Fundação Cultural reassume prédio do Cine Teatro

O projeto de concessão do cine teatro Benedito Alves da Silva, de São José dos Campos, à iniciativa privada foi engavetado pelo governo do prefeito Carlinhos Almeida (PT). A Fundação Cultural Cassiano Ricardo, responsável pela guarda do imóvel, é que vai definir o destino do cine teatro, fechado há mais de oito anos. O presidente da FCCR, Alcemir Palma, disse que o projeto de transformação do Benedito Alves da Silva em um espaço multiuso, inclusive gastrônico, não será levado adiante.

“Vamos cumprir o que está previsto na lei que possibilitou a troca do cine teatro com a Mitra Diocesana”, disse Palma, que estabelece que o imóvel para atividades de cinema e teatro”, afirmou. A permuta aconteceu durante a gestão do ex-prefeito tucano Emanuel Fernandes (1997-2004). No ano passado, o Ipplan (Instituto de Pesquisa, Administração e Planejamento) elaborou projeto para a concessão do imóvel à iniciativa privada. A intenção era que o concessionário teria o direito de explorar o espaço por pelo menos dez anos.

Em troca, seria obrigado a proceder a reforma e restauração do imóvel. Pelo projeto que incluia também um prédio anexo, o cine teatro poderia ter multiuso cultural, incluso a possibilidade de implantação de um espaço gastronômico no imóvel. Em 2011, o cine teatro foi considerado patrimônio histórico do município, para possibilitar a preservação do imóvel.

O prédio foi tombado na categoria EP-2 (Elemento de Preservação 2), que preserva as fachadas e volumetria, mas permite intervenção interna. Os planos da direção da FCCR é rediscutir com a comunidade o uso futuro do Benedito Alves da Silva. Palma relatou que, ao assumir a presidência da entidade, encontrou um projeto arquitetônico de reforma e restauro do imóvel.

“Encaminhei o projeto para a Secretaria de Obras fazer um orçamento para a execução do projeto. Quando recebermos a estimava de custo, vamo discutir com a sociedade”, disse. Segundo Palma, para este ano nenhuma obra no espaço poderá ser executada porque a FCCR não tem recursos orçamentários. “Primeiro vamos discutir o projeto com a comunidade e depois verificar como poderemos excuta-lo, se com recursos próprios ou buscar apoio do governo federal”, afirmou.

No entanto, essa etapa somente será colocada em prática a partir do próximo ano. “Este ano não temos previsão orçamentária para fazer obra no cine teatro”, disse. O arquiteto e urbanista Flávio Mourão considera positiva a decisão da Fundação Cultural Cassiano Ricardo de engavetar o projeto de concessão do cine teatro Benedito Alves da Silva, em São José, à iniciativa privada.

Na avaliação do urbanista, o correto mesmo é cumprir o que está previsto na lei que possibilitou a permuta do imóvel com a Mitra Diocesana. “A finalidade do espaço é para cinema e teatro”, disse. Mourão ponderou que São José não tem muitos espaços culturais e considera urgente recuperar os que ainda existem, como o Benedito Alves.

“O governo anterior tinha o hábito de terceirizar tudo. É preciso que o atual governo recupere esse espaço para a cidade”, disse Mourão. O presidente do PSDB de São José, Anderson Farias Ferreira, disse que o projeto do Ipplan (Instituto de Pesquisa, Administração e Planejamento) tem o objetivo de revitalizar a área em torno do teatro e também do centro. “O importante é que o atual governo promova a revitalização, independente da proposta do Ipplan”.

O Vale

Publicado em: 12/04/2013

Câmara quer conceder auxilio moradia ao pinheirinho

Com a iminência da desocupação do acampamento sem-teto do Pinheirinho, a Câmara de São José dos Campos negocia com a prefeitura a concessão de aluguel social para as 1.704 famílias da ocupação. A meta é garantir assistência econômica para as famílias por até seis meses. O valor do benefício seria de R$ 500 por mês.

Se aprovado, o governo Eduardo Cury (PSDB) terá de desembolsar R$ 852 mil por mês com a distribuição do auxílio. A despesa total pode chegar a R$ 5,1 milhões durante os seis meses. De acordo com a Câmara, um projeto aprovado em outubro do ano passado garante a destinação de 200 aluguéis sociais para casos de emergência. A medida tinha o objetivo de garantir assistência a famílias atingidas por enchentes nos períodos de chuva.

A Câmara quer que o governo amplie essa cota e inclua as famílias do Pinheirinho que comprovadamente não tenham condições de se manter. “Meu desejo é que essas famílias permaneçam no Pinheirinho mas, caso a desocupação aconteça, elas precisam ter um apoio financeiro”, disse o vereador Luiz Mota (DEM).

O vereador Cristiano Pinto Ferreira (PV) também defendeu o aluguel social. “É um caminho. A prefeitura não pode retirar aquelas famílias do Pinheirinho e não oferecer nada a elas. Alguma coisa a prefeitura deve oferecer, porque essas famílias não podem ir para a rua.”

Para o vereador Tonhão Dutra (PT) o aluguel social não resolve o problema. “Meu desejo é que as famílias permaneçam na casa que construíram. No Rio Comprido, foi dado aluguel social por algum tempo e depois aquelas famílias foram abandonadas.”

O líder do Pinheirinho, Valdir Martins, o Marrom, disse que a Câmara deveria trabalhar pela manutenção das famílias, e não prevendo a desocupação da área. “Aluguel social não resolve o problema de moradia. Hoje a cidade nem teria 1.200 casas para alugar”, disse Marrom.

“O que se percebe é que a prefeitura trabalha sempre contra a população mais pobre”, acrescentou. Nenhum representante da prefeitura quis falar sobre o assunto ontem. Por meio de sua assessoria de imprensa, a Secretaria de Desenvolvimento Social de São José informou que ainda não estudou a proposta formulada pela Câmara.

A pasta informou que, no momento, está centrando esforços no acolhimento das 1.704 famílias que deverão ser removidas do Pinheirinho.

O Vale