Secretária da Saúde tem alto indice de falta em consultas

A Secretaria de Saúde de São José dos Campos contabiliza em cerca de um ano 1.480 consultas desperdiçadas por conta de pacientes que faltaram aos mutirões de especialidades médicas realizados no período. De acordo com levantamento da secretaria, desde agosto do ano passado foram realizados 18 mutirões de saúde para consultas com especialistas, o que representa a oferta de mais de 3.700 procedimentos.

Em média, as faltas de pacientes representam 40% das consultas, índice que se mantém elevado desde o início dos mutirões em agosto do ano passado. A prefeitura chegou a investigar o motivo para o número excessivo de faltas, mas não chegou a uma conclusão à época.

A demanda reprimida de consultas com especialistas não foi divulgada ontem pelo governo Eduardo Cury (PSDB). O número de consultas eletivas (aquelas que são agendadas previamente) antes do início dos mutirões era de 64 mil e caiu para cerca de 48 mil.

Os mutirões que têm sido programados pela administração tucana incluem especialidades médicas como ortopedia, dermatologia, urologia, gastroenterologia e endocrinologia. Especialistas em saúde pública consultados por O VALE criticaram a forma com que o governo do PSDB faz a divulgação dos mutirões e o acompanhamento da frequência dos pacientes.

Para eles, é preciso um aprimoramento para que os mutirões sejam efetivos e seja diminuído o desperdício de consultas. No último sábado, por exemplo, o mutirão de ortopedia programado pela prefeitura ofereceu 210 consultas, mas 34% das pessoas que confirmaram presença por telefone faltaram ao atendimento, o que representa 71 consultas desperdiçadas.

As próximas etapas do atendimento ampliado com ortopedistas serão realizadas nos próximos dias 11 e 18 de agosto. Os mutirões são realizados no Hospital Municipal, na Vila Industrial, na região leste de São José. De acordo com a Prefeitura de São José, as pessoas que confirmam presença mas faltam às consultas, têm que voltar à UBS (Unidade Básica de Saúde) para passar por uma nova avaliação clínica.

Segundo o governo, quem não comparece ao atendimento acaba prejudicando os demais pacientes, tirando a vez de outras pessoas que também aguardam consultas com especialistas.

O Vale

Convênios da cidade ainda não cumprem com normas

Planos de saúde da região descumprem as regras da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) para garantir um prazo máximo de espera dos clientes na marcação de consultas, cirurgias e exames, estabelecido entre 3 e 21 dias úteis. Sete meses após a determinação do órgão, que estabeleceu as novas regras em dezembro do ano passado, ainda existem clientes insatisfeitos com o atendimento oferecido pelos planos.

Na última terça-feira, a ANS suspendeu a comercialização de 268 planos de saúde de 37 operadoras no país.
Nenhum plano na região foi afetado pela medida, que entra em vigor amanhã e é uma punição pelo descumprimento dos prazos máximos de atendimento.

Na região, associados de planos de saúde consultados pelo O VALE reclamam da demora para marcar consultas em especialidades como dermatologia, reumatologia, neurocirurgia, psiquiatria e endocrinologia. Há casos de espera de até sete meses, contrariando a resolução 259 baixada pela ANS. “Liguei para a Unimed e pedi uma consulta com um cardiologista. Eles me disseram que só haveria vaga para daqui um mês ou só em dezembro”, disse um beneficiário do plano, que pediu para não ser identificado.

Com problemas em marcar consultas, a empresária Luana Carvalho, 27 anos, desistiu da Santa Casa Saúde, plano de São José. “Tive muitos problemas e mudei de operadora.”

Os planos de saúde negam que estejam descumprindo a norma da ANS. A suspensão da ANS é baseada em reclamações registradas nas ouvidorias do órgão e das empresas de saúde e no Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor). Em São José, onde atuam os principais planos de saúde da região, o Procon registrou 204 reclamações contra os convênios no ano passado contra 87 queixas em 2006.

Para o presidente da APM (Associação Paulista de Medicina), Florisval Meinão, que apoia a decisão da ANS de suspender os planos, as empresas têm que se adequar às novas normas, oferecer melhores serviços aos clientes e remunerar melhor os médicos.

Na maioria dos casos, as reclamações giram em torno da abrangência de serviços, negativa de atendimento, reajustes praticados, prazo de carência, tempo de atendimento e mudança de faixa etária. O problema também é verificado em Taubaté.

“Temos muitas reclamações contra os planos de saúde. O que fazemos é intermediar a solução dos conflitos, mas as empresas têm que seguir à risca a resolução da ANS”, disse Luiz Gustavo Campos Barbosa, agente do Procon de Taubaté. Segundo o coordenador do Procon de São José dos Campos, Sérgio Werneck, os planos já começaram a se adequar às normas da ANS. Ele incentiva os consumidores a registrar queixas.

O Vale

Falha no Sistema deixa 2.000 pessoas sem consultas

Uma pane no sistema de internet das UBS’s (Unidade Básica de Saúde) de São José dos Campos deixou cerca de 2.000 pessoas sem conseguir marcar consultas na cidade. A pane começou na última quinta-feira em dez unidades. A Secretaria de Saúde não informou quais foram as UBS’s atingidas pelo problema técnico.

Até ontem, cerca de seis unidades ainda estavam sem o sistema de internet. Os pacientes que procuraram as UBS’s do Novo Horizonte e Jardim Nova Detroit, na zona leste, e Bosque dos Eucaliptos, na zona sul, na manhã de ontem, voltaram para a casa sem conseguir marcar o atendimento.

“Tentei agendar um clínico-geral, mas não consegui a consulta porque o sistema estava fora do ar. Vim na semana passada e estava com o mesmo problema”, disse a dona de casa Edith Santos, 60 anos. Ela tentou marcar a consulta ontem na UBS Bosque dos Eucaliptos.

“É ruim ficar sem a consulta. Para conseguir já demora, sem sistema piorou”. A dona de casa Raquel de Falchi, 53 anos, foi agendar consultas no clínico-geral e pediatra na mesma unidade e saiu sem atendimento. A bibliotecária Elaine Aqaqi, 40 anos, disse que sua amiga Ana Maria Rosa Pinto, 52, teve complicações de saúde, porque não conseguiu marcar uma consulta com o clínico-geral na última semana, na UBS Nova Detroit.

“Tentei marcar a consulta, mas não consegui por causa da pane do sistema. Ela teve uma crise por conta do diabetes e foi para o pronto-socorro. Na sexta-feira, fui novamente marcar o clínico e não consegui”, afirmou. Segundo a Secretaria de Saúde, a pane foi causada por problemas na rede de comunicação de dados que atende as unidades com a tecnologia Rede IP da Telefônica/ Vivo.

A empresa responsável pela gestão da internet é a ABC Net Telecom. A pasta disse que a empresa será penalizada pela pane.

O Vale

Sistema de Triagem das UBS’s cria insatisfação de pacientes

O novo sistema de triagem para marcação de consulta nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) de São José dos Campos, que foi criado para reduzir a fila de espera por atendimento médico, tem gerado agora uma segunda fila para passar com enfermeiros em algumas UBSs de alta demanda.

Com a implantação do ‘atendimento qualificado’, em outubro de 2011, os pacientes deixaram de marcar a consulta diretamente com o médico e agora passam primeiro por um enfermeiro ou profissional da saúde, que questiona por qual motivo o paciente procurou a UBS, avalia o problema e dá o encaminhamento especializado para o caso.

A dona de casa Andrea de Oliveira Gomes Klid, 35 anos, foi na última quinta-feira à UBS do Jardim Satélite e só conseguiu marcar a triagem com o enfermeiro para o dia 31 de maio. “Foi a minha primeira experiência com o novo sistema e não gostei da mudança. Antes, chegava e já marcava consulta direto com o clínico geral, mas agora só consegui uma vaga com o enfermeiro para maio”, disse.

Segundo a Secretária de Saúde de São José dos Campos, a paciente foi acolhida por um profissional da área de saúde e foi detectado que ela precisaria conversar com o enfermeiro. Neste caso, por causa do grande movimento da UBS, foi agendada uma data para a conversa com um enfermeiro para maior conforto da paciente.

De acordo com o secretário de Saúde, Danilo Stanzani Júnior, após o ‘acolhimento profissional’, a demanda por médicos nas UBS´s reduziram em até 60%. “A fila de espera já chegou a seis meses. Com o acolhimento, na UBS da Vila Maria, (na região central de São José), por exemplo, o paciente consegue marcar a consulta na hora”, disse.

Segundo o secretário, o acolhimento distribui melhor a procura por médicos. “Entre 5% e 10% dos pacientes procuravam a UBS apenas para trocar a receita de um hospital particular para o SUS. Esse procedimento pode ser realizado por outros profissionais”, disse.

Stanzani também afirmou que o acolhimento reduziu a demanda no Pronto-Socorro da Vila Industrial, de 25 mil atendimentos por mês, para 22 mil por mês. “As pessoas não esperavam pelo médico e procuravam o PS. Com o ‘acolhimento’ somos mais eficientes e efetivos”, disse.

Uma das críticas do Sindicato de Servidores Municipais ao acolhimento é que o enfermeiro estaria exercendo a função do médico. “A administração quer que o enfermeiro faça o diagnóstico e a medicação para reduzir a procura por médicos, sendo que ele não é capacitado para isso”, afirmou Maurílio de Oliveira, coordenador da secretária de comunicação do sindicato. Stanzani, no entanto, garante que o enfermeiro apenas ajuda a orientar que o tratamento indicado pelo médico seja realizado pelo paciente.

O Vale

Prefeitura cria projeto pra confirmação de consultas na cidade

A Prefeitura de São José dos Campos inicia nesta quarta-feira (1º de fevereiro) a segunda etapa do projeto piloto de confirmação de atendimento médico, implantado em 11 unidades básicas de saúde (UBS) do município. É o Serviço Eletrônico de Confirmação de Consultas (SECC).

Desde a semana passada, os pacientes com atendimentos agendados estão recebendo uma chamada por meio de uma Central Telefônica Eletrônica. A gravação orienta quais os passos para fazer a confirmação. A chamada é feita para o aparelho de telefone celular do usuário. Caso ele não atenda à primeira ligação, ainda são feitas duas outras tentativas em diferentes horários.

Essa medida foi adotada pela administração municipal para que não sejam desperdiçadas consultas. No ano passado, cerca de 30% da população que marcou atendimento não compareceu.

As UBS que participam do projeto piloto são Bosque dos Eucaliptos, São José II, Centro I, Novo Horizonte, Alto da Ponte, Jardim da Granja, Jardim Satélite, Eugênio de Melo, Campos de São José, Interlagos e Vila Tesouro.Quem cancelar a consulta deve voltar à Unidade Básica de Saúde para remarcar um novo atendimento.

Prefeitura Municipal