Enade reprova 63 de 91 cursos da região avaliados em prova

O Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) de 2012 considerou insatisfatórios 63 de 91 cursos de graduação superior avaliados em faculdades da Região Metropolitana do Vale do Paraíba. Divulgado anteontem pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura), o resultado do Enade 2012 considerou 28 cursos satisfatórios entre o total analisado na região. O índice monitora a qualidade dos cursos de graduação e divide as instituições universidades, faculdades e centros universitários por totais que vão de 0 a 5 pontos (Conceito Enade). Avaliações abaixo de três são consideradas insatisfatórias pelo MEC, que aplica o exame em estudantes concluintes do ensino superior.

Em 2012, fizeram a prova 469.478 alunos de 7.228 cursos de todo o país, nas áreas de Humanas e Tecnologia, pertencentes a 1.646 instituições de educação superior brasileiras. A prova teve 20,1% de abstenção em todo o país 587.351 estudantes estavam habilitados e inscritos. De acordo com o MEC, a nota real do Enade é composta de números fracionados. As instituições de ensino, contudo, recebem um número inteiro e aproximado conforme tabela usada pelo Ministério. Segundo o MEC, cerca de 30% dos cursos analisados ficaram abaixo da média considerada aceitável no Conceito Enade.

Na região, o índice é mais do que o dobro da média nacional. Foram considerados insatisfatórios 69,23% dos cursos avaliados. Cinco das faculdades com mais alunos na região tiveram cursos reprovados: Univap (Universidade do Vale do Paraíba), Unitau (Universidade de Taubaté), Unip (Universidade Paulista), Fatec (Faculdade de Tecnologia) e Faculdades Anhanguera. As universidades minimizaram a nota dada pelo Enade (leia texto nesta página). O Conceito Enade é o principal indicador do IGC (Índice Geral de Cursos) do MEC, que será divulgado no final de outubro, segundo o Ministério.

Os cursos com os piores resultados na região foram Administração, Ciências Contábeis, Direito e Tecnologia em Logística. De 19 cursos de Administração avaliados, 16 foram considerados insatisfatórios, segundo os critérios do Enade. Em Direito, foram cinco de oito. Tecnologia em Logística teve 7 cursos insatisfatórios de 9 avaliados. Ciências Contábeis ficou com 6 de 9 cursos avaliados pelas provas. Para Mauro Castilho, doutor em História da Educação pela PUC (Pontifícia Universidade Católica), o Enade é um importante referencial. Sobre o resultado negativo na região, ele disse que não se pode generalizar. “Podemos incorrer em erros de avaliação”. Castilho acredita que a política de “massificação” do ensino superior “tende a prejudicar a qualidade dos cursos”, com faculdades colocando até 100 alunos em uma sala de aula. “Essa realidade é absolutamente inaceitável”, afirmou o professor.

O sistema de notas usado pelo MEC para compor o índice do Enade provoca avaliações conflitantes de um mesmo curso. A assessoria do MEC explicou que a nota real é dada com o número fracionado, isto é, com duas casas depois da vírgula. Mas a nota enviada às instituições é aproximada e inteira, sem vírgula. Um curso pode ir de 1,98 para 3. As universidades e faculdades da região minimizaram o índice dado pelo Enade 2012, que considerou insatisfatórios 63 de 91 cursos avaliados.

Para as instituições, a nota não é a única na avaliação do ensino superior no país. Em nota, a Unitau disse que “o exame é um dos indicadores da qualidade do ensino, mas não é o único e não reflete, necessariamente, a realidade do curso”. Os motivos seriam “o preparo e a disposição do aluno para a prova, que podem ser determinantes para o resultado”. Também em nota, a Univap informou que está remodelando o curso de Ciências Contábeis, que não abre vagas desde 2010. Os demais cursos, segundo a instituição, receberam notas 3 e 4 do MEC. Representantes das demais faculdades não foram localizados ontem.

Vereadores da Camara são reprovados na cidade

Teste de interatividade realizado por O VALE reprovou metade dos vereadores de São José dos Campos. Dos 21 parlamentares da cidade, 10 não responderam os e-mails encaminhados pela reportagem com pedidos de ajuda para conseguir vaga em creche, bolsa de estudo, cirurgia e compra de materiais de construção. Não deram retorno às solicitações a presidente da Câmara, Amélia Naomi (PT), e os vereadores Dulce Rita (PSDB), Renata Paiva (DEM), Walter Hayashi (PSB), Macedo Bastos (DEM) e Dilermando Dié Alvarenga (PSDB).

Também não responderam os e-mails Robertinho da Padaria (PPS), Fernando Petiti (PSDB), Tonhão Dutra (PT) e Willis Goulart (PP). As correspondências eletrônicas foram encaminhadas entre as 18h40 e as 19h22 da última segunda-feira. Os vereadores tiveram três dias para responder. Atualmente, cada parlamentar tem pelo menos cinco assessores.

Entre os parlamentares que responderam, o mais rápido foi o ‘novato’ Rogério Cyborg (PV), que encaminhou retorno às 7h04 da última terça-feira, logo no início do expediente daquele dia no Legislativo. O último a dar retorno foi o também ‘novato’ Calasans Camargo (PRP) no caso, às 10h17 da última quinta-feira. Nenhum vereador se comprometeu a conseguir para os munícipes a vaga em creche, a bolsa de estudo e o material de construção e ajudar a agilizar cirurgia, o que caracterizaria clientelismo.

Em geral, eles se limitaram a pedir telefones de contato dos moradores para dar explicações sobre os motivos de não poderem atender as solicitações feitas. Já os 10 vereadores que não responderam alegaram que não receberam os e-mails, que houve erro na hora do encaminhamento das respostas ou que não tiveram tempo hábil de responder devido ao excesso de demandas.

O professor de Ciências Políticas da Unitau (Universidade de Taubaté) José Maurício Cardoso Rego criticou o que ele classificou como falha de comunicação e de interação dos vereadores com a população da cidade. “A Câmara de São José tem estrutura mais do que suficiente para dar retorno a todas as solicitações que são encaminhadas aos vereadores. Mesmo quando o pedido não pode ser atendido, é de se esperar que o morador receba uma resposta”, afirmou o especialista.

“Estrutura para responder existe. Se não houve resposta, é porque há falha na comunicação e na interação com a comunidade e isto precisa ser corrigido”, completou. O presidente do PSTU de São José, Antônio Donizete Ferreira, o ‘Toninho’, não ficou surpreso. “Mostra descaso com os moradores”. Embora sustentem que costumam dar resposta aos questionamentos e pedidos encaminhados pela população, os 10 vereadores de São José que não retornaram os e-mails do teste de O VALE admitiram falha na comunicação.

Tonhão Dutra (PT) e Willis Goulart (PP) alegaram que não receberam os e-mails. Já Dulce Rita (PSDB) e Renata Paiva (DEM) disseram que tentaram responder, mas que houve erro na hora da digitação do endereço eletrônico para o retorno, o que impediu que a resposta chegasse. A presidente da Câmara, Amélia Naomi (PT) informou, por meio da assessoria, que seu e-mail esteve com problema durante toda a semana passada, não sendo possível acessar os encaminhamentos nem respondê-los. Também por meio da assessoria, Dilermando Dié Alvarenga (PSDB) informou que o pedido não foi respondido em tempo hábil porque havia questões mais urgentes.

“Como era pedido de bolsa de estudo, a assessora separou para que eu respondesse. Não deu tempo”, disse Robertinho da Padaria (PPS). “Fiquei em São Paulo a semana toda e por isto não foi possível responder”, afirmou Walter Hayashi (PSB). Fernando Petiti (PSDB) e Macedo Bastos disseram que costumam responder os e-mails, mas que a grande demanda impediu que houvesse retorno rápido.