Aulas na Estação do Trem na cidade

Um grupo de alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Ignêz Sagula Fossá, que funciona em período integral no Limoeiro, terá nesta quinta-feira (6), às 10h, uma aula prática na antiga estação ferroviária do bairro. A iniciativa faz parte do projeto Meu Limão, Meu Limoeiro, que vem sendo desenvolvido na unidade escolar desde o início do ano.

Entre outros objetivos, este trabalho procura despertar o interesse dos estudantes pela história e cultura do bairro, valorizando o local em que vivem e estudam. Dentro do projeto, que termina em julho, as crianças entrevistaram moradores antigos, estudaram a planta da estação de trem e a importância dessa construção para o desenvolvimento do Limoeiro.

Preservação

No dia 23, a Prefeitura de São José dos Campos assinou um termo de cessão provisória de três estações de trem no município: Limoeiro, Eugênio de Melo e Engenheiro Martins Guimarães (na Vila Tesouro).

Elas foram cedidas pela Secretaria de Patrimônio da União (SPU), do Ministério de Planejamento. Essa medida dá autorização para a zeladoria das estações e facilita para o Município a busca por recursos para a reforma e restauro desses prédios. As três estações foram construídas entre o fim do século 19 e o início do 20. Elas serviam para o escoamento da produção agrícola local e o transporte de passageiros. Foram desativadas no início da década de 90.

Cidade tem exposição em Quadrinhos

O Espaço Cultural Flávio Craveiro (Avenida Lênin, 200), no bairro D. Pedro I, recebe a partir desta segunda-feira (15) a exposição “História das Histórias em Quadrinhos”, montada pelo curador e professor da USP, Álvaro de Moya. A mostra pode ser visitada até o dia 30 de maio, de segunda a sábado, das 9h às 17h.

Os visitantes poderão apreciar nove painéis sobre quadrinhos nacionais e internacionais antigos, com destaque para Super Homem, Batman, Tarzan, Mickey, Capitão Marvel, Mandrake, Príncipe Valente – ao contexto histórico em que foram criados.

Com forma de um gibi gigante, a exposição foi produzida pela Organização Social de Cultural ACAM Portinari e pela Unidade de Fomento e Produção Cultural (UNDPC), ambas da Secretaria Estadual de Cultura, e doada para a FCCR em 2010, durante a Virada Cultural.

 

As histórias em quadrinhos começaram a ser publicadas no Brasil no século XIX, adquirindo um estilo de cartuns, charges e caricaturas. Apesar do país ter artistas renomados, como Ziraldo e Maurício de Souza, a influência americana sempre foi muito presente.

 

Álvaro de Moya nasceu em 1930. Já trabalhou como jornalista, produtor, ilustrador e diretor de televisão. Considerado por alguns como maior especialista em História em Quadrinhos do Brasil, Moya organizou a primeira exposição sobre o tema do país. Já viajou para diversos países representando o Brasil em congressos.

Outras informações pelo telefone (12) 3903-2298.

 

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ONDE?

Espaço Cultural Flávio Craveiro – Av. Lênin, 200 – Dom Pedro I – SJCampos – (12) 3966-1136 – 3 ª a 6ª das 8h às 21h e aos sábados das 8h às 18h

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Agenda Cultural de São José dos Campos

Cidade tem exposição de Gibis para moradores

Uma criança chega em um espaço cultural e pouco se interessa pelo o que tem por lá. Até que desenhos coloridos e seus super-heróis favoritos a chamam a atenção, em uma espécie de gibi gigante. Aos adultos, é saudosismo, as lembranças da infância e a curiosidade. Os ídolos são os mesmos e mal se sabia o quão antiga é a história deles.

O espaço cultural é o Flávio Craveiro, no Dom Pedro 1º, em São José dos Campos. E a exposição que chama a atenção é a “História das Histórias em Quadrinhos”, aberta a visitação gratuita até o dia 30 de maio. “A gente tem uma demanda muito grande na região para este tipo de evento”, afirmou o agente cultural do espaço, Paulo César da Silva.

Montada pelo curador e professor da USP (Universidade de São Paulo) Álvaro de Moya, a história contada na exposição começa em 1827, com o M. Vieux-Bois, do professor suíço Rudolph Töpffer, considerado um dos precursores da “literatura em estampas”, passa pela criação de diversos personagens famosos até hoje e chega a 1990.

Aliás, foi na década de 1920 que surgiram nos quadrinhos boa parte de personagens preferidos por crianças e até adultos. Entre eles, estão o Gato Félix (1923), Mickey Mouse (1929), Tarzan (1929), Popeye (1929) e Tintin (1929). Os super-heróis chegaram no final da década de 1930. O Super Homem (1938) foi um grande sucesso desde o início e deixou quase na miséria seus jovens criadores Jerry Siegel e Joe Shuster, que não detinham os direitos autorais. Ele também marcou o início dos gibis, com histórias completas.

Em 1939, foi a vez da criação do Capitão Marvel, de C. C. Beck, e do cavaleiro das trevas Batman, de Bob Kane.
Logo em seguida, em 1941, o Capitão América, de Joe Simon e Jack Kirby, e, em 1942, o famoso Pato Donald, de Carl Barks. O Homem Aranha chegou em 1962, pelas mãos de Stan Lee e Steve Ditko. Com este super-herói, o editor da Marvel consolidou-se como um doa maiores criadores de mitos nos gibis. O Garfield, outro fenômeno popular, foi criado por Jim Davis em 1978. Em, 1959, foi inventado o maior sucesso de público de todos os tempos: a Mônica, de Mauricio de Souza.

A exposição termina na década de 1990 quando, segundo a mostra, os artistas brasileiros, sem mercado nacional e com belíssimos trabalhos em cores, invadem o editorial norte-americano, mostrando o potencial de seus desenhos, mas, muitos deles, sem revelar o nome verdadeiro do autor e nem o título original.

Alguns exemplos de capa de gibis na exposição que passaram por essa situação são: Lovecraft, RatedX, Death World, Retief e Paranoia. As 18 páginas do “gibizão” encerram sua história das histórias em quadrinhos com o questionamento: “Há futuro para o quadrinho brasileiro?”. Depois dos anos 1990, a história continuou. Em 2008, por exemplo, foi criada a “Turma da Mônica Jovem”, que movimentou novamente o mercado nacional. Mas a pergunta continua fazendo sentido.

O Vale

Publicado em: 17/04/2013

Cidade tem exposição de História em Quadrinho apartir de hoje

O Espaço Cultural Flávio Craveiro (Avenida Lênin, 200), no bairro D. Pedro I, recebe a partir desta segunda-feira (15) a exposição “História das Histórias em Quadrinhos”, montada pelo curador e professor da USP, Álvaro de Moya. A mostra pode ser visitada até o dia 30 de maio, de segunda a sábado, das 9h às 17h.

Os visitantes poderão apreciar nove painéis sobre quadrinhos nacionais e internacionais antigos, com destaque para Super Homem, Batman, Tarzan, Mickey, Capitão Marvel, Mandrake, Príncipe Valente – ao contexto histórico em que foram criados.

Com forma de um gibi gigante, a exposição foi produzida pela Organização Social de Cultural ACAM Portinari e pela Unidade de Fomento e Produção Cultural (UNDPC), ambas da Secretaria Estadual de Cultura, e doada para a FCCR em 2010, durante a Virada Cultural.

As histórias em quadrinhos começaram a ser publicadas no Brasil no século XIX, adquirindo um estilo de cartuns, charges e caricaturas. Apesar do país ter artistas renomados, como Ziraldo e Maurício de Souza, a influência americana sempre foi muito presente.

Álvaro de Moya nasceu em 1930. Já trabalhou como jornalista, produtor, ilustrador e diretor de televisão. Considerado por alguns como maior especialista em História em Quadrinhos do Brasil, Moya organizou a primeira exposição sobre o tema do país. Já viajou para diversos países representando o Brasil em congressos.

Outras informações pelo telefone (12) 3903-2298.

Prefeitura Municipal de São José

Publicado em: 15/04/2013

Cidade é vista com olhos de Candidatos ao Paço

A disputa pelo Paço em São José em pleno período que antecede o 245º aniversário da cidade ajuda a trazer à tona a relação de cada candidato com o município. A convite de  O VALE, os sete candidatos a prefeito responderam uma breve entrevista na qual cada um relacionou a cidade a um ponto específico, descrevendo como liga a cidade a diferentes temas.

Os candidatos responderam como resumir São José em: um lugar, uma música, uma paisagem, uma qualidade marcante, um desafio, uma alegria, uma tristeza e também uma palavra. Ao responder sobre como resumir São José em um lugar, o candidato Alexandre Blanco (PSDB) citou quatro. O DCTA, Parque Tecnológico, o Parque da Cidade e o Banhado integraram a lista dele.

“São José tem essa dicotomia entre o tecnológico e o rural. O Banhado traduz exatamente essa ligação de São José como falei: você olha para a esquerda e vê a potência econômica. À direita, tem a São José rural, com o Rio Paraíba ao fundo”, disse.

O candidato petista ao Paço, Carlinhos Almeida (PT), também elegeu o Banhado como referência de lugar. “A vista do Banhado sempre mostra o que temos preservado e também a cidade com seu crescimento e pujança”. O candidato Fabrício Correia (PSDC) elegeu o Parque da Cidade, pelo encontro entre as histórias da cidade e a sua pessoal.

“Tenho uma relação afetiva com o local porque foi lá que conheci minha esposa, mãe dos meus sete filhos”, afirmou o candidato. No quesito música, muitos candidatos titubearam ao eleger uma canção ou referência musical que identifique São José.

Depois de pedir alguns minutos para pensar, o candidato Ernesto Gradella (PSTU) elegeu o grupo Trem da Viração como o que melhor representa a cidade. Gilberto Silvério (PSOL) escolheu os versos “Quero nossa cidade sempre ensolarada/ Os meninos e o povo no poder, eu quero ver/ São José da Costa Rica, coração civil” eternizados por Milton Nascimento na canção “Coração Civil”, de 81.

Fabrício Correia elegeu “Grandes Coisas”, canção do cantor gospel Fernandinho como ícone.  O “Hino do Bicentenário de São José” foi citado por Blanco e por Antônio Alwan (PSB). Já “Minha Cidade”, de Sérgio Weiss foi citada por Carlinhos Almeida e Cristiano. O urbanista Flávio Mourão explica que é comum que o Banhado e o Parque da Cidade sejam citados como ícones, mas salientou que é um bom momento para se falar de preservação da memória.

“A cidade precisa consolidar suas memórias e desenhos para não depender só de cosias naturais”, disse. Ele ainda ressaltou que há outros pontos importantes na cidade, como o prédio da faculdade de direito da Univap. “Aquelas grades, por exemplo, são irregulares, porque ali é uma praça”.

Para o músico e produtor musical Fábio Alba, da gravadora Oversonic Music, o fato de quatro dos candidatos terem citado músicas ligadas à cidade com no mínimo quatro décadas, não implica que São José não tenha referências novas. “Só acho que o estereótipo mudou. A ‘velha guarda’ da cultura joseense insiste em colocar a música da cidade como se ela ainda fosse representada por moda de viola ou folclore”, afirma.

O Vale

Projeto Conhecendo o Parque da Cidade

O Parque Municipal Roberto Burle Marx, mais conhecido como Parque da Cidade é muito mais do que um espaço apenas de caminhadas, shows e eventos.  A equipe do GUIASJC acompanhou o projeto “Conhecendo o Parque” coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente que tem como objetivo mostrar para a população todo o patrimônio cultural, ambiental e principalmente histórico, desde a fundação da Tecelagem Parahyba no início do século 20 até os dias atuais.

A Secretaria de Meio Ambiente, desde 2009, é responsável pela gestão do Parque Roberto Burle Marx e vem trabalhando na sua manutenção e melhoria.  Nos quase 1 milhão de metros quadrados do parque encontram-se dois lagos, ilha artificial e uma grande diversidade de animais silvestres como capivaras, esquilos, lagartos, além de várias espécies de aves como papagaio, corujas, entre outras. Além das trilhas que cortam o parque e propiciam caminhadas agradáveis em meio a natureza que, de tão abundante, faz esquecer que se encontra dentro da cidade de São José dos Campos.

Conhecendo o Parque

Nas visitas monitoradas são apresentados exemplos da arquitetura moderna brasileira, como a residência da família Gomes, projetada pelo arquiteto brasileiro Rino Levi, desde 2010 tombada como patrimônio histórico cultural. Residência essa que já foi palco para a produção do filme “Aparecida: O Milagre” dirigido por Tlzuka Yamasaki em 2010. Outro grande destaque é a obra paisagística de Roberto Burle Marx (que dá nome ao parque), suas impressões estão nos jardins  e painéis da residência da família Gomes.

O projeto que foi idealizado na década de 50 é considerado atual ainda hoje e reúne 66 espécies de plantas e árvores, a obra valoriza a combinação das formas e cores das plantas, criando mosaicos naturais na paisagem. O projeto paisagístico original vem sendo recuperado desde o ano passado pela Secretaria de Meio Ambiente e não tem data prevista para término, uma das razões apontadas para a falta de previsão são os altos custos, no total serão gastos algo em torno de R$ 1 milhão de reais para devolver ao espaço o aspecto original.

Novidades

Em 2011 o Parque também terá investimentos em sua infra-estrutura e vai oferecer novas atrações aos visitantes. O viveiro de pássaros, ao lado da residência Olivo Gomes, será transformado em orquidário. Além das orquídeas encontradas no próprio parque, o espaço servirá para a reprodução de outras variedades da planta.

Um borboletário será instalado em uma área de cerca de 100 metros quadrados. Neste espaço, também próximo à residência Olivo Gomes, o visitante poderá acompanhar todas as fases da vida da borboleta. O local funcionará ainda como centro de estudos.

Outras funcionalidades

Dentro do espaço do Parque da Cidade funcionam diversos outros departamentos mantidos pela Prefeitura Municipal de São José dos Campos, entre eles a Fundação Cultural Cassiano Ricardo, o Acervo Cultural e Bibliográfico Municipal, a Casa do Folclore, a Tecelagem Parahyba que ainda funciona nos dias de hoje e também um espaço onde são reformados sofás e o ofício de reforma é ensinado para a população interessada.

Conheça o Parque

Muitos joseenses nunca foram ao Parque da Cidade, não conhecem a riqueza das histórias e as belezas, tanto naturais quanto arquitetônicas. Outros tantos conhecem apenas a área de exposição e o local onde são realizados shows e eventos, há muito mais a se descobrir do Parque, a sua essência, a razão de sua existência e porque hoje é patrimônio municipal entre outras curiosidades e peculiaridades.

Vale a pena participar do projeto “Conhecendo o Parque” que é coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente Municipal. Para participar é preciso agendar via internet no site da Prefeitura Municipal. As visitas monitoradas acontecem às terças-feiras, das 9h às 11h e das 14h às 16h e aos sábados das 9h às 11h, o máximo de integrantes em um grupo é de 20 pessoas.

Saiba mais:

Roberto Burle Marx

Rino Levi

veja as fotos

Parque Municipal Roberto Burle Marx
End: Av. Olivo Gomes, s/n – Santana
Tel: (12) 3921-9382
Horários: 2ª a domingo das 6h30 às 17h30

Confira a matéria anterior sobre as visitas monitoras ao Parque da Cidade aqui no Guia

Parque Santos Dumont: Um Presente No Coração Da Cidade

Alberto Santos Dumont

Antes de falar sobre esse belíssimo parque, localizado no centro de São José dos Campos, convém fazer uma breve referência ao homem que lhe emprestou o nome, o mineiro Alberto Santos Dumont, apelidado no Brasil de O Pai da Aviação. Santos Dumont nasceu na cidade de Palmira, no interior de Minas Gerais. Depois da fama internacional do seu mais ilustra filho, a cidade adotou o nome de Santos Dumont, que conserva até hoje. Dumont é considerado por muitos brasileiros como o inventor do balão dirigível, do avião e do ultraleve. No entanto, há uma enorme confusão e uma má resolvida polêmica a respeito da legitimidade desse título. É certo que Dumont projetou, construiu e voou nos primeiros balões dirigíveis com motor a gasolina. Não se discute tampouco que ele foi o primeiro a decolar a bordo de um avião impulsionado por um motor movido a gasolina.

Mas, apesar dos brasileiros considerarem Santos Dumont como o responsável pelo primeiro voo num avião, na maior parte do mundo isso não é reconhecido. O mérito da invenção, nesses lugares, é concedido aos dois irmãos norteamericanos Orville e Wilbur Wright. A França é uma exceção, pois nesse país o crédito pela invenção é dado a Clément Ader. Como se vê, há muito que se discutir a respeito desse assunto.

Dumont teve morte trágica. Em 1932, ocorreu a revolução constitucionalista, quando que o Estado de São Paulo se revoltou contra o governo de Getúlio Vargas. Durante o conflito, aviões bombardearam e metralharam o Campo de Marte, em São Paulo. A visão de aviões em combate causou uma angústia profunda em Santos Dumont que, nesse dia, aproveitando-se da ausência de um sobrinho, suicidou-se, aos 59 anos de idade.

Um parque temático

Como o próprio nome sugere, o Santos Dumont é um parque temático, ou seja, que foi criado em torno de um tema central, no caso, a aviação brasileira.

Além de possuir uma exuberante e extensa área verde, pista pavimentada com equipamentos para ginástica, quiosques com churrasqueiras, pista de skate, playground, um pitoresco jardim japonês, belas aves e um lago com criação de peixes, o parque exibe também um protótipo do avião Bandeirante, doado pela EMBRAER, sondas fabricadas pelo INPE, maquetes de foguetes da série Sonda, assim como uma réplica do avião 14 Bis, construído por Santos Dumont, em 1906.

Está em construção uma réplica da Casa Encantada, projetada por Santos Dumont para sua residência, em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Existem também duas escolas de educação infantil, tudo dentro de uma magnífica área de mais de 46.000 m2.

O Parque Santos Dumont fica no centro de São José dos Campos, na Rua Prudente Meireles de Moraes, 100 – Vila Adyana – e está aberto de 2ª a Domingo das 7h às 22h. O telefone é (12) 3921.7066. Vá, leve a família, os amigos e muitas crianças. Elas, com certeza, vão adorar.

Parque Vicentina Aranha Seu Passado e Seu Presente

Quem foi Dona Vicentina Aranha

Imagem de Dona Vicentina Aranha estampada numa placa de bronze.

Dona Vicentina de Queirós Aranha foi uma grande dama da sociedade paulista que viveu no século passado. Casada com o senador Olavo Egydio, lutou pela obtenção de um local para a construção de um sanatório para o tratamento de portadores de tuberculose pulmonar, doença que, na época (1924), se alastrava por todo o Brasil. Vicentina Aranha organizou uma campanha que mobilizou toda a sociedade de São Paulo. Como resultado, o governo selecionou uma vasta área e deu continuidade à campanha. Finalmente, depois de construído, com projeto do arquiteto Ramos de Azevedo e obras executadas sob a supervisão do engenheiro Augusto de Toledo, foi inaugurado, em 27 de abril de 1924, o Sanatório São José dos Campos, que posteriormente recebeu o nome de Sanatório Vicentina Aranha, o primeiro da cidade e um dos primeiros do País. Infelizmente, porém, Dona Vicentina não viveu para testemunhar a concretização do seu sonho. Uma curiosidade é que ela era avó materna do engenheiro, empresário e político Olavo Egydio de Souza Aranha Setúbal (1923 – 2008), que foi prefeito da cidade de São Paulo (1975 – 1979), ministro das relações exteriores (1985 – 1986), durante o governo do presidente José Sarney, e responsável pelo crescimento e expansão do Banco Itaú, do qual era um dos maiores acionistas e presidente do conselho.

O parque

Em 1945, com a modernização dos métodos de tratamento da tuberculose, as instalações hospitalares foram gradualmente desmobilizadas. Mesmo assim, até o final do século passado, diversos doentes ainda foram tratados ali. No dia 27 de julho de 2007, aniversário de 240 anos de São José dos Campos, foi inaugurado, no mesmo local e com a adaptação das instalações, o Parque Vicentina Aranha. Tombado como patrimônio histórico e cultural do Estado em 2001, o complexo é formado por uma área construída de mais de 11.000 m². Faz parte do complexo um bosque com mais de 43.000 m², com espécies vegetais raras e centenárias como: mogno, peroba rosa, jequitibá e jacarandá da Bahia, entre outros. Pouca gente sabe que a área original, pertencente ao sanatório, descia até as laterais das Avenidas São João e Nove de Julho, até atingir as margens do Ribeirão Vidoca, onde hoje estão localizados os bairros Jardim Apollo e Vila Ema.

Atrações

Paralelamente aos espaços para a prática de exercícios físicos, procurados diariamente por mais de mil pessoas, o parque tem uma dinâmica permanente envolvendo, sobretudo, eventos culturais. Mostras de arte e artesanato, shows de música popular, concertos de música erudita, palestras e outras manifestações estão sempre presentes no calendário de atrações do local. Uma das mais recentes é o Projeto Leitura no Bosque, uma iniciativa da Fundação Cultural Cassiano Ricardo. O projeto visa estimular o hábito da leitura – quase perdido, devido à TV e à Internet e oferece um espaço especial para crianças e adultos, além de um acervo de mais de 800 livros sobre assuntos variados. Outra atividade, dentro do mesmo modelo, é a Barganha Literária, onde é possível realizar a troca de livros, onde qualquer pessoa pode trocar os livros já lidos por outros. O projeto se desenvolve aos sábados, domingos e feriados, das 10 às 17 horas, com entrada franca.

Restauração

Muito embora seja possível utilizar a parte externa do parque, os prédios estão em fase de restauração. A associação que gerencia o projeto já arrecadou mais de 200 mil reais para essa finalidade, dinheiro doado pelos moradores e empresas de São José dos Campos, estimulados por incentivos fiscais. Embora já seja o suficiente para o início das obras, ainda é muito pouco, perto dos 40 milhões que serão necessários para a restauração total das instalações, tudo direcionado essencialmente à cultura, não apenas à cultura popular, mas a todas as vertentes culturais, artes plásticas, cinema e teatro – conforme explicou a coordenadora do projeto, a professora Ângela Tornelli.

A História de São José dos Campos – Capítulo IV

Os 3 marcos

Três eventos marcaram o início do processo de industrialização de São José:

  • Instalação do ITA – Instituto Tecnológico da Aeronáutica e do CTA – Centro Técnico Aeroespacial (1950).


Instalações administrativas do ITA

  • Inauguração da Rodovia Presidente Dutra (1951).

Trecho da Rodovia Presidente Dutra

  • Instalação do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (1971).


Entrada principal do INPE

Foi na mesma época que aconteceram várias doações de terrenos às margens da Rodovia Presidente Dutra, nos quais foram construídas diversas fábricas, dando início o processo de industrialização do município. A duplicação da Dutra deu novo impulso ao processo.

 

A EMBRAER

Vista geral das instalações da EMBRAER

A EMBRAER – Empresa Brasileira de Aeronáutica – é um conglomerado brasileiro, fabricante de aviões comerciais, executivos, agrícolas e militares. É a terceira maior produtora mundial de jatos civis  e uma das maiores companhias exportadoras nacionais. A empresa possui diversas unidades no Brasil e no exterior, inclusive duas joint-ventures (1), uma na China, a Harbin Embraer, e outra em Portugal, a OGMA. Para teste de aviões, a EMBRAER possui uma pista de pouso e decolagem na cidade de Gavião Peixoto, cuja extensão de 4.967 metros é considerada a quarta pista asfaltada mais longa do mundo. A criação da EMBRAER, originada em um setor de desenvolvimento de aeronaves do CTA, posicionou São José dos Campos numa nova era de desenvolvimento tecnológico, gerando muitos empregos e mão-de-obra especializada. É atualmente a maior empregadora da cidade. Fundamental para o desenvolvimento da empresa foi a mão-de-obra  especializada formada pelo ITA.

(1) Joint venture ou empreendimento conjunto é uma associação de empresas, que pode ser definitiva ou não, com fins lucrativos, para explorar determinado(s) negócio(s), sem que nenhuma delas perca sua personalidade jurídica. Difere da sociedade comercial (partnership) porque se relaciona a um único projeto cuja associação é dissolvida automaticamente após o seu término. Um modelo típico de joint venture seria a transação entre o proprietário de um terreno de excelente localização e uma empresa de construção civil, interessada em levantar um prédio sobre o local. (Wikipédia)

Refinaria

Em 1980, a inauguração da Refinaria Henrique Lage (REVAP) trouxe mais empregos e tecnologia à cidade. Sua construção foi iniciada em 19 de fevereiro de 1974 e foi planejada para viabilizar as metas do II Plano Nacional de Desenvolvimento. Foi a quarta e última refinaria a entrar em funcionamento no Estado de São Paulo e a última a ser construída no País. A unidade homenageia o engenheiro naval Henrique Lage.

Vista geral da Refinaria Henrique Lage

Também em 1980, a cidade recuperou sua autonomia administrativa, voltando a eleger seus prefeitos. Em 1994 foi inaugurado um novo acesso da cidade de São Paulo à região de São José, a Rodovia Carvalho Pinto. A conjunção desses fatores permitiu que o município se elevasse ao patamar científico-tecnológico em que se encontra atualmente.

 

Hino do Bicentenário de São José

Estribilho (1)

Lá lá lá lá lá lá…
Ei-la envolta na neblina
Debruçada na colina,
Sob o olhar da Mantiqueira
São José, a Hospitaleira
São José, a Bicentenária
Das mãos de Anchieta nascida,
Desta terra legendária
Que alegre vivas unida
No teu trabalho febril
Que o orgulho sejas do Vale
A cidade que mais cresce
Pois o título desvanece (2)
Todo São Paulo e o Brasil.
Estribilho
De operário a estudante,
Teu sangue novo estuante (3)
Flui da escola à oficina
E da tua fé ilumina,
Unes o livro ao esmeril, (4)
Terra do obreiro e do bardo (5)
Que tens Cassiano Ricardo
O Poeta do Brasil!

(1) Estribilho: verso(s) que se repete(m) ao final de cada estrofe ou em intervalos regulares de uma composição (de música ou poesia); O mesmo que “refrão” ou “bordão”.
(2) Desvanece: enche-se de orgulho
(3) Estuante: ardente, fervente.
(4) Esmeril: instrumento de trabalho, feito com uma pedra ferruginosa e dura, coberta com mistura abrasiva, que serve para amolar lâminas, facas, ferramentas e utensílios, movida à manivela ou a motor.
(5) Bardo: poeta heróico e lírico.

 

Os símbolos da cidade

Bandeira

 

A Bandeira de São José dos Campos foi instituída pela Lei 655 de 02 de fevereiro de 1960. Desenho do estudante da Escola João Cursino, João Vitor Guzzo Strauss, vencedor do concurso promovido pela municipalidade.

Cores

Blau de prata; treze listras; figura de uma roda dentada em ouro simbolizando a riqueza sempre ascendente do Município; faixa em prata; sinuosa; representando o Rio Paraíba do Sul; três estrêlas simbolizando os três distritos: São José dos Campos, Eugênio de Melo e São Francisco Xavier; os treze dentes da engrenagem falam do entrosamento entre o Estado e o Município.

Brasão

O Brasão de Armas de São José dos Campos, de autoria de Afonso de Taunay e José Wasth Rodrigues, foi adotado pela lei municipal nº 180, de setembro de 1926. Seu desenho foi restaurado pela lei nº 19, de 26 de agosto de 1948, ratificado pela lei nº 2178/79 e alterado pela lei nº 5.248/98.

Descrição

A) Escudo português, cortado e partido o campo do chefe em dois quartéis e encimado pela coroa mural;

B) Primeiro quartel: em campo de ouro, quatro cabeças de sua cor, de índios guaianases, afrontados e acantonados ladeando o brasão do venerável José de Anchieta, como símbolos da fundação do povoado de São José no século XVI;

C) Segundo quartel: em campo de sinople (verde) um lírio e uma haste cruzados de prata, e uma faixa ondeante, também de prata, simbolizando o Rio Paraíba do Sul, constituindo as “armas do município”;

D) No campo inferior, metade do escudo, de goles (vermelho), uma panóplia bandeirante, arcabuz, espada, machado e bandeira, tudo de sua cor, recordando a entrada dos desbravadores em terras de São José no século XVI;

E) Suportes: dois tenentes do terço miliciano criado para o norte de São Paulo, pelo Morgado de Mateus, então governador da província, e dois ramos de café frutificados, tudo ao natural, como ornamento exterior, sobre os quais se assenta o escudo;

F) Coroa mural: em couro, com cinco torreões, visíveis, tendo a porta principal, aclarada, o brasão do Morgado de Mateus;

G) Listão: em prata, e letras de goles (vermelho) a divisa em Latim “Aura Terraque Generosa” (Generosos São Meus Ares E Minha Terra).

Edições anteriores

A História de São José dos Campos – Capítulo I

A História de São José dos Campos – Capítulo II

A História de São José dos Campos – Capítulo III

A História de São José dos Campos – Capítulo III

Começa a modernidade

Em 1922, na mensagem que enviou ao Congresso do Estado de São Paulo, o presidente Washington Luís destacou como melhorou os transportes no Vale do Paraíba obedecendo à sua célebre prioridade “Governar é Construir Estradas”. Aliás, as primeiras obras rodoviárias do seu governo foram realizadas precisamente no Vale do Paraíba. Dizia a mensagem:

“Já começou também a estabelecer ligações terrestres do litoral norte com o Vale do Paraíba. Já fez o caminho, por cavaleiros, tropas e pedestres entre Ubatuba e São Luís do Paraitinga, de onde se vai a Taubaté, por automóveis em duas horas, sendo que na subida da serra, em 9 quilômetros, encontrou-o todo revestido de lageões, serviço de há mais de 50 anos cuja restauração foi fácil. Fez também a ligação de caminho idêntico entre São Sebastião e Caraguatatuba e vai atacar, nas mesmas condições, o que desta cidade vai a Paraibuna, cidade que já se comunica por automóveis em duas horas com São José dos Campos e Jacareí.”

Nos anos 20 são inauguradas as primeiras indústrias: Laticínios Vigor, a Fábrica de Louças Santo Eugênio, a Cerâmica Paulo Becker, a Tecelagem Parahyba e a Cerâmica Weiss.

Washington Luís Pereira de Sousa, décimo primeiro presidente do Estado de São Paulo (1920 a 1924), décimo terceiro presidente do Brasil (1926 a 1930) e último presidente da República Velha.

Primeiras instalações da Laticínios Vigor

A fábrica de louças Santo Eugênio, após a inauguração

Primeiras instalações da Cerâmica Paulo Becker

Operários da Tecelagem Parahyba reunidos em frente à fábrica, em 1923

Primeiras instalações da Cerâmica Weiis, no bairro de Santana

Guilherme Weiss, fundador da Cerâmica Weiss

A fase sanatorial

No início do século XX, as condições climáticas da região motivaram a procura de São José dos Campos para o tratamento da tuberculose. Mas foi somente em 1935 – ano em que o município foi estabelecido como Estância Climática e, logo após, em Estância Hidromineral, que a cidade começou a receber verbas oficiais para serem empregadas na área de saúde. Os sanatórios foram assim, esforço coletivo de todas as comunhões religiosas, de particulares e estadistas idealistas.

Os principais sanatórios foram:

  • Vicentina Aranha: pertencente à Santa Casa de São Paulo, inaugurado em 1924, pelo presidente de São Paulo. Washington Luís.
  • Vila Samaritana: pertencente à comunidade evangélica.
  • Ezra: pertencente à comunidade judaica.
  • Maria Imaculada e o Antoninho da Rocha Marmo, pertencentes à Igreja Católica.
  • Ruy Dória: criado e pertencente ao médico Dr. Ruy Rodrigues Dória.
  • Adhemar de Barros: criado pelo governador Adhemar Pereira de Barros, dirigido e mantido pela “Liga de Assistência Social”.
  • São José: do doutor Jorge Zarur.

Sanatório Maria Imaculada

Inúmeros pacientes que não conseguiam vagas nos sanatórios, hospedavam-se em pensões da Rua Vilaça, perto do sanatório. Ruy Dória. Além do Dr. Ruy Dória, destacaram-se como médicos sanitaristas: os Drs. Jorge Zarur, Orlando Campos, João Batista de Souza Soares, Ivan de Souza Lopes, Décio Lemes Campos, Amaury Louzada Velozo e Nelson Silveira D´Ávila.

Foto da época, mostrando freiras trabalhando no Sanatório Antoninho da Rocha Marmo

 

Não perca, na próxima edição, a parte final da História de São José dos Campos Capítulo IV

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