Moradores da RM Vale pedem fim da cobrança de DDD nas ligações

Uma das vantagens de maior impacto para a população com a criação da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte seria o pagamento de tarifas locais nas ligações telefônicas entre as 39 cidades da região, ao invés da obrigação do uso do interurbarno. Entretanto, um ano e oito meses após a  criação da RMVale, constituída por lei de janeiro de 2012, essa medida ainda não foi implantada o que gera gastos extras aos moradores.

Dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mostram que a ligação interurbana em horário comercial é pelo menos três vezes mais cara que uma ligação local. A saída encontrada pelos moradores da região para fazer economia é o uso dos telefones celulares. O dentista Salvatores Li Puma é um deles. “Eu cancelei minha linha de telefone fixo porque não compensava, devido ao alto custo de assinatura e  porque eu tenho um plano pré fixado de valores no celular. Realmente não compensa usar o fixo para fazer DDD no mesmo código 12 “, disse o dentista.  A conta dele foi reduzida de R$170 para R$ 40, já que nos celulares a ligação é considerada local.

A professora Natália Gomes também reclama dos gastos. Ela faz ligações entre Taubaté e São José dos Campos em horário comercial e paga R$ 0,20 o minuto. Se fosse considerada uma ligação local, o valor seria três vezes mais barato – R$ 0,07. “Sou de Taubaté e sempre que estou ligando para amigos e parentes e isso pesa no bolso do trabalhador”, afirmou.

Outro lado
A Anatel informou que é preciso esperar as revisões dos contratos de concessão de telefonia para acabar com a cobrança de interurbano. O contrato na RM Vale tem validade até dezembro de 2015 e só depois deste período é que a revisão deverá passar a valer.

“Estivemos em Brasília duas vezes conversando com o presidente da Anatel. Só em 2015 depois de uma audiência pública é que a região metropolitana poderá ser considerada para ligações locais”, disse Luiz Pedreti, diretor vice-presidente da região metropolitana. A Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa) informou que as negociações com a Anatel foram retomadas pelo secretário de Desenvolvimento Metropolitano, Edmur Mesquita, desde 23 de setembro último. A medida renova a expectativa de que o fim da cobrança de DDD nas ligações possa ocorrer antes do previsto.

Projeto elaborado pelo Ipplan prevê ligações pela região

Apresentado oficialmente ontem, o projeto de um TRM (Transporte Rápido de Massa) para São José dos Campos, elaborado pelo Ipplan (Instituto de Pesquisa, Administração e Planejamento), prevê a criação de um metrô de superfície com 94 quilômetros de extensão, dividido em 8 linhas.

O modelo proposto pelo Ipplan é um VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos), que correrá no eixo dos principais corredores viários urbanos, sobre uma pista de grama. O VLT foi projetado para ser integrado ao atual modelo de transporte coletivo (ônibus), aos sistemas cicloviário, ao futuro transporte Regional Metropolitano do Vale e ao Trem-Bala.

Pela modelagem divulgada, as linhas que formarão o novo sistema contemplam todas as regiões da cidade eixo Andrômeda (região sul), Estrada Velha (Rio-São Paulo), avenida dos Astronautas (região sudeste), avenidas Juscelino Kubitschek e Pedro Friggi (região leste), Oeste (Urbanova), Santana (região norte) e Centro 1 e Centro 2, passando por avenidas como Teotônio Vilela, Sebastião Gualberto, São José, Madre Tereza e São João. Estão previstas a implantação de duas estações de integração e seis terminais.

O projeto foi concebido para ser implantado gradativamente e tem como horizonte o crescimento de São José até 2030. O sistema VLT terá capacidade para transportar 495 mil passageiros/dia. O primeiro trecho, considerado prioritário por atender a maior demanda de usuários é o eixo sul/centro/leste, com 25 quilômetros.

A diretora do Ipplan, Cynthia Gonçalo, informou que o custo do primeiro trecho está estimado em aproximadamente R$ 1,1 bilhão. O prefeito Eduardo Cury (PSDB) disse que caberá ao prefeito eleito, Carlinhos Almeida (PT), dar continuidade e viabilizar o projeto, que está em análise no governo federal. Está marcado para o dia 11 de dezembro, no Ministério das Cidades, a apresentação da proposta pela prefeitura.

Célio Chaves, assessor de Carlinhos, e o vereador Wagner Balieiro (PT) acompanharam a apresentação. “Acompanhamos a análise do projeto em Brasília”, disse Chaves. Presentes no evento de apresentação do projeto do VLT, especialistas na área de transportes afirmaram que São José dos Campos precisa mesmo se preocupar em diversificar o transporte de massa.

“O projeto do Ipplan tem similaridade com o estudo que fizemos para a prefeitura sobre um TRM (Transporte Rápido de Massa)”, disse o professor Eugênio Vertamatti, do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), que coordenou os primeiros estudos do TRM para o município.

Segundo ele, faltou ao estudo do ITA dados mais completos sobre origem e destino da população, feitos pelo Ipplan. “O nosso estudo apontava para um sistema VLP (Veículo Leve Sobre Pneus) que evoluiria para um VLT”, lembrou. Para o urbanista Cândido Malta, que participou do trabalho do Ipplan, este é o momento da cidade pensar no futuro do transporte de massa.

O Vale

Publicado em: 27/11/2012