Rotina das Missas na cidade são alteradas devido á Gripe

A Diocese de São José dos Campos determinou mudanças na rotina das missas para prevenir o contágio da gripe suína após a cidade, que há dois anos não registrava casos, confirmar duas mortes em decorrência de complicações da doença, causada pelo vírus Influenza A H1N1.

Desde a semana passada, estão vetados nas celebrações nas paróquias o ‘abraço da paz’ e dar as mãos durante a oração do ‘Pai Nosso’. Além disso, a hóstia não será mais entregue por via oral. Além de São José, a Diocese engloba ainda Jacareí, Santa Branca, Igaratá, Monteiro Lobato e Paraibuna.

As medidas valem para todas as 294 capelas e 43 paróquias e afetam cerca de 100 mil fiéis que frequentam as missas semanalmente. “Nós avisamos nas missas sobre estes novos procedimentos e a reação foi normal. Os fiéis até acham interessante essa medida de prevenção”, disse o padre Thiago Domiciano Dias, da paróquia Nossa Senhora de Fátima, no bairro Altos de Santana, zona norte.

Depois de não registrar nenhum caso da doença em 2010 e 2011, São José já contabiliza neste ano três casos confirmados, com duas mortes nos últimos 30 dias. Na avaliação de profissionais da saúde, a falta de casos na região nos últimos dois anos prejudicou a prevenção da doença.

Para eles, os moradores ‘baixaram a guarda’ para o problema depois que se ‘esqueceram’ da epidemia de 2009, que registrou mais de 100 casos e 7 mortes nas três principais cidades do Vale. Na época, a Diocese de São José já havia adotado medidas semelhantes para prevenir o contágio por meio de contato entre os fiéis.

Em Taubaté, onde a Diocese também engloba as cidades de Caçapava, Pinda, Tremembé, Campos do Jordão, São Bento do Sapucaí, Santo Antônio do Pinhal, Natividade da Serra, Redenção da Serra e São Luís do Paraitinga, não houve nenhuma orientação para procedimento semelhante nas missas.

Na cidade, há três casos confirmados e uma vítima fatal suspeita, de uma mulher de 39 anos que morreu no dia 12 após dar entrada no Pronto-Socorro com sintomas da doença. A confirmação só será possível após o exame no Instituto Adolfo Lutz. Em Jacareí, são dois casos suspeitos.

O Vale

Após 2 anos, Gripe Suína volta a matar na região

Duas pessoas morreram em São José dos Campos por complicações decorrentes da gripe suína nos últimos 30 dias. Uma delas morava na cidade, que registra três casos confirmados da doença. Há ainda dois casos em Taubaté e um em Jacareí, mas sem mortes.

Familiares da comerciante Maria Francisca Maciel Almeida, 49 anos, que morreu em 6 de julho na Santa Casa de São José, só receberam anteontem o resultado dos exames que confirmaram a gripe suína, que é causada pelo vírus Influenza A H1N1.

Eles não descartam processar a instituição por falta de orientação sobre a gripe. A publicitária Thailize Maciel Almeida, 23 anos, que contraiu o vírus e é filha da comerciante, disse que foi atendida na Santa Casa e liberada para participar do velório e enterro da mãe, mesmo estando doente e tendo contato com outras pessoas.

“Eu acabei sarando da gripe naturalmente, mas poderia ter tido complicações como a minha mãe. Não recebi a medicação adequada”, afirmou ela. Procurada por O VALE, por meio da assessoria de imprensa, a direção da Santa Casa não se pronunciou sobre o assunto.

Vindo de Blumenau (SC) para São José a negócios, no final de maio, o empresário Cláudio Roberto Tesche, 56 anos, acabou piorando da gripe e foi internado no Hospital Santos Dumont, em São José, no dia 31 de maio. Ele morreu na madrugada de 24 de junho por insuficiência renal e falência múltipla dos órgãos, ocasionadas pela gripe suína.

Segundo familiares, Tesche contraiu a gripe suína em Blumenau, cidade que já contabiliza 12 mortes. Em todo país, segundo o Ministério da Saúde, já são 148 óbitos neste ano. Na avaliação de profissionais da saúde, a falta de casos na região nos últimos dois anos prejudicou a prevenção da doença.

Para eles, os moradores ‘baixaram a guarda’ para o problema depois que se ‘esqueceram’ da epidemia de 2009, que registrou mais de 100 casos e 7 mortes nas três principais cidades do Vale. “Nem todo mundo tomou a vacina nos últimos dois anos e, por isso, parte da população continua vulnerável ao vírus”, disse Cláudia Bonafé, coordenadora da Vigilância Epidemiológica de São José.

Na campanha de vacinação contra a gripe suína, deflagrada entre maio e junho, a Secretaria de Saúde de São José imunizou 88,4% do público-alvo idosos, crianças, gestantes e profissionais da saúde. Doses da vacina continuam disponíveis nas 40 UBSs (Unidade Básica de Saúde) apenas para os grupos de risco.

De lá para cá, surto da doença nas regiões Sudeste e Sul do país provocou uma corrida atrás da vacina em clínicas particulares, que não têm mais estoques. O pico da fabricação passou e não se sabe quando haverá doses disponíveis.

O Vale