Futuro novo Reitor da Univap terá que apresentar projeto

O futuro reitor da Univap (Universidade do Vale do Paraíba) terá dois principais desafios: estancar a queda do número de alunos e reverter a situação econômico-financeira da instituição, que hoje opera no vermelho. A avaliação é da própria FVE (Fundação Valeparaibana de Ensino), mantenedora da Univap, que vai organizar ainda neste mês o processo interno de eleição para definir o novo reitor, que terá salário de até R$ 25 mil.

O cargo é disputado pelos docentes Jair Candido de Melo, 71 anos, Luiz Carlos Andrade de Aquino, 48 anos, e Sandra Maria Fonseca da Costa, 50 anos. Os três ocupam hoje cargo de diretores.

Em comum, eles também têm os desafios de atender aos anseios dos alunos, que sofreram com a gestão distante do professor Baptista Gargione Filho, que ficou à frente da universidade por 19 anos. A principal demanda dos alunos é pela melhor qualidade dos cursos que hoje são oferecidos em uma carga horária mínima de três horas de aula por dia.

“Todos os candidatos conhecem profundamente a Univap, pois aqui atuam há muito tempo desempenhando funções relevantes, o que entendo ser um requisito importante para uma boa gestão”, afirmou o presidente da FVE, Samuel Roberto Ximenes Costa a O VALE.

“Contudo, volto a repetir, estarão assumindo um desafio muito grande e portanto sujeitos a enormes pressões para as quais terão que demonstrar equilíbrio e convicção, por um lado, e decisão e ação, por outro”, disse. Os três candidatos prometem mudanças na instituição, que hoje atende cerca de 6.000 alunos, mas têm opiniões divergentes do que deve ser alterado.

Melo e Sandra, por exemplo, defendem a revisão dos currículos dos cursos de graduação. Aquino, por outro lado, acredita que os cursos têm boa qualidade. Segundo ele, a Univap está acima da média nas avaliações do Ministério da Educação.

Como atitude imediata no cargo de reitor, Melo defende uma ação consistente para reverter a condição operacional da Univap. “Atualmente a Univap opera abaixo do equilíbrio econômico-financeiro, exigindo suplementação extraída de reserva financeira FVE”, disse.

Já o reitorável Aquino, pretende criar um Fórum formado por professores, funcionários e estudantes. A candidata Sandra quer melhorar a infraestrutura da universidade. As diferenças de opiniões entre os candidatos não devem prejudicar a melhoria da universidade, de acordo com a promotora Ana Cristina Chami, da Curadoria de Fundações do Ministério Público.

Ela coordenou o processo de mudança de estatuto da instituição, que culminou com a saída de Gargione da reitoria. “Estou plenamente confiante que eles estarão assumindo as rédeas de um futuro da universidade mais antenado com os desejos sociais”, disse.

Segundo a promotora Ana Cristina, todos pretendem gerir a universidade com objetivo de descentralizar o poder das decisões e com o compromisso de fortalecer colegiados e manter uma maior comunicação com a comunidade.

Para ampliar a discussão sobre a escolha do novo reitor, O VALE convidou os candidatos a responder perguntas de interesse da comunidade, como a qualidade dos cursos e o valor das mensalidades. Leia ao lado os principais trechos das entrevistas dos reitoráveis da Univap.

O Vale

Apartir de março, cidade ganhará novo Parque Tecnologico

A Universidade Federal de Itajubá (Unifei) inicia no mês que vem suas atividades no Parque Tecnológico de São José dos Campos com a ambiciosa meta de implantar um campus avançado no município. Inicialmente, a universidade irá oferecer um curso de especialização em manutenção aeronáutica, que se estende até outubro de 2013.

As aulas serão aos sábados e a grade é composta por 12 disciplinas, perfazendo um total de 510 horas-aula, acrescidos de um mês para elaboração e defesa de um trabalho final. O curso é aberto a profissionais de nível superior formados em qualquer área de engenharia ou tecnologia e que possuam interesse em atuar, ou que já atuem, na área de engenharia de manutenção de aeronaves.

Serão disponibilizadas no mínimo 25 e no máximo 40 vagas. O curso é pago, mas os valores não foram divulgados pela instituição.

Mais informações podem ser obtidas no site da Unifei (www.unifei.edu.br).

As tratativas para a chegada da Unifei a São José começaram há mais de um ano. “A ampliação da oferta de cursos de nível superior e técnico de instituições públicas integra a meta de criar um polo de ensino e pesquisa de excelência no Parque Tecnológico”, afirmou o diretor do parque, José Raimundo Coelho.

O reitor da Unifei, Renato de Aquino Faria Nunes, afirmou que a decisão de implantar uma unidade no Parque Tecnológico de São José integra o plano da instituição de se aproximar da região. “O Parque Tecnológico é um projeto formidável e não deixa de ser uma ameaça ao parque tecnológico que criamos em Itajubá”, declarou.

Segundo ele, a intenção da Unifei era criar um campus avançado em São José, a exemplo do que possui na cidade mineira de Itabira. No entanto, como o Ministério da Educação editou normas que proíbe instituições federais de se expandir fora do Estado de origem, o projeto da Unifei teve que ser, temporariamente, revisto.

Enquanto essa norma for mantida, a universidade irá desenvolver projetos paralelos na região. “Vamos instalar um escritório de representação no parque e temos planos para crescer”, afirmou o reitor. Ele citou, como exemplo, tratativas para o oferecimento de um curso de graduação à distância na área de controle e automação.

Também no plano da Unifei está o estabelecimento de parcerias com empresas da região do segmento de TI (Tecnologia da Informação) e inovação tecnológica para o desenvolvimento de pesquisas e preparação de mãode obra. “Percebemos que São José precisa de densidade de pessoal na área de ciência e tecnologia, e a nossa proposta é atuar nesse campo”, disse o reitor da instituição.

Nos planos da universidade também está a formatação de projetos voltados para empreendedorismo, em parceria com a Fatec (Faculdade de Tecnologia), que já possui uma unidade no parque. A Unifei é a terceira instituição pública de ensino superior a se instalar no Parque Tecnológico de São José. O complexo já abriga uma unidade da Fatec (Faculdade de Tecnologia) e sediará o futuro campus da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Instalada em março de 2006, a Fatec funciona em prédio próprio no Parque. É resultado de uma parceria entre a Prefeitura de São José e o governo do Estado. A Fatec oferece os cursos gratuitos de graduação em análise de sistemas, automação aeronáutica, banco de dados, estruturas leves, logística, manufatura aeronáutica e manutenção de aeronaves.

A Unifesp vai investir R$ 62,5 milhões na construção de um novo campus no Parque Tecnológico. A previsão é que a unidade seja inaugurada até junho de 2013. O campus terá dois prédios, somando 20 mil metros quadrados de área. A Unifesp funciona em São José desde 2007 na avenida Jorge Zarur, onde hoje oferece três cursos: ciência da computação, matemática computacional e ciência e tecnologia.

O Vale

Escolha de novo reitor da Universidade começa hoje

Os seis candidatos ao cargo de reitor da Univap (Universidade do Vale do Paraíba) serão sabatinados hoje, às 15h, por professores e estudantes no auditório da Biblioteca Central, no campus do Urbanova, região oeste de São José.

Eles apresentarão seus planos de trabalho e propostas para assumir a universidade, que entra numa fase de disputa democrática após o final da era Baptista Gargione Filho. O ex-reitor, que se perpetuou à frente da Univap por mais de 20 anos, perdeu o posto e foi desligado do quadro de funcionários da universidade em novembro do ano passado.

Em comum, os candidatos mostram propostas para melhorar o relacionamento com os estudantes e a comunidade externa, a fim de atrair novos alunos, além de ampliar a estrutura de ensino e pesquisa. Eles também defendem uma gestão compartilhada e descentralizada da Univap, contando com a opinião dos conselhos e dos coordenadores de cursos.

Os seis candidatos Sérgio Reginaldo Bacha, Jair Cândido de Melo, Luiz Carlos Andrade de Aquino, Sandra Maria Fonseca da Costa, Emília Angela Lo Schiavo Arisawa e Airton Abrahão Martin terão 15 minutos cada para explicar suas metas de trabalho.

De acordo com a reitoria, a ordem das apresentações será sorteada. Concluídos os pronunciamentos, será aberta a rodada de perguntas, que deverão ser encaminhadas por escrito, com a indicação do candidato a ser questionado.

“Esperamos que todos tenham boas propostas para a prática de ensino, pesquisa e extensão, as metas principais da Univap. Será um momento histórico e democrático”, disse o atual reitor da Univap, Antonio de Souza Teixeira Júnior, que assumiu após o desligamento de Gargione Filho.

Dos seis candidatos, quatro atuam há mais de 20 anos na FVE (Fundação Valeparaibana de Ensino), mantenedora da Univap. A sabatina precede a votação do colégio eleitoral da Univap, que definirá, na próxima quinta-feira, em processo sigiloso, a posição dos seis candidatos quanto ao número de votos. O colégio é formado por 100 pessoas, entre professores, funcionários e alunos.

O ranking dos votos será enviado para o Cius (Conselho Integração Universidade-Sociedade), que irá escolher três nomes para a lista tríplice, que não precisará contar com os mais votados. Então, a lista será encaminhada ao Conselho Curador, órgão máximo da FVE, que avaliará os candidatos e escolherá, também em votação sigilosa, os próximos reitor e vice.

O conselho é formado por membros da FVE e da Univap e de conselheiros externos, representantes do poder público e da sociedade civil. O processo eleitoral terá que estar concluído até 18 de abril, quando deve tomar posse o novo reitor. A escolha do próximo gestor da Univap foi elogiada por alunos e conselheiros da universidade, que consideraram o processo democrático e transparente.

Presidente da AEA (Associação de Engenheiros e Arquitetos) e membro do Conselho Deliberativo da Univap, Carlos Vilhena, acredita na possibilidade de ver “novos tempos” na universidade com a escolha do próximo reitor. Um dos críticos da perpetuação de Gargione Filho no poder, Vilhena considera o resgate da imagem da Univap a prioridade do próximo reitor.

“É preciso dar unidade e resgatar a imagem da universidade junto à sociedade, que ficou bastante arranhada.”
“Vejo um reinício, um trabalho que deve ser voltado principalmente à questão educacional”, disse o vereador Macedo Bastos (DEM), também conselheiro da Univap. A sabatina terá transmissão ao vivo pela Net Digital Canal Universitário 14.

O Vale

Universidade lança profissões do Futuro na cidade

A Associação Brasileira de Recursos Humanos apontou os campos de engenharia e tecnologia da informação com os de melhor cenário de trabalho para 2012. O crescimento econômico do país e a maior oferta de trabalho teriam puxado a demanda por profissionais mais qualificados nesses setores, afirma a entidade.

Nas universidades, a procura por cursos ligados a esses dois setores aumentou. Na Anhanguera, o crescimento de inscrições nos cursos de engenharia subiu 30% nos últimos dois anos. Entre os cursos, o mais procurado foi o de engenharia civil.

Já na Universidade de Taubaté, 325 alunos de oito cursos de engenharia se formam por ano na instituição.
Aos 21 anos, o estudante do terceiro ano de engenharia mecânica Rodolfo Gutemberg, de Taubaté, traça seu futuro: trabalhar em uma multinacional nos próximos cinco anos.

Estagiando no setor desde o início do ano passado, disse não parar de receber indicações para outras oportunidades de aprendizagem. “Na minha sala, só não tem estágio ou até mesmo trabalho quem não quer. Os professores sempre procuram alguém para indicar”, disse.

Estudo da Anhanguera de São José mostra que o Vale possui cerca de 480 vagas para engenheiro não preenchidas, sendo 220 vagas para estágio. “A tendência é aumentar o número de vagas para os engenheiros diante de todo contexto de crescimento econômico do Brasil”, disse o professor Giuliani Garbi, diretor da Anhanguera de São José.

“O profissional de engenharia sempre ocupou lugar de destaque na região, independente da área de formação”, completa Garbi. O boom imobiliário registrado na região também auxilia a criação de oportunidades de emprego.

O presidente da Aconvap (Associação das Construtoras do Vale do Paraíba), Cléber Córdoba, afirma que o déficit de profissionais no setor atinge desde serventes de pedreiro a engenheiros. “Há mercado para engenheiros civis recém-formados e também para os mais experientes. É um momento de muita oferta”, disse.

Formado em 2004, o engenheiro civil Felipe Petcov, 30 anos, afirma não ter tido dificuldade para encontrar o primeiro emprego. “Desde a faculdade já estagiava na área e fui contratado em seguida. Em São José, há muitas obras, muita oportunidade de emprego”.

O piso salarial de um engenheiro civil está avaliado em R$ 4.335. Apesar do salário maior que o de muitas áreas, Petcov diz que a carreira também traz dificuldades. “É muita coisa para coordenar, dependendo da fase da construção você fica o dia todo na obra. Não é fácil”, afirmou o engenheiro.

O Vale

Prefeitura apresenta projeto de novo campu na cidade

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Prefeitura de São José dos Campos apresentam o projeto de construção do novo campus nas instalações do Parque Tecnológico da cidade e assinam o contrato de execução das obras com a empresa Paulitec, vencedora da licitação. A cerimônia será nesta quarta-feira (28), às 14h, no Parque Tecnológico de São José dos Campos (Rodovia Presidente Dutra, km 137,8), no distrito Eugênio de Melo.

As obras terão início a partir de janeiro de 2012 e o prazo previsto para a construção é de 18 meses. Os investimentos previstos são de R$ 62,5 milhões, que incluem a construção de dois blocos (que somam mais de 20 mil metros quadrados de área construída); terraplenagem, estacionamentos, preparação do terreno de 126 mil metros quadrados para futuras expansões, construção da praça esportiva, vestiários e área de lazer.

De acordo com o diretor do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT), da Unifesp em São José dos Campos, Armando Zeferino Milioni, “essas obras são de suma importância para o processo de expansão da Unifesp na região. Com elas, poderemos ter uma infraestrutura completa, da biblioteca ao restaurante universitário, passando pelas salas de aula e laboratórios acadêmicos, o suficiente para abrigar nossos docentes, servidores e alunos de graduação e pós-graduação até pelo menos 2015, quando uma nova expansão será necessária.”

O Parque Tecnológico de São José dos Campos é um dos mais ativos do Sistema Paulista de Parques Tecnológicos. “A oportunidade de atuação em parceria com empresas, institutos de pesquisa e demais entidades de ensino superior — presentes na estrutura do Parque — é muito vantajosa, pois propicia sinergia profissional, ganhos em escala, uso compartilhado de equipamentos e oportunidades de aplicação em estudos”, explica o diretor.

Em protocolo assinado em 23 de fevereiro deste ano, a Prefeitura de São José dos Campos assumiu o compromisso de doar áreas adicionais para as demais fases da expansão do ICT na mesma região do Parque. De acordo com o plano decenal da Unifesp para o ICT, que abrange o período 2011-2020, ao término da implantação desse plano a instituição contará com 300 servidores, 500 docentes, 5 mil alunos de graduação e 1.500 de pós-graduação.

“A área do Parque Tecnológico que receberá a Unifesp é ampla e fica em uma região de muito verde, que abriga outras instituições de ensino. Desta forma, São José dos Campos brevemente contará com uma verdadeira Cidade Universitária”, finaliza Milioni.

ICT

O Instituto de Ciência e Tecnologia da Unifesp em São José dos Campos foi concebido levando em conta a inegável vocação científica e tecnológica do Vale do Paraíba. Seguindo o cronograma do projeto Unifesp/REUNI, em 2007 e 2009 foram implantados os cursos de Bacharelado em Ciência da Computação e em Matemática Computacional, respectivamente.

Em 2011, o ICT inicia o Bacharelado em Ciência e Tecnologia e as Engenharias de Materiais e Biomédica. Para 2012 e 2013 estão previstas mais três modalidades de Engenharia: a de Energia, de Controle e Automação e de Computação.

Além da criação de novos cursos de graduação em São José dos Campos, o projeto de expansão da Unifesp inclui a criação de programas de pós-graduação, sempre investindo na proposta inicial de diversificar as áreas de abrangência da Instituição, mantendo seu padrão de excelência.

Hoje, o ICT conta com 51 docentes e cerca de 650 alunos de graduação. Em 2011, o instituto ofereceu 300 vagas para novos alunos de graduação. A previsão é a de aumentar 50 vagas a cada ano, até atingir mil vagas/ano nos cursos de graduação.

Prefeitura Municipal