BNDES vai colocar a leilões diversos bens da Tecelagem

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) vai leiloar 168 bens da antiga Tecelagem Parahyba, de São José, avaliados em R$ 937 mil. O montante arrecadado no leilão marcado para o dia 18 de maio será usado para quitar uma dívida de quase R$ 500 mil da empresa referente a um financiamento feito junto ao BNDES para tentar salvar a Tecelagem, uma das mais tradicionais empresas da cidade, fundada em 1949 e extinta em 1995.

Os bens estão em desuso e não têm relação com a atual Coopertêxtil, cooperativa que assumiu a produção da fábrica com o fechamento da Tecelagem Parahyba. “São produtos muito antigos e que não são usados pela cooperativa. Muitos equipamentos são da década de 50. Para nós, esse leilão será até bom, pois teremos mais espaço para aumentar nosso parque industrial”, afirmou o diretor-presidente da Coopertêxtil, Paulo Roberto Palmeira.

Entre os bens a serem leiloados estão centrífugas, máquinas de costura, de vaporização, desfiadeiras, entre outros equipamentos. Questionado sobre quem poderia adquirir equipamentos tão antigos, Palmeira disse torcer para que alguém apareça no leilão.

“Acabamos assumindo esses equipamentos, que são sucata e que tomam espaço de vários setores”, disse o diretor-presidente da Coopertêxtil. Atualmente, a cooperativa atua em área de cerca de 56 mil metros quadrados, que representa um terço do total da área da Tecelagem Parahyba.

A Coopertêxtil vive a expectativa de assumir o controle do imóvel onde atua. Como garantia pelo pagamento de dívidas oriundas de ICMS (Imposto Sobre Operações de Mercadorias e Serviços) atrasado, a então Tecelagem ofereceu ao governo do Estado seu imóvel.

No entanto, segundo Palmeira, o imóvel foi comprado pelos trabalhadores da cooperativa junto à empresa, como forma de perdoar dívidas trabalhistas referentes à rescisão dos demitidos com o encerramento das atividades em 1995.

A cooperativa alega que já foi notificada de 113 processos envolvendo dívidas trabalhistas e ordem judicial para pagamento de ICMS da época da Tecelagem Parahyba. O deputado estadual Hélio Nishimoto (PSDB) negocia junto ao governo do Estado o repasse do imóvel à Prefeitura de São José. “O Estado não tem interesse na área”, defende o parlamentar.

Imagem: Consuelo Lima

O Vale

Banco BNDES financiara novo instituto do ITA na cidade

O BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) vai participar da construção de um centro de inovação desenvolvido pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) em parceria com empresas do setor tecnológico em São José dos Campos.

O anúncio foi feito ontem pelo presidente do banco, Luciano Coutinho, que esteve em São José para ministrar uma palestra sobre as perspectivas da economia mundial na aula magna da instituição de ensino. Os detalhes sobre a participação do BNDES ainda não estão definidos, bem como o custo do centro. As empresas parceiras do ITA no projeto, como Embraer, Braskem, VSE, entre outras, atualmente trabalham na formatação do projeto para entrega-lo ao BNDES.

“Estamos em estágio inicial de conversa”, disse o presidente do BNDES. O centro poderá ser construído nas dependências do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial) ou na área do ITA dentro do Parque Tecnológico.

O presidente do BNDES afirmou que apoiará o projeto pela “excelência do ITA” na formação de talentos. “Estamos abertos a pensar como fortalecer, ampliar, dobrar a capacidade deste instituto que polariza no seu exame de admissão o que há de mais criativo e capacitado entre os alunos brasileiros. Este instituto é a instituição de maior excelência dentro das instituições de excelência do país”, afirmou Coutinho.

A ideia do ITA é integrar seus alunos nas empresas participantes do centro de inovação desde os primeiros anos de curso por meio de convênios e bolsas de estudo. “Temos alunos reconhecidamente talentosos. Vamos fazer com que esses meninos se envolvam seja numa Embraer, numa Braskem e demais empresas”, afirmou o reitor da instituição de ensino, Carlos Américo Pacheco.

A construção do centro de inovação é um projeto paralelo ao crescimento no número de alunos do ITA. A instituição prevê dobrar, a partir deste ano, seu número de estudantes nos próximos cinco anos.

“Queríamos aumentar esse número de alunos o mais rápido possível, no entanto, há todo um processo que temos que aguardar como a abertura da licitação para a construção de um novo alojamento. Vamos crescendo aos poucos”, afirmou Pacheco.

O reitor lembrou que, no último vestibular da instituição, 570 estudantes atingiram nota suficiente para entrar no instituto, mas, pela limitação de vagas, 120 foram selecionados para os cursos. “Podemos duplicar nosso número de alunos sem correr o risco de perder a qualidade do ensino”, disse.

Presente no evento do ITA, o presidente da VSE (Vale Soluções em Energia), James Pessoa, destacou a importância da criação do centro de inovação. “Queremos ter uma maior relação com o ITA. Já trabalhamos juntos em alguns projetos, contratamos 15 engenheiros formados pelo ITA e queremos aproveitar essa parceria da melhor maneira possível”, afirmou Pessoa.

O vice-presidente de Tecnologia e Inovação da Braskem, uma das líderes mundiais em química sustentável, Edmundo Aires, também mostrou interesse em participar do desenvolvimento do centro. “Já temos conversas com o ITA sobre química verde”, disse o executivo.

O Vale

Criação de fundos para instalação de empresas bases

O prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury (PSDB), planeja criar um fundo de fomento para atrair empresas de base tecnológica para a cidade.

A medida está prevista no pacote de incentivos fiscais enviado pelo tucano à Câmara na semana passada. A ideia do prefeito é usar parte do superávit financeiro da administração (dinheiro que é economizado pela prefeitura ao longo do ano) e das contrapartidas previstas no contrato da Sabesp para financiar a instalação ou a ampliação de empresas.

O novo fundo funcionaria como uma espécie de versão municipal do BNDES. “Exemplo concreto: um condomínio industrial, custa caro fazer. Não consigo tirar do Orçamento. Só que eu vou vender lote e receber de volta, com lucro”, afirmou o prefeito.

“Com esse fundo, a gente pode pegar o dinheiro, comprar a área, o empresário paga e retorna o dinheiro para o fundo”, acrescentou. O incentivo seria voltado aos setores aeroespacial, de defesa, automotivo, telecomunicações, tecnologia da informação, robótica, biotecnologia e bioengenharia.

“Tudo o que for estratégico poderá utilizar o fundo. Essa lei nos oferece grandes ferramentas para atuar num nicho onde outros Estados estão muito agressivos”, disse o prefeito a O VALE. A lei enviada por Cury à Câmara não é clara ao apontar quais serão as contrapartidas das empresas beneficiadas e abre brecha para investimentos a fundo perdido.

O governo do PSDB pressiona a Câmara a votar o pacote de incentivos até a semana que vem.  O fundo de fomento será composto de recursos como as duas primeiras parcelas da contrapartida da Sabesp à prefeitura, feitas por meio de ações da empresa avaliadas em R$ 75 milhões.

“As ações da Sabesp, que estamos recebendo, elas entram no fundo, não são vendidas e servem para tomarmos dinheiro do BNDES. Elas vão como garantia”, afirmou Cury.

Somado a isso, também está previsto o uso de 10% do balanço do superávit financeiro ao final de cada ano.
Para efeito comparativo, São José fechou 2010 com R$ 118 milhões de sobra no caixa da prefeitura. Se a lei já tivesse sido aprovada, R$ 11,8 milhões seriam destinados ao fundo.

A lei que cria o fundo também oferece isenções de até 100% em impostos municipais e remissão de até 80% do valor pago como ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Na avaliação do economista Roberto Koga, São José precisa de uma política de atração de empresas há muito tempo.

Segundo ele, a cidade vem perdendo indústrias na última década, como a Kodac, Philips, Panasonic, Solectron e Ericsson. “É preciso ter controle para que a empresa beneficiada ofereça contrapartidas claras. Esse fundo deve ser melhor discutido para saber se o superávit nos caixas estão deixando de atender setores como saúde, educação e saneamento, a base para a formação das novas gerações.”

O Vale