Depois de Cartão Eletronico, Passageiros diminuiem em Vans

Motoristas de vans do transporte alternativo de São José afirmam ter perdido metade dos passageiros depois que o cartão eletrônico e a integração foram adotados nos ônibus e o passe de papel quase extinto, no final de 2011.

Sem integração com o sistema do cartão eletrônico, que permite ao passageiro pagar um único bilhete para usar várias linhas, as vans só recebem em dinheiro, o que afastou os usuários e impôs um prejuízo de 50% no faturamento do transporte.

Os motoristas afirmam que hoje só usa a van o passageiro ‘esporádico’, que paga em dinheiro por não ter o cartão. Por isso, há perueiros com dificuldade de pagar as prestações das vans, que custam até R$ 110 mil.

“Estou pensando seriamente em desistir do transporte alternativo na cidade. Não consigo pagar meu carro, que custou bem caro, e os usuário estão sumindo”, contou um dos transportadores, de 32 anos, que pediu para não ser identificado.

Passageiros do sistema de transporte também reclamaram. “Deixei de usar a van, que era bem útil para mim, quando passei a receber o vale-transporte no cartão”, contou a atendente Marilene Silva, 26 anos. Para resolver o problema, a Associação do Transporte Alternativo de São José está discutindo com a Secretaria de Transportes formas de integrar as vans ao sistema do cartão eletrônico.

Para Fauze Conceição, presidente da entidade, a única maneira de manter o serviço é integrá-lo ao sistema. “As pessoas andam em ônibus lotados quando as vans estão vazias por não conseguir receber no cartão. A nossa sobrevivência depende da integração.”

Em São José dos Campos, segundo a Secretaria de Transportes, 80 vans circulam em 16 linhas definidas pela pasta, atendendo por volta de 20 mil usuários por dia. Segundo o vereador Dilermando Dié (PSDB), que acompanha a negociação entre a prefeitura e os perueiros, uma nova reunião será realizada na próxima semana para discutir a possibilidade de integração.

“Serão escolhidas 10 vans para um projeto piloto do uso do cartão eletrônico no transporte alternativo. Estou otimista e satisfeito com a negociação”, afirmou Dié. Em nota, a Secretaria de Transportes informou que um software apresentado pela associação está sendo avaliado pelo setor de tecnologia do consórcio que reúne as empresas que operam o transporte público na cidade. O programa precisa ser compatível com o que é utilizado no sistema de cartão eletrônico. Sobre a integração, a pasta disse que “não há prazo para o processo ser implementado”.

O Vale

Aeroporto da cidade bate recorde de passageiros

O Aeroporto de São José dos Campos bateu recorde histórico no número de passageiros transportados no ano. O movimento no acumulado de 2011, somente até setembro, já é o dobro do registrado em todo o ano passado foram 169.707 passageiros este ano, contra 83.048 nos 12 meses de 2010.

A Azul e a Trip, companhias aéreas que operam hoje no terminal, afirmam que têm interesse em ampliar rotas e horários, no entanto, novos projetos estão descartados enquanto não houver melhoria na atual estrutura. A polêmica sobre a ampliação do aeroporto se arrasta há anos.

Atualmente, dois projetos estão em estudo. O primeiro, iniciado em 2007, é uma parceria entre a prefeitura, a Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) e o DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial).

Dono da área do terminal, o DCTA informou, por meio da Divisão de Infraestrutura e Patrimônio, que aguarda projeto que teria ficado sob responsabilidade da prefeitura para avaliar a possibilidade da construção de um novo terminal, com entrada do outro lado da pista, pela rodovia dos Tamoios.

Pela proposta inicial, o novo terminal seria construído do lado oposto ao atual. Desta forma, seria possível dividir o atual fluxo de voos comerciais com os testes realizados pela Aeronáutica e pela Embraer, bem como facilitar o acesso ao aeroporto, hoje restrito à avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona leste da cidade. Por meio de nota, a prefeitura disse desconhecer tal compromisso.

“A prefeitura não realiza qualquer estudo sobre o Terminal Aeroportuário de São José dos Campos, nem assumiu esse tipo de compromisso, uma vez que o aeroporto pertence ao Comando da Aeronáutica e é operado pela Infraero, mediante contrato com o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA)”, diz a nota.

Alternativa. O segundo projeto é da Infraero, que aplicaria investimentos de R$ 16 milhões na implantação de um MOP (Módulo Operacional de Passageiros), uma espécie de contêiner com estrutura pré-montada para abrigar maior número de passageiros o atual terminal tem 864 metros quadrados.

Segundo a Infraero, a capacidade anual do terminal é de 90 mil passageiros, 79 mil a menos do que já foi transportado até setembro.

Por meio de nota, a empresa diz que há possibilidade de aumentar número de voos com a atual estrutura. “Fora desses horários de movimento mais intenso, o aeroporto dispõe de longos períodos diários de baixo movimento, que podem absorver um crescimento da demanda. Não obstante isso, estão sendo realizados estudos para futura ampliação, que poderá ocorrer por meio da construção de um módulo operacional, com projeto ainda a ser definido”, diz trecho da nota.

Ainda este mês, São José deve sediar reunião para discutir melhorias no terminal para o próximo ano. O encontro deve unir a Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República, Infraero, lideranças políticas, Infraero, Embraer e outras entidades ligadas ao aeroporto. O deputado federal Carlinhos Almeida (PT), que é de São José e participou do primeiro encontro sobre o tema, realizado em Brasília, disse que há necessidade de ampliação do terminal.

O Vale