Antigo bingo é usado como ‘cracolândia’ em São José

Um prédio abandonado na avenida Nelson D’Ávila, na região central de São José, virou ponto de consumo de drogas e moradia para os usuários. Hoje, cerca de dez pessoas vivem no local, incluindo uma grávida. A construção abrigava um antigo bingo, que foi desativado há quatro anos. Nos últimos dias, pessoas que passam pelo local têm observado movimentação intensa de usuários de drogas, que transformaram o prédio em uma ‘cracolândia’. Atualmente, o local funciona como um estacionamento informal, já que várias pessoas deixam seus carros na área do prédio. O frentista Elvis Freire, que tem 20 anos e trabalha em um posto de gasolina em frente ao prédio, é um dos motoristas que utiliza o local para estacionar o carro. Ele relata que quase teve o veículo roubado.

“Eu estava trabalhando aqui quando vi uma pessoa mexendo no meu carro. Fui ver o que era e ele estava tentando quebrar o vidro. E não foi só comigo que aconteceu isso”, afirmou Freire. O frentista disse também que existe um boato de que o prédio seria demolido para a criação de um hotel. A informação, por enquanto, não passa mesmo de um boato. “Faz algum tempo que escuto isso, mas até agora nada aconteceu.” O vendedor Erick da Silva, 26 anos, trabalha em uma loja de pneus que fica ao lado da construção. Ele disse que até o momento os usuários não causaram problemas para os clientes. “Estamos funcionando há uma semana e eles só entraram aqui para pedir água. Aí eles entram aqui, pegam a água e saem”, disse.

tentou conversar com os usuários de drogas que vivem no antigo bingo, mas eles não aceitaram. Sem novidade. Este não é o único ponto de consumo de drogas na região central de São José dos Campos. Na edição de ontem, O VALE mostrou a situação da rua Major Antônio Domingues, localizada próxima ao Banhado. Ali, moradores e comerciantes convivem diariamente com usuários. Outros locais conhecidos por receber usuários de drogas são o Viaduto Raquel Marcondes, fechado pela prefeitura, e o córrego da avenida Fundo do Vale, próximo ao Paço.

Urbam vai reformar o antigo Fórum

A Prefeitura de São José dos Campos repassará o valor de R$ 1,4 milhão para a Urbam (Urbanizadora Municipal S/A) reformar o antigo prédio do Fórum, no centro, para a instalação do Cejusc (Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania). A empresa foi contratada sem licitação conforme o artigo 24 da lei 8.666/93, que dispensa a concorrência por se tratar de uma empresa de economia mista. Além de abrigar o Cejusc na primeira fase das obras, o local contará ainda com todos os cartórios eleitorais e o Procon a partir da segunda fase programada para a primeira semana de novembro, segundo o secretário de Governo, Marcos Aurélio dos Santos.

“A previsão do término da 1ª fase da obra é final de outubro, com a instalação do Cejusc. A segunda fase deve ser concluída em quatro meses”, disse por meio de sua assessoria. Segundo ele, o Cejusc atenderá demandas pré-processuais (casos que ainda não chegaram ao Poder Judiciário) e também processuais (que já têm ações em andamento) das áreas Cível e de Família para uma tentativa de acordo. Entre os principais casos que poderão ser resolvidos no complexo estão os relacionados, por exemplo, à regularização de divórcio, investigação de paternidade, pensão alimentícia, renegociação de dívida, relações de consumo e até brigas entre vizinhos.

No local serão realizadas, sob orientação e supervisão do juiz coordenador, as sessões de conciliação, segundo a presidente da OAB de São José, Silvia Dias. “A medida será interessante para toda a população, pois poderá contará com os serviços básicos em um único lugar. Nós, da OAB, aprovamos o investimento”, disse. A assessoria de imprensa do TJ (Tribunal de Justiça de São Paulo) informou ontem que o município ficou responsável pela contratação da empresa para a obra.

Antigo prédio do Fórum será reformado na cidade

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo instala hoje, em São José dos Campos, o Cejusc Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania. Priorizando a conciliação, o serviço funcionará no prédio do antigo Fórum, no bairro São Dimas, na região central da cidade, a partir da próxima segunda-feira. O Tribunal também assina hoje um termo de compromisso com a Prefeitura de São José dos Campos para a reforma do prédio. A obra custará cerca de R$ 1,7 milhão e será bancada pela administração municipal. Em contrapartida, o Tribunal cederá um espaço de 700 metros quadrados do Fórum velho para as novas instalações do Procon. A expectativa do governo é que o projeto de lei seja enviado à Câmara em agosto, com as obras começando logo após a aprovação. “O projeto está feito, orçado e será enviado para a Câmara no mês que vem. Acreditamos que será aprovado sem problemas”, disse Dimas Soares, secretário de Promoção da Cidadania.

Com as obras, o Fórum velho se tornará o Centro de Justiça e Cidadania de São José, cuja oficialização também será feita hoje, em solenidade no Fórum da cidade, no Jardim Aquarius, zona oeste, às 14h. Além do Cejusc, o Centro terá quatro cartórios eleitorais da cidade, Procon, Justiça Restaurativa e Terapêutica e a 2ª Vara de Juizado Especial Cível (pequenas causas), que deve ser instalada até o final do ano. “Priorizaremos as questões sociais, o atendimento ao cidadão. É o novo foco da Justiça, de reforçar a conciliação”, afirmou José Loureiro Sobrinho, diretor do Fórum de São José.

Enquanto as obras de reforma estiverem em andamento, com duração prevista de quatro meses, Sobrinho informou que o Cejusc poderá ser transferido para o prédio do Fórum novo, no Aquarius. “Está sendo feita uma estratégia para mudar as alas do Cejusc durante a reforma. Mas, se for preciso, o serviço vai provisoriamente para o prédio novo”, disse. No Fórum, segundo o diretor, o Tribunal vai aditar contrato para resolver os problemas com o ar-condicionado e os elevadores.

Prefeitura lança edital para leiloar torres antigas na cidade

A Prefeitura de São José dos Campos vai vender para a iniciativa privada duas das quatro torres inacabadas da falida construtora Argon na orla do Banhado, região central da cidade. Os 256 apartamentos de 47,8 metros quadrados cada torre tem 128 unidades habitacionais deverão ser comercializados por meio do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’, com financiamento da Caixa Econômica Federal, para famílias com renda entre R$ 1.600 e R$ 3.100 já inscritas na fila da habitação do município.

A utilização dos prédios para moradia faz parte do projeto Centro Vivo, que é gerenciado pelo Ipplan (Instituto de Pesquisa, Administração e Planejamento). Abandonadas em 1992 e desapropriados em 2009 pela prefeitura, as torres da Argon vão ser repassadas à construtora que oferecer o maior lance.

Segundo Cynthia Gonçalo, diretora do Ipplan, o edital para a venda dos espigões deve ser publicado até 15 de junho. A construtora vencedora terá 60 dias para iniciar as obras. A previsão é que os apartamentos estejam prontos em 2013.

“Faz parte da estratégia do projeto Centro Vivo incentivar a moradia na região central. Os prédios da Argon são uma oportunidade muito boa para isso”, disse ela. Antes de lançar o edital, contudo, a venda dos prédios terá de ser aprovada na Câmara. Os vereadores devem votar hoje projeto de lei da administração municipal que permite o uso dos prédios para programas habitacionais.

Cynthia informou que o contrato de venda estipula que os apartamentos sejam negociados dentro do ‘Minha Casa’, beneficiando as famílias cadastradas no programa habitacional da prefeitura. Segundo a diretora do Ipplan, a Caixa já fez uma avaliação dos apartamentos e considerou o preço de venda, com as unidades prontas, em até R$ 160 mil. Cada unidade tem dois dormitórios e uma vaga de garagem.

“Tivemos o cuidado de, na desapropriação, não permitir que os prédios virassem motivo de especulação imobiliária”, disse Cynthia. “Os apartamentos terão que servir de moradia para famílias do programa habitacional.”

O governo Eduardo Cury (PSDB) comprou os edifícios no início de 2009 por R$ 6 milhões junto à massa falida da Argon, com a proposta de incorporá-los ao programa habitacional do município. Pouco depois, usou parte da área do empreendimento para o traçado da Via Norte (ligação viária do centro com a zona norte) e chegou a cogitar a demolição das torres.

Em julho de 2011, contudo, o prefeito voltou atrás e anunciou a venda das torres para moradia. Serão leiloados os prédios que ficam às margens da pista sentido centro-bairro da Via Norte. O valor de venda dos prédios ainda não foi estabelecido pela administração.

O Vale