São Francisco Xavier: Seu Encanto E Sua Essência

Características gerais

No século XIX, o local onde hoje se situa o povoado de São Francisco Xavier era passagem e pouso dos tropeiros que, vindo de Minas Gerais, iam vender suas mercadorias em São José dos Campos. Oficialmente, o Distrito foi criado através de uma lei estadual de 1892 e, portanto, neste ano de 2011, completa 119 anos.

Situado ao Norte do município de São José e com 322 km² de área, São Francisco possui uma paisagem natural privilegiada, com montanhas das quais a mais alta é o Pico de Selado, com 2.082 metros, donde se avistam as cidades vizinhas. A área é considerada de proteção ambiental federal, por fazer parte da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul. A vila situa-se a 720 m de altitude, fica a aproximadamente 55 km de São José dos Campos e conserva as características de um pequeno povoado do interior, inclusive com algumas tradições como, o artesanato e festas religiosas que atraem um grande número de pessoas.

Na região existem várias trilhas para caminhadas e mountain bike. Existem também uma rampa para vôo livre e vários pontos com altitudes apropriadas para a prática de paraglider, além de rios e córregos para a canoagem. O Distrito dispõe ainda de hospedarias, pousadas e áreas de camping.

Um pouco de história

Em 1883, escravos de Luciano José das Neves trouxeram para a fazenda de sua propriedade uma imagem de São Francisco Xavier. Foi construída ali uma pequena capela, que virou ponto de parada de tropeiros que ali iam fazer suas orações. Ali, muitas famílias decidiram ficar e plantar um pedaço de terra.

Em 16 de agosto de 1892 foi criado o Distrito de São Francisco Xavier, uma pequenina vila com cerca de 10 casas de pau a pique, uma escola primária, um armazém, uma farmácia e meia dúzia de curandeiros que faziam o papel de médicos e enfermeiros.

Em 1911 foi instalada a primeira iluminação pública, com lamparinas de querosene,  colocadas a cada 10 metros, nas ruas. As tochas eram acesas às 18 h e apagadas às 22 h.

Em 1930 e 1932, durante as revoluções ocorridas naqueles anos, a região foi usada como refúgio dos soldados paulistas. Nessa época, diversas famílias retiraram-se do Distrito por medo das revoluções, apesar de não ter havido confrontos no local.

1946 marcou a chegada da energia elétrica a São Francisco. O primeiro gerador ficava no quintal da casa de um certo Senhor Nico Alves. Em 1958 a SABESP assumiu o abastecimento e o tratamento da água do município.

Região alpina

Diversos morros, belíssimas serras e altos picos formam uma autêntica paisagem alpina, com altitudes que variam entre 550 e mais de 2.000 metros (na Serra da Mantiqueira, um dos 32 pontos culminantes brasileiros).Alguns pontos mais expressivos são:

  • Serra do Queixo da Anta – 1.600 m
  • Serra de Santa Bárbara – 1.578 m
  • Pico do Selado – 2.082 m
  • Pedra Redonda (1.925 m)
  • Pedra Chapéu do Bispo (1.913 m)
  • Pedra do Capim Azul (1.400 m)
  • Pedra Pouso do Rochedo (1.300 m)
  • Pedra Vermelha (1.836 m)

Como chegar

Onde ficar

Existem inúmeras pousadas na vila, mas todas costumam ficar lotadas na alta temporada, fins de semana, feriados e datas festivas. Por isso, recomenda-se fazer reservas com antecedência.

Turismo e meio ambiente

Os turistas são sempre bem- vindos a São Francisco Xavier, desde que respeitam as condições de preservação do meio ambiente. Qualquer atividade que ameace as espécies nativas, o solo e as nascentes de água é rigorosamente proibida e será punida de acordo com a lei. Alguns pontos turísticos interessantes são:

Praça Cônego Antônio Manzi: existem no local um monjolo, uma gruta de Nossa Senhora, duas quadras de esportes, um playground e um belo jardim. O local é usado para encontros, feiras de artesanato, atividades culturais e de lazer.

Cachoeiras:

  • São Francisco, 15 metros de altura
  • Roncador, 45 metros de altura.
  • Couves: 15 metros de altura.
  • Santa Bárbara: altura não especificada.
  • Turvo: 25 metros de altura.
  • Sabão: 25 metros, com 3 quedas.

Parque Santos Dumont: Um Presente No Coração Da Cidade

Alberto Santos Dumont

Antes de falar sobre esse belíssimo parque, localizado no centro de São José dos Campos, convém fazer uma breve referência ao homem que lhe emprestou o nome, o mineiro Alberto Santos Dumont, apelidado no Brasil de O Pai da Aviação. Santos Dumont nasceu na cidade de Palmira, no interior de Minas Gerais. Depois da fama internacional do seu mais ilustra filho, a cidade adotou o nome de Santos Dumont, que conserva até hoje. Dumont é considerado por muitos brasileiros como o inventor do balão dirigível, do avião e do ultraleve. No entanto, há uma enorme confusão e uma má resolvida polêmica a respeito da legitimidade desse título. É certo que Dumont projetou, construiu e voou nos primeiros balões dirigíveis com motor a gasolina. Não se discute tampouco que ele foi o primeiro a decolar a bordo de um avião impulsionado por um motor movido a gasolina.

Mas, apesar dos brasileiros considerarem Santos Dumont como o responsável pelo primeiro voo num avião, na maior parte do mundo isso não é reconhecido. O mérito da invenção, nesses lugares, é concedido aos dois irmãos norteamericanos Orville e Wilbur Wright. A França é uma exceção, pois nesse país o crédito pela invenção é dado a Clément Ader. Como se vê, há muito que se discutir a respeito desse assunto.

Dumont teve morte trágica. Em 1932, ocorreu a revolução constitucionalista, quando que o Estado de São Paulo se revoltou contra o governo de Getúlio Vargas. Durante o conflito, aviões bombardearam e metralharam o Campo de Marte, em São Paulo. A visão de aviões em combate causou uma angústia profunda em Santos Dumont que, nesse dia, aproveitando-se da ausência de um sobrinho, suicidou-se, aos 59 anos de idade.

Um parque temático

Como o próprio nome sugere, o Santos Dumont é um parque temático, ou seja, que foi criado em torno de um tema central, no caso, a aviação brasileira.

Além de possuir uma exuberante e extensa área verde, pista pavimentada com equipamentos para ginástica, quiosques com churrasqueiras, pista de skate, playground, um pitoresco jardim japonês, belas aves e um lago com criação de peixes, o parque exibe também um protótipo do avião Bandeirante, doado pela EMBRAER, sondas fabricadas pelo INPE, maquetes de foguetes da série Sonda, assim como uma réplica do avião 14 Bis, construído por Santos Dumont, em 1906.

Está em construção uma réplica da Casa Encantada, projetada por Santos Dumont para sua residência, em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Existem também duas escolas de educação infantil, tudo dentro de uma magnífica área de mais de 46.000 m2.

O Parque Santos Dumont fica no centro de São José dos Campos, na Rua Prudente Meireles de Moraes, 100 – Vila Adyana – e está aberto de 2ª a Domingo das 7h às 22h. O telefone é (12) 3921.7066. Vá, leve a família, os amigos e muitas crianças. Elas, com certeza, vão adorar.

Parque Vicentina Aranha Seu Passado e Seu Presente

Quem foi Dona Vicentina Aranha

Imagem de Dona Vicentina Aranha estampada numa placa de bronze.

Dona Vicentina de Queirós Aranha foi uma grande dama da sociedade paulista que viveu no século passado. Casada com o senador Olavo Egydio, lutou pela obtenção de um local para a construção de um sanatório para o tratamento de portadores de tuberculose pulmonar, doença que, na época (1924), se alastrava por todo o Brasil. Vicentina Aranha organizou uma campanha que mobilizou toda a sociedade de São Paulo. Como resultado, o governo selecionou uma vasta área e deu continuidade à campanha. Finalmente, depois de construído, com projeto do arquiteto Ramos de Azevedo e obras executadas sob a supervisão do engenheiro Augusto de Toledo, foi inaugurado, em 27 de abril de 1924, o Sanatório São José dos Campos, que posteriormente recebeu o nome de Sanatório Vicentina Aranha, o primeiro da cidade e um dos primeiros do País. Infelizmente, porém, Dona Vicentina não viveu para testemunhar a concretização do seu sonho. Uma curiosidade é que ela era avó materna do engenheiro, empresário e político Olavo Egydio de Souza Aranha Setúbal (1923 – 2008), que foi prefeito da cidade de São Paulo (1975 – 1979), ministro das relações exteriores (1985 – 1986), durante o governo do presidente José Sarney, e responsável pelo crescimento e expansão do Banco Itaú, do qual era um dos maiores acionistas e presidente do conselho.

O parque

Em 1945, com a modernização dos métodos de tratamento da tuberculose, as instalações hospitalares foram gradualmente desmobilizadas. Mesmo assim, até o final do século passado, diversos doentes ainda foram tratados ali. No dia 27 de julho de 2007, aniversário de 240 anos de São José dos Campos, foi inaugurado, no mesmo local e com a adaptação das instalações, o Parque Vicentina Aranha. Tombado como patrimônio histórico e cultural do Estado em 2001, o complexo é formado por uma área construída de mais de 11.000 m². Faz parte do complexo um bosque com mais de 43.000 m², com espécies vegetais raras e centenárias como: mogno, peroba rosa, jequitibá e jacarandá da Bahia, entre outros. Pouca gente sabe que a área original, pertencente ao sanatório, descia até as laterais das Avenidas São João e Nove de Julho, até atingir as margens do Ribeirão Vidoca, onde hoje estão localizados os bairros Jardim Apollo e Vila Ema.

Atrações

Paralelamente aos espaços para a prática de exercícios físicos, procurados diariamente por mais de mil pessoas, o parque tem uma dinâmica permanente envolvendo, sobretudo, eventos culturais. Mostras de arte e artesanato, shows de música popular, concertos de música erudita, palestras e outras manifestações estão sempre presentes no calendário de atrações do local. Uma das mais recentes é o Projeto Leitura no Bosque, uma iniciativa da Fundação Cultural Cassiano Ricardo. O projeto visa estimular o hábito da leitura – quase perdido, devido à TV e à Internet e oferece um espaço especial para crianças e adultos, além de um acervo de mais de 800 livros sobre assuntos variados. Outra atividade, dentro do mesmo modelo, é a Barganha Literária, onde é possível realizar a troca de livros, onde qualquer pessoa pode trocar os livros já lidos por outros. O projeto se desenvolve aos sábados, domingos e feriados, das 10 às 17 horas, com entrada franca.

Restauração

Muito embora seja possível utilizar a parte externa do parque, os prédios estão em fase de restauração. A associação que gerencia o projeto já arrecadou mais de 200 mil reais para essa finalidade, dinheiro doado pelos moradores e empresas de São José dos Campos, estimulados por incentivos fiscais. Embora já seja o suficiente para o início das obras, ainda é muito pouco, perto dos 40 milhões que serão necessários para a restauração total das instalações, tudo direcionado essencialmente à cultura, não apenas à cultura popular, mas a todas as vertentes culturais, artes plásticas, cinema e teatro – conforme explicou a coordenadora do projeto, a professora Ângela Tornelli.

A História de São José dos Campos – Capítulo IV

Os 3 marcos

Três eventos marcaram o início do processo de industrialização de São José:

  • Instalação do ITA – Instituto Tecnológico da Aeronáutica e do CTA – Centro Técnico Aeroespacial (1950).


Instalações administrativas do ITA

  • Inauguração da Rodovia Presidente Dutra (1951).

Trecho da Rodovia Presidente Dutra

  • Instalação do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (1971).


Entrada principal do INPE

Foi na mesma época que aconteceram várias doações de terrenos às margens da Rodovia Presidente Dutra, nos quais foram construídas diversas fábricas, dando início o processo de industrialização do município. A duplicação da Dutra deu novo impulso ao processo.

 

A EMBRAER

Vista geral das instalações da EMBRAER

A EMBRAER – Empresa Brasileira de Aeronáutica – é um conglomerado brasileiro, fabricante de aviões comerciais, executivos, agrícolas e militares. É a terceira maior produtora mundial de jatos civis  e uma das maiores companhias exportadoras nacionais. A empresa possui diversas unidades no Brasil e no exterior, inclusive duas joint-ventures (1), uma na China, a Harbin Embraer, e outra em Portugal, a OGMA. Para teste de aviões, a EMBRAER possui uma pista de pouso e decolagem na cidade de Gavião Peixoto, cuja extensão de 4.967 metros é considerada a quarta pista asfaltada mais longa do mundo. A criação da EMBRAER, originada em um setor de desenvolvimento de aeronaves do CTA, posicionou São José dos Campos numa nova era de desenvolvimento tecnológico, gerando muitos empregos e mão-de-obra especializada. É atualmente a maior empregadora da cidade. Fundamental para o desenvolvimento da empresa foi a mão-de-obra  especializada formada pelo ITA.

(1) Joint venture ou empreendimento conjunto é uma associação de empresas, que pode ser definitiva ou não, com fins lucrativos, para explorar determinado(s) negócio(s), sem que nenhuma delas perca sua personalidade jurídica. Difere da sociedade comercial (partnership) porque se relaciona a um único projeto cuja associação é dissolvida automaticamente após o seu término. Um modelo típico de joint venture seria a transação entre o proprietário de um terreno de excelente localização e uma empresa de construção civil, interessada em levantar um prédio sobre o local. (Wikipédia)

Refinaria

Em 1980, a inauguração da Refinaria Henrique Lage (REVAP) trouxe mais empregos e tecnologia à cidade. Sua construção foi iniciada em 19 de fevereiro de 1974 e foi planejada para viabilizar as metas do II Plano Nacional de Desenvolvimento. Foi a quarta e última refinaria a entrar em funcionamento no Estado de São Paulo e a última a ser construída no País. A unidade homenageia o engenheiro naval Henrique Lage.

Vista geral da Refinaria Henrique Lage

Também em 1980, a cidade recuperou sua autonomia administrativa, voltando a eleger seus prefeitos. Em 1994 foi inaugurado um novo acesso da cidade de São Paulo à região de São José, a Rodovia Carvalho Pinto. A conjunção desses fatores permitiu que o município se elevasse ao patamar científico-tecnológico em que se encontra atualmente.

 

Hino do Bicentenário de São José

Estribilho (1)

Lá lá lá lá lá lá…
Ei-la envolta na neblina
Debruçada na colina,
Sob o olhar da Mantiqueira
São José, a Hospitaleira
São José, a Bicentenária
Das mãos de Anchieta nascida,
Desta terra legendária
Que alegre vivas unida
No teu trabalho febril
Que o orgulho sejas do Vale
A cidade que mais cresce
Pois o título desvanece (2)
Todo São Paulo e o Brasil.
Estribilho
De operário a estudante,
Teu sangue novo estuante (3)
Flui da escola à oficina
E da tua fé ilumina,
Unes o livro ao esmeril, (4)
Terra do obreiro e do bardo (5)
Que tens Cassiano Ricardo
O Poeta do Brasil!

(1) Estribilho: verso(s) que se repete(m) ao final de cada estrofe ou em intervalos regulares de uma composição (de música ou poesia); O mesmo que “refrão” ou “bordão”.
(2) Desvanece: enche-se de orgulho
(3) Estuante: ardente, fervente.
(4) Esmeril: instrumento de trabalho, feito com uma pedra ferruginosa e dura, coberta com mistura abrasiva, que serve para amolar lâminas, facas, ferramentas e utensílios, movida à manivela ou a motor.
(5) Bardo: poeta heróico e lírico.

 

Os símbolos da cidade

Bandeira

 

A Bandeira de São José dos Campos foi instituída pela Lei 655 de 02 de fevereiro de 1960. Desenho do estudante da Escola João Cursino, João Vitor Guzzo Strauss, vencedor do concurso promovido pela municipalidade.

Cores

Blau de prata; treze listras; figura de uma roda dentada em ouro simbolizando a riqueza sempre ascendente do Município; faixa em prata; sinuosa; representando o Rio Paraíba do Sul; três estrêlas simbolizando os três distritos: São José dos Campos, Eugênio de Melo e São Francisco Xavier; os treze dentes da engrenagem falam do entrosamento entre o Estado e o Município.

Brasão

O Brasão de Armas de São José dos Campos, de autoria de Afonso de Taunay e José Wasth Rodrigues, foi adotado pela lei municipal nº 180, de setembro de 1926. Seu desenho foi restaurado pela lei nº 19, de 26 de agosto de 1948, ratificado pela lei nº 2178/79 e alterado pela lei nº 5.248/98.

Descrição

A) Escudo português, cortado e partido o campo do chefe em dois quartéis e encimado pela coroa mural;

B) Primeiro quartel: em campo de ouro, quatro cabeças de sua cor, de índios guaianases, afrontados e acantonados ladeando o brasão do venerável José de Anchieta, como símbolos da fundação do povoado de São José no século XVI;

C) Segundo quartel: em campo de sinople (verde) um lírio e uma haste cruzados de prata, e uma faixa ondeante, também de prata, simbolizando o Rio Paraíba do Sul, constituindo as “armas do município”;

D) No campo inferior, metade do escudo, de goles (vermelho), uma panóplia bandeirante, arcabuz, espada, machado e bandeira, tudo de sua cor, recordando a entrada dos desbravadores em terras de São José no século XVI;

E) Suportes: dois tenentes do terço miliciano criado para o norte de São Paulo, pelo Morgado de Mateus, então governador da província, e dois ramos de café frutificados, tudo ao natural, como ornamento exterior, sobre os quais se assenta o escudo;

F) Coroa mural: em couro, com cinco torreões, visíveis, tendo a porta principal, aclarada, o brasão do Morgado de Mateus;

G) Listão: em prata, e letras de goles (vermelho) a divisa em Latim “Aura Terraque Generosa” (Generosos São Meus Ares E Minha Terra).

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A História de São José dos Campos – Capítulo III

A História de São José dos Campos – Capítulo III

Começa a modernidade

Em 1922, na mensagem que enviou ao Congresso do Estado de São Paulo, o presidente Washington Luís destacou como melhorou os transportes no Vale do Paraíba obedecendo à sua célebre prioridade “Governar é Construir Estradas”. Aliás, as primeiras obras rodoviárias do seu governo foram realizadas precisamente no Vale do Paraíba. Dizia a mensagem:

“Já começou também a estabelecer ligações terrestres do litoral norte com o Vale do Paraíba. Já fez o caminho, por cavaleiros, tropas e pedestres entre Ubatuba e São Luís do Paraitinga, de onde se vai a Taubaté, por automóveis em duas horas, sendo que na subida da serra, em 9 quilômetros, encontrou-o todo revestido de lageões, serviço de há mais de 50 anos cuja restauração foi fácil. Fez também a ligação de caminho idêntico entre São Sebastião e Caraguatatuba e vai atacar, nas mesmas condições, o que desta cidade vai a Paraibuna, cidade que já se comunica por automóveis em duas horas com São José dos Campos e Jacareí.”

Nos anos 20 são inauguradas as primeiras indústrias: Laticínios Vigor, a Fábrica de Louças Santo Eugênio, a Cerâmica Paulo Becker, a Tecelagem Parahyba e a Cerâmica Weiss.

Washington Luís Pereira de Sousa, décimo primeiro presidente do Estado de São Paulo (1920 a 1924), décimo terceiro presidente do Brasil (1926 a 1930) e último presidente da República Velha.

Primeiras instalações da Laticínios Vigor

A fábrica de louças Santo Eugênio, após a inauguração

Primeiras instalações da Cerâmica Paulo Becker

Operários da Tecelagem Parahyba reunidos em frente à fábrica, em 1923

Primeiras instalações da Cerâmica Weiis, no bairro de Santana

Guilherme Weiss, fundador da Cerâmica Weiss

A fase sanatorial

No início do século XX, as condições climáticas da região motivaram a procura de São José dos Campos para o tratamento da tuberculose. Mas foi somente em 1935 – ano em que o município foi estabelecido como Estância Climática e, logo após, em Estância Hidromineral, que a cidade começou a receber verbas oficiais para serem empregadas na área de saúde. Os sanatórios foram assim, esforço coletivo de todas as comunhões religiosas, de particulares e estadistas idealistas.

Os principais sanatórios foram:

  • Vicentina Aranha: pertencente à Santa Casa de São Paulo, inaugurado em 1924, pelo presidente de São Paulo. Washington Luís.
  • Vila Samaritana: pertencente à comunidade evangélica.
  • Ezra: pertencente à comunidade judaica.
  • Maria Imaculada e o Antoninho da Rocha Marmo, pertencentes à Igreja Católica.
  • Ruy Dória: criado e pertencente ao médico Dr. Ruy Rodrigues Dória.
  • Adhemar de Barros: criado pelo governador Adhemar Pereira de Barros, dirigido e mantido pela “Liga de Assistência Social”.
  • São José: do doutor Jorge Zarur.

Sanatório Maria Imaculada

Inúmeros pacientes que não conseguiam vagas nos sanatórios, hospedavam-se em pensões da Rua Vilaça, perto do sanatório. Ruy Dória. Além do Dr. Ruy Dória, destacaram-se como médicos sanitaristas: os Drs. Jorge Zarur, Orlando Campos, João Batista de Souza Soares, Ivan de Souza Lopes, Décio Lemes Campos, Amaury Louzada Velozo e Nelson Silveira D´Ávila.

Foto da época, mostrando freiras trabalhando no Sanatório Antoninho da Rocha Marmo

 

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A História de São José dos Campos – Capítulo II

A História de São José dos Campos – Capítulo II

No final do século XVIII, José Arouche de Toledo Rondon, no livro Memória das Aldeias de São Paulo, narra a extrema pobreza da Vila de São José. O grande problema era o fato da Estrada Real, que ligava São Paulo ao Rio de Janeiro, passar fora do povoado. A produção de algodão teve uma rápida evolução, quando São José obteve destaque, tendo a safra atingido o seu nível máximo em 1864.

No dia 22 de abril de 1864, através da Lei Provincial nº 27, a Vila de São José foi elevada à categoria de cidade e a Lei Provincial nº 47, de 4 de abril de 1871, mudou-lhe a denominação para São José dos Campos. Pela Lei Provincial n° 46, de 6 de abril de 1872, foi criada a Comarca de São José dos Campos.

A partir de 1871, São José atravessou duas épocas diferentes:
1 – Desenvolvimento agrícola – com predomínio da cafeicultura.
2 – Criação da estância climática – resultado do seu excelente clima.

Escravos transportando sacas de café em fazenda do século XIX (gravura da época).

 

Ao mesmo tempo, aconteceu o desenvolvimento da cultura cafeeira no Vale do Paraíba, que começou a ter expressão a partir de 1870, com a participação produtiva de São José. Mas foi em 1886, quando já possuía uma estrada de ferro, ligando São Paulo ao Rio de Janeiro, que a produção cafeeira joseense atingiu o seu desenvolvimento máximo, mesmo num momento em que já acontecia a decadência dessa cultura naquela região. A estação ferroviária ficava no cruzamento da Rua Euclides Miragaia com a Avenida João Guilhermino, tendo sido transferida, em 1920, para o seu lugar atual.

Trecho da primeira estrada de ferro em 1887 (foto da época).

 

Na manhã do dia 15 de dezembro de 1909, a cidade em peso foi receber, na antiga estação ferroviária, o candidato à presidência da república Ruy Barbosa, na campanha civilista. O livro “Excursão Eleitoral pelo Estado de São Paulo”, conta que o candidato foi saudado pelo Dr. Francisco Rafael e Araujo e Silva e que a banda “Euterpe Santanense” executou o Hino Nacional. Diz o texto da época:

“Às 5:30 silvou na subida do Lavapés (próximo ao atual Paço Municipal) a máquina comboiando o trem especial que conduzia a São Paulo o Conselheiro Ruy Barbosa. Um frêmito de contentamento e agradável emoção agitou a multidão que prorrompeu em vibrantes e entusiásticos vivas ao eminente brasileiro. Sua Excelência foi coberto de flores por um grande número de meninas trajadas de branco, postadas em alas na plataforma. Durante os cinco minutos de demora do especial na estação desta cidade, a aclamação ao candidato civilista não se interrompeu por um instante sequer, até que o trem partiu, conduzindo o ilustre itinerante, saudado por vivas patrióticos levantados à sua personalidade emérita por milhares de vozes que se agitavam num burburinho indescritível de satisfação e contentamento, vitoriando sempre e mais o preclaro compatrício.”

Ruy Barbosa, candidato civilista à presidência da república em 1909 (foto da época).

 

A primeira ponte sobre o rio Paraíba foi inaugurada em 1910. Era uma estrutura metálica de 80 metros d comprimento, que ligava o centro da cidade e o bairro de Santana à zona Norte e a Minas Gerais. A ponte foi grandemente elogiada com o uma obra “moderna”, durante o I Congresso Paulista de Estradas de Rodagem, realizado em 1917.

Primeira ponte sobre o rio Paraíba (foto de 1912)

 

A inauguração da primeira rodovia, em 1924, deu grande impulso ao desenvolvimento da região. Era a Estrada Rio–São Paulo, construída pelo presidente da província de São Paulo, Dr. Washington Luís. A rodovia ainda existe e tem várias denominações: SP-62, SP-64, SP-66, SP-68 sendo também conhecida como Estrada Velha.

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A História de São José dos Campos – Capítulo I

A História de São José dos Campos – Capítulo I

Era uma vez um rei muito poderoso que morava num castelo de um reino distante. É assim que começam as histórias de fadas e é exatamente assim que começa a nossa narração da história de São José dos Campos. No nosso caso, o rei é Dom Felipe II e o reino distante, Portugal. No dia 10 de setembro de 1611, cento e onze anos depois do descobrimento do Brasil, Felipe assinou a lei que reconhecia a liberdade dos índios, embora admitindo a sua prisão, caso eles promovessem guerras ou praticassem o canibalismo. Uma vez livres, uma grande quantidade de índios, habitantes do Planalto de Piratininga foi para o sertão, no interior da Capitania de São Vicente.

Felipe II de Portugal (e Felipe III da Espanha)

 

Aldeias de São José

Naquele tempo, os padres jesuítas eram proprietários e administravam 11 aldeias em torno da Vila de São Paulo do Piratininga. Entre elas, situada no vale do rio Paraíba do Sul, a leste da Vila de São Paulo, ficava o Aldeamento de São José (no Rio Comprido, a poucos quilômetros do atual centro da cidade de São José dos Campos). Através de acordos feitos com os índios guaianases, os jesuítas conseguiram desenvolver um pouco o aldeamento, mas este apresentava muitas desvantagens devido à sua localização pouco conveniente. Procurando outro local onde pudessem estabelecer o povoado com maiores possibilidades para o comércio e os transportes, em 1643 os padres transferiram-no para o lugar onde, atualmente, é a Praça João Guimarães, no centro da cidade.

 

Gravura de 1624 mostrando a Capitania de São Vicente

 

A partir de 1653, a Aldeia de São José passou a pertencer à Vila de Jacareí, criada naquele ano e desmembrada da Vila de Mogi das Cruzes. A aldeia estava então situada nas fronteiras da Capitania de São Vicente com a Capitania de Itanhaém – que integrava o resto do Vale do Paraíba e ia até Angra dos Reis. O padre jesuíta Manuel de Leão foi o criador e administrador do planejamento urbano da Aldeia de São José.

 

Esvaziamento e progresso

A partir do ano de 1692, todo o Vale do Paraíba sofreu um processo de esvaziamento da população, devido à descoberta de minas de ouro na região das Minas Gerais dos Goitacases. Dezoito anos depois, em 1710, as Capitanias de São Vicente e de Itanhaém passaram a integrar a nova Capitania de São Paulo e Minas do Ouro. Em 1759, os jesuítas foram expulsos do reino de Portugal e das suas colônias pelo Marquês de Pombal. Com isso, alguns brancos agregaram-se aos índios sob a direção de José de Araújo Coimbra, Capitão-Mor da Vila de Jacareí e deram impulso à povoação. A Aldeia de São José progrediu cada dia mais e logo passou a se chamar Vila Nova de São José, em 1767, quando passou à condição de vila.

Índios guaianases do século XVII (gravura da época)

 

O governador-geral da Capitania de São Paulo, D. Luís António de Sousa Botelho Mourão, criou várias vilas para impulsionar a Capitania. Há muitos anos não se criavam vilas ao sul do Rio de Janeiro. Foi assim que, em 27 de Julho de 1767, foi criada a nova vila com o nome de “Vila Nova de São José”, depois Vila de São José do Sul, e, mais tarde, Vila de São José do Paraíba. No mesmo dia, foram eleitos os três primeiros vereadores da nova vila, que eram índios.

O tropeirismo foi uma das ocupações que movimentaram inicialmente a economia da região do Vale do Paraíba.

 

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Animais silvestre serão protegidos

A Prefeitura de São José dos Campos está implentando o SOS Fauna, que será coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente. O novo programa visa o resgate de animais silvestres em todo o território do município, atendendo casos de acidentes e denúncias de tráfico e maus tratos.

O serviço de resgate funciona em parceria com a Organização Não-Governamental IEPA – Instituto Ecológico e de Proteção aos Animais, vencedora da licitação com a Prefeitura. A ONG, fundada em 1994, é atuante na defesa dos animais e desde 1998 realiza o salvamento e a reabilitação de animais silvestres, trabalhando em parceria com o IBAMA e Polícia Militar Ambiental.

O atendimento contempla aves, mamíferos, anfíbios e répteis, compreendendo o resgate, o tratamento (incluindo exames e cirurgias), a reabilitação e a soltura dos animais em habitat natural, com o acompanhamento técnico especializado de biólogos e veterinários.

A iniciativa do poder público municipal, inédita na região, tem como objetivo a preservação da biodiversidade da fauna presente nas reservas de florestas e áreas de preservação, onde se encontram animais como pássaros, cachorros do mato, saguis, gambás, quatis, tatus, serpentes, lagartos, tartarugas, sapos, salamandras, etc.

Algumas dessas espécies são encontradas cada vez mais perto de áreas urbanas, resultado do crescimento da cidade e da expansão imobiliária próxima de bosques e florestas. Buscando abrigo e alimento, os animais se aproximam das residências e se tornam vítimas de acidentes nas vias públicas ou são pegos em cativeiros.

A partir dos relatórios, gerados nesse trabalho, a Prefeitura pretende criar uma série histórica que possibilite elaborar um diagnóstico populacional. Além disso, com esse relatório será possível identificar as áreas com maior ocorrência, o perfil de cuidados necessários e a evolução no tratamento dos animais, a fim de fundamentar estudo de viabilidade de implantação de uma estrutura municipal para este atendimento, dentro de um plano de conservação da biodiversidade de longo prazo.

A divulgação do programa começou com a distribuição de material informativo para o público na Semana de Meio Ambiente, realizada no Parque da Cidade. A próxima ação será uma campanha de conscientização junto aos moradores de condomínios próximos a áreas florestadas, especialmente na região da Urbanova, cuja incidência é maior. O objetivo é prevenir o atropelamento de animais, e orientar as pessoas a acionarem o serviço de resgate ao encontrar animais em situação de risco.

O telefone para contato com o serviço SOS Fauna para atendimento a emergências é o (12) 9713-5794, da ONG IEPA, que funciona em tempo integral, incluindo finais de semana e feriados. O serviço também pode ser acionado pelo atendimento 156 da Prefeitura ou pelo telefone (12) 3909-4500, da Secretaria de Meio Ambiente.

O Vale

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Papel reciclavel em orgãos públicos

A substituição do papel convencional por reciclado, nos órgãos públicos municipais de São José dos Campos, é projeto de lei da vereadora Renata Paiva (DEM) que tramita pela Câmara Municipal. Segundo a parlamentar, a medida visa reduzir custos e conscientizar a população sobre a importância da reciclagem de materiais para o meio ambiente. “O exemplo deve partir do poder público, servindo de estímulo para que as pessoas realizem ações que preservem o meio ambiente em casa e no ambiente de trabalho”, afirma.

Outras cidades do Estado, como Ferraz de Vasconcelos e Itu, já têm leis determina a substituição de papel convencional por reciclado na elaboração de documentos oficiais dos órgãos públicos. “Trazer a medida para São José diminuirá os impactos ambientais e incentivará outros municípios a criarem leis semelhantes”, relata.

De acordo com o artigo 225 da Constituição Brasileira, é direito de todos ter o meio ambiente ecologicamente equilibrado, tendo o Poder Público obrigação de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. “O papel pode ser reciclado de 7 a 10 vezes”, explica a vereadora.

Segundo o artigo 13 da Lei de Política Nacional do Meio Ambiente, o Poder Público deve incentivar as atividades voltadas ao meio ambiente, visando o desenvolvimento de pesquisas e processos tecnológicos destinados a reduzir a degradação da qualidade ambiental e outras iniciativas que propiciem a racionalização do uso de recursos ambientais.

Distribuição de cartilhas

A Prefeitura de São José dos Campos continua disponibilizando para a população a cartilha de segurança “Saia da Mira”. Já foram confeccionadas 165 mil unidades, sendo que 125 mil já foram distribuídas.

A cartilha foi lançada em setembro do ano passado, pela Secretaria Especial de Defesa do Cidadão. A distribuição é feita pela Prefeitura em parques, centros comunitários, eventos, escolas, entre outros. Além disso, a cartilha também chega até a população por meio da Polícia Militar, Polícia Civil, Câmara dos Vereadores, associações de bairros e entidades de classe em geral.

A finalidade da cartilha é fornecer orientações para a população sobre como prevenir e agir em casos de violência, tendo como principal meta a preservação da vida. As dicas abrangem qual a melhor forma de prevenção em casa, em condomínio, no transporte público, no trânsito, na rua e no banco. Além disso, a cartilha enfatiza o cuidado que se deve ter com as crianças e também faz esclarecimentos a respeito de desaparecimento de pessoas e sobre golpes.

O material está disponível para download no site da Prefeitura (www.sjc.sp.gov.br/downloads/arti116.pdf). A cartilha impressa pode ser solicitada pelo telefone (12) 3901-2424.

Prefeitura Municipal de São José dos Campos.