Cidade fechará o ano em saldo negativo pela GM

As indústrias das regiões de São José dos Campos e Taubaté perderam neste ano 3.300 empregos formais, com carteira assinada, segundo levantamento do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) divulgado ontem. A pior situação é a de São José, região com oito municípios, que registrou saldo positivo na geração de emprego pela última vez em setembro do ano passado. Desde então, as indústrias na regional mais demitiram do que contrataram.

Foram 2.400 postos de trabalho perdidos em 2012, retração de -4,49%, e 3.500 vagas fechadas nos últimos 12 meses, variação de -6,43%. Em setembro deste ano, segundo o Ciesp, São José perdeu cerca de 450 postos de trabalho, o que representa uma variação de -0,85% e coloca a regional entre as três piores das 35 do Estado. Só não demitiu mais do que Cubatão (-1,96%) e Santos (-1,14%).

Em São José, o Ciesp detectou retração dos setores de produtos de borracha e material plástico (-2,44%), produtos alimentícios (-2,10%), veículos automotores e autopeças (-1,87%) e outros equipamentos de transporte (-0,30%).

E o resultado da região só não foi pior, na avaliação do Ciesp, devido à variação positiva do setor de equipamentos de informática e produtos eletrônicos (0,41%). O quadro é diferente em Taubaté. Houve abertura de vagas nos setores produtos de borracha (4,70%), informática (3,34%), minerais não metálicos (3,29%) e metalurgia (0,08%). A retração foi registrada no setor de máquinas e equipamentos (-0,71%).

Os diretores do Ciesp de São José e Taubaté têm opiniões opostas quanto aos próximos meses nas indústrias da região. Almir Fernandes, da regional de São José, não espera uma recuperação da indústria antes de 2013. “Creio que podemos fechar o ano com a perda de 3.500 empregos. Isso mostra que as empresas demitiram e não repuseram as vagas”, disse.

Mais otimista, Fábio Duarte, diretor do Ciesp de Taubaté, prevê a recuperação a partir de setembro e que deve se estender até meados do ano que vem. “Vamos conseguir recuperar pelo menos metade dos empregos perdidos nos últimos 12 meses”, afirmou.

O Vale

Publicado em: 17/10/2012

Crise no Ministério realiza debate entre GM e Sindicato

Representantes da General Motors, Sindicato dos Metalúrgicos e do Ministério do Trabalho se reúnem hoje em São Paulo para tratar da ameaça de demissão em massa na fábrica da montadora em São José dos Campos. A reunião está agendada para as 10h, na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, com a presença do Secretário de Relações do Trabalho, Manoel Messias Nascimento Melo.

A GM confirmou presença na reunião e será representada pelo diretor de Relações Institucionais da montadora, Luiz Moan.  O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Antonio Ferreira Barros, o Macapá, afirmou que se a GM demitir os 1.500 trabalhadores da produção da linha conhecida como MVA, a RMVale vai ter uma perda anual de R$ 104 milhões por ano referentes aos salários e benefícios que deixarão de ser pagos aos empregados.

“Além do fechamento de postos de trabalho na fábrica e em toda a cadeia automotiva e de serviços, a região vai perder uma grande injeção de recursos. O comércio será um dos setores mais prejudicados”, afirmou o dirigente sindical.

A confirmação do fim da produção da linha MVA, responsável pela produção dos veículos Corsa, Meriva e Zafira teria sido feita em junho pela GM ao Sindicato dos Metalúrgicos. Segundo Macapá, no encontro que teve com Moan, o executivo teria afirmado que os veículos fabricados no MVA vão deixar de ser produzidos, mas não precisou uma data para que isso ocorra.

Os veículos produzidos no MVA enfrentam dificuldades de mercado as minivans Meriva e Zafira chegaram ao mercado há 10 anos. No encontro de hoje, o sindicato planeja cobrar uma posição do governo federal com relação à ameaça de demissões na unidade.

“Vamos pedir a suspensão de todos os benefícios e incentivos governamentais à GM”, afirmou Macapá. Na avaliação da entidade, a montadora tem responsabilidade social com a região. O presidente do sindicato relatou que a planta de São José teria faturamento anual de R$ 8 bilhões. “Isso representa 35% do faturamento da GM no Brasil”, afirmou o dirigente sindical.

Macapá destacou que a mobilização para evitar a desativação do MVA e as demissões incluem também uma manifestação em Brasília. O ato está agendado para o dia 18 de julho, em frente ao Palácio do Planalto. “Vamos pedir amanhã (hoje), no encontro, uma reunião com a presidente Dilma Rousseff (PT)”, afirmou. Segundo ele, o sindicato está aberto ao diálogo e a sua meta é preservar os postos de trabalho na fábrica.

“Estamos fazendo várias mobilizações nesse sentido. É preciso envolver toda a comunidade na defesa do emprego”, declarou o dirigente. A produção de carros no MVA é de 380 unidades/dia, segundo o sindicato.

O Vale