Sindicato dos Metalúrgicos apelam salário da Avibras

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos vai acionar os ministérios da Defesa e da Fazenda para tentar resolver o problema de atraso de salários na Avibras Aeroespacial, de São José, que passa por dificuldades financeiras. Cerca de 400 dos 1.200 funcionários da companhia não recebem os vencimentos integralmente desde maio deste ano. Hoje, um representante do sindicato vai a Brasília tentar um encontro com o governo federal para pedir agilidade na liberação de documentos da Avibras, que permitiriam a entrada de dinheiro de um contrato com o governo da Indonésia, avaliado em US$ 350 milhões.

Fechado em novembro do ano passado, o negócio inclui a entrega de 36 plataformas de lançamentos múltiplos de mísseis Astros 2 para a Indonésia. “Sabemos que o dinheiro não é liberado pela falta de um documento do governo federal, com garantias para o contrato”, disse Elias Osses, diretor do sindicato. “O documento está pronto, mas a burocracia impede que ele seja enviado rapidamente. Vamos a Brasília amanhã (hoje) tentar resolver essa questão burocrática.”

Segundo o sindicalista, que se reuniu com a direção da Avibras, o contrato com a Indonésia permitiria a regularização do pagamento dos salários na empresa. “Há trabalhadores com dificuldade de pagar prestação de carro, casa e até mensalidade de escola”, afirmou Osses. Desde o início do ano, trabalhadores da Avibras já realizaram duas paralisações em São José. Uma delas de 24 horas e a outra, de duas horas. “Se os salários não forem pagos, a situação ficará insustentável na empresa”, disse o sindicalista. Ontem, nenhum diretor da Avibras foi localizado para comentar o assunto.

GM tem ofertas para quem aderir ao Programa de Demissões

O Sindicato dos Metalúrgicos divulgou ontem os benefícios que a General Motors irá oferecer no PDV (Programa de Demissão Voluntária) que será aberto no dia 10 de julho para todos os trabalhadores do complexo industrial de São José dos Campos. Segundo a entidade, para trabalhadores em geral: de 1 a 5 salários-base (conforme tempo de fábrica), mais 4 meses de seguro-saúde. Para aposentados: de 1 a 5 salários-base, mais 2 salários e mais 12 meses de seguro-saúde.

Já para trabalhadores em fase de pré-aposentadoria: de 1 a 5 salários, mais 1 salário para cada mês faltante para a a posentadoria, limitado a oito salários, mais 12 meses de seguro saúde, mais 1 mês para cada mês faltante para a aposentadoria, limitado a oito meses. O PDV será encerrado no dia 19 de julho. A GM informou que não irá divulgará balanço do número de adesões e nem sobre os benefícios oferecidos.

O presidente do Sindicato, Antonio Ferreira de Barros, o Macapá, relatou que o novo PDV já havia sido acordado com o sindicato. Ele faz parte do pacote fechado entre a entidade e a montadora para o complexo industrial de São José dos Campos disputar investimento de R$ 2,5 bilhões que a empresa irá fazer para a produção de um novo modelo de carro. “Os benefícios oferecidos pela GM nesse novo PDV não são tão atrativos. Os anteriores foram mais”, afirmou.

Macapá disse que o sindicato vai acompanhar o processo de adesão, mas não há expectativa sobre o número de trabalhadores interessados. “Sabemos que há trabalhadores interessados e que aguardam a abertura, mas não temos estimativa”, afirmou. Segundo ele, o complexo industrial de São José emprega atualmente cerca de 6.500 trabalhadores. Do total, 900 são aposentados. A abertura do PDV havia sido mencionada pelo diretor de Relações Industriais da GM, Luiz Moan, durante as negociações com o sindicato. O executivo relatou que havia necessidade de novo PDV porque há trabalhadores excedentes na planta. A expectativa passa a ser a decisão da GM sobre o local onde serão aplicados os investimentos anunciado, o que deve ser divulgado este mês