Projeto Cargueiro é conferido na cidade pela Embraer

A Embraer Defesa e Segurança e a FAB (Força Aérea Brasileira) concluíram no mês passado a revisão preliminar do projeto do jato de transporte militar KC-390, que será desenvolvido pela fabricante de aviões de São José dos Campos.Orçado em mais de R$ 1 bilhão, o projeto do cargueiro militar é da FAB, que contratou a Embraer em 2009 para fabricar a aeronave.

Entre 20 e 29 de agosto deste ano, militares e representantes da empresa realizaram uma revisão teórica do projeto nas instalações da Embraer em São José. A próxima etapa será a revisão final do projeto, que ocorrerá em 2013, antes que a Embraer construa o primeiro protótipo da aeronave. O voo inaugural está programado para 2014 e a primeira entrega, para 2016.

Na revisão teórica, a fabricante informou que apresentou ao Comando da Aeronáutica as características técnicas das soluções de projeto adotadas para estrutura e diversos sistemas embarcados da aeronave. Os detalhes incluíram as definições dos principais componentes e suas interfaces.

Para a Embraer, projeto “alcançou a maturidade esperada”. “Ficamos satisfeitos com o que foi apresentado e estamos seguros de que o projeto está no caminho certo”, disse o coronel Sérgio Carneiro, gerente do projeto KC-390 na FAB.

Como parte da revisão de projeto, segundo a Embraer foi realizada uma avaliação da ergonomia da cabine de pilotagem, com a participação de militares da Aeronáutica. “As discussões com a Força Aérea foram muito produtivas e estamos contentes com o resultado do trabalho”, disse Paulo Gastão Silva, diretor do programa KC-390 na Embraer.

A empresa se associou à norte-americana Boeing para o desenvolvimento do KC-390. A parceria aumenta as opções de mercado do avião. A Boeing disputa com a sueca Saab e a francesa Dassault a concorrência do F-X2, programa da FAB para a compra de 36 caças supersônicos estimado em R$ 10 bilhões e que se arrasta há 16 anos. Ao contrário das concorrentes, a Boeing não condicionou a participação no KC-390 à vitória na disputa pelos caças.

O Vale

Entrega de Super Tucano para a Indonésia é iniciada

A Embraer Defesa e Segurança, de São José dos Campos, entregou ontem quatro aeronaves de ataque leve e treinamento avançado A-29 Super Tucano para a Força Aérea da Indonésia, em cerimônia realizada na unidade Gavião Peixoto.

Os quatro Super Tucanos fazem parte do primeiro lote de oito aeronaves encomendadas pela Força Aérea da Indonésia em 2010. Desde então, a Força Aérea da Indonésia encomendou um segundo lote de oito Super Tucanos, como parte do seu programa de modernização, elevando o número total de encomendas para 16 aeronaves. A Indonésia é o primeiro operador do Super Tucano no continente asiático.

“Estamos honrados pelo fato da Força Aérea da Indonésia ter selecionado o A-29 Super Tucano para o programa de modernização de sua frota”, disse em nota o presidente da Embraer Defesa e Segurança, Luiz Carlos Aguiar. O Super Tucano foi escolhido pelas Forças Armadas da Indonésia para substituir sua frota de OV-10 Broncos como parte do plano de modernização de equipamentos para os anos 2009-2014.

A aeronave militar participa da concorrência para o fornecimento de 20 aviões de ataque leve para a Força Aérea dos Estados Unidos, negócio de cerca de US$ 355 milhões, que pode chegar a US$ 900 milhões caso outras 35 unidades sejam vendidas. Recentemente, a Boeing firmou parceria com a Embraer para fornecer equipamentos para o Super Tucano.

O Vale

Infraero lança plano para ampliar Aeroporto da cidade

Depois de acompanhar a tentativa da Prefeitura de São José de assumir o controle do aeroporto da cidade, a Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) anunciou ontem um pacote de investimentos para revitalizar o aeródromo.

Na próxima semana, uma comissão formada por integrantes da Infraero, da Aeronáutica (proprietária do terreno do aeroporto) e da SAC (Secretaria de Aviação Civil) inicia um estudo para definir a estratégia para a ampliação do aeroporto.

Inicialmente, o atual terminal de passageiros será remodelado. Um MOP (Módulo Operacional de Passageiros) será instalado e um estacionamento para aeronaves, construído, com investimento de R$ 8 milhões a R$ 10 milhões.

Daqui a três anos, a meta da Infraero é construir uma nova pista para pousos e decolagens, o que irá dinamizar o uso compartilhado do aeródromo entre aviação comercial, Aeronáutica e Embraer e ampliar sua estrutura às margens da Rodovia dos Tamoios.

“Reconhecemos que a Infraero não tem dado um aeroporto condizente com o que a cidade pede. Estudos indicam que, em 2040, teremos que ter um aeroporto do tamanho do de Guarulhos a 100 km de São Paulo. Acredito que ele seja aqui em São José”, disse o presidente da Infraero, Gustavo do Vale.

Questionado sobre o motivo pelo qual a estatal não havia anunciado investimento semelhante nos 16 anos em que administra o terminal, Vale destacou que trâmites legais no convênio com a Aeronáutica impediam a ampliação.

“Tínhamos um convênio (com a Aeronáutica) de prestação de serviços apenas. Havia certo impedimento jurídico. Essas dificuldades estão sendo resolvidas por meio de mudanças no convênio. Temos um grupo de trabalho que começa na próxima semana a tratar dessas mudanças”, disse o presidente da Infraero.

Investimento. O ministro-chefe da SAC, Wagner Bittencourt, foi outro a falar sobre a localização privilegiada de São José, o que facilitaria o recebimento de investimentos por parte do governo federal. “Pelos nossos estudos, (São José) é uma localização que faz todo sentido ter um aeroporto daqui a alguns anos de grande capacidade.

Primeiro vamos melhorar o terminal para que a população seja melhor atendida, depois vamos avaliar a nova pista”, disse. Bittencourt disse que a proposta de municipalização da prefeitura não está descartada. “O modelo está sendo discutido, mas o importante é fazer.” O anúncio do investimento da Infraero foi feito durante a abertura da Expo Aero Brasil ontem, em São José.

O Vale

Cidade sedia mais uma vez Expo Aero

Com expectativa de atrair 35 mil pessoas até domingo, começa amanhã a 15ª  edição da Expo Aero Brasil, feira do setor aeroespacial realizada no DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), em São José. A abertura oficial do evento está marcada para as 11h. O público poderá conferir as novidades de 120 expositores que apresentarão mais de 150 aeronaves.

Além de um número maior de expositores e atrações para o público, a novidade da feira deste ano é a assinatura de uma parceria entre os organizadores da Expo Aero com representantes da Farnborough, feira inglesa do mesmo segmento, considerada uma das maiores do mundo ao lado de Le Bourget, da França.

Os detalhes da parceria serão divulgados na sexta-feira, em coletiva de imprensa. A intenção da união entre os eventos é tornar a Expo Aero Brasil a maior feira do setor aeroespacial da América Latina. “A Farnborough vai entrar como sócia. Também há um grupo português parceiro e que vai trazer investimentos para a feira de São José. A Expo deste ano já será maior, mas ficará ainda mais qualificada a partir do ano que vem”, disse José de Mello Corrêa, secretário de Desenvolvimento Econômico de São José.

Com o fortalecimento da feira, ele prevê impacto positivo na cadeia de prestadores de serviços, como setor hoteleiro e gastronômico. “Movimenta toda a parte de turismo de negócios”, afirmou Mello. Umas das atrações mais esperadas pelo público presente é a apresentação de voos livres de pilotos de demonstrações.

Para esta edição já estão confirmadas as apresentações da Esquadrilha da Fumaça e TNT Air Show. “O Brasil é um país onde a aviação tem um papel fundamental no crescimento da economia. Essa é a hora de vender aeronaves, produtos e serviços para outros países. A cada ano é maior o número de compradores internacionais que visitam o evento para fazer negócios com empresas brasileiras”, disse o diretor da empresa que organiza a feira, Domingos Meirelles.

O evento também terá a realização de congressos e fóruns para discutir o setor aeroespacial do país, com representantes de companhias aéreas, Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) e Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

“A EAB é a grande ferramenta de promoção do setor aeroespacial brasileiro. É o local onde podemos mostrar o melhor de nossa indústria. Na feira estão presentes empresas de todos os portes e dos diversos segmentos da aviação”, disse Meirelles.

A entrada para a feira será pela avenida Brigadeiro Faria Lima, próximo ao MAB (Museu Aeroespacial Brasileiro), ao lado da Embraer. O preço do ingresso é R$ 20 sendo que estudantes param meia entrada. O estacionamento custa R$ 30. Maiores de 65 anos não pagam entrada. No domingo, a apresentação da Esquadrilha da Fumaça, a partir das 15h, é gratuita.

O Vale

Aeroporto da cidade perde passageiros em meio a impasse

Em meio ao impasse sobre seu futuro, o Aeroporto de São José teve nos primeiros quatro meses do ano queda de 5% no número de passageiros transportados, ante o mesmo período de 2011. De janeiro a abril deste ano, 61.851 pessoas utilizaram o terminal, sendo que a capacidade anual do aeroporto é de 90 mil usuários, segundo a Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária), administradora do local desde 1996.

No ano passado, 236.084 pessoas decolaram ou pousaram em São José, crescimento de 180% em relação a 2010, o maior entre todos os aeroportos da Infraero. No entanto, a falta de estrutura fez com que a companhia aérea Azul reduzisse seu número de voos na cidade pela metade, o que vem derrubando o número de passageiros no terminal.

Para as lideranças empresariais, a falta de investimentos no aeroporto atrapalha a geração de negócios em todo o Vale do Paraíba. “Todo mundo é afetado. A região perde negócios e deixa de fazer outros. Atuo no setor de logística e posso dizer que o que a Infraero está fazendo é um insulto à logística”, afirmou o presidente da ACI (Associação Comercial e Industrial de São José), Felipe Cury.

Uma das apostas para fazer com que a o movimento volte a ‘decolar’ é a nova rota implantada ontem pela Azul que liga São José a Campinas em quatro voos diários. De Campinas, os passageiros poderão fazer conexão para 42 destinos. “A nova ligação facilitará o fluxo de clientes, em ambos os sentidos, além de possibilitar viagens a negócios com ida e volta no mesmo dia para muitas cidades brasileiras”, afirmou o vice-presidente comercial, de marketing e TI da Azul, Paulo Nascimento, em comunicado.

Para o secretário de Desenvolvimento Econômico da cidade, José de Mello Corrêa, a nova linha é um sinal de que há demanda por voos na região. “(A nova rota) significa que as companhias aéreas acreditam no nosso potencial. Se São José não traz novas rotas, a empresa leva São José a elas.”

O diretor regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Almir Fernandes, salientou que a nova rota beneficia todos os empresários da região. “É uma linha muito interessante. Hoje perdemos tempo indo para outros aeroportos”, disse.

O Vale

15° Expo Aero pretende atrair mais de 35 mil pessoas

Começa nesta quinta-feira a 15ª edição da Expo Aero Brasil, um dos maiores eventos do setor aeroespacial do país, no DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), em São José dos Campos. Mais de 35 mil pessoas são esperadas durante a feira, que vai até o próximo domingo. De acordo com a organização da Expo Aero Brasil, cerca de 150 aeronaves estarão expostas para visitação. Ao todo, o evento terá 120 expositores.

“A EAB é a grande ferramenta de promoção do setor aeroespacial brasileiro. É o local onde podemos mostrar o melhor de nossa indústria. Na feira estão presentes empresas de todos os portes e dos diversos segmentos da aviação que buscam, principalmente, expandir seus negócios”, disse Domingos Meirelles, diretor da ExpoAir Exposições e Eventos, organizadora do evento.

Entre os parceiros e expositores da feira estão Embraer, Infraero, Gol Linhas Aéreas Trip Linhas Aéreas e Azul Linhas Aéreas.  Como em edições passadas, a Expo Aero Brasil trará seminários com especialistas e apresentações de shows aéreos durante os quatro dias de evento. Já estão confirmadas as presenças da Esquadrilha da Fumaça e da TNT Air Show.

O Vale

Diante da Concorrente, Embraer se mostra confiante

O diretor-presidente da Embraer, Frederico Curado, mostrou-se confiante quanto à nova concorrência promovida pela Força Aérea dos Estados Unidos a fim de escolher caças de ataque leve para serem usados em missões no Afeganistão.

Os requisitos do novo contrato apresentam alterações em relação ao primeiro processo de escolha que, na visão de Curado, podem auxiliar o Super Tucano, avião da empresa de São José dos Campos, a vencer o único adversário na concorrência, o AT-6 da norte-americana Hawker Beechcraft.

Se por um lado a Força Aérea eliminou o item que pedia o comparativo de voo entre os aviões, por outro, agora pede histórico de desempenho comprovado dos modelos em missões de contrainsurgência, finalidade dos caças a serem selecionados para o Afeganistão.

“Talvez uma coisa compense a outra. Embora em voo não teremos a chance de mostrar a superioridade do nosso avião, ao falar de passado, temos mais de 100 aeronaves em operação, um avião que vem sendo usado em operação real, como na Colômbia e outros lugares. O avião da concorrente é um avião de treinamento.

Contrainsurgência, eles não têm muito o que falar a não ser o que eles pretendem fazer”, disse Curado, em entrevista exclusiva a  O Vale. Embraer e Beechcraft têm até 4 de junho pra apresentarem suas propostas à Força Aérea dos EUA. O vencedor da disputa será definido somente em janeiro de 2013.

Curado lembrou que o novo processo de escolha traz um elemento diferente da primeira concorrência: a situação financeira da Beechcraft, que na última quinta-feira entrou em processo de concordata para quitar uma dívida de US$ 2,5 bilhões (R$ 4,9 bilhões).

“É uma variável nova. Não sabemos se isso é um fator determinante para que eles sejam mantidos na competição, mas por isso não podemos deixar de competir. Temos que ter mais um pouco de paciência, mas essa é nossa expectativa e tomara que a gente consiga vencer de novo”, disse.

Após o anúncio dos novos requisitos para a concorrência, a porta-voz da Beechcraft, Nicole Alexander, afirmou que não espera que o pedido de concordata atrapalhe o processo de escolha da Força Aérea. Segundo a empresa norte-americana, o pedido de concordata não é usado como critério da Força Aérea para excluir um competidor.

O processo de escolha para o fornecimento das aeronaves está sendo refeito após ‘lobby’ da Beechcraft em órgãos dos EUA. No final de dezembro do ano passado, Embraer e sua parceira na disputa, Sierra Nevada, chegaram a ser declaradas vencedoras do contrato inicial para o fornecimento de 20 caças, avaliado em US$ 355 milhões (R$ 696 milhões). A Beechcraft recorreu da decisão e a Força Aérea decidiu refazer a concorrência.

A Força Aérea dos EUA seleciona as aeronaves para o programa denominado LAS (apoio aéreo leve) com finalidade de operar em missões de vigilância de fronteira e ataques contrainsurgência no Afeganistão.
As primeiras entregas estão previstas para o terceiro trimestre de 2014. O contrato pode chegar a US$ 1 bilhão.

O Vale

Edital nos EUA pode beneficiar rival da Embraer

Uma mudança na concorrência para escolher o fornecedor de caças para a Força Aérea dos Estados Unidos no programa LAS (apoio aéreo leve) pode beneficiar a Hawker Beechcraft, rival da Embraer na disputa de US$ 355 milhões.

Diferentemente da primeira concorrência, cancelada em fevereiro, o novo edital descarta a necessidade de um voo teste dos equipamentos em disputa. A Beechcraft seria beneficiada pelo fato de estar oferecendo uma aeronave ainda em fase de desenvolvimento, o AT-6, ao contrário do Super Tucano da Embraer, já utilizado em missões, como no combate às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

“À primeira vista, sim, (a mudança) ajuda (a Beechcraft). Vender para americano é algo complexo. Mas o avião brasileiro tem grandes chances. O Super Tucano talvez seja o único (avião) para o que eles querem. Tem excelente rendimento e armamento, capacidade para levar bombas”, disse o professor da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora-MG), Expedito Bastos, especializado no mercado de defesa.

Para Bastos, o momento seria de atrelar a concorrência do LAS ao programa F-X2, que prevê a compra bilionária de caças supersônicos pela Força Aérea Brasileira, no qual a norte-americana Boeing concorre com a sueca Saab e a francesa Dassault.

“(A união das concorrências) é bom para nós, que acabamos com uma novela de 15 anos (F-X2) e para a Embraer, que coloca seu avião na maior vitrine do mundo. O Brasil tinha que aproveitar a chance, é uma oportunidade única. No passado, já ganhamos e não levamos. Temos que fazer nosso ‘lobby’”, disse Bastos.

Após receber uma minuta das exigências do novo contrato, já com as alterações, o diretor-presidente da Embraer, Frederico Curado, havia dito que não considerava a retirada do voo teste um fator determinante na disputa.

“Não seríamos necessariamente prejudicados, (a não realização do voo teste) não seria determinante. Não somos uma empresa que desiste facilmente das coisas”, afirmou Frederico Curado, durante teleconferência com jornalistas para analisar o primeiro trimestre de 2012 da empresa.

Outras alterações no contrato são a inclusão de preços fixos para equipamentos de apoio, a manutenção dos valores no caso de novas encomendas e a falta de exigência da participação de pequenas empresas no projeto. Dificuldade. No final da última semana, a Beechcraft entrou em processo de concordata para quitar sua dívida de US$ 2,5 bilhões.

O programa LAS irá selecionar aeronaves a serem utilizadas em missões no Afeganistão contra insurgência de rebeldes. O vencedor será anunciado no início de 2013. As entregas estão programadas para o final de 2014.

O Vale

Embraer entrega avião-conceito na cidade

O MAB (Memorial Aeroespacial Brasileiro), de São José, recebe hoje a aeronave Super Tucano EMB 312H, conhecida como ‘Ana Raio’, que foi revitalizada pela Embraer em parceria com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial).

Esta é a sétima aeronave recuperada pelo Centro Histórico Embraer, que desde 2008 atua na restauração de aviões que tiveram importância na trajetória da fabricante de São José. O trabalho de recuperação do ‘Ana Raio’ durou cerca de seis meses e foi feito paralelamente ao serviço de revitalização do Brasília, entregue ao MAB em agosto do ano passado.

A revitalização foi feita por um grupo de 15 aprendizes do Senai, orientados por técnicos da Embraer durante o processo. Segundo o diretor do Instituto Embraer, Pedro Ferraz, a dificuldade do trabalho foi adquirir peças que faltavam para a aeronave.

“O avião estava sem o trem de pouso. Faltavam algumas peças e as conseguimos com ajuda da própria Aeronáutica”, disse Ferraz. Os alunos do Senai também tiveram contato com profissionais que desenvolveram o projeto inicial da aeronave, que fez seu primeiro voo em setembro de 1991.

“A gente tenta conscientizar os alunos sobre a importância dessa aeronave. O bom desse projeto é que os aprendizes acabam fazendo uma coisa verdadeira e fazendo parte dessa história”, disse Ferraz. O Ana Raio é um protótipo desenvolvido com base no Tucano, com alterações no motor e sistemas de voo que tinham objetivo de qualificar a aeronave para uma concorrência para fornecimento de aviões de treinamento à Força Aérea dos EUA.

Para aumentar a qualidade de acrobacias em voo, uma das principais alterações do Ana Raio em relação ao Tucano foi dobrar a potência do motor para 1.600 shp (cavalos de potência para aviões), o que foi mantido para o desenvolvimento do Super Tucano.

À época, o Ana Raio nome em homenagem à novela de 1990 ‘Ana Raio e Zé Trovão’ acabou não vencendo a disputa pelo contrato nos EUA. “Essa é uma aeronave única, um avião-conceito”, disse Pedro Ferraz.  Outras aeronaves ‘únicas’ já fizeram parte do portfólio de restaurações do Centro Histórico Embraer.

Em 2008, ano em que o avião Bandeirante primeiro modelo produzido pela empresa, ainda na década de 70 completava 40 anos, ele foi revitalizado e entregue ao MAB. Também foram revitalizados os modelos CBA-123, Xingu, Brasília e ERJ 140. No próximo mês, será a vez do modelo Xavante ser recuperado.

A aeronave está desmontada no DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial) e por muito tempo foi usada como jato de treinamento avançado da Força Aérea Brasileira. Ela saiu de operação em 2010, dando lugar ao AMX e ao Tucano. O Ana Raio estará disponível para visitação no MAB a partir de amanhã.

O Vale

Esquadrilha da fumaça usará SuperTucano em apresentação

A FAB (Força Aérea Brasileira) estuda integrar a aeronave Super Tucano, produzida pela Embraer, de São José dos Campos, à frota da Esquadrilha da Fumaça, hoje formada pelo caça Tucano, que desde 1983 é utilizada pelo esquadrão de demonstração aérea da FAB.

Em maio, a Esquadrilha completa 60 anos e a expectativa é que, durante a festa, a ser realizada em Pirassununga nos dias 12 e 13 de maio, o anúncio da renovação da frota possa ser feito. A FAB nega e salienta que não há prazo para a substituição da frota. Por meio de sua assessoria, a Força Aérea informou que a entrada do Super Tucano nas apresentações da Esquadrilha da Fumaça depende de um estudo que vem sendo feito e sem previsão para ficar pronto.

No final de janeiro, um grupo de pilotos e mecânicos da Esquadrilha participou de um treinamento de quatro semanas sobre o funcionamento do Super Tucano no Esquadrão Joker, em Natal (RN), responsável pela formação dos pilotos de caça da FAB. A intenção do encontro foi avaliar as especificações de cada aeronave para garantir a manutenção da realização das manobras já feitas pelo esquadrão.

Apesar de semelhanças do projeto de desenvolvimento, as duas aeronaves apresentam diferenças consideráveis de performance. A potência do Super Tucano, por exemplo, é de 1.600 shp (cavalos de potência para aviões), contra 750shp do Tucano. O peso máximo do Super Tucano é de 5.400 kg, ante 3.175kg do Tucano (os números são de especificações das aeronaves).

Ao longo dos anos, a Esquadrilha da Fumaça realizou mais de 3.500 apresentações dentro e fora do Brasil. Para manter a rotina média de 100 demonstrações por ano, o Tucano já passou por diversas modernizações. Aeronaves menos usadas pela FAB também são enviadas à base do esquadrão, em Pirassununga, e passam por processo de revitalização nos equipamentos de voo.

Para o engenheiro aeronáutico e coordenador do Cedaer (Comissão Empresarial para o Desenvolvimento Aeroespacial de São José dos Campos) Lauro Ney Batista, a substituição das aeronaves não impactaria as acrobacias realizadas pela Esquadrilha.

“Vai ser uma boa (troca), o Super Tucano é muito mais reforçado. Pode ser que se perca um pouco na manobrabilidade, mas nada que interfira na apresentação, pelo contrário, eles podem desenvolver novas manobras”, disse Batista.

Ele salienta que a mudança também aumenta a segurança dos pilotos. “O Tucano é um avião antigo, passou, se não me engano, pela terceira revitalização. Depois de alguns acidentes, um, inclusive, em Santos, quando uma asa se soltou e atingiu uma pessoa na praia, seria uma boa trocar pelo Super Tucano”, afirmou Batista.

O Vale