerith parlamentar terá desconto apenas da Previdência. No entanto, cada parlamentar recebe cota de R$ 23,8 mil para contratar assessores e benefícios como auxílio-gasolina e celular.

O último aumento aprovado no legislativo de São José dos Campos começou a vigorar em janeiro de 2009. Na ocasião, o vencimento parlamentar passou de R$ 4.500 para R$ 8.300.

Publicado em: 14/01/2013

Negociação das Demissões da GM tem prazo final

O prefeito Carlinhos Almeida (PT) admitiu ontem que pouco poderá ajudar na negociação entre General Motors e Sindicato dos Metalúrgicos e deu como praticamente certa a demissão dos 1.500 funcionários considerados ociosos pela montadora em São José.

O petista, que se reuniu pela manhã com uma comissão de três sindicalistas e sete funcionários da GM, ainda criticou o governo do ex-prefeito Eduardo Cury (PSDB) pela demora em adotar um posicionamento. A reunião aconteceu após passeata pelo centro que reuniu 500 funcionários da GM, a maioria em ‘layoff’. Participaram também do encontro sete vereadores, entre eles Amélia Naomi (PT), presidente da Câmara.

“Estou bastante preocupado com a situação. Entendo que só existe um caminho. Buscar o entendimento entre empresa e trabalhadores. Nosso papel é criar um ambiente propício e intermediar as negociações”, disse Carlinhos, que deve se reunir na próxima semana com representantes da GM.

A vereadora Amélia Naomi também ficou de agendar uma audiência pública na Câmara para debater o caso. Os 1.500 operários ameaçados de demissão atuam no MVA, setor onde antes eram montados quatro modelos e hoje há apenas um, o Classic, que está sendo transferido gradualmente para a unidade da GM na Argentina.

Sem investimentos, a planta tem ociosidade de funcionários, maquinário e espaço físico. Após ameaçar demitir o grupo no ano passado, um acordo deu uma trégua na crise e estendeu até 26 de janeiro o prazo para um possível entendimento. Enquanto isso, 779 estão com o contrato suspenso (layoff) desde 27 de agosto de 2012.

Para Carlinhos, a solução imediata para evitar as demissões seria a vinda de novos investimentos para São José. “Temos que apostar todas as nossas fichas em um entendimento”, afirmou. Já para Almir Fernandes, diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de São José, nem isso salva os empregos. Empresários da cidade e os próprios funcionários compartilham da mesma opinião. Para eles, a demissão é inevitável. “A produção (de novos modelos) começaria apenas em 2015”, disse.

A GM atribui a crise à dificuldade em negociar com o sindicato local pacotes que garantissem investimentos. Foram pelo menos três modelos ‘perdidos’ para outras plantas no país. “O sindicato está querendo repassar a responsabilidade à prefeitura porque não admite que é culpado. Quando a GM tentou trazer mais investimentos para São José em 2008, foi barrada pelo sindicato. Nem a GM, nem os funcionários têm culpa. Não há mais o que fazer”, disse Fernandes.

O sindicato também é alvo de críticas da ACI (Associação Comercial e Industrial). “Que sirva de lição”, disse Felipe Cury, presidente da ACI. O presidente do sindicato, Antônio Ferreira de Barros, o ‘Macapá’, rebateu as críticas e disse que não houve proposta de investimentos formal da empresa.

“Oficialmente, nunca houve essa proposta ao sindicato de novos investimentos em troca da redução de salário. Todas as vezes celebramos acordo. Em 2008 mesmo, o acordo foi de R$ 800 milhões com a produção da S10 e da Blazer”, disse.

O protesto de ontem faz parte do que o sindicato chama de ‘janeiro vermelho’, que prevê uma série de manifestações para forçar a GM a rever sua posição. Os cerca de 500 trabalhadores caminharam do sindicato até o Paço, mas acharam os portões fechados. Após serem recebidos pelo chefe de gabinete, Paulo Roitberg, os sindicalistas foram ao gabinete para reunião com Carlinhos e os portões foram reabertos.

O Vale

Publicado em: 11/01/2013

Crise da GM tem interfêrencia do novo Prefeito

O prefeito de São José dos Campos, Carlinhos Almeida (PT), vai intermediar a negociação entre a General Motors e o Sindicato dos Metalúrgicos para tentar evitar a demissão de 1.500 trabalhadores da empresa na cidade. Eles podem perder o emprego em 26 de janeiro.

Ontem, o petista confirmou que irá receber os sindicalistas no Paço para ouvir as reivindicações da categoria. O encontro, que será realizado até a próxima semana, foi pedido pela entidade por meio de ofício protocolado anteontem.

“O prefeito tem todo o interesse em ajudar no que for possível para resolver esse impasse”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Sebastião Cavali. Carlinhos também fez contato ontem com a direção da GM para agendar uma reunião. Ele quer ouvir os dois lados antes de se envolver como intermediador da negociação. “A solução para a questão depende do entendimento entre a empresa e o sindicato”, disse o prefeito, por meio de nota.

A reunião de Carlinhos com os sindicalistas e a empresa devem ser agendadas antes do dia 16 de janeiro, quando as duas partes se encontrarão para mais uma rodada de negociação haverá outras nos dias 18 e 23. As discussões começaram em agosto de 2012, quando a empresa anunciou o fechamento da linha de produção MVA, na qual eram fabricados os modelos Corsa, Zafira e Meriva. Atualmente, apenas o Classic é feito lá. Para a GM, 1.840 trabalhadores são excedentes.

Desde agosto, segundo o sindicato, 340 empregados já teriam saído no PDV (Programa de Demissão Voluntária) aberto pela montadora. “A luta é para manter 1.500 empregos em São José. Na nossa avaliação, a demissão vai gerar perda de até 13 mil vagas se considerarmos os empregos indiretos”, afirmou Antônio Ferreira de Barros, o ‘Macapá’, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José.

Para ele e o secretário-geral Luiz Carlos Prates, o ‘Mancha’, o problema é muito mais político do que de mercado. “A empresa não tem problema de mercado. Está vendendo e faturando muito no país. Por isso, acreditamos que Carlinhos Almeida tem que assumir publicamente que é contra a demissão na GM.”

O Vale

Publicado em: 09/01/2013

Novo prefeito pretende aumentar 13° salário da prefeitura

O prefeito de São José dos Campos, Carlinhos Almeida (PT), planeja pegar carona na ação movida por ex-assessores do governo do PSDB cobrando 13º salário e férias acumuladas para institucionalizar a concessão dos mesmos benefícios trabalhistas ao atual secretariado.

Esses pagamentos nunca foram feitos aos secretários municipais nos 16 anos de gestão tucana, em razão de a legislação em vigor apontar que cargos de primeiro escalão, a exemplo de prefeito e vice, só podem receber subsídio mensal e não salários. Com isso, não teriam direito a benefícios trabalhistas.

A estimativa é que a ação movida pelo grupo de ex-secretários do governo Eduardo Cury, retroativa aos últimos cinco anos, gere uma despesa extra de cerca de R$ 2 milhões aos cofres públicos do município. No governo da ex-prefeita petista Angela Guadagnin (1993-1996), uma brecha na legislação municipal garantia o pagamento do beneficio ao secretariado.

“Fomos alvos do PSDB e a lei acabou sendo alterada”, disse a ex-prefeita, atualmente vereadora pelo PT. Ela apoia a concessão dos benefícios, mas questiona a decisão dos ex-secretários do PSDB de cobrar os pagamentos só depois do fim do governo tucano. “Eles entraram no serviço público cientes de que não haveria férias e 13º, porque não entraram com a ação antes. Porque o Carlinhos que terá de pagar essa conta”, disse a ex-prefeita.

A concessão dos benefícios ao atual secretariado poderá gerar um gasto extra de R$ 632 mil por ano na folha de pagamento da prefeitura. Apenas com o pagamento dos subsídios dos secretários, a prefeitura já gasta R$ 3,1 milhão anuais.

A estimativa de O VALE foi feita com base no valor atual do salário dos secretários, de R$ 9.697,64 por mês. Ao todo, São José mantém 27 secretários, mas vai chegar a 28 com a criação da Secretaria de Regularização de Loteamentos. Por nota, o prefeito Carlinhos Almeida (PT) informou que já solicitou um parecer jurídico conclusivo sobre o tema à Secretaria de Assuntos Jurídicos e que irá seguir o que a lei permitir.

O VALE apurou que já existe um laudo jurídico favorável ao pagamento do benefício ao secretariado. O documento foi elaborado ainda na gestão do tucano Eduardo Cury. Entretanto, o ex-prefeito teria engavetado o projeto para evitar desgastes. Cury não foi localizado ontem para comentar o caso.

O presidente do PSDB em São José, Alexandre Blanco, disse que a decisão dos ex-secretários de ingressar com a ação não foi discutida dentro do partido. “Isso foi uma decisão individual de cada um dos filiados ao PSDB, e também de outros partidos. Eu, pessoalmente, não entrei. Cada um responde por sua decisão. Isso não é assunto partidário e o PSDB não tem poder para impedir uma ação judicial”, disse Blanco, que comandava a pasta de Juventude na administração tucana.

O Vale

Publicado em: 08/01/2013

Teatrão da cidade pode virar centro esportivo para moradores

O prefeito de São José, Carlinhos Almeida (PT), vai levar adiante a proposta de retomar o controle público do Teatrão, na Vila Industrial, para a construção de um complexo poliesportivo na zona leste da cidade. Carlinhos pretende negociar com a diretoria do São José a permuta do espaço por um centro de treinamento e uma nova sede social para o clube.

A retomada do Teatrão pela prefeitura vem sendo negociada há dois anos e ganhou força com uma ação do Ministério Público que investiga o desvio de finalidade do espaço doado pelo Poder Público ao São José há 31 anos.

A rejeição do conselho deliberativo do clube foi o maior entrave enfrentado pela antiga administração, mas Carlinhos conta agora com a simpatia do grupo. Segundo o prefeito, o Teatrão pode ser melhor aproveitado se voltar ao controle da prefeitura, mas o São José não pode ser prejudicado. Defensor da ideia de que o prefeito deve ser parceiro do clube na promoção do futebol, Carlinhos afirma que a construção de um centro de treinamento pode ajudar o time. “Acho que poderemos estabelecer uma relação com o São José e com o conselho deliberativo. Eu acredito que é viável construirmos uma solução que não prejudique o São José, mas que permita que a cidade recupere seu espaço”, disse Carlinhos.

Na avaliação do petista, o espaço pode ser transformado em uma área de lazer. “Acho que ali podemos ter um equipamento para região leste bastante interessante, evidentemente podemos fazer isso, também apoiando o São José.”

Segundo ele, a questão será discutida entre a direção do São José e o secretário de Esportes. “Nós queremos e achamos que é melhor que a cidade receba de volta o Teatrão. Essas tratativas serão feitas pela secretaria competente.”

Presidente do São José, o vereador Robertinho da Padaria (PPS) também considera viável à proposta de permuta do Teatrão. Segundo ele, a iniciativa pode garantir ao clube as instalações necessárias para alojar e treinar de modo adequado a equipe de futebol. “Hoje o Teatrão está sub judice e esse processo pode levar anos.

Até lá, todo o complexo pode ruir. Esse espaço poderia retornar à prefeitura desde que o São José fosse recompensado com um centro de treinamento e uma sala para as reuniões.” A direção do São José avalia que o clube não tem condições financeiras de manter as instalações do Teatrão. O custo de manutenção chega a R$ 30 mil por mês. Hoje, o equipamento vem sendo subutilizado, cedido para treinos de equipes de boxe da prefeitura e transformado em depósito de material esportivo.

O Vale

Publicado em: 07/01/2013

Cargos dentro da Prefeitura são cobrado de Carlinhos

O prefeito de São José, Carlinhos Almeida (PT), deve retomar a partir da próxima semana a política de distribuição de cargos para vereadores que integram a base aliada na Câmara, repetindo a estratégia adotada pelo PSDB nos últimos 16 anos.

Os 17 vereadores da base de apoio do petista foram orientados a enviar currículos ao governo e trabalham com a expectativa de manter a mesma cota de cargos dos anos anteriores entre 20 e 30 cargos por partido. Um total de 12 partidos apoiam Carlinhos.

Hoje, a máquina pública possui cerca de 400 cargos de livre nomeação, com salários que variam de R$ 1.200 a R$ 8.700 mensais. Na gestão tucana, os cargos foram fatiados entre os partidos aliados que garantiam sustentação ao governo na Câmara. Nesse modelo, cada partido aliado do governo controlava entre 20 e 30 cargos nas administrações direta e indireta modelo que pode se repetir na gestão do PT. O governo nega partilha política.

Segundo vereadores ouvidos ontem por O VALE, é esperada uma sinalização do petista para que os partidos encaminhem os currículos de seus quadros técnicos. Eles admitem que entre os possíveis indicados estão ex-candidatos que ajudaram a puxar votos para os partidos nas eleições de 2012.

“Estamos aguardando uma sinalização. O PV gostaria de fazer parte da nova administração. Temos pessoas competentes no quadro do partido”, disse o vereador Rogério Cyborg (PV). Segundo ele, a executiva do PV já acenou que o partido quer ser valorizado na composição política.

Para o vereador Walter Hayashi (PSB), a definição de nomes do segundo e terceiro escalões deve ser iniciada na próxima semana. “Existe uma pressão grande dos quadros técnicos do partidos, mas é precipitado fazer esta discussão agora”, disse Hayashi.

Segundo ele, os secretários precisam assumir suas pastas para avaliar necessidades. “Estamos na expectativa, mas ainda não sabemos quais serão os critérios. Temos cadastro de vários nomes que podem ser encaminhados”, completou Hayashi.

A presidente da Câmara, Amélia Naomi (PT), que é mulher de Carlinhos, disse que o governo deve definir uma estratégia em relação à distribuição dos cargos. “Eles governo irão avaliar. Eu não sei qual será a estratégia e teremos de aguardar do secretário de Governo uma decisão”.

Como o PSDB é o único partido de oposição ao governo petista, os quatro vereadores da sigla podem ficar de fora da partilha de cargos. “Não há negociação de cargos com a atual administração. Sou oposição ao governo como vereador e não tenho nenhuma ligação com a prefeitura”, disse ontem Fernando Petiti (PSDB).

O Vale

Publicado em: 04/01/2013