Secretária de Transporte contrata sistema informativo

A Secretaria de Transportes de São José dos Campos vai contratar uma consultoria para implantar um sistema informatizado de controle dos semáforos da cidade. Com valor de referência de R$ 700 mil, a empresa será contratada por 10 meses com recursos do convênio da prefeitura com o BID (do Banco Interamericano de Desenvolvimento).

Segundo Anderson Farias Ferreira, secretário de Transportes, a consultoria fará uma contagem completa do fluxo de veículos em todos os 362 cruzamentos com semáforo na cidade. Os dados serão mapeados e colocados em um software, que também será fornecido pela empresa, para gerenciar e controlar o tempo dos semáforos em São José.

A ideia, segundo Ferreira, é usar o programa para identificar o impacto que uma mudança em um semáforo tenha nos equipamentos mais próximos, melhorando o tempo e a fluidez nos cruzamentos. “Hoje temos todos os semáforos interligados por fibra ótica, mas se mudarmos um deles, não temos informações do sistema sobre o impacto nos outros”, afirmou o secretário.

As propostas da licitação serão recebidas até 24 de abril. A expectativa da prefeitura é definir a contratação da empresa antes do final de maio.

O Vale

Velocidade de Transporte Público é motivo de reclamação

A velocidade dos ônibus é um dos principais problemas do sistema de transporte público, que também é criticado pela lotação nos horários de pico e pelos horários limitados aos finais de semana. Levantamento da Prefeitura de São José mostra que os ônibus trafegam abaixo da metade da velocidade máxima permitida nos principais corredores viários que ligam as regiões ao centro.

A lentidão excessiva considerada uma infração prevista no Código de Trânsito Brasileiro atrasa a viagem dos usuários e prejudica o fluxo das outras modalidades de transporte, como os carros. A velocidade média do sistema de transporte público como um todo é de 25,5 km/h, mas nos corredores de maior demanda o cenário é pior.

Na região central, que recebe 92% das linhas do transporte público, os coletivos não passam de 11,5 km/h no horário de pico velocidade similar à atingida por uma pessoa correndo. Já na zona leste, a velocidade varia de 26 a 28 km/h. A velocidade crítica de 11,5 km/h mapeada na região central foi verificada em nove avenidas como José Longo, São João, Heitor Villa Lobos e João Guilhermino.

Na avenida Andrômeda, principal corredor de acesso à zona sul, a velocidade média dos ônibus é de 14 km/h enquanto o limite da via varia de 50 km/h a 60 km/h. Na avenida Rui Barbosa, zona norte, os ônibus trafegam a 28 km/h.

O problema tem reflexo direto na vida dos usuários que dependem do transporte público 280 mil por dia. “Tem dias que já chego no meu trabalho com dor nas pernas de tanto tempo que fiquei em pé tendo que me apoiar ao máximo para não cair”, afirmou a empregada doméstica Fernanda Oliveira, 27 anos.

A estudante Tamires Ferreira, 22 anos, mora no Urbanova. “Quando pego carona com meus pais, demoro de 10 a 15 minutos para ir para o centro. De ônibus, levo 40 minutos no mesmo caminho”, afirmou. “O ônibus dá muitas voltas, tem horários que faz a volta em todos os condomínios do Urbanova e muitas vezes os motoristas andam devagar”, disse.

A bancária Rita Garcia, 39 anos, reclama que poderia dormir mais se a viagem do ônibus fosse mais rápida. “Deixo de dormir, de descansar e de passar mais tempo com a minha família”, afirmou. A prefeitura informou que o cálculo de velocidade média considera a distância entre os pontos de ônibus e o tempo gasto de deslocamento entre eles. Os fatores são apontados por GPSs (Sistema de Posicionamento Global) que estão instalados dos ônibus.

De acordo com a Secretaria de Transportes, além da interferência do tráfego normal como os tempos semafóricos e conversões, foi considerado o tempo de parada nos pontos intermediários. “A velocidade aferida não é considerada em trânsito e sim a velocidade com todas as interferências”, diz trecho da nota oficial da prefeitura.

A prefeitura não informou qual seria a velocidade considerada a ideal. “A velocidade média ideal é aquela que atende ao desejo de deslocamento das pessoas”, disse.

O Vale

Ônibus do ECO na Zona Leste, terão sistema mudado

A prefeitura de São José dos Campos vai modificar o sistema de operação dos ônibus na ECO (Estação de Conexão de Ônibus) no bairro Campos de São José. A promessa foi feita pelo secretário de transportes, Anderson Farias Ferreira, durante audiência pública com a administração, realizada no último dia 29.

Usuários do local reivindicam mudanças no sistema e na infraestrutura desde que a estação entrou em operação, em maio de 2010. Para o motorista Valdecir Antônio Pereira, 42 anos, a instalação da ECO só piorou a situação. “Agora quem mora no fim do bairro precisa de dois ônibus para ir até o centro, mas antes pegava apenas um. Não vi vantagem, fora que eles sempre demoram muito para passar”, afirmou.

A Secretaria de Transportes informou ontem que já estuda as mudanças necessárias para serem implantadas, mas não deu prazo para resolução dos problemas. A pasta informou ainda que nos últimos dois meses já realizou algumas mudanças de itinerários e horários incluindo mais dois veículos para atendimento nos bairros da região da ECO, e que será realizada uma pesquisa com o objetivo de entender a necessidade dos usuários.

Segundo a estudante Tamires Cristina da Silva, 19 anos, o pior problema é a demora na linha Serrote. “Eu pego ônibus aqui todos os dias, mas o Serrote é sempre o que demora mais”, disse. A reclamação da auxiliar de serviços gerais, Lucimara Vilar, de 35 anos é a mesma.

“O serviço aqui está bem ruim, os ônibus demoram e a ECO está sem estrutura para os usuários”, afirmou ela. Segundo a secretaria, entre as melhorias no serviço da ECO estão ainda o aumento nos horários das linhas nos bairros Serrote e Santa Cecília 2, além de mudança nos itinerários dos ônibus no Pousada do Vale, Monterrey e também no bairro Jardim Helena.

Outra reclamação comum aos moradores, que a secretaria já está analisando, é o abuso de velocidade dos motoristas na Estrada do Cajuru, já prevista pela prefeitura, e outros bairros da região. Os moradores também reivindicam o recapeamento no Campos de São José e a secretaria disse que uma empresa já foi contratada para o serviço.

No bairro Pousada do Vale, também já estaria em andamento a documentação para adesão do PCM (Plano Comunitário de Melhorias). A ECO teve sua operação iniciada em maio de 2010, e atende nove bairros: Campos de São José, Pousada do Vale, Jd Mariana I e II, Santa Cecília I e II, Jd Helena, Monterrey.

Após a realização de estudos pelo Departamento de Transporte Público nas 96 linhas existentes na cidade, a Secretaria de Transportes disse que o serviço de integração feito hoje pela ECO é realizado sem a necessidade de construção de novas estações, mas que acabam mantendo o mesmo conceito.

O Vale