Anel Viário vira disputa para propaganda de Candidatos

Menos de um mês depois do início da campanha eleitoral, placas com propagandas de candidatos a prefeito e vereador já tomaram as margens do Anel Viário, principal corredor de São José dos Campos. Por enquanto, as coligações encabeçadas pelo PT, que lança Carlinhos Almeida ao Paço Municipal, pelo PSDB, com Alexandre Blanco, e pelo PSB, de Antonio Alwan, dominam as ruas da cidade com propagandas.

Além do Anel Viário, pontos de grande movimentação, principalmente perto de escolas e igrejas, já começam a ser tomados pela publicidade. A eles, devem se juntar os outros concorrentes já nos próximos dias. Mesmo os partidos menores, como PSTU e PSOL, planejam começar a instalar placas às margens de vias e em terrenos cedidos.

O uso de cavaletes, também autorizado neste ano, ainda não foi definido. PSDB e PT dizem que não vão utilizá-los.  Os partidos afirmam que procuram lugares estratégicos. “Não adianta gastar horrores com placas e não aparecer”, afirmou o presidente do PSB, Erivelto Wagno. “Escolas, igrejas, locais de grande trânsito são os mais procurados”, disse o presidente do diretório municipal do PT, Wagner Balieiro.

O PSDB afirmou que já instalou 100 placas e que outras 100 estão em confecção. Junto com as placas, os partidos têm intensificado os ‘bandeiraços’ nas principais vias da cidade. Só ontem, eram três na avenida Bacabal, zona sul. “Quem não é visto, não é lembrado. Esse é um princípio básico”, afirmoua coordenadora do curso de pós-graduação em Marketing Político da Unitau, Letícia Maria. “Agora, só a colocação de placas e cavaletes não é determinante para a campanha.”

O Vale

Tucanos e Petista se opõem perante aos Dados da Educação

Tucanos e petistas travaram um novo duelo sobre a Educação nas redes sociais. O candidato do PSDB à Prefeitura de São José, Alexandre Blanco, postou pela primeira vez em sua página oficial no Facebook dados da atual administração tucana que mostram cenário positivo na área educacional.

Ele destacou que nos oito anos do governo Eduardo Cury, foram criadas 9.500 vagas de ensino infantil na rede municipal, sendo 1.850 delas, vagas de creche. “O trabalho resultou em uma das mais amplas redes de atendimentos de creche no Brasil”, diz a mensagem divulgada por Blanco.

Os petistas reagiram à propaganda, apontando que o déficit de vagas em creche em São José chega a 6.207, de acordo com dados do Ministério da Educação. A ‘resposta’ foi publicada na página do coordenar de campanha de Carlinhos Almeida (PT), o vereador petista Wagner Balieiro.

“Uma em cada três crianças não tem acesso a creche em São José. Nesta semana obtivemos mais uma decisão da Justiça obrigando a prefeitura a abrir vaga de creche para uma criança da Vila Tatetuba. Já são dezenas de casos semelhantes onde a vaga é obtida através de decisão judicial”, disse Balieiro.

“São José tem recursos e projetos de creches prontos que não saem do papel. A prefeitura não cumpriu sequer o combinado com o Ministério Público de construir creches. Por duas vezes, o acordo teve de ser aditado para o prefeito não ser condenado.”

Carlinhos Almeida disse ser possível ampliar a rede de atendimento. “Na eleição passada, a atual administração disse que iria atender 100% e eles não cumpriram essa meta, mesmo tendo receita e capacidade de investimento”, disse. Por meio de sua assessoria de imprensa, Blanco disse que em nenhum momento das duas campanhas em que participou o prefeito Eduardo Cury prometeu zerar o déficit de vagas em creches.

“O compromisso do prefeito foi universalizar o atendimento da pré-escola, e isso será cumprido”, informou. Dados do MEC apontam a existência de 33 mil crianças com até três anos de idade em São José. Destas 10,6 mil são atendidas em creches. Os números mostram um déficit de cerca de 6.200 vagas.

“No segmento de creche, o ensino não é obrigatório. A meta do MEC é atender 50% da demanda até 2020, e nós já atendemos cerca de 75%”, disse o secretário de Educação Alberto ‘Mano’ Marques. Segundo ele, além das 1.850 vagas em novas creches, outras 1.000 foram criadas com a ampliação das unidades já existentes. Há três creches em construção, totalizando mais 600 vagas até 2013.

O Vale

Eleição deve mobilizar mais de 4 mil cabos eleitorais

A eleição para a Câmara de São José deve mobilizar um exército de pelo menos 4.600 cabos eleitorais nos três meses de campanha e injetar até R$ 8,5 milhões na economia da cidade. Levantamento feito por O VALE aponta que, em média, cada um dos 459 candidato a vereador na disputa deve recrutar pelo menos 10 cabos eleitorais para reforçar a campanha.

Eles irão atuar em funções diversas, como motoristas de carro de som, entregadores de santinho e carregadores de bandeira. A média salarial é de um salário mínimo por mês (R$ 622) e o turno, das 8h às 17h, incluindo finais de semana.

Mas para ser cabo eleitoral, entre os atributos o candidato deve ter boa articulação para convencer o eleitorado. Aos 54 anos, a dona de casa Aparecida Maia adotou a profissão de cabo eleitoral há oito anos. Foi a experiência como líder paroquial que lhe garantiu um convite do vereador Luiz Mota (DEM).

“Estou como cabo eleitoral e já participei de duas campanhas. É puxado, mas é gostoso. O dinheiro que entra ajuda nas despesas de casa, mas eu vim trabalhar porque conheço o produto que estou vendendo”, disse. Segundo ela, a amizade com o candidato de 20 anos garantiu a parceria. “É preciso confiar no candidato para entregar santinho e conversar com o eleitor. Para outro não dá para fazer campanha.”

E a concorrência é grande. Muitos cabos eleitorais se oferecem até pela internet na página dos vereadores. “Muitos querem trabalhar, mas a gente mescla voluntário com cabo eleitoral. Vamos agregando devagar, porque não há muitos recursos. É um trabalho é cansativo, que começa cedo e vai até tarde. Se a pessoa não acredita na gente, não faz esse tipo de sacrifício”, afirmou Mota.

Presidente do PT e candidato à reeleição na Câmara, Wagner Balieiro também pretende contratar cabos eleitorais. “A maior parte é militante. Mas campanha, para dar certo, tem que ser com o candidato batendo de casa em casa e na porta das escolas”, afirmou.

O candidato Walter Hayashi (PSB) também vai reforçar seu exército de militantes. “Vou contratar umas 10 pessoas para fazer o trabalho do dia-a-dia nos bairros.” Hayashi afirmou que sua lista de militantes chega a 300 nomes, que irão se empenhar voluntariamente.

Apesar da pratica de contratar cabo eleitoral ser comum, muitos candidatos evitam assumir publicamente. “Eu não contrato, porque a parentada é grande. Mas quando você é vereador, muitos querem cobrar para fazer sua campanha e cobram até R$ 30 por dia”, disse o presidente da Câmara, Juvenil Silvério.

Outros novatos optam pela ajuda de parentes e amigos. “É a guerra do tostão contra o milhão. O candidato pobre tem que contar com a ajuda dos parentes e dos amigos para fazer campanha”, disse o novato na disputa, Jamilton Emídio Pereira (PP).

O Vale

Cidade é vista com olhos de Candidatos ao Paço

A disputa pelo Paço em São José em pleno período que antecede o 245º aniversário da cidade ajuda a trazer à tona a relação de cada candidato com o município. A convite de  O VALE, os sete candidatos a prefeito responderam uma breve entrevista na qual cada um relacionou a cidade a um ponto específico, descrevendo como liga a cidade a diferentes temas.

Os candidatos responderam como resumir São José em: um lugar, uma música, uma paisagem, uma qualidade marcante, um desafio, uma alegria, uma tristeza e também uma palavra. Ao responder sobre como resumir São José em um lugar, o candidato Alexandre Blanco (PSDB) citou quatro. O DCTA, Parque Tecnológico, o Parque da Cidade e o Banhado integraram a lista dele.

“São José tem essa dicotomia entre o tecnológico e o rural. O Banhado traduz exatamente essa ligação de São José como falei: você olha para a esquerda e vê a potência econômica. À direita, tem a São José rural, com o Rio Paraíba ao fundo”, disse.

O candidato petista ao Paço, Carlinhos Almeida (PT), também elegeu o Banhado como referência de lugar. “A vista do Banhado sempre mostra o que temos preservado e também a cidade com seu crescimento e pujança”. O candidato Fabrício Correia (PSDC) elegeu o Parque da Cidade, pelo encontro entre as histórias da cidade e a sua pessoal.

“Tenho uma relação afetiva com o local porque foi lá que conheci minha esposa, mãe dos meus sete filhos”, afirmou o candidato. No quesito música, muitos candidatos titubearam ao eleger uma canção ou referência musical que identifique São José.

Depois de pedir alguns minutos para pensar, o candidato Ernesto Gradella (PSTU) elegeu o grupo Trem da Viração como o que melhor representa a cidade. Gilberto Silvério (PSOL) escolheu os versos “Quero nossa cidade sempre ensolarada/ Os meninos e o povo no poder, eu quero ver/ São José da Costa Rica, coração civil” eternizados por Milton Nascimento na canção “Coração Civil”, de 81.

Fabrício Correia elegeu “Grandes Coisas”, canção do cantor gospel Fernandinho como ícone.  O “Hino do Bicentenário de São José” foi citado por Blanco e por Antônio Alwan (PSB). Já “Minha Cidade”, de Sérgio Weiss foi citada por Carlinhos Almeida e Cristiano. O urbanista Flávio Mourão explica que é comum que o Banhado e o Parque da Cidade sejam citados como ícones, mas salientou que é um bom momento para se falar de preservação da memória.

“A cidade precisa consolidar suas memórias e desenhos para não depender só de cosias naturais”, disse. Ele ainda ressaltou que há outros pontos importantes na cidade, como o prédio da faculdade de direito da Univap. “Aquelas grades, por exemplo, são irregulares, porque ali é uma praça”.

Para o músico e produtor musical Fábio Alba, da gravadora Oversonic Music, o fato de quatro dos candidatos terem citado músicas ligadas à cidade com no mínimo quatro décadas, não implica que São José não tenha referências novas. “Só acho que o estereótipo mudou. A ‘velha guarda’ da cultura joseense insiste em colocar a música da cidade como se ela ainda fosse representada por moda de viola ou folclore”, afirma.

O Vale

Candidatos apostam em Padrinho Políticos nesta eleição

Candidatos à Prefeitura de São José dos Campos apostam em ‘padrinhos políticos de luxo’ para alavancar suas campanhas. O candidato do PT, Carlinhos Almeida, vai utilizar a imagem da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva em seu material de campanha.

Em banners, placas e folhetos de apresentação, o petista vai aparecer ao lado das duas lideranças. “Em todo material que for possível iremos colocar as imagens de Dilma e do Lula. Nós queremos, com o Carlinhos como prefeito, aumentar a parceria de São José com o governo federal”, disse Wagner Balieiro, coordenador de campanha.

Para Balieiro, “o mais importante é mostrar que São José pode avançar nas parcerias com o governo federal”. O tucano Alexandre Blanco postou em seu site uma mensagem que recebeu de Geraldo Alckmin (PSDB) para mostrar ao eleitorado que tem sua candidatura o aval do governador. Em seus primeiros mini-outdoors, o candidato também aparece ao lado do deputado federal Emanuel Fernandes, seu padrasto, e do prefeito Eduardo Cury.

Obras tocados pelo governo do Estado, como a duplicação da rodovia dos Tamoios e o projeto de um Hospital Regional em São José também têm destaque no material.

“A imagem de Cury e Emanuel estão no primeiro material de campanha de Blanco em razão do legado do PSDB na cidade e da aprovação do governo”, disse o coordenador da campanha tucana, Anderson Farias Ferreira.
Segundo ele, na próxima leva de material, em agosto, Alckmin também estará presente em placas, folhetos e mensagens de televisão.

Quem também pretende investir na imagem de lideranças com projeção nacional é o PSB de Antonio Alwan. O candidato vai buscar o apoio de alguns dos principais nomes do partido, como o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, a ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, e o presidente estadual do PSB, Marcio França.

“Eles devem fazer gravações para mostrar que o nosso candidato é qualificado”, disse o vereador Walter Hayashi. O PSB também pretende trazer o deputado federal Romário a São José. O candidato do PV, Cristiano Pinto Ferreira, disse que o partido também deve trazer estrelas do esporte para reforçar a campanha, como o ex-jogador Roque Júnior.

“A presença do Roque deixa clara nossa proposta de trabalhar projetos socio-esportivos voltados principalmente para a recuperação de jovens com dependência química”, afirmou o vereador. O candidato do PSDC, Fabricio Correia, aposta no apoio do presidente nacional do partido, José Maria Eymael.

“Vamos ter a presença do Eymael, que fez questão de apoiar nossa candidatura. Ele vai estar na campanha, seja nos programas de TV ou presencialmente. A foto de Eymael será exponencial nos próximos materiais”, disse. O PSTU, de Ernesto Gradella, pretende convocar a força sindical para reforçar a campanha do partido, entre eles o ex-candidato a presidente da República, José Maria de Almeida.
O PSOL também vai apostar em lideranças nacionais.

O Vale

Pacto para manter a cidade limpa durante as Eleições

A Justiça Eleitoral de São José vai propor um pacto aos sete postulantes do Paço para que eles se comprometam com uma campanha limpa e sem abusos. Responsável pela fiscalização da propaganda eleitoral, o juiz da 411º Zona Eleitoral, Luís Guilherme Cursino de Moura Santos, 39 anos, aposta em um acordo entre os partidos para evitar a poluição visual nas ruas.

Ele pediu a atenção dos candidatos para as regras da legislação eleitoral. “Sem prejuízo, os candidatos devem zelar pela preservação da higiene e estética urbana. O desrespeito à legislação implicará na imposição de multa ao infrator.”

O valor da multa por propaganda ilegal pode variar de R$ 2.000 até R$ 106 mil em casos de rádio e TV. A propaganda eleitoral teve início no último dia 6 e prossegue até o próximo dia 4 de outubro. Embora São José possua legislação que proíba o uso de cavaletes e a perturbação de sossego com o carro de som alto, são as regras federais que irão prevalecer nessas eleições.

A lei eleitoral autoriza a utilização de alto-falantes, amplificadores de som e carros de som para realização de propaganda eleitoral, entre as 8h e as 22h, até a véspera das eleições. As carreatas são permitidas até as 22h da véspera das eleições.

“A utilização destes meios não deve ser feita de modo abusivo, devendo ser preservado o sossego público”, disse Luiz Guilherme. A lei federal autoriza colocação de cavaletes e cartazes móveis em via pública entre 6h e 22h, desde que não atrapalhem o trânsito de veículos e pedestres.

“Eventuais limitações previstas em leis municipais não prevalecem sobre lei federal, pois compete à União legislar sobre direito eleitoral. Mas nada impede que os partidos estabeleçam acordo entre si para que nenhum deles realize propaganda eleitoral com cavaletes.”

O Vale

Eleição deste ano evita panfletagem para não sujar ruas

Candidatos à Prefeitura de São José pretendem aderir à campanha limpa nessas eleições e defendem restrições à sujeira eleitoral. No próximo dia 20, a Justiça eleitoral realizará reunião no Fórum para definir as regras da campanha deste ano. Alexandre Blanco (PSDB), que prevê gastar o maior volume de recursos na campanha até R$ 2,9 milhões, prometeu uma campanha limpa nessas eleições.

“Nunca pintamos muro ou usamos cavaletes. A nossa campanha será com panfleto e de casa em casa. Ou nas esquinas, sem grandes invenções.” Blanco vai apostar na militância para ganhar as ruas com as bandeiras do partido. “Nossa campanha será nas ruas e com placas onde for autorizado e carro de som só em locais concentrados.”

Na escala de gastos, Antonio Alwan (PSB) pode desembolsar até R$ 2,7 milhões. “Nosso material de campanha deve chegar na próxima semana e inicialmente devemos disparar o processo com uns 10 mil santinhos, incluindo o dos vereadores.” Alwan não pretende usar cavaletes. “Vamos usar da criatividade”, disse o socialista. O candidato Carlinhos Almeida (PT) também vai evitar os cavaletes. A aposta do partido, que poderá gastar até R$ 2,5 milhões, são os santinhos, placas e banners.

A campanha de Carlinhos será coordenada pelo vereador e presidente do partido, Wagner. Já Ricardo Amado será responsável pela área de comunicação. Autor da lei que proíbe o cavalete na cidade, o candidato Cristiano Ferreira (PV) prometeu campanha sustentável.

“Estamos terminando nosso escritório de campanha. Até a calçada será verde. Vamos apostar nos adesivos e nos santinhos”, disse Cristiano, que poderá gastar até R$ 1,9 milhão. Há também quem defenda o uso dos cavaletes, sem sujar a cidade.

“Nós teremos um compromisso com a campanha limpa. Agora, cavalete não suja a cidade e não iremos aceitar essa limitação”, disse o candidato do PSTU, Ernesto Gradella. O PSTU planeja gastar até R$ 200 mil na campanha.

O PSDC de Fabricio Correia vai apostar nas redes sociais e nas propagandas de TV e rádio. A legenda limitou os gastos em R$ 1 milhão. Com o menor volume de recursos na campanha, o PSOL de Gilberto Silvério vai investir nos santinhos e no corpo a corpo. ‘Campanha tem que ter debate de ideias e não papéis nas ruas’, diz Alacyr Arruda, cientista político da Fatea.

O cientista disse que campanha limpa é questão de educação do candidato. “Campanha tem que ser pautada no debate político de ideias e não em papéis nas ruas. Esse modelo de sujar cidade despejando santinho não agrega votos e muitos eleitores não enxergam a prática com bons olhos.” Para ele, candidatos que apostam em banners e cavaletes só têm retorno da população desinformada. “Entre 18% e 20% dos eleitores definem voto na hora. Mas isso está mudando porque santinho não tem proposta política, só número de candidato.”

O Vale

Em ano eleitoral, Prefeito entrega gratificações na cidade

Às vésperas da campanha eleitoral, o prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury (PSDB), criou gratificações de até 60% para servidores de carreira que ocupam cargos de confiança na administração municipal. A concessão do benefício pode gerar uma despesa extra de mais de R$ 800 mil apenas neste ano.

Os bônus foram instituídos por meio de uma lei de autoria do prefeito, aprovada pela Câmara no final de abril e sancionada no mês passado. Uma emenda negociada com os vereadores estendeu as gratificações a assessores do Legislativo.

Antes, os funcionários de carreira lotados em cargos de confiança podiam optar entre manter os antigos vencimentos ou receber a referência salarial da função comissionada, dependendo de qual fosse mais vantajosa. Isso porque, em função de benefícios previstos no antigo plano de carreira da categoria, muitos servidores ganhavam em suas funções de origem mais do que secretários municipais.

A partir de agora, os funcionários efetivos que assumirem cargos de confiança terão a possibilidade de continuar recebendo seus salários de origem com acréscimos entre 30% e 60% ao mês, dependendo da função. Hoje, a prefeitura tem quase 300 cargos comissionados.

Defendida pela administração como forma de “valorização do funcionalismo”, a alteração no Estatuto do Servidor é vista como imoral pelo sindicato que representa os cerca de 8.000 trabalhadores da categoria. “Estamos há 16 anos pedindo aumento real, pedindo a revisão do piso ao governo. Agora, com a eleição chegando, eles resolvem criar um benefício só para os que estão em cargo de chefia”, disse o diretor do sindicato, Donizetti Aparecido de Souza, o Zetão.

“Se formos olhar só a medida, é positiva, porque para muitos não compensava financeiramente assumir mais responsabilidade. O que criticamos é a falta de diálogo para tentarmos melhorias para todos os servidores e a época do ano que eles soltaram essas gratificações”, emendou.

O sindicalista afirmou que as gratificações teriam objetivos eleitoreiros. “Nós pedimos para eles anteciparem o gatilho salarial para antes de abril, e nada”, disse Zetão. “Agora eles fazem isso anúncio de novas gratificações para agradar o servidor, atrair os que estão em cargos de chefia para ‘bandeirar’ na campanha. Ou seja, a preocupação não é pagar mais ao funcionário”, completou.

O secretário de Administração de São José, Sergio Luiz Pinto Ferreira, negou qualquer caráter eleitoreiro na alteração do Estatuto do Servidor. “A imensa maioria dos servidores de carreira são apartidários. Quem faz campanha são os comissionados. Eles sindicato e oposição querem desvirtuar a lei, que veio para beneficiar o servidor.”.

O secretário explicou que as novas gratificações têm como objetivo “valorizar o servidor que se destaca e remunerá-lo por isso”. “Muitos servidores, do meio para o fim da carreira, não sentem interesse em assumir uma chefia, porque financeiramente não compensa. Por isso, o inventivo”, disse.

O Vale

Fórum de campanhas eleitorais é realizado na cidade

Uma campanha com candidatos e eleitores preparados, cientes de suas responsabilidades e obrigações. Com esse foco, O VALE realiza amanhã o “Fórum Eleições 2012 – Legislação, Campanha e Voto”. O evento, aberto ao público, tem o objetivo de preparar os candidatos a vereador e prefeito a expor melhor seus projetos, de forma mais clara e objetiva, auxiliando o eleitor a fazer uma escolha consciente nas urnas.

O fórum também abordará a legislação eleitoral, esclarecendo pontos polêmicos como Lei da Ficha Limpa (quem se enquadra) e prestação de contas (como deve ser feita e como pode ser acompanhada pelo eleitor). Dentro desse contexto de regras eleitorais, serão oferecidas informações para que o eleitor possa entender como fiscalizar os candidatos e denunciar irregularidades à Justiça Eleitoral.

O evento acontece a partir das 14h no auditório da Faculdade de Direito da Univap (Universidade do Vale do Paraíba), na Praça Cândido Dias Castejón, no centro de São José. A entrada é franca, mas o número de participantes será limitado pela capacidade do auditório, de 500 lugares. Interessados podem reservar lugares com antecedência.

O “Fórum Eleições 2012” é uma iniciativa da APJ (Associação Paulista de Jornais), da Rede Paulista de Jornais e da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São José. Apoiam o evento a Aavale (Associação dos Advogados do Vale do Paraíba) e da própria Univap. Presidente da APJ, Renato Delicato Zaiden, explicou que a ideia do fórum é “mobilizar a sociedade para um debate tão vital e importante como as eleições”.

“A APJ tem focado um jornalismo próximo ao cidadão, para que possamos exercitar a cidadania através da política. Quanto mais você antecipar o debate político, quanto mais você aproximar o público das luzes da redação, mais você atinge a sociedade”, disse.

“Outro ponto é levar aos candidatos um ponto de vista atualizado do que o eleitor espera do político, e também atualizar os conhecimentos da legislação, que passou por mudanças, prestando um serviço”, acrescentou. O presidente da OAB de São José, Julio Aparecido Costa Rocha, disse que é a partir de eventos como o fórum que o país terá “uma população melhor informada, com preocupação ética mais séria”.

“Assim teremos força para combater comportamentos desonestos. A sociedade vai expelir da política as pessoas com tais comportamentos.” O “Fórum Eleições 2012” contará com as participações do consultor em Marketing Político Marco Iten e do especialista em Direito Eleitoral Anderson Pomini.

“A ideia é justamente fazer um debate sobre as regras eleitorais para 2012, o que é permitido, o que não é. Também vamos discutir o papel das redes sociais”, disse Rocha. Palestrante no fórum, Iten afirmou que a classe política de hoje precisa buscar uma melhor apresentação à sociedade. “Não adianta só prometer.

O político deve se aproximar às reais demandas, ele tem que se qualificar”, disse. “O cidadão está descrente, não vê com bons olhos a classe política. É disso que vou tratar, da necessidade de um bom planejamento.”

O Vale

Governador pressiona Emmanuel para Candidatura

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) voltou a pressionar o deputado federal e ex-prefeito de São José, Emanuel Fernandes, a lançar candidatura à prefeitura da cidade neste ano. Ainda há a esperança, entre dirigentes tucanos estaduais, de que Emanuel Fernandes reconsidere seu posicionamento e aceite disputar novamente o Paço.

Desde o começo das discussões no PSDB acerca da sucessão em São José, iniciadas oficialmente em março passado, Emanuel Fernandes, que governou o município de 1997 a 2004, tem afirmado que não está nos seus planos a candidatura.

Alckmin, porém, considera a presença do deputado, que foi secretário de Planejamento do atual governo estadual, indispensável no cenário de São José. Emanuel, segundo interlocutores do governador, é considerado o único nome com musculatura para disputar o Paço e impedir o crescimento do PT na cidade, estratégica no Estado.

Outra garantia seria a construção de uma base sólida no município, com mais de 438 mil eleitores, para a campanha de reeleição de Alckmin ao governo do Estado em 2014. Tais apontamentos foram tratados em encontro entre Alckmin e Emanuel Fernandes, na semana passada, na capital. Outra reunião para tratar do assunto, segundo fontes do governo, deve ocorrer na sexta-feira.

Enquanto caciques estaduais tucanos não conseguem convencer Emanuel, o PSDB de São José vive clima de indefinição. Atualmente, os tucanos trabalham com seis nomes como possíveis alternativas ao ex-prefeito.
Os dois mais cotados são os ex-secretários de Juventude, Alexandre Blanco, e de Governo, Claude Mary de Moura. O primeiro, enteado de Emanuel, conta com a bênção do deputado. A segunda é a preferida de Cury.

Além dos dois, também se colocaram à disposição os ex-secretários Felício Ramuth (Comunicação) e Marina de Fática de Oliveira (Defesa do Cidadão), o ex-vereador Luiz Paulo Costa e o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São José, Julio Aparecido Costa Rocha.

Na última segunda-feira, o coordenador do processo da sucessão, o prefeito Eduardo Cury, afirmou aos pré-candidatos que finalizou as consultas que julgava necessárias para a definição do ‘nome ideal’.

O presidente do diretório estadual do PSDB, o deputado estadual Pedro Tobias, disse que a cúpula da legenda no Estado nem chegou a discutir os nomes dos que se colocaram à disposição. “Não discutimos nomes A, B ou C. Ainda não perdi a esperança no Emanuel. Todo mundo está torcendo para que ele saia”, afirmou.

Tobias disse que, em caso de recusa do Emanuel, “com certeza o diretório municipal, guiado por suas lideranças”, encontraria um novo nome. “Nós vamos ganhar em São José, mas com o Emanuel isso é garantido. Ele é um símbolo, tem uma maneira de governar exemplar, sem desmerecer os outros candidatos”, emendou o dirigente tucano. Emanuel Fernandes confirmou o encontro com o governador, mas não comentou o pedido pela candidatura.

O Vale