Partidos que disputam a Prefeitura liberam ‘doação oculta’

Os dois principais partidos que disputam a Prefeitura de São José dos Campos, PSDB e PT, vão utilizar comitês financeiros unificados na captação de verbas para candidatos a prefeito e vereador, dificultando a identificação de doadores. A prática é considerada legal.

Com os comitês unificados, os recursos são repassados à coligação, e não diretamente ao candidato quem transfere o dinheiro ao candidato acaba sendo o comitê, sem identificar a fonte. Essa triangulação permite que pessoas físicas e jurídicas financiem campanhas sem associar o próprio nome ao candidato favorito.

As coligações têm até manhã para registrar seus comitês na Justiça Eleitoral. Tanto os candidatos, quanto os comitês serão obrigados a prestar contas de tudo o que gastam e arrecadam. Na prática, ao ser doado ao comitê, o dinheiro pode ser carimbado a um candidato, passando pelo caixa unificado em caráter meramente ilustrativo.

Saindo do comitê, os valores doados serão expostos na prestação de contas individual do candidato como sendo oriundo do comitê, e não de doador físico ou jurídico. Somente na prestação de contas dos comitês financeiros será possível ver a relação de doadores, mas dentro do ‘bolo’ da coligação impedindo que o eleitor saiba, de fato, quem financiou a campanha de seu candidato.

“Esse é um dos problemas mais graves que temos no sistema político”, afirma o cientista político da Unitau, José Maurício Cardoso do Rêgo. “São mecanismos escusos, que são tolerados, que apesar de legais são imorais, que sustentam candidaturas também escusas. É uma prática constante em todos os partidos, que macula o processo.”

A legislação eleitoral permite, mas não obriga, a constituição de até dois comitês, um para a campanha majoritária e outro para a proporcional. Além de PSDB e PT, outros partidos também devem utilizar comitês financeiros únicos. Caso do PSB, que também tem candidato ao Paço. O PV, outra sigla que disputa a prefeitura, não respondeu ontem a O VALE.

“A legislação permite que existam essas desconfianças. Por isso, defendo a revisão de todo o sistema, com o financiamento público de campanha”, afirmou o presidente do PT, Wagner Balieiro. “O comitê único existe para facilitar e integrar as movimentações. Nunca fizemos no passado e não faremos nenhuma triangulação. Se alguém quer doar direto para um candidato, que o faça assim”, disse o coordenador da campanha do PSDB, Anderson Ferreira.

O Vale

Governador pressiona Emmanuel para Candidatura

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) voltou a pressionar o deputado federal e ex-prefeito de São José, Emanuel Fernandes, a lançar candidatura à prefeitura da cidade neste ano. Ainda há a esperança, entre dirigentes tucanos estaduais, de que Emanuel Fernandes reconsidere seu posicionamento e aceite disputar novamente o Paço.

Desde o começo das discussões no PSDB acerca da sucessão em São José, iniciadas oficialmente em março passado, Emanuel Fernandes, que governou o município de 1997 a 2004, tem afirmado que não está nos seus planos a candidatura.

Alckmin, porém, considera a presença do deputado, que foi secretário de Planejamento do atual governo estadual, indispensável no cenário de São José. Emanuel, segundo interlocutores do governador, é considerado o único nome com musculatura para disputar o Paço e impedir o crescimento do PT na cidade, estratégica no Estado.

Outra garantia seria a construção de uma base sólida no município, com mais de 438 mil eleitores, para a campanha de reeleição de Alckmin ao governo do Estado em 2014. Tais apontamentos foram tratados em encontro entre Alckmin e Emanuel Fernandes, na semana passada, na capital. Outra reunião para tratar do assunto, segundo fontes do governo, deve ocorrer na sexta-feira.

Enquanto caciques estaduais tucanos não conseguem convencer Emanuel, o PSDB de São José vive clima de indefinição. Atualmente, os tucanos trabalham com seis nomes como possíveis alternativas ao ex-prefeito.
Os dois mais cotados são os ex-secretários de Juventude, Alexandre Blanco, e de Governo, Claude Mary de Moura. O primeiro, enteado de Emanuel, conta com a bênção do deputado. A segunda é a preferida de Cury.

Além dos dois, também se colocaram à disposição os ex-secretários Felício Ramuth (Comunicação) e Marina de Fática de Oliveira (Defesa do Cidadão), o ex-vereador Luiz Paulo Costa e o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São José, Julio Aparecido Costa Rocha.

Na última segunda-feira, o coordenador do processo da sucessão, o prefeito Eduardo Cury, afirmou aos pré-candidatos que finalizou as consultas que julgava necessárias para a definição do ‘nome ideal’.

O presidente do diretório estadual do PSDB, o deputado estadual Pedro Tobias, disse que a cúpula da legenda no Estado nem chegou a discutir os nomes dos que se colocaram à disposição. “Não discutimos nomes A, B ou C. Ainda não perdi a esperança no Emanuel. Todo mundo está torcendo para que ele saia”, afirmou.

Tobias disse que, em caso de recusa do Emanuel, “com certeza o diretório municipal, guiado por suas lideranças”, encontraria um novo nome. “Nós vamos ganhar em São José, mas com o Emanuel isso é garantido. Ele é um símbolo, tem uma maneira de governar exemplar, sem desmerecer os outros candidatos”, emendou o dirigente tucano. Emanuel Fernandes confirmou o encontro com o governador, mas não comentou o pedido pela candidatura.

O Vale