Redução de empregados gera reunião em Brásilia

A direção do Sindicato dos Metalúrgicos se reúne amanhã com o governo federal para tratar do PDV (Programa de Demissões Voluntárias) anunciado na semana passada pela General Motors na unidade de São José. O encontro será às 17h, em Brasília (DF), na sede no Ministério do Trabalho. O grupo será recebido pelo ministro Carlos Lupi.

No encontro, os sindicalistas vão pedir a intervenção do governo para pressionar a GM a garantir a reposição das vagas que forem abertas pelo PDV, com o mesmo nível salarial dos empregados que aderirem ao programa. Segundo o sindicato, também será cobrada garantia de estabilidade para todos os metalúrgicos da montadora na cidade.

Até a semana passada, pelo menos 200 trabalhadores teriam aderido ao PDV, segundo o sindicato. A empresa não confirma e também não informa o número de adesões. O PDV foi aberto na terça-feira da semana passada para todos os trabalhadores da unidade mensalistas (setor administrativo) e horistas (setor produtivo). A indústria emprega 8.907 pessoas em São José.

Em nota divulgado no anúncio do programa, a montadora alegou que as “razões da abertura do PDV são baseadas na intensa competitividade do mercado brasileiro, além dos crescentes custos de mão de obra, matérias primas e insumos e uma concorrência assimétrica gerada, entre outros fatores, por uma guerra cambial”.

No entanto, somente na fábrica de São José a medida atingiu o setor produtivo. Nas demais, o alvo foi somente o setor administrativo. O presidente da GM na América do Sul, Jaime Ardila, disse na ocasião que o PDV não está relacionado à desaceleração das vendas e aos altos estoques.

Com relação ao corte de horistas em São José, Ardila acrescentou estar relacionado ao fato de a empresa ter concentrado a produção de novos modelos em São Caetano do Sul e Gravataí (RS). Para o presidente do sindicato, Vivaldo Moreira Araújo, o PDV tem como foco os empregados próximos da aposentadoria e os já aposentados, que somam em torno de 400 pessoas.

A decisão da GM preocupa o prefeito Eduardo Cury (PSDB), que teme pelo futuro da empresa na cidade. Para dirigentes empresariais, a situação decorre da política de confronto do sindicato. Em São José, a GM produz os modelos de passeio Classic, Corsa, Meriva e Zafira. Também são fabricados as picapes Blazer e S10.

Nesta linha está previsto a produção de um novo modelo, a partir de 2012. A GM informa que os investimentos previsto no Brasil até 2012, de R$ 5 bilhões, estão mantidos. Em São José, o investimento é de aproximadamente R$ 700 milhões.

POR DENTRO
PDV
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O PDV foi anunciado pela GM no começo da semana passada em todas as suas fábricas do país para o setor administrativo. Em São José, no entanto, a medida inclui também o setor de produção

Alerta
Demissão
O anúncio acendeu o alerta em entidades empresariais e no governo municipal, que temem uma redução drástica no nível de emprego na GM

Perfil
Maior Empregadora
A GM tem em São José 8.907 funcionários; é a 2ª  maior empregadora da cidade, ficando atrás só da Embraer

O Vale

Efetivação de 800 funcionários

A General Motors confirmou ontem a efetivação de 800 funcionários de sua unidade em São José dos Campos. O grupo tinha contrato temporário com vencimento neste segundo semestre.

Com a medida, a planta chega a 9.000 funcionários próprios, mesmo nível de emprego do período pré-crise mundial, que derrubou as vendas de carros e provocou demissões na indústria automotiva do país no começo de 2009.

Com as vendas em crescimento no mercado interno, alta de mais de 10% em relação a 2010, ano em que o setor já registrou recorde histórico, a indústria automotiva em geral confirma novos investimentos no país e planos de renovação de seus modelos.

No caso da GM, a planta de São José tem importância estratégica e deve receber pelo menos dois novos modelos.

A decisão de efetivar o grupo foi confirmada ontem após extensa negociação com o Sindicato dos Metalúrgicos que se arrastava desde o início do ano. O anúncio também animou empresários e lideranças políticas, que acreditam em um efeito cascata na cadeia de autopeças e no setor de serviços (leia texto nesta página).

Segundo o sindicato da categoria, a efetivação faz parte de um acordo que prevê a equiparação salarial não só dos 800 temporários, como também de outros 200 já fixos que receberiam salários incompatíveis às funções desempenhadas atualmente.

Pelo acordo anunciado ontem, o primeiro grupo, formado por cerca de 350 funcionários, será efetivado em agosto. Eles fazem parte dos setores de CKDs (kits de veículos desmontados para exportação) e manuseio.

O restante dos trabalhadores será efetivado de acordo com o vencimento de seus contratos de temporários.

Além da efetivação de 800 trabalhadores, o plano de equiparação salarial, já aprovado ontem pelos funcionários da empresa por meio de assembleias em dois turnos, prevê o aumento do piso salarial nas áreas de manuseio, kits para exportação e operadores de empilhadeiras.

O reajuste será efetuado de acordo com o setor e o tempo de serviço de cada funcionário, com índices variando de 35,5% e 75,83%.

A grade salarial da área de kits para exportação e manuseio prevê reajustes após os quatro primeiros meses de admissão e, posteriormente, a cada seis meses, num total de oito reajustes. Já na produção, o aumento ocorrerá a cada seis meses, totalizando quatro reajustes.

Por meio de nota, a GM apenas confirmou a negociação e a efetivação dos funcionários. A fábrica de São José produz os modelos Corsa, Meriva, Montana, Classic, Zafira, S10, Blazer e CKDs, além de motores e transmissões.

Para o secretário de Relações do Trabalho de São José dos Campos, José Luís Nunes, as efetivações terão impacto em toda a cidade.

Balanço do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgado pelo Ministério do Trabalho no início da semana, apontou que o setor industrial teve o melhor desempenho do ano no saldo de geração de postos de trabalho formais em São José.

No acumulado de 2011, são 1.178 novos empregos gerados. “O bom desempenho puxa o crescimento de outros setores, como o de serviços”, disse o secretário.

Consolidado. O diretor regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) em São José, Almir Fernandes, ressalta que as efetivações são um indicativo de que o setor está consolidado.

O Vale