Investimento de R$ 800 Milhões para fabricação de nova Picape

A General Motors apresentou à imprensa especializada ontem à noite, em Campinas, a nova Chevrolet S10, picape exibida em vários salões de automóveis com o nome de Colorado.

Os jornalistas realizam hoje no campo de provas da GM, em Indaiatuba (SP), um test-drive da picape, que deve chegar à rede de 600 concessionárias da marca logo após o Carnaval. Até ontem à tarde, o preço do modelo não havia sido divulgado.

A nova S10, montada na fábrica de São José dos Campos, é um modelo totalmente diferente do anterior. A picape, lançada em 1995 e sempre produzida na cidade, nunca deixou de ser líder de vendas no segmento. Nos últimos anos, a picape registrou um volume médio anual de 40 mil unidades vendidas. Com o novo modelo, a GM espera, no mínimo, repetir este êxito de vendas.

“Há 16 anos, os designers e engenheiros americanos exportaram para o mundo a S10 atual. Hoje os designers e engenheiros brasileiros, orgulhosamente, oferecem ao mundo a nova S10, um projeto 100% desenvolvido no Centro Tecnológico da GM em São Caetano do Sul”, disse o vice-presidente da GM do Brasil, Marcos Munhoz.

A nova S10 será comercializada em várias partes do mundo. Além da produção em São José, a picape é montada também na Tailândia. Lá, ela mantém o nome Colorado. A nova S10 será também exportada a países da América do Sul.

O diretor do complexo industrial da GM em São José, Paul Buetow, disse que o projeto começou a ser desenvolvido há três anos, desde a concepção criativa a partir do design, depois a criação propriamente dita pela engenharia, o envolvimento da área de manufatura, até o início de produção, o que ocorreu em janeiro passado.

“A preparação específica da linha de montagem ocorreu no decorrer de 2011”, disse Buetow. A mesma equipe que fazia a S10 anterior trabalha nesta nova geração do veículo. A GM aplicou R$ 800 milhões em todo o desenvolvimento da nova linha da S10, desde a concepção até o ajuste necessário na linha de montagem e equipamentos. No início desta semana, a linha já tinha montado cerca de 1.500 unidades da nova picape.

A produção atual, ainda em avaliação e ajustes, chega a quase 10 unidades por hora. Em abril, quando toda a linha estiver operando em maior aceleração, a produção atenderá melhor a demanda, com quase 19 carros/hora. O motor flex da nova S10 é fabricado em São José, na unidade da Powertrain, que integra o complexo. O motor a diesel vem do fornecedor e é acoplado ao veículo montado em São José.

O Vale

Representantes da GM e do Sindicato discutem demissões

Representantes da General Motors e lideranças do Sindicato dos Metalúrgicos de São José se reúnem na próxima segunda-feira para tratar da demissão de trabalhadores que teriam, por lei, estabilidade na empresa por serem lesionados.

A audiência de conciliação acontecerá na sede do Ministério Público do Trabalho de São José, às 10h. Na semana passada, funcionários paralisaram a produção na fábrica de São José por até três horas em protesto pelos cortes que, segundo o sindicato, continuam a acontecer depois do PDV (Programa de Demissão Voluntária) encerrado em novembro de 2011.

Ainda de acordo com a entidade, as demissões deste ano passam de 80. Em dezembro, o sindicato encaminhou ao Ministério Público do Trabalho uma petição pedindo a investigação de demissões de trabalhadores lesionados na GM.

À época, o procurador Alexandre Martins afirmou que havia ‘nexo causal’ na reivindicação dos trabalhadores e pediu uma resposta da empresa. A GM, por sua vez, alegou que agiu dentro da lei e pediu o arquivamento do processo. O procurador deve se manifestar nos próximos dias sobre a resposta da empresa. A General Motors não comentou o assunto.

O Vale

GM investirá R$49 milhões para pagamento a metalúrgicos

Cerca de R$ 49 milhões serão injetados na economia da região neste mês com o pagamento da segunda parcela da PLR (Participação nos Lucros ou Resultados) da General Motors, de São José dos Campos. Somando as duas parcelas do benefício, os trabalhadores receberão referente ao abono de 2011 um total de R$ 11.268 13% superior ao montante recebido em 2010.

No ano passado, as fábricas da GM em São José e em São Caetano produziram 404 mil carros, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos.

O montante a ser recebido pelos 9.000 funcionários da GM anima os comerciantes, que esperam que suas lojas sejam o destino de parte do benefício. “Esse dinheiro chega num momento muito bom. Janeiro é um mês de liquidação, tanto que a maioria dos empresários não se desfez dos funcionários temporários. Muitos vão saldar seus compromissos para voltar a consumir”, disse o presidente da ACI (Associação Comercial e Industrial) de São José, Felipe Cury.

O delegado regional do Corecon (Conselho Regional de Economia), Jair Capatti Junior, recomenda cautela na hora de usar o benefício no comércio. “Esse trabalhador sai em vantagem por receber no início do ano um valor considerável e que pode ajudar muito nas despesas mais imediatas, tais como IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), material escolar, e também mais à frente o IPTU (Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana)”, disse o economista.

Para aqueles que pretendem utilizar o dinheiro para acertar dívidas, ele recomenda priorizar os débitos com taxa de juros mais elevada, como cartão de crédito e cheque especial. “O objetivo é ficar sem dívidas com juros”, disse.

O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, Antonio Ferreira de Barros, afirmou que a PLR da GM foi fruto do esforço dos trabalhadores, que produziram mais que no ano anterior e chegaram a deflagrar greve de 24 horas durante as negociações com a empresa.

“Aquela foi uma grande vitória da categoria”, disse Barros, que é candidato à presidência do sindicato. Para o diretor da entidade, o benefício maior que o de 2010 é justo pelo balanço de vendas e o saldo de produção do setor.

Em 2011, 3,6 milhões de veículos foram comercializados no país, um crescimento de 3,4% em relação a 2010, segundo dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). A produção de automóveis também apresentou alta, de 0,7% em relação ao ano anterior.

O Vale

Reajuste salarial

A direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São José realiza hoje, às 9h, um seminário para definir o índice geral da campanha salarial da categoria neste ano.

No evento, que será no Hotel Comfort, jardim Paulista, também estarão representantes dos metalúrgicos de Santos, Limeira, Campinas e da federação de Minas Gerais, que formam a base do CSP Conlutas.

No último sábado, o sindicato promoveu assembleia geral para definir a pauta de reivindicações da campanha salarial deste ano. Entre os principais tópicos estão reposição de inflação, aumento real do salário-base e redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução dos salários.

Hoje, os metalúrgicos decidirão o índice que será proposto e a data de entrega da pauta à Fiesp (Federação das Indústriais do Estado de São Paulo).

Segundo ele, o reajuste salarial total da categoria será definido tomando como parâmetro a inflação calculada entre agosto de 2010 e julho de 2011, além de considerar a produtividade nas fábricas durante o período.

Na campanha deste ano, as cláusulas sociais debatidas a cada dois anos voltam a ser discutidas. Entre elas está o aumento da licença-maternidade de 120 para 180 dias.

O documento já foi entregue na sede da Fiesp. As reivindicações pouco diferem da pauta de São José. A base de Taubaté reivindica valorização do piso salarial, aumento real do salário, reposição da inflação, entre outros itens.

As negociações na Fiesp acontecem em grupos determinados divididos pela categoria dos trabalhadores e especialidade das empresas. O Sindicato dos Metalúrgicos São José atende também as cidades de Jacareí, Caçapava, Santa Branca e Igaratá e tem uma base com cerca de 40 mil trabalhadores.

Já o sindicato de Taubaté possui uma base com pouco mais de 20 mil trabalhadores. A Fiesp não comenta o tema enquanto não as negociações não tiverem início.

O Vale