Greve dos bancos faz lotérica registrar procura 30% maior

A greve dos bancários, que completa hoje 13 dias, provocou aumento em torno de 30% no movimento em lotéricas na região, segundo empresários do setor. O índice é o mesmo verificado por lotéricos no final do ano, quando é sorteada a Mega-Sena da Virada, que pagou, em 31 de dezembro de 2012, um prêmio recorde de R$ 244,7 milhões. “Acredito que a procura pelos serviços bancários cresceu 30% desde a última semana, quando intensificou a greve dos bancos”, disse José Carlos Santos, gerente de uma lotérica em Guaratinguetá. A Caixa Econômica Federal não tem números fechados sobre o movimento nas lotéricas. Em nota, o banco confirmou que cresceu a procura por serviços bancários nas lotéricas e também nos CCAs (Correspondentes Caixa Aqui), internet banking e nos caixas eletrônicos.

Na RMVale, atualmente, há em operação 172 lotéricas, sendo 51 em São José dos Campos, 21 em Taubaté e 14 em Jacareí. Há também 213 CCAs em toda a região. As lotéricas e todos os correspondentes e lojas que possuem a marca “Caixa Aqui” recebem contas de água, luz, tributos, bloquetos de cobrança, prestação de habitação, saques de contas correntes e pagam benefícios sociais como bolsa família, seguro desemprego e FGTS, entre outros serviços. De acordo com levantamento de sindicatos, o número de agências fechadas ontem, na região, manteve o índice da última sexta-feira, de 133 agências. O movimento já havia atingido 177 unidades no início da semana passada.

O banco Santander conseguiu uma liminar na Justiça que impede a continuidade da greve. Nos outros bancos, porém, a paralisação continua. “Continuamos aguardando uma evolução nas negociações com os bancos. Por enquanto, a greve vai continuar”, disse Maria de Lourdes de Oliveira, presidente do Sindicato dos Bancários de São José. “A proposta apresentada pelos banqueiros é muito ruim. Não aceitamos esse índice de 6,1%, já que os balanços mostram que os lucros são crescentes nas empresas”, afirmou, em nota, Carlinhos Casé, presidente do Sindicato dos Bancários de Taubaté. As sindicalistas da região acompanham diariamente as diretrizes do Comando Nacional, que administra o movimento grevista em todo país. Em nota, Juvandia Moreira, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, disse que os bancos “não retomaram as negociações até agora porque não querem”.

Setor da saúde da cidade tem crise com grande numeros de doentes

O novo secretário de Saúde de São José, Paulo Roitberg, recebeu de herança antigos e crônicos problemas, como falta de médicos nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e nas UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento), falta de especialistas, fila de espera para cirurgias e demora no atendimento. Alguns destes gargalos estão entre as principais reclamações dos moradores nas audiências do POP, o Planejamento Orçamentário Participativo. A saúde é ‘vitrine’ do governo Carlinhos Almeida (PT) e engloba algumas de suas principais promessas de campanha. Entre as missões de Roitberg estão ainda agilizar o mutirão de cirurgias e tirar do papel projetos como o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

Roitberg reconhece que um dos gargalos imediatos a resolver é a falta de médicos na rede, que possui 634 profissionais. “Vamos chamar 58 médicos que passaram em concurso para reforçar a rede”. Ele informou que vai chamar os médicos que estão afastados sem vencimentos para saber se querem continuar na rede. Roitberg substituiu o Álvaro Machuca, que deixou o comando da saúde anteontem após sete meses no cargo. Ao pedir demissão, Machuca não escondeu que enfrentou dificuldades. “Cansei. Virei burocrata na secretaria e só assinava papéis”. Um dia após a troca no comando da Saúde, O VALE esteve ontem na UPA do Campo dos Alemães (zona sul), onde reclamações de falta de médicos são constantes. Com apenas dois médicos, o tempo de espera por paciente chegou a sete horas.

“Cheguei às 9h40. São 15h e ainda tem dez pessoas na minha frente. É uma vergonha”, afirmou a manicure Vânia de Moura, 36 anos. A prefeitura informou que dois médicos faltaram ontem e que não foi possível realocar outros profissionais para suprir demanda. À noite, atendimentos foram normalizados. Também ontem, o munícipe André Fonseca e sua mulher Andrea enviaram fotos ao O VALE, feitas no último sábado, que mostram macas com pacientes no corredor e amontoados em sala no Hospital Municipal, onde o acesso à área interna é vetado à imprensa. “Minha sobrinha foi internada na quarta-feira e levou três dias para ser colocada em um quarto. É um descaso com o paciente”, disse Andrea.

Administradora do hospital, a SPDM (Associação para o Desenvolvimento da Medicina) informou que nenhum paciente fica desassistido. “Estão sendo realizadas obras de reforma e manutenção no Pronto-Socorro para ampliar o atendimento à população e está sendo definido juntamente com a Secretaria de Saúde projeto para ampliar o número de leitos de internação na unidade”, disse a SPDM em nota oficial. O novo secretário de Saúde de São José, Paulo Roitberg, disse ontem que até o fim de agosto quer promover redimensionamento da rede básica de saúde para amenizar a falta de médicos nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde). “Há unidades que têm falta de profissionais e outras em que há mais médicos.”

Roitberg salientou ainda que o redimensionamento da rede básica tem como foco melhorar o atendimento. “Precisamos melhorar o acolhimento e o atendimento da população, que não pode ficar esperando de quatro a seis horas para ser atendida.” O plano do novo titular da Saúde é implantar o programa Humaniza SUS, em parceria com o Ministério da Saúde. “Vamos capacitar e treinar os profissionais para que tenham um novo olhar para o paciente”, disse Roitberg. Outro gargalo que o secretário planeja atacar é a falta de médicos especialistas. “Cardiologia é uma especialidade da rede que enfrenta falta de profissionais.” Atualmente, a rede municipal de Saúde disponibiliza 17 especialidades médicas. Na avaliação do novo secretário, a Saúde pública de São José possui estrutura que só existe em algumas poucas cidades do país.

“Temos hoje 40 UBSs, 5 UPAs e 3 hospitais. A rede oferece procedimentos de alto padrão e alto custo”, afirmou Roitberg. Segundo ele, o desafio é melhorar os serviços prestados com a verba disponibilizada no orçamento. “A secretaria tem uma verba de R$ 478 milhões, maior que muitos orçamentos municipais. O nosso desafio é otimizar os recursos e fazer mais ainda”, disse Roitberg. Já com relação à fila de cirurgias, o novo secretário destaca que ela é infindável, mas que este ano já foram realizados 7.000 procedimentos. A implantação do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e do PSF (Programa de Saúde da Família) são considerados projetos prioritários para o novo secretário de Saúde, Paulo Roitberg. Ele relatou que planeja dar celeridade à implantação desses programas. No caso do Samu, falta firmar convênio com as cidades que integram o sistema.