Ministério Publico decido o futuro do Teatrão na cidade

Uma vistoria do Ministério Público no Teatrão, na manhã de hoje, pode definir o destino do complexo, na zona leste de São José. A promotora de patrimônio público, Ana Chami, vai avaliar se o São José cumpriu a determinação de zelar pelo espaço e oferecer atividades esportivas e recreativas no complexo. Caso contrário, as instalações podem voltar para a prefeitura.

A visita do MP ao complexo foi solicitada pela diretoria do clube e por seu conselho deliberativo que esperam por um fim às denuncias de irregularidades. “Foi um convite. Queremos que a promotora veja com os próprios olhos que não há desvio de finalidade”, disse o presidente do conselho Deliberativo, João Batista Cunha, o Alemão.

Ele reconheceu a falta de manutenção do complexo e a paralisação das atividades nas piscinas, mas apontou uma série de atividades no complexo. “Lá funciona a sede do clube e do conselho, tem escolinha de futebol do São José, além de atividades como o rúgbi, boxe e academia.”

Após a confirmação da visita do MP ao Teatrão, a diretoria do clube fez uma ‘faxina’ nas dependências do complexo. Funcionários trabalharam na poda do mato alto e na limpeza das piscinas. A definição sobre o destino do Teatrão é alvo de inquérito civil público.

Por meio de representação, moradores da zona leste denunciaram suposto desvio na finalidade de uso e pediram para que a prefeitura retome a área e a transforme em poliesportivo para a comunidade. A polêmica veio à tona após o São José manifestar interesse em arrendar todo o complexo para a iniciativa privada.

O vereador e presidente do São José, Robertinho da Padaria disse que só irá retomar as discussões sobre o arrendamento do complexo após parecer do MP. “Vou esperar a manifestação do MP. Sei que corremos risco de perder investimentos, mas depois que for comprovado que não houve desvio de uso, poderemos dar continuidade a lei de arrendamento e negociar com quem estiver interessado”, disse Robertinho.

Ontem, a promotora de patrimônio público, Ana Chami, confirmou a visita ao complexo, mas disse que só irá se manifestar sobre o inquérito após analisar a documentação solicitada ao São José e a prefeitura. Entre eles, o termo de doação e a escritura.

Procurada, Chami já realizou duas reuniões sobre o complexo com moradores da zona leste e com representantes do São José. Por meio de sua assessoria, o prefeito de São José, Eduardo Cury (PSDB) informou que a prefeitura irá aguardar a decisão do Ministério Público para definir suas ações no Teatrão.

O Vale

Futuro novo Reitor da Univap terá que apresentar projeto

O futuro reitor da Univap (Universidade do Vale do Paraíba) terá dois principais desafios: estancar a queda do número de alunos e reverter a situação econômico-financeira da instituição, que hoje opera no vermelho. A avaliação é da própria FVE (Fundação Valeparaibana de Ensino), mantenedora da Univap, que vai organizar ainda neste mês o processo interno de eleição para definir o novo reitor, que terá salário de até R$ 25 mil.

O cargo é disputado pelos docentes Jair Candido de Melo, 71 anos, Luiz Carlos Andrade de Aquino, 48 anos, e Sandra Maria Fonseca da Costa, 50 anos. Os três ocupam hoje cargo de diretores.

Em comum, eles também têm os desafios de atender aos anseios dos alunos, que sofreram com a gestão distante do professor Baptista Gargione Filho, que ficou à frente da universidade por 19 anos. A principal demanda dos alunos é pela melhor qualidade dos cursos que hoje são oferecidos em uma carga horária mínima de três horas de aula por dia.

“Todos os candidatos conhecem profundamente a Univap, pois aqui atuam há muito tempo desempenhando funções relevantes, o que entendo ser um requisito importante para uma boa gestão”, afirmou o presidente da FVE, Samuel Roberto Ximenes Costa a O VALE.

“Contudo, volto a repetir, estarão assumindo um desafio muito grande e portanto sujeitos a enormes pressões para as quais terão que demonstrar equilíbrio e convicção, por um lado, e decisão e ação, por outro”, disse. Os três candidatos prometem mudanças na instituição, que hoje atende cerca de 6.000 alunos, mas têm opiniões divergentes do que deve ser alterado.

Melo e Sandra, por exemplo, defendem a revisão dos currículos dos cursos de graduação. Aquino, por outro lado, acredita que os cursos têm boa qualidade. Segundo ele, a Univap está acima da média nas avaliações do Ministério da Educação.

Como atitude imediata no cargo de reitor, Melo defende uma ação consistente para reverter a condição operacional da Univap. “Atualmente a Univap opera abaixo do equilíbrio econômico-financeiro, exigindo suplementação extraída de reserva financeira FVE”, disse.

Já o reitorável Aquino, pretende criar um Fórum formado por professores, funcionários e estudantes. A candidata Sandra quer melhorar a infraestrutura da universidade. As diferenças de opiniões entre os candidatos não devem prejudicar a melhoria da universidade, de acordo com a promotora Ana Cristina Chami, da Curadoria de Fundações do Ministério Público.

Ela coordenou o processo de mudança de estatuto da instituição, que culminou com a saída de Gargione da reitoria. “Estou plenamente confiante que eles estarão assumindo as rédeas de um futuro da universidade mais antenado com os desejos sociais”, disse.

Segundo a promotora Ana Cristina, todos pretendem gerir a universidade com objetivo de descentralizar o poder das decisões e com o compromisso de fortalecer colegiados e manter uma maior comunicação com a comunidade.

Para ampliar a discussão sobre a escolha do novo reitor, O VALE convidou os candidatos a responder perguntas de interesse da comunidade, como a qualidade dos cursos e o valor das mensalidades. Leia ao lado os principais trechos das entrevistas dos reitoráveis da Univap.

O Vale

Proposta para criar o maior polo de pesquisa na cidade

Em meio à sua saída para a AEB (Agência Espacial Brasileira), o diretor geral do Parque Tecnológico de São José dos Campos, José Raimundo Coelho, lançou um projeto ambicioso para o futuro da instituição: criar uma ‘cidade tecnológica’ de até 200 mil pessoas dentro dos domínios do parque nos próximos 20 anos.

Para alcançar tal meta, Coelho conta com o lançamento de novos centros de pesquisa, instituições de ensino e áreas de serviço para suportar a chegada de novas empresas ao local. Atualmente, pouco mais de 2.000 pessoas atuam em 1,5 milhão de metros quadrados de área construída do Parque o terreno total é de 25 milhões de metros quadrados, às margens da rodovia Presidente Dutra.

“Quando falo de 150 mil a 200 mil pessoas no Parque, não me refiro a moradores, mas a pessoas trabalhando, estudantes e prestadores de serviço”, disse Coelho. Entre os novos empreendimentos da instituição, destaca-se o Parque das Universidades, que deverá receber nos próximos anos até sete instituições de ensino.

Educação. Além da Fatec (Faculdade Técnica) e da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), já presentes no Parque, Unesp (Universidade Estadual de São Paulo), UAB (Universidade Aberta do Brasil), Unifei (Universidade Federal de Itajubá) têm tratativas para se instalarem no local.

Segundo Coelho, depois de pronto, o Parque das Universidades terá estrutura para receber 20 mil alunos. Com investimento de R$ 100 milhões, outra aposta do Parque é o LEL (Laboratório de Estruturas Leves), fruto de uma parceria entre Embraer, ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e o IPT (Institutos de Pesquisas Tecnológicas).

Com estrutura já pronta, o laboratório deve funcionar a todo vapor a partir do início do ano que vem no desenvolvimento de materiais compostos, estrutura base da fuselagem dos aviões.De acordo com Coelho, a Petrobras também estaria interessada no LEL.

“Aqueles tubos utilizados para retirar petróleo a 2.000 metros de profundidade têm que ser construídos de material composto, é uma peça chave. Não tem nada igual (ao LEL) no hemisfério sul”, afirmou o diretor do Parque. Para atender à demanda de novas empresas, o Parque lançou no final do ano passado o Centro Empresarial 2, com capacidade para abrigar 50 novas empresas.

As obras para a construção do prédio de 10 mil metros quadrados estão previstas para começar dentro dos próximos 45 dias. Ainda este mês, o Parque recebe o centro de TI (Tecnologia da Informação) da Ericsson, que será instalado em uma estrutura de 400 metros quadrados, fora do Centro Comercial 1. Atualmente, o Parque conta com cerca de 40 empresas de diversos segmentos.

O Vale

Changes de Estágio ampliado, prevê Profissionais para o Futuro

Pressionado pelo aumento da competitividade entre as empresas e a escassez de mão de obra qualificada, o estágio se ‘profissionalizou’ nos últimos anos. É o que apontam diretores de empresas instaladas na região que aproveitam o estágio para moldar os estudantes em potenciais trabalhadores do futuro.

“A gente olha nossos estagiários como futuros líderes da nossa empresa”, disse o gerente de relações institucionais da Johnson&Johnson, Alcides Suliman. Na empresa de produtos de saúde com sede em São José, atualmente 60 estudantes participam do programa de estágio da J&J, um dos mais concorridos da região. No ano passado, 5.000 pessoas se inscreveram para os 60 postos, concorrência de 83 pessoas por vaga.

O programa consiste em workshops, treinamento prático e auxílio de monitores no planejamento da carreira dos alunos. Quem se destaca, passa para o segundo ano de estágio. Mais à frente, a meta é ficar para o programa de trainee. Bruna Varella, 22 anos, estudante de administração, está em seu segundo ano de estágio da Johnson. Atuando no setor de relações institucionais, busca terminar o ano entre os estagiários selecionados para o trainee.

“O programa de estágio nos prepara para isso. Enxergo que estarei aqui no futuro e sei que as possibilidades são grandes, pois temos muito treinamento”, disse. Quem também vislumbra uma chance como profissional é Andréa Campos, 24 anos, outra estagiária em seu segundo ano de empresa. “O investimento da empresa no estagiário é muito alto”, afirmou.

A média de retenção de estagiários da Johnson varia entre 30% e 45%, índice maior que o registrado no passado.
“Com a evolução do mercado de trabalho, o programa de estágio se tornou um celeiro de talentos”, disse Suliman. Na Unimed de São José, a média de efetivação dos estagiários é ainda maior: de 70% a 80%. Atualmente, 15 estudantes prestam serviço na empresa.

“A proposta é de fazer um trabalho para moldar essa pessoa dentro da empresa”, afirma Regina Bellato, gerente de recursos humanos da Unimed. Ela explica que outra vantagem em adaptar um profissional que já está na empresa para preencher uma vaga aberta é a redução do custo do processo de seleção.

“Quando identificamos um profissional diferenciado, buscamos rete-lo”, disse Regina.
Foi o caso da enfermeira Claudia Serrano, 22 anos, contratada no mês passado pela Unimed, após passar pelo processo de estágio da empresa em 2011.

“Aprendi muito nesse tempo em que fui estagiária. Quando me inscrevi, buscava ter a vivência de um hospital e foi o que aconteceu. Foi muito positivo”, disse Claudia. Em São José, mais de 5.200 estudantes estagiam nas empresas da cidade. Mais de 250 vagas estão abertas.

O Vale

Obras de planalto irão gerar mais de 900 empregos

O governo do Estado estima que as obras de duplicação do trecho de planalto da Rodovia dos Tamoios gerem 900 empregos diretos ao longo de dois anos. O número aparece em relatório técnico elaborado pelo Departamento de Avaliação Ambiental de Empreendimentos, órgão ligado à Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), para subsidiar o licenciamento ambiental da obra.

Na próxima terça-feira, o Consema (Conselho Estadual do Meio Ambiente) avalia os impactos do projeto para conceder ou não o licenciamento prévio, primeira de três etapas de aprovação dos órgãos ambientais as próximas são os licenciamentos de instalação e de operação.

Prefeituras da região comemoraram a estimativa de emprego como oportunidade de trabalho para desempregados e estudantes de cursos de qualificação. “Vamos disponibilizar para a empresa vencedora uma lista com os trabalhadores aptos a conseguir vagas”, disse Antônio Carlos de Barros (DEM), prefeito de Paraibuna. “Temos gente com capacidade para trabalhar.”

Licitação. A contratação só poderá ser feita após o processo de concorrência pública para escolher a empresa que duplicará a Tamoios. De acordo com a Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), 27 empresas entre as maiores construtoras do país retiraram o edital de qualificação para a obra.

É desse grupo que sairão as companhias habilitadas para participar da licitação. O resultado das empresas selecionadas será conhecido até o final do mês. A expectativa do governo estadual é realizar o processo licitatório em um prazo de dois meses e iniciar as obras até o final de março do ano que vem.

A obra.Uma nova pista será construída ao lado da atual no trecho entre o km 11,5 e o km 60,4 da Tamoios, nas cidades de São José dos Campos, Jacareí, Jambeiro e Paraibuna. A previsão da Dersa é que as obras terminem em novembro de 2013. A duplicação está orçada em R$ 1,05 bilhão. Só o trecho do planalto irá custar R$ 1,05 bilhão.

Principal acesso às cidades do Litoral Norte, a estrada recebe hoje cerca de 12 mil carros por dia. A previsão é que o tráfego diário supere os 30 mil veículos em 2035. Pesquisa da CNT (Confederação Nacional do Transporte) revelou que a Tamoios é a pior estrada da região. A rodovia foi condenada por causa do número de acidentes, que subiu 145% entre 2005 e 2010.

A principal justificativa da duplicação, segundo o governo, é melhorar a segurança. Impacto.As interferências ambientais previstas na primeira etapa da duplicação da Tamoios a segunda irá contemplar o trecho de serra e a terceira, os contornos viários de Caraguatatuba e São Sebastião ainda não preocupam os ambientalistas.

“As encostas da estrada já estão bem depredadas. Não creio que a obra irá prejudicar ainda mais o ambiente”, disse o advogado Marcos Couto, do Instituto Ambiental Ponto Azul, de Caraguá. Para o deputado estadual padre Afonso Lobato (PV), presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Vale do Paraíba, o licenciamento ambiental da obra segue um processo “satisfatório”.

“Está dentro do cronograma definido pelo governo estadual e não vai atrasar o início da obra, que é urgente para a região”, afirmou. A previsão do Estado é de começar em janeiro a desapropriação de 250 terrenos e propriedades particulares entre São José e Paraibuna que estão na área da duplicação. O governo reservou R$ 70 milhões para a compra dessas áreas.

O Vale