A procura de apoio…

Para garantir apoio à proposta de instalação de uma termelétrica no bairro Torrão de Ouro (zona sul), a Prefeitura de São José intensificou o lobby pelo projeto junto a entidades empresarias da cidade.

O Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de São José e a Aconvap (Associação das Construtoras do Vale do Paraíba) já receberam visitas de representantes do governo Eduardo Cury (PSDB) e adotaram discurso favorável à termelétrica ou usina de recuperação energética a partir de resíduos sólidos.

As visitas aos empresários da cidade são normalmente conduzidas pelo secretário de Meio Ambiente, André Miragaia, e pelo diretor-presidente da Urbam (Urbanizadora Municipal), Alfredo de Freitas.

Ainda segundo o presidente da Urbam, o objetivo “é debater o assunto para que o cidadão possa reunir o maior número de informações sobre o tema”, “sem nenhum tipo de pressão”, disse.

Hoje à noite, o encontro dos agentes políticos do governo tucano será na ACI (Associação Comercial e Industrial) de São José, durante as comemorações do Dia do Comerciante. A instalação de uma termelétrica tem encontrado forte resistência de organizações não-governamentais e ambientalistas do município.

Eles defendem que o modelo, que recupera energia a partir do lixo, é nocivo ao meio ambiente e à saúde daqueles que residem próximos à planta da termelétrica.

Por sua vez, o prefeito defende a usina de recuperação energética com melhor solução para ampliar a vida útil, estimada em 12 anos, do aterro sanitário de São José. Freitas, por sua vez, rechaça a ideia de lobby e pressão.

Ambientalistas vão enviar às entidades civis de São José um documento mostrando que há outras alternativas para o lixo, além da termelétrica que o governo Cury quer implantar na cidade.

Segundo o advogado e ambientalista Lincoln Delgado, se essa ideia fosse benéfica para São José, a prefeitura não precisaria fazer uma defesa tão grande do projeto. A ONG Consciência Ecológica, junto com outras entidades, está preparando um documento para mostrar o lado que a prefeitura não mostra.

A TERMELÉTRICA

O que é
São José produz 670 toneladas de lixo por dia. A proposta da prefeitura é que, com a termelétrica, o lixo orgânico seja destinado para a biodigestão, transformando-se em compostagem após a remoção de água e gás metano e o remanescente e o lixo seco são destinados à incineração

Polêmica
Para ambientalistas, a termelétrica não é prioridade. Coleta seletiva, reciclagem e campanhas para consumo sustentável seriam medidas mais eficazes. A termelétrica também traria malefícios à saúde

Fonte: O Vale

Fundhas do Banhado demolida

Após 15 anos de atividade, o prédio da Fundhas na favela Nova Esperança, localizada no Banhado, região central de São José, foi demolido na manhã de ontem pela própria prefeitura.

A demolição aconteceu dez dias após as 21 crianças atendidas entrarem de férias e pegou de surpresa os moradores do local. As crianças serão transferidas para outras unidades.

De acordo com moradores, sem avisar a comunidade, funcionários da prefeitura entraram no bairro por volta das 7h30 de ontem, escoltados pela Polícia Militar e, após a remoção do mobiliário da unidade, iniciaram a demolição do prédio.

Os escombros ainda estão no local. A Fundhas era a único equipamento público do governo Eduardo Cury (PSDB) na comunidade. Pressão. Os moradores acusaram a prefeitura de demolir a unidade da Fundhas para ‘forçar’ a saída das famílias do Banhado.

Há mais de três anos, a Prefeitura de São José, tenta sem sucesso, remover as 399 famílias que vivem no local para garantir uma verba de compensação ambiental, no valor de R$ 10,2 milhões, para a criação do Parque do Banhado. Até agora, só foram removidas 83 famílias.

A meta do governo é criar, na área de proteção ambiental, um parque natural com os recursos da Petrobras.

Enquanto um grupo de mulheres chorava ao lado dos escombros da Fundhas, outros moradores tentavam reaproveitar pedaços de ferro e madeira da escola demolida.
O líder comunitário do bairro, David Moraes, disse que a ação foi um golpe profundo nos moradores.

A Fundhas (Fundação Hélio Augusto de Souza) informou, por nota, que a demolição da unidade Nova Esperança, no Banhado, na região central de São José, ocorreu porque o espaço não oferecia condições adequadas para o atendimento das crianças e para o desenvolvimento das atividades propostas pela instituição.

Segundo a Fundhas há cerca de um ano foi iniciado um processo de transferência dos alunos da unidade com a ciência dos pais e responsáveis. As crianças foram transferidas para a unidade Centro. Das 60 crianças atendidas em 2010, somente 21 eram atendidas atualmente.

Também foi informado que as 21 crianças restantes foram transferidas para a unidade Centro onde irão iniciar as atividades no mês de agosto. As crianças entraram de férias no início deste mês.