Escolas públicas municipais de São José dos Campos vão ganhar a partir de 2012 placas para exibir nos portões informações sobre a taxa de alfabetização e o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de seus alunos.
Polêmica, a medida divide pais de estudantes e especialistas, que afirmam que a medida é vexatória, mas foi aprovada por unanimidade na Câmara e deverá ser sancionada pelo prefeito Eduardo Cury (PSDB).
Além do Ideb, que é uma avaliação do Ministério da Educação que une o fluxo escolar e o desempenho dos alunos na Prova Brasil, realizada a cada dois anos, será exposto ainda o índice de participação dos pais nas reuniões de colégio.
Cada uma das 45 escolas de ensino fundamental de São José deverá receber uma ‘placa-boletim’. Juntas, as unidades atendem a cerca de 40 mil estudantes.
Avaliação. A intenção do vereador Cristiano Pinto Ferreira (PV), que é autor do projeto, é que a exposição mobilize a comunidade do entorno das escolas com nota ruim para que pressionem professores e governantes.
“A ideia é chamar a atenção da comunidade e mostrar para os pais que a participação na vida escolar dos filhos é fundamental para que se conquiste um bom desempenho”, disse ao jornal O Vale
O ponto de vista é reprovado pela especialista Ângela Soligo, que é professora da Faculdade de Educação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
Segundo a especialista, a medida dá a impressão de que toda a responsabilidade pela qualidade da educação é dos pais e alunos.
“Por que não mostrar na porta da escola o valor do salário dos professores ou o investimento da prefeitura naquele ano para a melhoria da infraestrutura da escola?”, afirmou.
Para a especialista, a proposta pode resultar em uma exposição equivocada da escola e gerar constrangimento para os alunos.
Opinião similar tem a promotora da Infância e Juventude de São José, Silvia Máximo.
“Essa não é uma proposta socializante nem capaz de mudar a realidade. Essa exposição pode levar ao vexame e constrangimento. A constitucionalidade dessa lei merece profunda análise do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e da Constituição”, disse a promotora.
Decisão. O secretário de Educação de São José, Alberto Alves Mano Marques, disse que é favorável à medida, mas que ainda não conversou com o prefeito para definir se ela passará ou não por alterações.
Segundo ele, a ideia não é comparar o aluno de uma escola com outra, mas sim mostrar e acompanhar o desenvolvimento daquela unidade.
“A ideia é dar transparência a dados que já são divulgados hoje pela internet no site do MEC. Nós só vamos facilitar o acesso às informações”, disse o secretário.
Fonte: O Vale