Cidade pode ter novo protesto hoje com moradores

O Movimento Passe Livre (MPL) volta hoje às ruas de São José dos Campos para um novo protesto contra a tarifa de ônibus na cidade. Os organizadores esperam levar cerca de 30 mil pessoas à manifestação, que tem início previsto para as 16h na praça Afonso Pena, no centro o percurso não foi divulgado. O MPL pede a redução do preço da passagem para R$ 2,80, valor que vigorava até fevereiro, quando ocorreu o último aumento. Ontem entrou em vigor a tarifa de R$ 3, fixada pelo governo Carlinhos Almeida (PT) após a onda de protestos. “Realizamos na quinta-feira a maior manifestação de São José e de amanhã hoje vai ser ainda maior”, diz Danilo Zanelato, do MPL.

Cerca de 17 mil pessoas já haviam confirmado presença pelo Facebook. O MPL se reuniu ontem com sindicalistas e partidos políticos para acertar a participação deles no ato. “Vamos respeitar a decisão de não levar bandeiras e estaremos no ato porque fazemos parte das lutas políticas dessa cidade”, disse Antonio Donizete Ferreira, presidente do PSTU. Assim como na semana passada, comércio, supermercado, restaurantes e bancos devem fechar as portas mais cedo, às 15h, temendo saques e vandalismo. A Câmara antecipou o horário da sessão de hoje para às 10h.

O secretário de Transportes de São José, Wagner Balieiro, chamou os representantes do MPL para uma reunião na noite de sexta-feira e, segundo o movimento, “deu a entender” que a onda de protestos deveria ser encerrada. “Ele nos disse que a tarifa de R$ 3 era o limite que eles poderiam chegar”, afirmou o porta-voz do movimento, Paulo Monteiro, 24 anos. Balieiro não comentou o assunto ontem. O movimento pretende continuar com as manifestações. “Queremos uma ação clara do prefeito Carlinhos e do secretário Balieiro: revoguem o aumento.” Ontem, o prefeito disse considerar “muito difícil” baixar a tarifa a R$ 2,80. O preço da passagem de ônibus sofreu duas reduções em pouco mais de uma semana. A primeira revisão ocorreu no último dia 15, quando o bilhete passou de R$ 3,30 para R$ 3,20.

O comércio na região da Praça Afonso Pena deverá amargar pela segunda semana consecutiva a queda nas vendas, por causa do protesto de hoje contra as tarifas. Na semana passada durante os protestos, os comerciantes fecharam uma hora antes dos manifestantes se concentrarem na praça. O centro ficou vazio, como em dia de feriado. ‘A gente vai observar o movimento. Se as lojas fecharem, nós vamos fechar também e, é claro, vamos deixar de vender’, disse a sub-gerente das lojas Ivis Calçados, Ariana Carvalho Santos.

A gerente de uma relojoaria, que não quis se identificar, disse que a loja já guardou os objetos de valor e que terá problemas com as vendas novamente. ‘As pessoas ficam com medo de vir para a cidade. Isso acaba atrapalhando a gente a conseguir fechar nossas metas de venda’, afirmou. A Associação Comercial e Industrial (ACI) vai fechar às 15h30. Um estacionamento da praça também irá fechar neste horário, porque não possui seguro para os veículos guardados. Os bancos devem decidir hoje se haverá expediente na parte da tarde. Na escola Olímpio Catão, que fica na praça, a diretoria ainda vai avaliar se os alunos terão aula à noite.

A prefeitura vai decidir hoje se encerra o expediente mais cedo. Na quinta-feira passada, no primeiro ato de protesto, os servidores foram dispensados às 16h. O Forum também deve fechar durante os protestos. A Câmara Municipal vai realizar a sessão na parte da manhã e, provavelmente, dispense os funcionários mais cedo. O vereador Shakespeare Carvalho (PRB) discordou da mudança. “A Câmara deveria estar aberta para receber os estudantes.”

Geração de empregos tem queda na cidade

Dados do Ministério do Trabalho divulgados nesta sexta-feira (21) mostram que as três maiores cidades do Vale do Paraíba – São José dos Campos, Taubaté e Jacareí – tiveram queda na geração de empregos no mês de maio com relação ao mês de abril, quando havia sinais de recuperação nos três municípios. São José foi a que mais registrou queda e teve variação negativa.

Segundo números do Cadastro de Empregados e Desempregados (Caged), São José teve saldo negativo de 289 postos, com 8.199 contratações e 8.488 desligamentos. Os setores de serviços e construção civil puxaram a variação com fechamento de 172 e 112 postos, respectivamente. O levantamento apontou uma queda acentuada no comparativo ao registrado em abril, quando o saldo foi positivo de 1.197 vagas. A variação no acumulado dos últimos 12 meses é positiva, com 289 empregos gerados na cidade.

Apesar de ter registrado um saldo positivo na geração de empregos com 60 vagas em maio, Jacareí também teve queda com relação ao mês anterior, quando foram registradas 169 contratações a mais do que demissões. O setor que teve saldo mais negativo foi a construção civil com 51 demissões a mais do que contratações. No último ano, a cidade registra alta de 989 nos postos de trabalho gerados.

Taubaté também fechou o mês de maio com saldo positivo de 37 vagas, com 3.547 contratações ante 3.510 desligamentos. A variação apontada no levantamento foi menor do que os 194 postos gerados a mais do que demissões em abril. O comércio registrou a maior variação negativa com 108 demissões e puxou a queda no balanço mensal do Caged. Porém, no acumulado dos últimos 12 meses a cidade é a que tem o melhor saldo com 1.222 contratações a mais do que demissões.

Cidade tem implantação de novos radares

Pensando na qualidade de vida da população e na segurança viária, a Prefeitura de São José dos Campos anunciou a entrega de um pacote de novos radares. A implantação começou nesta sexta-feira (21), com previsão de término para a primeira quinzena de julho.

Está programada a instalação de seis equipamentos fotosensores e uma lombofaixa em vias estratégicas de São José. A definição desses locais foi baseada em estudos técnicos da Secretaria de Transportes, que considerou os pontos críticos da cidade e também as demandas apontadas pela comunidade.

O objetivo da implantação é reduzir o número de acidentes nas ruas e avenidas. Outras medidas vêm sendo adotadas pela Prefeitura para reduzir os acidentes na cidade, como melhoria viária e ações educativas, envolvendo motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.

Locais que terão os novos radares

  • Avenida Pedro Friggi (Vista Verde)
  • Avenida Cassiano Ricardo (Jardim Aquarius)
  • Praça Bandeirantes (Vila Anchieta)
  • Rua Bahia (Jardim Paulista)
  • Rua Lênin (Dom Pedro I) – lombofaixa
  • Rua Maurício Cardoso (Jardim Sul)
  • SP-50 (Vila Cândida)

Cidade avalia o impacto da redução da Tarifa

A Prefeitura de São José dos Campos ainda não sabe qual o impacto que a redução da tarifa de ônibus para o valor de R$ 3 vai causar nos projetos de investimentos para melhorias no transporte público da cidade. O pacote de melhorias anunciado pelo governo como implantação do bilhete único, integração total do sistema, frota de ônibus articulado e remodelação de linhas deverá ser revisto.

As empresas de ônibus poderão ter uma queda anual na receita de até R$ 11, 2 milhões, considerando a tarifa de R$ 3. Em 2012, a média mensal de passageiros foi de 4.672.821, segundo dados da planilha de custos apresentada em fevereiro. A frota atual é de 385 ônibus. Por meio da assessoria de imprensa, o secretário municipal de Transportes, Wagner Baleiro, declarou “estar consciente de que a decisão vai implicar em ajustes e causará impactos no equilíbrio econômico do sistema”. A prefeitura informou que vai divulgar esta semana quais projetos deverão ser revistos.

O governo reduziu pela segunda vez o valor da tarifa em São José, pressionado pela onda de protestos que se espalhou pelo país contra as tarifas. O anúncio foi feito na última quinta-feira, antes do protesto programado pelo Movimento Passe Livre. Mesmo com a redução, o protesto aconteceu e levou para às ruas da cidade cerca de 10 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, e 20 mil, segundo os organizadores. Em fevereiro, a prefeitura reajustou o valor da tarifa de R$ 2,80 para R$ 3,30. Depois, em junho, com base nas desonerações de impostos concedidas pelo governo federal, a tarifa foi reduzida para R$ 3,20. O Ministério Público de São José investiga o aumento concedido em fevereiro. A prefeitura enviou na semana passada as informações solicitadas pelo MP.

A Avetp (Associação Valeparaibana das empresas de Transporte de Passageiros) se reúne na próxima quarta-feira para avaliar o impacto da redução da tarifa de ônibus e quais os investimentos que deverão ser revistos. A tarifa em São José vai custar a partir de amanhã R$ 3 nos dias de semana e R$ 2,50 aos domingos. A entidade que representa as empresas do transporte urbano de Jacareí, São José dos Campos, Caçapava e Taubaté fechou acordo salarial com o Sindicato dos Condutores, concedendo reajuste de 8,5% para a categoria. O salário dos funcionários também é um item que causa impacto no custo da planilha para a composição do preço da tarifa.

Com o reajuste, o salário base dos motorista passa a ser de R$ 2.297,48 e o dos cobradores de R$ 1.422, 13. Segundo a Avetp, o piso da região é o mais caro do país. Em São Paulo, o salário base do motorista é R$ 1.955,10 e o de cobrador R$ 1.129,80. Em Campinas, o salário do motorista é de R$ 1.866,67 e o de cobrador, R$ 828,88. O presidente do Sindicato dos Condutores da região, José Roberto Gomes, considerou correto a prefeitura baixar o preço da tarifa. Segundo ele, as empresas “faturam muito com o sistema”.

Pelo contrato de concessão do transporte público realizado em 2008, a renovação da frota deve ocorrer a cada cinco anos. Em fevereiro, a Expresso Maringá concluiu a renovação da sua frota com 40 veículos. O transporte coletivo em São José é operado pelas empresas Expresso Maringá, que possui 121 ônibus, a SCS Brasil, que possui 134, e a Saens Peña, com 131 veículos. As empresas transportam cerca de 215 mil pessoas por dia.

Ministério Público apura erro nas Vacinações

O Ministério Público de São José instaurou inquérito civil público para apurar suposta insuficiência da Prefeitura de São José e do governo do Estado na aquisição das vacinas contra a Gripe A e na distribuição das doses. O titular da 14ª Promotoria, Marcos Antônio Librelon, encaminhou ofício no último dia 14 ao prefeito Carlinhos Almeida (PT) pedindo que ele informe as ações desenvolvidas no município no combate ao vírus H1N1.

O prazo para resposta é de 20 dias a partir da data do recebimento do ofício. O pedido para a instauração do inquérito foi feito pelo ex-vereador Cristiano Pinto Ferreira (PV), que disputou o Paço no ano passado. Ele está preocupado com o que classificou como surto de H1N1 em São José. Neste ano, 7 pessoas já morreram por causa da gripe A na cidade, mais do que as 6 mortes na pandemia de 2009.

“Não tenho dúvidas de que há ainda mais mortes por causa da doença. No entanto, eles estão sendo notificados como origem desconhecida, por exemplo”, afirmou Cristiano. “Acredito que, a partir do momento em que as pessoas estão morrendo, o governo tem de fazer alguma coisa”, completou. O promotor Marcos Antônio Librelon não foi localizado ontem por O VALE para comentar o assunto. A vacinação contra a Gripe A começou em 15 de abril último. A meta era imunizar ao menos 100 mil pessoas do total de 125 mil que compõem público alvo idosos com 60 anos ou mais, bebês de seis meses e menores de 2 anos, gestantes, puérperas (mulheres até 45 dias após parto) e portadores de doenças crônicas.

Em maio, a cidade superou a meta, atingindo 92% do público. No entanto, devido à grande procura por pessoas do grupo que não tinham conseguido se vacinar, a prefeitura pediu ao Estado mais doses. Novas 10 mil vacinas foram enviadas à cidade, mas acabaram em 48 horas. No início deste mês, a Secretaria de Saúde recebeu outras 19 mil doses e, na sequencia, mais 9.000. O medicamento Tamiflu, usado no tratamento da Gripe A, esteve em falta no dia 22 de maio. A secretaria só recebeu o remédio no dia seguinte. Segundo documento do MP, o Estado também tem responsabilidade sobre o grande número de casos na cidade.

A Prefeitura de São José informou, por meio de nota, que já recebeu a notificação do Ministério Público. A resposta ainda será encaminhada e o seu teor será no sentido de esclarecer que a aquisição da vacina de gripe é de responsabilidade do Ministério da Saúde, bem como a definição do público alvo. Já a distribuição das doses é de responsabilidade da Secretaria de Estado da Saúde. O governo do Estado informou por meio da assessoria que, além das vacinas enviadas para São José suficientes para vacinar o grupo de risco, a cidade recebeu outras 55 mil doses entre maio e junho. Ainda segundo a Secretaria de Estado da Saúde, os município que solicitaram novas doses foram atendidos. Além disso, 150 mil doses do medicamento Tamiflu foram enviadas a São José.

Prefeitura ganha verba para investimento em Ponte

A Prefeitura de São José vai gastar cerca de R$ 3,2 milhões com a reconstrução da ponte da avenida Guadalupe, na zona sul da cidade. A queda da ponte, em 23 de março devido a uma forte chuva, já causou um prejuízo de mais de R$ 4 milhões. Uma ponte alternativa, construída paralelamente a anterior custou R$ 890 mil aos cofres públicos. A prefeitura deve derruba-la assim que a nova ponte ficar pronta, dentro de quatro meses. Também foram gastos R$147 mil com a demolição do que restou da anterior, R$158 mil com o laudo técnico e R$50 mil com o projeto da ponte.

Segundo a prefeitura, o contrato com a Construções, Engenharia e Pavimentação Enpavi Ltda, que ficará responsável pelo projeto deverá ser assinado até segunda-feira. Falta ainda a empresa entregar alguns documentos. Só depois da assinatura é que as obras deverão começar. Assim como a Copav Construtora e Pavimentadora Ltda, que construiu a ponte alternativa, a Enpavi é uma velha conhecida do PT.

A construtora tem realizado obras em diversas prefeituras comandadas pelo partido, como Guarulhos e Santo André. Também já realizou doações para campanhas políticas. No entanto, a prefeitura afirmou em nota que, apesar de a empresa ter sido contratada com dispensa de licitação por se tratar de uma obra emergência, foram feitas cotações. “Participaram também com as empresas Copav, Serv Obras e Penido. A Enpavi apresentou o menor preço e a maior capacidade técnica, conforme demonstra os seus atestados”, informou a nota. A prefeitura lembrou ainda de uma obra realizada pela empresa no governo anterior: o viaduto do Kanebo, também na zona sul da cidade.

A fundação dessa ponte deverá ser diferente da anterior. Segundo nota da Secretaria de Obras, serão usados tubulões, cuja fundação é mais pesada e apropriada ao local. “Também haverá uma largura maior do córrego no local e proteção as margens em ambos lados da ponte. Isso será feito após a construção da ponte, por meio de processo licitatório normal”, informou a Secretaria de Obras. Ainda segundo a secretaria, mesmo com chuvas intensas a lâmina d’água será menor e mais baixa, exercendo menor pressão sobre as estruturas.

A Prefeitura de São José informou que está providenciando a licença ambiental para a construção da ponte. A secretaria está em negociação com o Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica), que acompanhará todo o processo. No período de chuvas, a água do córrego Senhorinha costuma até subir seis metros de altura. Até a construção de toda a ponte, a população continuará circulando pela via alternativa que liga as ruas Lira e Galícia até a rua Rosário, que por ser mais baixa, pode alagar em situações como esta.

Tarifa de ônibus é reduzida na cidade após protesto

Pressionada pela recente onda de protestos, a Prefeitura de São José dos Campos anunciou ontem uma nova redução na tarifa do transporte público, dos atuais R$ 3,20 para R$ 3. A medida entra em vigor na segunda-feira. No último dia 15, o preço da passagem já havia caído de R$ 3,30 para R$ 3,20, corte feito pela prefeitura com base nas desonerações de impostos concedidas pelo governo federal ao transporte coletivo. O decreto que fixou a tarifa em R$ 3 foi assinado pelo vice-prefeito Itamar Coppio (PMDB), menos de um dia após a redução da passagem na capital, também de R$ 3,20 para R$ 3 o prefeito Carlinhos Almeida (PT) está em Paris, onde participa de uma feira do setor aeronáutico.

O anúncio da prefeitura não evitou mais um dia de protestos na cidade. Cerca de 10.000 manifestantes, liderados pelo Movimento Passe Livre (MPL), tomaram as ruas do centro, com reflexos no comércio (que fechou as portas mais cedo temendo atos de vandalismo) e no trânsito. No início da noite, o grupo bloqueou as duas pistas da via Dutra por quatro horas. O MPL cobra a redução da tarifa do transporte coletivo para R$ 2,80, valor que vigorava até fevereiro, quando ocorreu o último aumento.

A nova redução no valor da tarifa foi anunciada após uma reunião no Paço Municipal entre representantes da prefeitura e do MPL. O vice-prefeito Itamar Coppio declarou que medida “reconhece a legitimidade das reivindicações” dos manifestantes, mas antecipou que o cronograma de investimentos do transporte público, divulgado na época do último reajuste, precisará ser revisto. “Temos feito grandes esforços para melhorar o transporte público na cidade. Após estudos durante a noite e a manhã toda de hoje \[ontem\], inclusive com o prefeito, por meio de uma videoconferência, com muita exaustão, decidimos reduzir a tarifa, conscientes de que os investimentos no setor serão prejudicados”, disse.

O secretário de Transportes, Wagner Balieiro, disse que a antecipação do bilhete único, anunciada na semana passada para o dia 27 de julho, também será ser revista. “Daqui para a frente teremos que equilibrar as finanças e rediscutir os investimentos programados pelas atuais concessionárias que operam o transporte público”, disse. “Temos a clareza de que esta redução trará impactos nos investimentos”, completou. Hoje, três empresas operam o sistema: CS Brasil, Saes Peña e Expresso Maringá. O secretário negou que tenha havido uma mudança no discurso da prefeitura.m “O que temos é uma questão matemática. Em contrapartida, teremos a redução de investimento”, disse.

Movimento. Para Rafael Silva, 22 anos, um dos líderes do MPL, a redução foi uma tentativa da prefeitura de esvaziar as manifestações. “A tarifa de R$ 3 ainda é muito cara e só vamos parar quando ela cair para R$ 2,80”, afirmou.

As prefeituras de Jacareí e Caçapava também anunciaram ontem reduções das tarifas do transporte coletivo. Em Jacareí a situação é inusitada. Anteontem, o prefeito Hamilton Ribeiro Mota (PT) havia anunciado a redução da passagem de R$ 3,20 para R$ 3,15, que vai vigorar até domingo, já que, a nova tarifa, de R$ 3, entra em vigor a partir da próxima segunda-feira. Para viabilizar essa redução, Hamilton enviou à Câmara projeto que reduz a alíquota do ISS (Imposto Sobre Serviço) para a concessionária do transporte coletivo, dos atuais 3% para 2%. O prefeito disse que a redução obrigará o município a rever investimentos previstos este ano para o transporte. “A previsão era investir R$ 1,2 milhão, que terá que ser adiado”. Segundo Hamilton, diante da redução em outras cidades, ele não teve outra alternativa se não seguir na mesma linha.

Protesto na cidade chega e param a Via Dutra

O protesto pela redução da tarifa do transporte público em São José dos Campos parou ontem a via Dutra ontem por cinco horas. Cerca de 10 mil pessoas participaram da manifestação, segundo a Polícia Militar. Os organizadores do ato contabilizaram 20 mil. O bloqueio foi feito na altura do km 149, próximo ao DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeronáutica), e afetou as duas pistas da rodovia.

Manifestantes atearam fogo em pneus, pedaços de madeira e até em uma catraca de ônibus. Muretas de proteção foram pichadas. A pista foi invadida por volta das 18h e só foi liberada às 23h05, depois que a Polícia Militar lançou bombas de gás lacrimogêneo às margens da pista. Segundo a PM, três manifestantes foram presos por desacato. Alguns dos veículos que seguiam pela marginal se arriscaram na contramão na tentativa de sair da rodovia pelo acesso à Vila Letônia, mas foram impedidos pelos manifestantes.

“Eu pensei que era acidente, levei susto. Concordo com a manifestação, porém sem vandalismo”, disse o empresário Antônio Carlos da Silva, 67 anos, que viajava de Araras para São José. Os protestos contra a tarifa também pararam a via Dutra em Taubaté, Jacareí, Lorena e Cachoeira Paulista. O VALE flagrou jovens pichando muretas da rodovia com dizeres ‘agora aguenta’ e ‘é hora de acordar São José’. O grupo foi repreendido pela liderança.

As passarelas dos Bandeirantes e do ValeSul Shopping também foram tomadas pelos estudantes. Alguns deles em cima de motos acompanhavam o protesto e gerava medo entre outros participantes. “Esse movimento é legítimo e vamos parar a cidade novamente na próxima terça-feira se a tarifa não for reduzida para R$ 2,80, valor que estamos lutando desde o início do ano. Na próxima semana o protesto será bem pior para toda a cidade”, disse o professor Rafael Silva, 22 anos, um dos líderes do Movimento Passe Livre.

A avenida 15 de Novembro foi a primeira via tomada pelos estudantes por volta das 16h. Houve princípio de tumulto no momento em parte deles bloqueava o acesso de carros à Praça Afonso Pena e a avenida São José. A PM não estava presente durante a concentração, mas às 15h50 dois policiais se reuniram com a liderança para garantir uma passeata pacífica. O grupo deu início às 17h na avenida São José, cruzando a avenida João Guilhermino seguindo pela rua Paraibuna até a via Dutra. A PM informou que acompanhou que a manifestação e até as 21h nenhuma ocorrência policial tinha sido registrada.

Hoje é dia de protesto aqui em São José

Os protestos contra as tarifas do transporte público na região devem se intensificar hoje, com mobilizações simultâneas em pelo menos 9 cidades. O maior ato está programado para São José dos Campos, onde quase 30 mil pessoas haviam confirmado presença por meio do Facebook em uma passeata pelas principais ruas do centro. Os manifestantes vão se concentrar na praça Afonso Pena a partir das 16h. O protesto deve avançar até o início da noite pegando o horário da volta dos trabalhadores para casa.

O protesto é organizado pelo Movimento Passe Livre, composto em sua maioria por estudantes, mas deverá ser ‘engrossado’ por sindicalistas, ex-moradores do Pinheirinho e militantes de partidos políticos. Também haverá manifestações em Taubaté, Jacareí, Caçapava, Guaratinguetá, Lorena, Cruzeiro, Caraguatatuba e Ilhabela. A tarifa do transporte coletivo de São José é a mais cara da região, mesmo com a recente redução de R$ 3,30 para R$ 3,20 feita com base nas desonerações de impostos concedidas pelo governo federal ao setor de transporte público. O novo valor da passagem, anunciado antes da onda de protestos no país, vigora desde o último sábado.

“Queremos que o preço da tarifa volte a ser de R$ 2,80 \[valor que era praticado antes do último reajuste, em fevereiro”, afirmou Paulo Monteiro, 24 anos, membro do Movimento Passe Livre (MPL) em São José. “O ato não será feito apenas hoje. Vamos fazer protestos até a tarifa ser reduzida.” A prefeitura se diz disposta a dialogar com os manifestantes, mas não sinalizou se poderá rever a tarifa. Ontem, o secretário de Transportes, Wagner Balieiro, informou que agentes acompanharão o protesto para organizar o trânsito. O prefeito Carlinhos Almeida (PT) está em Paris, na França, em uma feira do setor aeronáutico. O medo de possíveis atos de vandalismo durante as manifestações afetou o comércio da cidade, que fechará as portas mais cedo, e a Câmara, que decidiu antecipar o horário da sessão de hoje para as 9h.

Pressionadas pela recente onda de protestos, as prefeituras de Jacareí e Ubatuba anunciaram ontem reduções no valor das tarifas do transporte público. Em Jacareí, a passagem de ônibus, que subiu de R$ 2,80 para R$ 3,20 em março, vai passar para R$ 3,15 a partir do próximo domingo. Segundo a administração, o decreto que reduz o preço da tarifa foi assinado ontem pelo prefeito Hamilton Mota (PT) após estudo sobre o impacto das isenções do PIS e da Cofins sobre os serviços de transporte coletivo, que passou a valer no início deste mês. Em Ubatuba, a redução vai ser maior. O valor da tarifa vai passar de R$ 3,10 para R$ 2,90 para os passageiros que usam o sistema de bilhetagem eletrônica. Já para o pagamento em dinheiro, o preço será R$ 3. O novo valor é válido a partir de hoje. O governo Maurício Moromizato (PT) alega que ainda negociou com a empresa Expresso Verdebus a garantia de renovação de parte da frota municipal ainda nesse ano.

Antes de Jacareí e Ubatuba, outras quatro cidades da região já haviam anunciado reduções de tarifa após o início da onda de protestos. Em Ilhabela, a passagem passou a custar R$ 2,80 ontem o preço anterior era R$ 2,90. Em São Sebastião, o valor do bilhete cairá de R$ 3,05 para R$ 2,95 na semana que vem. Em Guaratinguetá, o preço da tarifa vai passar de R$ 2,95 para R$ 2,84 em 18 de julho. São José reduziu o preço da passagem de R$ 3,30 para R$ 3,20 no último dia 15, antes das manifestações, com base nas isenções de PIS e Cofins.

Taxistas da cidade exigem mais segurança da Prefeitura

Após a uma onda de assaltos que vitimou 67 taxistas de São José dos Campos no primeiro semestre deste ano, o sindicato regional da categoria cobra mais da Polícia Militar mais segurança em torno dos pontos. O número foi divulgado ontem pelo presidente da entidade, Carlos Avelar, após a cidade registrar em menos de uma semana três assaltos no Jardim Augusta, Vila Industrial e Santana, nas regiões central, leste e norte da cidade, respectivamente.

Os dois últimos casos de violência a taxistas na cidade aconteceram anteontem. Os bandidos, após anunciarem os assaltos, levaram pertences pessoais e dinheiro, além de tê-los feitos reféns por quase uma hora. Segundo Avelar, os assaltos registrados no período quase ultrapassam o total de ocorrências contabilizadas no ano passado, quando 73 motoristas foram vítimas de ações criminosas.

“É um número assustador para a cidade e muitos casos não são levados para a polícia por medo de represálias por parte dos bandidos”, disse o presidente da entidade. Na tentativa de frear a onda de assaltos, o sindicato além de pedir mais policiamento nas regiões próximas aos pontos, tem investido em campanhas de conscientiza-ção conversando pessoalmente com os profissionais sobre medidas que podem ser tomadas no dia a dia da atividade.

Entre as sugestões estão o aprimoramento da linguagem ‘secreta’ utilizada por eles quando estão passando ou suspeitam algo errado que está para acontecer dentro do carro, evitar pegar passageiros em atitudes suspeitas e evitar embarcar pessoas fora de seus pontos, entre outros. “Outro ponto importante é não reagir o assalto como o taxista da semana passada que foi abordado por dois homens armados e jogou o carro contra dois policiais de motos que passavam ao lado”, disse.

O motorista Raymundo Gonçalves, 62 anos, trabalha como taxista em São José há 23 anos. Para ele, a violência nas ruas dobrou nos últimos cinco anos. “Já fui assaltado duas vezes e desde então fiquei mais esperto. Quando desconfio de um passageiro, nem paro.” A Polícia Militar informou que neste ano foram registrados 12 casos a taxistas em São José. “Não estamos dizendo que as outras não ocorreram, mas informando que precisamos destas informações para se fazer um planejamento”, disse o capitão Antero Baraldo. A PM informou ainda que para taxistas em bloqueios.