Prefeitura deixa Zona Sul da cidade sem linha de ônibus

A Prefeitura de São José deixou pelo menos 50 mil moradores da zona sul sem ônibus ontem, temendo ações de vândalos contra os coletivos. A mudança afeta 16 linhas de bairros populosos, como Campos dos Alemães e Dom Pedro, e será mantida por tempo indeterminado. Juntos, esses bairros somam 61 mil pessoas, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Sem ônibus, muitos moradores faltaram no emprego, médico ou deixaram de fazer compras. As vans do alternativo também deixaram de passar pela região. O trânsito também está prejudicado com a interdição do fluxo na Estrada do Imperador, principal acesso ao Campo dos Alemães, que começa na rotatória do condomínio Eldorado.

Itinerário. De acordo com a prefeitura, as linhas continuam atendendo a região, só mudaram o itinerário. A Secretaria de Transportes informou que as seis linhas que normalmente passam pela avenida Bacabal (Estrada Velha Rio-São Paulo) estão fazendo o retorno na entrada da Faculdade Anhanguera.

Já as dez linhas que transitam pelas avenidas Cidade Jardim e Andrômeda estão parando na rotatória de entrada do bairro Interlagos.

Versão diferente da contada pelos moradores que reclamam que esses coletivos estão parando bem antes no ponto em frente ao Sesi (Serviço Social da Indústria), no cruzamento das duas avenidas. “Estou desesperada, isso não pode continuar assim”, afirmou a faxineira Dimariz Gomes, 30 anos, que deixou de trabalhar ontem. “Se eu não trabalho eu não ganho. Como vou fazer para pagar as contas?”, questionou.

O problema de Dimariz não é isolado. Muitos moradores da região trabalham como cabeleireiras, jardineiros e cozinheiras e ganham por dia de trabalho. “Arrumei a minha bicicleta hoje para não faltar no trabalho amanhã porque ficando em casa não recebo nada”, afirmou o jardineiro, Paulo Herique da Silva, 30 anos, que trabalha no Aquarius.

Um ônibus do Jardim Colonial foi queimado em frente ao Pinheirinho no dia 17, quando a polícia se preparava para fazer a desocupação que dpois foi barrada pela justiça.

O presidente do Sindicato dos Condutores, José Carlos de Souza, acusa a prefeitura de fazer uma ‘greve do sistema’ ao deixar de atender a região mais populosa da cidade. “Toda essa desocupação é culpa da prefeitura e agora são os moradores que estão sendo prejudicados”, afirmou. A estimativa de moradores sem ônibus é do sindicato, a prefeitura não quis informar o dado.

Linhas prejudicadas
240 – Novo Horizonte – Campo dos Alemães
– Integração Zona Sul / Colonial Chácaras Reunidas
315 – Terminal – Interlagos
317 – Rodoviária – Campo dos Alemães
318 – Terminal – Dom Pedro
319 – Rodoviária – D. Pedro
308 – Terminal Central – Bosque dos Eucaliptos <MC1><COPRETO><CP10>
308 – Terminal – Bosque dos Eucaliptos (via Ouro Fino)
323 – Campo dos Alemães – Terminal Central
331 – Campo dos Alemães – Jardim Aquarius
119 – Colonial – Jd. Aquarius
230 – Tesouro – Jd. Colonial
303 – Rodoviária – Colonial
304 – Afonso Pena – Colonial
327 – Residencial União – Praça Afonso Pena
330 – Corredor Sul 1 (Campo dos Alemães – Terminal)

O Vale

Após reintregração de posse, Zona Sul em estado de guerra

A zona sul de São José do  foi palco de um campo de batalha  ontem durante a desapropriação do Pinheirinho um embate que colocou moradores e policiais em lados opostos.

De um lado, os desabrigados  que no desespero colocaram ‘terror’ e saíram de moto nas ruas queimando carros e vans, jogando pedras para atingir policiais e depredando prédios públicos. Ao menos dez veículos foram queimados.

Do outro, a Polícia Militar e a Guarda Civil Municipal que não hesitaram em jogar bombas de gás e de efeito moral para dispersar os moradores e acabar com as manifestações. Carros e vans de moradores foram queimados logo no início da tarde no Campo dos Alemães, Com Pedro e Jardim Satélite . Mais tarde, viaturas da Guarda  Municipal e até o carro oficiais de secretários do primeiro escalão do governo receberam pedradas e pauladas.

A Fundhas (Fundação Hélio Augusto de Souza) do Campo dos Alemães foi incendiada. Ninguém ficou ferido.
Um dos conflitos mais graves ocorreu no final da tarde, por volta das 16h. O advogado do movimento sem-teto, Antonio Donizete Ferreira, o Toninho, pediu para os moradores que aguardavam o atendimento resistirem a desocupação e invadirem as ruas.

“Eu prometi para vocês resistência. Nós estamos agora tentando suspender a reintegração em Brasília, mas ainda não temos resposta. Enquanto isso nós vamos encher as ruas e tentar atrasar a operação da polícia”, afirmou após subir no palco e reunir os moradores.

Em seguida, os desabrigados começaram a derrubar as grades que servem e apedrejar os guardas civis municipais. Em resposta os guardas usaram bombas de efeito moral e começaram a dar tiros com armas não letais.

O caos se instalou. Nesse meio tempo, um integrante do Movimento sem-teto foi preso pela guarda. O embate durou de 1h30, com banheiros químicos jogados no chão e quebra das caixas de som,  e acabou  suspendendo  o cadastro das famílias. O outro, por volta das 19h,  fez com que a equipe médica deixasse o local.

O Vale

Periferia vão funcionar como mini shoppings

Os polos de negócios que a Prefeitura de São José dos Campos planeja implantar em bairros da periferia deverão promover a geração de renda e empregos nas comunidades locais.

Os empreendedores que forem selecionados pelo governo para montar pequenos negócios nos denominados Ceasp (Centro de Empreendedorismo e de Atividades Sócio-Profissionais) terão que, obrigatoriamente, abrir vagas de emprego para moradores dos bairros onde estão instalados os centros.

O primeiro Ceasp do programa “Nosso Bairro, Nossa Cidade” será implantado no Campo dos Alemães, na periferia da região sul.

O prefeito Eduardo Cury, em entrevista ao jornal O Vale, frisou que os espaços comerciais dos Ceasp serão destinados somente para moradores do bairro onde ele está instalado e que os empreendedores deverão assumir o compromisso de contratar mão-de-obra da comunidade local.

Relatou também que o poder público também irá incentivar a implantação de serviços como postos bancários e de correios nos bairros que não têm esses serviços.

Na avaliação de Cury, a unidade do Campo dos Alemães servirá para que o governo avalie na prática o funcionamento do projeto para eventuais ajustes nos demais centros.

A implantação do programa Nosso Bairro Nossa Cidade é um dos compromissos políticos assumidos por Cury na campanha à reeleição, em 2008.

Moradores e comerciantes do Campo dos Alemães aprovaram a iniciativa da prefeitura de criar um polo de negócios no bairro.

Também serão contemplados o Putim (sudeste), Parque Interlagos (sul), Jardim Mariana 2/Cajuru e Santa Inês (leste) e Altos da Vila Paiva/São Geraldo (norte).

Fonte: O Vale

Zona Sul é comparada como uma cidade

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que a zona sul de São José dos Campos abriga uma “Jacareí”. Um total de 227.913 pessoas mora na região mais populosa da cidade ou seja, mais de um terço da população. Enquanto Jacareí conta com 211.214 habitantes.

O levantamento foi divulgado ontem e tem como base o Censo 2010. Trata-se do primeiro mapa da ocupação urbana por microrregiões das cidades da região.Detalhes. Segundo o estudo, as regiões do Jardim Morumbi e Colonial são as mais populosas e é no centro, em bairros como Jardim Maringá e São Dimas que os idosos estão concentrados.

Nessa região, 13 a cada 100 moradores têm mais de 65 anos de idade. Em seguida, nesse quesito está a zona oeste 12,9% dos moradores são idosos.

Avaliação.Pedro Ribeiro Moreira Neto, professor de Planejamento Urbano da Univap (Universidade do Vale do Paraíba), afirmou que o mapa é uma ferramenta para a política pública. Segundo ele o estudo faz um alerta: é preciso utilizar melhor o centro de São José que está saturado durante o dia e é subutilizado a noite.

Vida. Quem mora na ‘cidade sulista’ que existe dentro de São José sente todos os dias o impacto de morar em uma região populosa. Exemplo disso é a dona-de-casa Lázara Antunes Vieira, 50 anos, que mora há seis meses no Parque Industrial, na zona sul.